Os Sete Amares

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Nunca fui um bom escritor, então, desculpem qualquer erro de gramática cometido! E boa leitura.

Levanto-me e observo tudo ao meu redor, como gosto de ver esse Sol colorindo o céu de sentido e sempre me guiando por essas estradas de terra. Sol, meu amigo, devo lhe dizer que estou farto dessa Terra, o que ela tem a me oferecer? Ultimamente eu tenho sonhado com o mar, eu nunca toquei, nunca senti, nunca conheci. Será que o mar me aceitaria? Poderia eu adentrar neste mundo diferente?

Meu amigo foi dormir, e em seu lugar surgiu minha outra amiga, a Lua. Ela me abraçou e me fez um cafune, o Sol nunca me fez isso, ele sempre foi um pouco rígido. Mas esta era meu porto seguro, e então decidi me abrir para ela, que me ouviu atenciosamente e no fim me olhou no fundo dos olhos. Sua expressão era de alegria, porém, pude ver um pouco de preocupação.

A Lua me avisou para tomar cuidado, pois o mar é imprevisível e não obedece á ninguém. Trás felicidade e aflição, calmaria e revolta, tudo isso quando menos esperamos, mas ela me disse que mesmo que não se saiba o resultado, vale a pena arriscar. Com essas palavras, eu parti para o mar.

Meu barco é tudo que tenho para navegar, porém, é tudo que necessito. Ainda cheio de incertezas, olho para trás e olho pela última vez a Terra, esta sempre esteve presente no meu cotidiano, mas realmente, não serve para mim. Neste momento, o Sol exige que a Lua se vá, é triste ver isso sempre, mas evito pensar nisso e apenas sigo em frente rumo ao mar.

Já estive no Mar por tempo suficiente para perceber que é bom. Sim, fui facilmente convencido pelos lindos cenários que vi, chega a ser inacreditável.

Logo no começo de minha viagem, encontro Pacifico Norte, naquele momento senti que tudo daria certo, me achei sortudo, pois era minha primeira vez. Nos encontrávamos com frequência, incrivelmente os caminhos se cruzavam, e eu sempre me sentia alegre quando isso acontecia.

Eu disse que me sentia alegre, mas no fundo, sabia que estava com medo, simplesmente não sabia me comportar perto dela. Eu disse que me sentia alegre, e no fundo realmente me sentia, pois ela parecia não se importar com meu nervosismo, era um mar sereno, calmo e brando. E o tempo voava quando estávamos lá, eu boiava em suas águas, éramos tão semelhantes, tínhamos conhecimentos parecidos.

Por diversas vezes, me empenhei em mostrar o quanto ela era linda, e quando isso acontecia eu recebia elogios, parabenizações e agradecimentos. E em um fatídico dia ela olhou em meus olhos e referiu-se a mim como “Incrível”, com isso eu já podia ver além de sua superfície, podia ver aquele azul esverdeado, era bonita como as pedras de malaquita.

Pensei que já estava na hora, na hora de dizer tudo que eu sentia, tudo que foi moldado durante esse tempo. Mas quando isso veio a acontecer, o resultado me pegou desprevenido. Ela me disse “Desculpe, eu já gosto de alguém” e outras coisas mais que não consigo repetir. Ela se desculpou, eu também me desculpei mesmo sem saber se devia, afinal, o que eu sei?

Pacifico Norte já gostava de alguém, creio que ele seja melhor que eu. Não sou bom o suficiente? Demorei demais? E assim, continuo a navegar, com meu barco rachado.

Acordo de meus devaneios, estou nessa jornada á alguns meses, estou em um local diferente agora, aqui é agradável e claro. E foi aqui que me encontrei com Pacifico Sul.

Eu convenci a mim mesmo que não servia, sou um imprestável, inútil. Mas ela veio até mim, será que algo em mim estava errado e ela não tinha coragem de dizer? Mas com o tempo, descobri que ela me fazia bem, me fazia esquecer do passado, quando estava junto a mim eu me perdia em suas ondas, que me balançavam com calma. Esta sempre me ouvia quando eu dizia o quanto sou péssimo, mas sempre dizendo o contrário, me alegrava.

As vezes, sua superfície parecia perder a cor, sua densidade aumentava e era difícil me aprofundar, eu tentava ajuda-la. Outras vezes o céu estava tempestuoso, e ela também. Nesses momentos, sentia que ela só precisava de um ombro para deitar a cabeça. Mesmo assim, ela sempre fazia mais por mim do que eu mesmo, era incrível, mesmo quando sua ondas eram agressivas e me balançavam de um lado parar o outro.

E como uma se fosse correnteza, puxou meu barco, e nada pude fazer. Sim, impulsivo, sei bem. Quando dei por mim, já estava em sua frente, dizendo tudo que eu podia dizer, e como sempre esta me ouviu. Eu a conhecia bem, ela me conhecia do mesmo modo. Sem resposta. E então se pronuncia, “Não posso corresponder’’, ela me disse que não desejava algo do gênero, e gentilmente me abraçou e continuou “Quero que sejas feliz, mas para isso, ame a si mesmo primeiro. Você é incrível.’’. Olhei em sua face uma vez mais, a despedida doeu, mas iriamos nos ver novamente, foi nossa promessa.

Meu navio que antes estava rachado, agora se mostrava reparado. E assim voltei a navegar, refletindo sobre o amor que devo ter por mim mesmo, enquanto as estrelas davam boas vindas á noite.

Alguns poucos meses se passaram desde então, mas foram o suficiente para que eu me desesperasse. Entrei na vida adulta, e aqueles que conheci na jornada me diziam diversas coisas, que eu deveria ter dinheiro, ser responsável, ou ter algum parceiro.

Por falar em parceiro, conheci ultimamente Atlântico Norte. Engraçado, todos aqui eram tão estranhos, andavam sempre com as cabeças erguidas, se vestiam bem, nunca pareciam estar satisfeitos, e com ela era o mesmo. Ela me aceitou rapidamente, tão rápido que não senti emoção alguma vindo dela, mas resolvi me empenhar em muda-la. E assim, nosso tempo passava, ela sempre me incentivando a ganhar cada vez mais. Ela queria de tudo, porém, nunca queria nada. Eu obedecia suas vontades, e quando tinha uma chance tentava conversar profundamente, mas essas águas eram fundas demais, inalcançável, inacessível. Sim, estava cativo de sua luxuria. Deve ser por que há algum tempo estou precisando de alguém. Me desculpe Pacifico Sul, ainda não consigo me amar.

Como se não soubesse nadar, me afogava. Eu sei nadar? Isso não importa, estou asfixiando a mim mesmo, me condenando. Este mar exerce uma bruta pressão contra meu barco, meu pequeno e trincado barco. Quero me libertar, mas sou impotente, depressivo, deixo de gostar dos prazeres e das alegrias. Ela percebe isso, percebe que não sorrio em nossas gravuras, que não digo “Te amo’’ toda noite. E então, ela me descarta, me joga de volta na correnteza, mas claro, não antes de me tirar muito. Ela é assim e nunca irá mudar, é mar de um fluxo só, ou ela ruma ao sul, ou ruma ao norte, mas nunca aceita mudar de direção.

Eu saio daquele ambiente hostil, mas saio ensinado. Ensinado de que não se muda alguém com palavras e dificilmente com ações, não em pouco tempo. Estou cansado, acho que voltarei a navegar.

Tenho visto o Sol esses dias. Contei a ele sobre o que houve desde que parti, e macabramente sério me disse para desistir. Disse que o mar não vale a pena, que ele mesmo se arrepende de tê-lo almejado um dia. Como pode um Sol ser tão frio?

Estou desesperado, desesperado no Atlântico Sul. Ó, mar de águas formosas, quando lhe vi pela primeira vez, fiquei louco, fiquei idiota, fiquei corajoso. Eu tentava me destacar nas multidões de navegantes que tu tinha, mas tudo que eu fazia parecia ser em vão.

Acho que por estar complexado, te coloquei em um pedestal que eu não podia alcançar, era alto, mas tão alto. Ridículo. Sou mesmo eu no comando agora? Quando ela tinha tempo para mim, era pouco, mas era o suficiente. No que estou me tornando? Já fui escravizado por alguém, porém agora, sou escravo de mim mesmo em meu próprio barco. Queria que minha amiga estivesse aqui, ela ia saber o que dizer, ou talvez apenas repetisse “Ame-se primeiro’’, bem, não importa. Eu só quero ouvir algo.

Estou obcecado, obcecado por Atlântico Sul. De onde veio isso? Deve ter vindo de um complexo mais profundo que o próprio mar. Estou ficando louco. Louco! Em um breve momento ao seu lado, disparei um gatilho. Esta ficou impactada, mas depois, não compreendi sua feição. Ela me disse “Não posso trair”, e logo compreendi. O que deu em mim, como não havia pensado que, um mar tão belo e com uma tonalidade tão única já não tivesse um rei?

Mas não foi o suficiente, continuo fixado aqui. Talvez eu deva me obrigar a ir, acho que é o melhor para todos. Então você acha que mereço ser amado tanto por mim quanto por outro alguém?

Vou embora daqui. Com meu barco de papel, que é tão frágil, tão fraco, tão influenciável, tão pequeno, porém, tão pesado.

Passa-se dias, semanas, meses, ano. Tenho vivido melancólico, focando-me em meu trabalho. Meu trabalho era vender minha tragédia para quem quisesse pagar. Por incrível que pareça, isso funciona. É como se o mundo adorasse me ver sofrer, pensando bem, pode ser esta minha função, apresentar um espetáculo, um duelo, onde nunca sairei vitorioso.

Aqui faz frio, tão frio, sinto que já não sinto mais. Antártico está comigo. Ela sabe de tudo, sabe fazer de tudo, é um mar que me faz seguir uma rota perigosa, cheia de icebergs, se eu não me precaver, posso acabar afundando. Mas é fria, isso a impede de ser quente. “Me ensine o que não sei’’ ela disse. Tentei por muito tempo, muito tempo mesmo, mostrar o que ela queria aprender, mas esta sempre me dizia que isso era tudo burrice, que não servia de nada.

Acho que entre minhas viagens já pensei como ela. Então criei algum tipo de elo, uma corrente que nos ligava por similaridades, mas ela, parecia agir por motivações diferentes das minhas. Ela pensava diferente, não como eu. Sua mente era regida por tudo que podia ver, tocar, ouvir, cheirar e saborear, mas e as coisas não vistas? Ela era tão incrédula ou eu era realmente um péssimo instrutor?

Agora me sinto um verdadeiro fracasso. Ela me fez ir embora, me disse que não queria saber de sentimentos, e sendo assim, não se importava com os meus. Eu só quero agora sair dessas águas congeladas.

Agora realmente me dou conta do que a Lua queria dizer. Em todo este tempo, passei por muito que não tinha nem noção de como era. Neste momento, apenas anseio por alguma ajuda, não tenho a quem recorrer neste ambiente abarrotado de estranhos. Por que fui abandonar meu lar?

Ultimamente tenho refletido nas palavras de minha amiga, por um ano. Tenho defeitos, sim, mas tenho qualidades, este sou eu e agora gosto disso. Foi nessa época que estava navegando por Indico, um mar sereno, de águas brilhantes. Dessa vez eu nem sei como aconteceu. Não sei. Quando vimos, lá estávamos nós, em frente a todos, prometendo diversas coisas que não pude compreender, mas eram promessas. Se tem algo que aprendi, era que promessas não podiam ser quebradas, e esta se tratava de confiança, amor mútuo e auto sacrifício. E assim, o Vento nos abençoou junto com o Sol e a Lua, que estranhamente podiam ser vistos simultaneamente na manhã que se formava.

Nós nos aproveitamos ao máximo, nada nunca era monótono e creio que este foi meu erro crucial, me deixar levar novamente pela correnteza. Por que eu nunca aprendo a me controlar? Essa mente, essa visão e este barco nem mesmo parecem ser meus.

Depois de muito tempo, parecia que tudo perdia a cor, o dia, a noite, o horizonte parecia pequeno. Nos usamos tanto que ficamos desgastados, não havia novidade. Eu já havia descoberto tudo, afinal, a mentira tem perna curta. Havia me preparado para este momento, dizia para mim mesmo que ia suportar. Mas quando presenciei esse Leviatã, desabei. Eu entendia seus motivos, mas não queria entender.

O Leviatã destruiu meu barco, afundo. Eu achei que sabia como era estar afogado, mas como o mar gosta de me contrariar. Agora vejo que não era pra ser, pois aquelas promessas foram feitas ao Vento. Como poderei prosseguir?

E todos estavam lá comigo em meus momentos de aflição. Sol, Lua, Pacifico Sul e Vento, este ultimo me dissera que Indico iria pagar por tudo, era inevitável. Mas já não vejo mais sentido nisso tudo. Deixo-os e traço um novo rumo, para um lugar onde ninguém me alcance. Eu quero paz.

Eu busquei por isso, pelo mar. Mas agora este não me abandona. Agora, me encontro no Ártico. Esta se impressionou com minha habilidade de transmitir o sofrimento de um maneira tocante. Nessa época eu já tinha desistido, e minha decisão não avia mudado, não até que ela mudou tudo isso. Ela lutou por mim, não desistia, por mais que fosse negada. Foi nostálgico. Ela me tirou das profundezas, de volta para a superfície.

Resolvi sanar o sofrimento dela, aceitando-a. Não me arrependi nem um pouco, mesmo que as vezes passássemos por tempestades, redemoinhos e grandes tsunamis, afinal, isso não podia faltar. Fiz uso de tudo que havia aprendido anteriormente, pois no fundo, estava temeroso. Era fria com todos os outros, mas comigo era diferente, isso me dava forças, ela me dava forças para nutrir amor próprio. Então, vivemos com calma, sem querer apressar nada, esses foram os melhores anos de minha existência.

Mas claro, eu tenho que sofrer. Ao longo do tempo, pude ver em sua superfície as manchas negras, estas não eram superficiais, iam mais fundo, penetravam sua densidade. Essa era uma das marcas do mundo, o mundo é mal. Eu a vi sofrer, sem puder fazer nada a não ser dizer “Eu te amo’’, “Não me deixe’’ e “Você vai sair dessa’’. Mas no fim, foi tudo tão rápido quanto um lampejo. Agora estou aqui, chorando em seu leito.

Neste momento, quero apenas uma flechada no rosto. Depois de um ano, uma flechada no rosto. Agora, rezo por uma flechada no rosto. Ela partiu para onde não consigo seguir, eles não deixam. Já tive o suficiente, acho que é hora de recuar, pois, já afundei o máximo que podia. Já não há mais barco, apenas meu corpo voltando ao lar, deixo meu piloto automático assumir por mim.

Agora eu estou velho, já não pareço mais o mesmo de quanto fui embora daqui. Mas há um trecho de meu conto, que não lhes foi apresentado ainda.

E meus amigos estavam lá comigo em meus momentos de aflição. Sol e Lua. Eles já não se repudiam mais, fico feliz por eles. Eles me disseram, porém, que ainda não havia acabado. Eles me mostraram o quanto fui imprudente, e que não enxerguei o que eu precisava quando eu precisava.

Você acha que sofri? Sente pena de mim? Obrigado, mas você deveria pensar melhor. Eu me machuquei diversas vezes, sabes disso. Mas talvez você não saiba que eu machuquei ela, muito antes de me aventurar. No final, eu fui o vilão para alguém. Todos sabiam disso, mas nunca me disseram. Nunca me disseram que eu era amado, mesmo antes de tentar amar. Admito, fui um grande idiota, eu era tão jovem.

A Terra que deixei para trás foi a primeira a me consolar, eu me perguntava o por que. Foi então que percebi, ela sempre me amou, muito antes de eu partir. E quando parti, parti também seu coração. Eu não a enxergava, era tão comum. Não acredito que esta me perdoou mesmo depois de todos esses anos, e que ainda não havia desistido. E assim, posso me deitar sobre a terra, e dormir.

Aprendo que nesse tempo, o mar era instável, hora turbulento, hora calmo. As ondas, imprevisíveis, me balançavam de um lado para o outro. Não havia segurança. Mas na terra firme, encontro-me inabalável, nada me pode fazer mal, estou seguro, protegido, amado. Enganos, Amizade, Interesse, Esforço, Frieza, Traição, Morte e Amor. Tudo isso existe, é um caminho que devemos trilhar. Lhe desejo sorte nessa estrada, seja no mar, seja na terra, seja no céu.

“Viajei todo um mar, para na terra aprender a amar.’’

Notas finais
Ei, obrigado por chegar até aqui. Fico feliz se você se identificar com alguma história apresentada por mim, por que isso faz tudo ficar mais dinâmico não acha? E obrigado novamente.
Sabe, é a primeira vez que tento produzir algo do gênero, pode não ser grande coisa. Na verdade gosto de coisas pequenas.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!