Os Sete Pecados
8 Banhada pela luxúria
Notas iniciais

Acordo com o corpo dolorido; parece que levei um soco no meio do peito. Bem... A agressão não foi física, mas ainda assim machucou. Pego uma aspirina e a engulo com o café. Ouço uma pancada vinda do apartamento ao lado, espio pelo olho mágico da porta. É Castiel indo trabalhar. Sento no chão com as costas na parede e suspiro.
Ótima ideia fazer coisas depravadas com seu colega de trabalho em uma confraternização da empresa. Mas também... O que Castiel tem haver com isso? Ele é só meu superior, não tenho qualquer relação pessoal com ele além de ser sua vizinha. É isso. Estou fritando meus neurônios à toa.
Respiro fundo e me recomponho. Me arrumo e vou para o trabalho decidida.
— Bom dia Diana. O que achou de ontem? – encontro com Melody no elevador.
— Hm... Bacana. Eu não sabia quem era “Shermansky”.
— Ah sim. Ela não fica muito na editora, aparece poucas vezes para reuniões com os líderes de cada setor. – Ela me olha mais de perto – você parece abatida. Aconteceu alguma coisa?
— Mesmo? Não, não. – Finjo cansaço. – Acho que só não tive tempo para descanso, pois a festa foi bem no início da semana.
— É difícil conseguir reserva naquele hotel, era o único dia disponível neste mês – Melody explica e olha para o relógio de pulso. – Bem eu já vou indo, hora de resolver os pepinos.
Dou um tchauzinho e sigo para meu escritório. Ligo o computador e já vou arrumando os papéis. Castiel está sentado na sua mesa dos fundos, com o reflexo da tela do computador nas lentes de seus óculos.
— Oi Diana, me desculpe por ontem. – Kentin se queixa – queria ter ficado mais tempo com você, mas nosso chefe é um monopolizador sagaz.
— Não se preocupe, no fim pude conversar um pouquinho com cada um – dentre outras coisas.
— Claro – ele ainda parece tristonho.
— Kentin...
— Senhorita Sinner, o expediente já começou – Castiel me adverte em tom grave, encarando-me duramente.
Ai está ele, com todo seu mau humor estampado nas fusas. Se fosse um dragão, aposto que estaria soltando fumaça pelas narinas. Resmungo e pego a agenda telefônica, muitos autores nos deram seus contatos ontem, deixando Kentin sobrecarregado, então decido dar uma mão para ele. Terminamos as ligações e eu passo a ajudar Dajan com os relatórios de venda, o que é constrangedor, apesar dele agir normalmente. Mas o que me intimida são os olhares frios que Castiel me lança sempre que estamos juntos. Me pergunto se ele disse algo a Dajan.
Meio dia. Hora do almoço. Desta vez decido ir comer fora, quero ter sobre mim o mínimo possível da ira de Castiel.
— Está indo almoçar? – Priya se apressa ao meu lado.
— Sim, mas sinceramente não sei onde – digo olhando um panfleto de gastronomia.
— Então vem comigo.
Seguimos a avenida por dois quarteirões e dobramos a direita em uma rua de paralelepípedos. Paramos em frente a um restaurante japonês e meu estomago ronca.
— Sushi?
— Não esquenta, eles servem pratos quentes também – Priya me puxa para dentro do estabelecimento.
A comida é servida em Buffet por quilo, pego de tudo um pouco, mas evitando coisas pesadas. Priya e eu dividimos uma jarra de limonada e ela me conta sobre suas viagens ao oriente.
— E teve a vez do terremoto. Eu fiquei decepcionada – ela come seu último sashimi.
— É mesmo a sua cara – dou risada.
— Mas e você? Resolveu aquela questão dos sete pecados?
— Queria acreditar que sim, mas parece que só me afundei ainda mais no problema – fico brincado com a pedra de gelo no copo vazio.
— Se você precisa compartilhar algo, sou um túmulo lacrado – Priya me olha como se já soubesse de alguma coisa, estava apenas esperando pela minha confirmação.
Concordo que preciso desabafar, guardar isso só para mim está me fazendo alucinar. Remexo o canudinho mais uma vez e decido contar.
— Eu quase dormi com Dajan ontem – falo, mas a indiana não parece surpresa – e recebi um oral, de uma mulher – os olhos dela brilham.
— Uau. Me convidem da próxima vez – ela sorri, mas então volta a ficar séria quando percebe minha cara abismada. – Mas foi bom?
— Pior que sim. Eu nunca me imaginei fazendo algo do tipo – coloco as mãos no rosto, escondendo meu constrangimento.
— Se te serve de consolo, já fiz coisas bem – ela faz sinal de aspas com os dedos – piores – ergo as sobrancelhas e ela continua – viajei muito, conheci várias culturas, muitas pessoas e tive diversas experiências. Nem todas foram boas, confesso, mas pude me satisfazer com a maioria delas. E não me arrependo de nada.
Fico pensando por um momento. Priya realmente parece muito segura de si, ela é bonita, inteligente e tem um olhar extremamente erótico. De repente um arrepio me percorre a pele quando a imagino em uma transa. Espanto o pensamento impuro e vou pagar a conta.
— Obrigada, por tudo.
— Disponha – ela pisca amigavelmente. – Tenho que ir pagar algumas contas no banco, a gente se vê mais tarde.
Ela segue em direção à rua dos bancos e eu volto para a empresa. O dia passa sem mais problemas.
O expediente termina e não querendo voltar tão cedo para casa, paro em um bar no meio do caminho.
— Uma doze de Campari, por favor – peço ao barman, me sentando em um dos bancos altos sem encosto.
O belo homem pega a garrafa da prateleira e me serve o Bitter em um copo baixo e largo, com duas pedras de gelo. O lugar está pouquíssimo movimentado, algumas pessoas sentadas nas mesas dos cantos conversam baixinho. Fico observando o barman secando os copos, ele me revela um sorriso branco e insinuante, sem perceber meu corpo responde ao floreio.
— Posso te acompanhar? – olho para o dono da voz sensualizada que interrompe meu flerte. Dakota está com os cabelos soltos; as mangas da camiseta estão dobradas até os cotovelos, deixando visível a tatuagem em seu pulso esquerdo. Faço um gesto para que se sente no banco ao meu lado. – O que aborrece uma bela mulher para que ela beba sozinha em um bar? – ele pergunta e pede algo para beber.
— Só estou precisando relaxar um pouco, pensei que talvez o álcool pudesse fazer isso.
— Claro... – o barman lhe entrega um drink de Gim com água tônica.
— Mas e você, Dakota? – aponto para sua bebida fraca – não me parece o tipo de pessoa que frequenta bares.
— Realmente não gosto muito do sabor do álcool, bebo só para entorpecer um pouco os músculos cansados – ele molha os lábios. – Por que ainda insiste em me chamar de Dakota? Todo mundo me chama de Dake.
— Não sou todo mundo – digo rispidamente.
— Ai! – ele finge dor, colocando a mão sobre o lado esquerdo do peito.
— Desculpa, não foi o que quis dizer... – Viro minha segunda dose de álcool – acho que só pessoas íntimas devem se chamar por apelidos.
— Ora. Já tivemos nossas aventuras – ele sorri maliciosamente.
Remexo-me desconfortável no banco ao relembrar de nosso encontro na sala de arquivos.
— Bem... – ele retoma a conversa – talvez eu conheça um bom jeito de relaxar.
— Tenho dúvidas sobre seus métodos, mas vamos lá, me conte.
— Uma casa de Swing – Dakota diz sem delongas.
Me engasgo com a pedrinha de gelo. Ele dá uns tapinhas em minhas costas. Até o barman se espanta, percebo isso pelo leve aperto de seu colete cor de vinho repuxado pelos músculos das costas.
— Você não precisa necessariamente transar, pode apenas assistir a outras pessoas – o loiro atrevido explica.
— E o que te faz pensar que esse tipo de lugar me agradaria? – pergunto me fazendo de ofendida.
— Não estou supondo nada, Diana, e isso não é um bordel. É apenas um lugar onde pessoas com desejos em comum se permitem desfrutar dos prazeres da carne – ele deixa uma nota sobre o balcão e se levanta pra sair – e então?
Meu coração acelera. A ideia parece absurda, mas a curiosidade grita dezenas de vezes mais alto. Dakota parece aquele tipo de homem clichê que tem em todo filme universitário: lindo e sarado, mas com papo pouco inteligente. No entanto devo admitir que a perfeição de seu corpo subjuga este último fato. Pago minha conta e o acompanho, que sorri contente. Ele pega a chave do carro e desativa o alarme de um Cadillac Escalade 2015 branco, não consigo manter a boca fechada, o automóvel é monstruoso. Entro e me afundo no banco, sinto como se estivesse dentro de uma nave.
— Parece confortável – Dakota dá partida e, apesar do tamanho, o carro quase não faz barulho.
— Eu não sou nenhuma Maria-gasolina, mas posso dizer que já me sinto um pouco mais relaxada.
O loiro ri de minha expressão verbal.
— Mas me diga – ajeito minha postura – esse carro não custa uma fortuna?
— Realmente. Só consegui comprar depois de acumular algumas premiações no surf – Dakota responde entre uma troca de marcha.
Olho para ele surpresa, mas então tudo parece óbvio. Claro que ele só podia ser surfista; cabelo loiro queimado pelo sol, pele bronzeada, tatuagens, sotaque australiano. Um perfeito ícone da luxúria.
— Não me olhe com essa cara, parece uma adolescente boba.
— Já deve estar farto delas, não? – lhe dirijo um olhar inquisidor.
Ele se limita a me responder com um simples “tss-tss”.
— Chegamos – ele diz estacionado abruptamente.
Provavelmente ele dirigiu rápido, mas acabei nem notando por causa dos excelentes amortecedores. Dakota abre a porta para mim e me estende o braço. Olho para cima, lendo o letreiro de néon vermelho: Maison Doux Désir. Não sei dizer se parece uma boate ou um motel. Ultrapassamos a entrada e uma música dançante e envolvente vibra em meus ouvidos; a primeira ala é uma espécie de danceteria, há poltronas nos cantos, um pequeno palco e um mini bar, Dakota fala rapidamente com a atendente que lhe entrega uma chave.
— Viu? Dá até pra dançar – ele me puxa para perto e embala o corpo na batida da música.
Olho ao redor e vejo pessoas aos amassos nos sofás; uma mulher fantasiada de enfermeira sexy faz pole dance em um canto iluminado por um globo de luz enquanto alguns homens a observam com tesão. Há todo tipo de gente ali, casais hétero, homossexuais, pansexuais... E ninguém parece incomodado, todos curtem tranquilamente o que estão fazendo.
— Vem. Vou te mostrar as salas – Dakota me puxa pela mão, me guiando por um corredor pouco iluminado.
Entramos na primeira sala à esquerda, é silenciosa e aconchegante, há algumas pessoas sentadas em poltronas aveludadas e parecem assistir a algum espetáculo. Olho mais a frente e vejo cabines de vidro com pessoas se relacionando dentro delas.
Seguimos em frente até uma sala com buracos na parede; Dakota me explica que são para colocarmos as mãos e tocarmos nas pessoas que estão se pegando ali dentro, também conta que às vezes um espertinho coloca o pênis para fora, que causa tanto risadas quanto pequenos sustos.
Visitamos mais algumas salas e percebo que todas as paredes têm proteção acústica, o chão é forrado por carpete escuro, os estofados são vermelhos e tanto o metal das maçanetas quanto o da estrutura dos móveis, é dourado. Fico espantada e maravilhada ao mesmo tempo. Em uma sala mais distante, um casal pratica o Kama Sutra e eu fico fascinada com a flexibilidade deles.
— Eu pedi um quarto particular para nós – ele gira uma chave dourada nos dedos e abre a porta de uma suíte. O quarto possui as mesmas cores que os outros cômodos; as paredes são de uma cor cinza médio; o chão é feito de piso preto com veios dourados; os móveis são da mesma cor escura, mas o estofado das cadeiras, as poltronas eróticas e a cama são de um vermelho vibrante. – Você pode relaxar na banheira se quiser.
— Obrigada – deixo a bolsa numa cadeira e coloco a banheira para encher, despejando alguns dos sais perfumados disponibilizados.
Dakota sai por alguns minutos e eu aproveito para me despir e mergulhar na água quente, quando emerjo me deparo com seus lindos olhos a me desejar. Ele abre uma garrafa de espumante e me entrega uma taça quase cheia, se senta ao lado da banheira e com o dedo indicador coloca uma bolinha de espuma em meu nariz.
Dou risada e estico as pernas para fora; Dakota acompanha cada um de meus movimentos; ele morde os lábios com força, fazendo um filete de sangue escorrer pelo canto.
— Você se cortou – pego o lenço que sempre levo em meu terninho e limpo sua boca.
O surfista loiro segura minha mão e beija os nós dos meus dedos. Sem pensar duas vezes o puxo pelo colarinho e me amarro aos seus lábios pecaminosos, a água da banheira derrama-se para fora molhando sua camisa social. Ele solta os botões e se livra dela, assim como dos sapatos, das meias e do cinto; como um convite, ele coloca minhas mãos no cós de sua calça, abro o zíper e em um único puxão levo duas peças de roupa para baixo.
Meus olhos se detêm na protuberância majestosa que se ergue a minha frente. Dakota entra na banheira e me faz sentar sobre ele. Agarro seu pescoço e o beijo cheia de desejo, suas mãos apertam minha bunda com força, pressionando meu quadril contra seu membro rígido. Rebolo sobre ele, provocando-o; ele puxa meus cabelos para trás e morde meu pescoço; grito com a dor, mas gemo com o prazer.
Guio sua glande com a mão até minha entrada, sento com certa brutalidade, fazendo Dakota arfar. Começo com movimentos lentos para que a lubrificação retorne; aumento a velocidade e por fim estou a cavalgar sobre aquele alazão dourado. O barulho da água caindo sobre o piso reverbera pelo quarto juntamente com nossos gemidos ritmados.
Meus seios vão para cima e para baixo, às vezes roçando no rosto de Dakota que aproveita para lamber ou mordiscar meus mamilos. Em um último movimento, faço-o me penetrar por inteiro, aperto seus ombros musculosos com as unhas e sinto minhas pernas amolecerem.
— Vou gozar – ele avisa.
Desmonto e começo a masturbá-lo com as duas mãos, em poucos segundos sinto-o estremecer e sei que o trabalho está feito.
Saio da banheira e tomo uma ducha para tirar a espuma do corpo. Visto um roupão e deixo que Dakota também se enxágue. Assim que termino de me vestir ele sai do banheiro com uma toalha envolta da cintura, se aproxima e deposita um beijo delicado em meus lábios entreabertos.
— O que você achou do meu modo de relaxamento?
— De fato, eficaz – respondo.
Ele se arruma, devolve a chave a recepcionista e embarcamos no carro. Em alguns minutos estamos de volta à avenida onde moro, Dakota para em frente ao meu prédio e se oferece para me acompanhar, mas nego.
Ultimamente há homens demais entrando e saindo do meu apartamento.
— Você pode relaxar sempre que precisar, talvez da próxima vez possa experimentar outras coisas – ele acaricia minha bochecha.
— Tentador – abandono seu toque e desço do carro. – Obrigada... Dake.
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