Os Sete Heróis
2 Explosão.
Notas iniciais
Terça feira, trinta e um de outubro. Halloween e meu aniversário.
Fui obrigada a ir para a escola, já que meus pais estavam planejando uma festa de aniversário surpresa. Bom, já não era tão surpresa assim. Fui procurar meus amigos assim que pisei no pátio, e não demorei muito para encontrar uma mediana roda de pessoas. Eles me deram feliz aniversário junto com aquelas piadinhas clássicas, conversamos normalmente, ou quase isso, já que a cada frase era um grito ou escândalo diferente. Eu não parava de olhar o relógio, mesmo sabendo que faltava muito tempo para as 10 horas e 13 minutos, o horário exato em que nasci – de acordo com a minha mãe.
– Parabéns Ella – me virei e não pude evitar o sorriso. – Feliz dezesseis anos.
– Obrigada, Dorian – ele me abraçou, senti seu perfume doce e desmanchei.
Dizer que eu era apaixonada por ele era um crime. O que eu sinto tem mais de um ano, mesmo nunca tendo um contato tão direto. Ele era maravilhoso, de todos os modos possíveis. E eu infelizmente não era a única a achar isso.
Loiro, com os olhos azuis vibrantes inquietos e um sorriso extremamente aberto, e para finalizar, era alto – maior que os meus 1,73. Simplesmente irresistível. Ele arrancava suspiro por todos os lados, especialmente os meus.
O sinal da primeira aula bateu. E o da segunda, terceira, intervalo, e finalmente o da quarta. Faltavam apenas poucos minutos para chegar no horário que eu queria.
E chegou.
Durante a aula de geografia, fiquei com os olhos vidrados na tela do celular – já que eu não tinha um relógio, e nem a minha sala -, até o professor começar a me dar uma bronca e tentar pegar meu aparelho, enrolei o máximo que pude, faltava apenas um minuto, e ele o pegou. Comecei a discutir com ele e falar como isso era importante para mim, mas logo fui calada por uma forte dor de cabeça.
– O que está acontecendo com você? – O professor se preparou para me ajudar, mas já era tarde.
Minha garganta se fechou, meus ouvidos e narinas tamparam, e eu sentia uma veia saltar da minha testa. Me ajoelhei no chão, impossibilitada de gritar ou me mover. Logo meu corpo todo queimava, e em um piscar de olhos, vi minha sala toda ser joga contra as paredes, gritando e desmaiando. Eu havia feito aquilo? Não, não. Impossível. Eu estava alucinando.
Eu queria estar alucinando.
A agonia estava tão insuportável que tentei gritar, mas a esse ponto não conseguia distinguir nada. Algo rasgou minhas costas e eu fui cercada por um brilho rosa-amarelado, e logo tudo ficou completamente escuro.
*
Quando acordei me vi cercada por poeira e pedras pesadas, sustentadas por vigas que impediam elas de caírem e me esmagarem. Existia apenas uma brecha de luz, que se expandia de acordo com as sombras que se moviam no lado de fora. Estava fraca de mais para me mover, falar ou até mesmo para escutar as diferentes vozes do lado de fora. Um homem com chapéu amarelo entrou pelo buraco.
– Está tudo bem? Consegue se mover? Preciso que chegue mais perto, não vou conseguir te alcançar daqui, preciso da sua ajuda, certo? – Concordei, e lentamente me arrastei até o pondo em que o homem acabou o trabalho me puxando pelos pés.
Quando finalmente fui retirada do buraco, demorei um pouco para acostumar com a luz, mas quando fui capaz de reconhecer as formas ao meu redor, fiquei em completo choque. Não havia mais escola, apenas um monte de entulho, focos de chamas recém apagadas, corpos sendo retirados e sangue.
– Não – sussurrei. – Não, não, não pode ser. Eu... eu... não.
– Ela está viva! Levem para a ambulância.
Fui deitada em uma maca, e quatro pessoas me empurravam e colocavam equipamentos em mim.
– Qual é o seu nome, querida? – Uma mulher perguntou. – Consegue nos contar o que aconteceu?
– Arabella Bellum – respondi em meio aos soluços – Eu... eu matei meus amigos.
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