Os Semideuses do Submundo

5 Capítulo 5 - Minha Transformação em Menino Demônio


Notas iniciais
É... Demorou quase dois meses. Eu tenho muuuuuuuuitas desculpas para dar, mas não, eu tenho um compromisso de postar, não cumpri e é incompetência minha.
[Dá uma raiva de pessoas que não assumem e ficam inventado trilhões de desculpas]

~[5]~

Capítulo cinco

Minha Transformação em Menino Demônio

A madrugada no acampamento fora bastante agitada, primeiro, no alto da colina, monstros graniam e urravam, e barulhos cintilantes de ferro batendo contra ferro predominava por toda a extensão do acampamento.

Logo os campistas correram para verificar. Fiquei sozinho no chalé de Ares.

O chalé de Ares é meio que vermelho-vivo mal pintado, tem um telhado forrado de arame farpado – Cujo me assustei um pouco –, ele também tem uma cabeça de javali empalhada acima da porta central. Espadas e facões foram entalhados no mármore escuro e decoram as paredes do lugar. Do lado de dentro, armas estão espalhadas por toda parte. A aparência daquele chalé me faz lembrar uma gaiola de pássaros onde nunca recebeu uma faxina. Uma coisa que aprendi, é que não é nada legal ficar no chalé durante o dia, pois o som do Rock pesado é muito desagradável.

Quando estava quase conseguindo dormir, um raio zuniu no céu caindo no alto da colina, foi um barulho alto e forte, e depois todos os campistas estavam aterrorizados gritando algo sobre “Um pinheiro” e alguma coisa com Zeus – Deus dos céus, Rei dos Deuses e do Monte Olimpo.

E então a mesma trombeta que anunciou o jantar tocou. Me senti obrigado a levantar.

O céu estava vermelho e turbulento, pressenti que Zeus estivera com problemas ultimamente. E então, além do lago, depois do casarão grego que estivera anteriormente, os campistas estavam inquietos e ofegantes em volta de um pinheiro no alto da colina.

Corri até lá na esperança de que alguém me esclarecesse tudo.

Tive que me esgueirar de algumas Harpias da limpeza – Cujo estão autorizadas a comer qualquer campista fora de seu chalé após o toque de recolher –, E quando cheguei, lá estava duas crianças loiras chorando ao pé do pinheiro. A menina chorava no colo do menino, cujo a abraçava forte tentando a proteger. E também havia um sátiro jovem desmaiado no chão.

Quíron chegou trotando enquanto lutava contra um Harpia da limpeza com os dentes cravados em uma de suas pernas.

— Vai ficar tudo bem, meninos – Quíron disse em tom de consolo. Ele se aproximou e tocou suavemente o rosto da menina que chorava, e então, o menino o olhou pedindo ajuda. — Vocês estão seguros agora. Venha!

As crianças então subiram nas costas de cavalo de Quíron, que levou-os até o casarão.

E as crianças de Apolo – Deus do sol, da medicina e de várias outras coisas – Ficaram encarregadas de cuidar do jovem sátiro desmaiado sob o chão.

A menina parecia ter de sete a oito anos, enquanto o menino, tinha por volta de treze a quatorze. Era difícil saber no escuro.

Quíron anunciou que deveríamos voltar à dormir, teríamos canoagem de manhã (novidade para mim) e que para isso, tínhamos que descansar. Foi o que fiz, mas não dormi bem. Antes fosse ter tido um pesadelo, mas não, minha noite no chalé de Ares fora bastante atormentadora. Ouvi Empório se lamentando por ter morrido novamente. Sei que os filhos de Ares não estavam ali para brincadeiras, então eu acho que não era ninguém tentando me pregar uma peça. E além disso, eu tive uma sensação de que era mesmo Empório.

●●●

Já estávamos reunidos em volta do lago, Cada chalé havia feito a sua própria canoa. O chalé de Ares, por exemplo, tinha sua canoa vermelha com detalhes de preto, e também com o casco recheado de espinhos. Já a canoa do chalé de Apolo era toda de amarelo-vivo, parecia feita de algum metal brilhante, mas não era ouro, mesmo assim era a mais bonita dali.

Quíron trotou para chamar a atenção, Dionísio estava em um trono ao seu lado, quase cochilando de tédio. E então uma Náiade surgiu do fundo do lago e manipulou a água lançando-a em direção à eles.

Quíron praguejou pela milésima vez desde que cheguei.

— Atenção! – Ele gritou assim que já havia se acalmado. — Esperamos que seja uma disputa justa, qualquer arma ou objeto mágico está permitido. E a única regra é, não causar nenhum ferimento sério ao adversário.

— Em seus lugares. – Ele anunciou

As crianças se puseram ao seus postos, a canoa de Ares na frente de forma oportunista, o de Atena atrás, cheia de bugigangas, o de Apolo ao seu lado, com as crianças segurando flechas estranhas e assim por diante.

Quíron me puxou para o lado.

— O.k menino do mal, você tem duas opções. Poupar-se de tudo isso e só ficar olhando, ou com sorte ser morto junto com os meninos de Ares.

Sem jeito, eu o disse que preferia entrar na disputa, então dei de ombros e me juntei aos meninos de Ares.

Eu não podia culpar Quíron por ser assim tão rude comigo, primeiro que tenho a minha má influência com as pessoas, isso deve estar afetando Quíron mais que qualquer um. E também, Quíron fora amaldiçoado por meu pai, então ele anda muito irritado desde então com tudo de ruim que vem acontecendo com ele.

— Lembrem-se de que estão disputando por uma semana sem deveres domésticos. – Então ele trotou e disse: — Vai!

Nossa canoa – Do chalé de Ares – Partiu a frente de todas. Haviam duas crianças no remo, mais duas ocupadas com armas, um a frente agindo como o capitão, e eu, fazendo nada.

Depois de percorrer por um curto caminho, os meninos das canoas que ficaram atrás começaram a se atacar.

O chalé de Atena mandou uma provocação

Imediatamente Augustus Matew – Um dos meninos do nosso chalé cujo abri uma exceção para lembrar o nome – Jogou um liquido viscoso em direção a canoa de Atena que vinha atrás, e então, a canoa começou a pegar fogo em chamas verdes, se espalhando rapidamente.

Pelo que minha mãe me ensinou sobre os gregos, a mitologia e tudo mais, o fogo grego é um liquido gelatinoso e verde, ele pega fogo mesmo embaixo d’agua, e o efeito do fogo grego é ainda mais devastador que um normal.

Eu nunca frequentei uma escola. Sabendo quem eu sou, minha mãe nunca me deixou ir à escola, e assim ela me ensinou tudo o que sabia e o que continha nos livros que ela me comprava. Mas além disso, ela sempre se empenhou em me ensinar tudo o que podia sobre mitologia.

A canoa de Atena ficou para trás, suas crianças estavam desesperadas procurando alguma coisa com que pudessem parar o fogo grego.

— Hei! – Gritou a menina loira que conheci, não consigo lembrar o nome dela, perguntar novamente vai ser constrangedor. Ela estava na canoa de Apolo, que agora estavam logo atrás de nós, ocupando o posto de segundo lugar. Ela ergueu o arco e lançou uma flecha sob a canoa.

Achei que ela iria errar feio, já que me dissera que não era nada boa nas especialidades de Apolo.

Eu não sei como ela conseguiu isso, mas eu estava totalmente errado.

A flecha zuniu no ar, passou por cima da minha cabeça e atingiu a ponta da frente da canoa, então percebi que não era um flecha comum. Havia uma bolsinha cinza amarrada junto à flecha. Pude contar os segundos, 5, 4, 3, 2...

De repente a bolsinha explodiu em fumaça. Escutei alguns barulhos, zunidos e estalos. Alguma coisa me amarrou e fui jogado ao chão, eu não conseguia enxergar, mas quando a fumaça abaixou, estávamos todos no chão abaixo de uma rede como as que os pescadores usam, então olhei para o lado e vi a canoa de Apolo já na nossa frente. Os irmãos daquela menina estavam lançando mais flechas ne rede com a intenção de prende-la ao barco.

— Tudo bem – Gritou o capitão de nossa canoa enquanto a canoa do chalé de Deméter atirava frutas passando a nossa frente. Ele sacou uma adaga e cortou a rede pouco a pouco.

Então nosso capitão gritou: — Hei mané! – E lançou a rede no rosto do capitão da canoa de Hefesto, que vinha logo atrás.

— Frederik, seu panaca! – O capitão da canoa de Hefesto gritou. Ótimo, mais um nome para decorar.

O capitão da canoa de Hefesto então fez um aceno. Imediatamente um outro menino atrás dele entendeu o recado dado pelo capitão. Ele sacou um mini canhão e atirou na direção de Frederik.

E enquanto a garrafinha verde de fogo grego partia em direção do nosso líder Frederik, eu pude prever morte.

Pelo o que aconteceu depois, eu até posso estar errado, mas meu senso de morte nunca falhou.

Um jato d’agua se elevou do lago fazendo brisa, e então o pote com fogo grego fora arremessado à uma longa distância.

O jato se tornou uma onda, que virou a canoa de Hefesto e fez as canoas atrás pararem de remar. Olhei para Quíron e ele estava galopando as margens do lago inquietamente.

— Fogo! – Frederik gritou, e então os filhos de Ares começaram a lançar porretes com espinhos em vão rumo à água.

E então ficou tudo silencioso.

Todas as canoas estavam quietas olhando pro lago a espera de alguma coisa. Com exceção da canoa de Apolo, que disputava o primeiro lugar. Além deles, havia a canoa de Deméter à nossa frente, mas eles também haviam parado.

— As Náiades... Mas não, isso não é possível – Frederik Sussurrou.

As Náiades são seres da natureza, no caso, da agua doce, elas moram, cuidam e protegem um rio. Mas seja lá o que estiver acontecendo com elas, não vai ficar nada bom

E então a canoa de Hefesto afundou. “TchiBUM”

— Richard! – Quíron gritou. E então me lançou uma espada de um metal negro.

Eu a apunhei e me senti instantaneamente mais forte, como se aquela espada fosse feita especialmente pra mim. Mas por que Quíron me ajudaria?

Os filhos de Ares deram um passo pra trás. — Isso... isso dá medo. – Concluiu um dos meninos olhando a espada.

_ Cuidado com isso. – Frederik me advertiu.

O que soou estranho. Não é todo dia que um filho de Ares te pede para ter cuidado com uma arma, e muito menos diz que alguma coisa dá medo.

Uma onda gigante surgiu do nada à nossa frente. Frederik então me empurrou desprevenido para dentro d’agua. Creio que ele esteja esperando que eu banque o herói. Agarrei firme minha espada e quase me afoguei, mas lá havia uma Náiade, ela tinha cabelos castanhos e aparência azulada, ela parecia uma sereia. Mas também já vi Náiades agirem como humanas, com pernas e com a pele “normal”.

Ela se assustou ao me ver, então veio nadando rapidamente até mim.

— Menino demônio! – Ela gritou como uma fera querendo me devorar. Mas a voz dela soou legal embaixo d’agua. — Afaste-se do meu rio.

Eu acenei que não, mas já estava ficando sem ar, e ela me agarrou e arrastou-me para o fundo do lago, me colocando contra as pedras.

— Então eu terei que te matar

Ouvindo isso apunhei a espada que Quíron me lançara, eu já sentia que a tinha há anos. Investi contra a Náiade, mas ela me soltou e se esquivou. Aproveitando a situação submergi até a superfície do lago. Tomei fôlego e então senti como se o lago estivesse me comendo, e fui literalmente sugado para baixo.

— Tentando fugir, menino demônio? – Ela gritou com raiva, acompanhada de uma risada “sinistra”

Me atraquei com ela ali embaixo d’agua mesmo, ela então fechou a mão com raiva. Senti a água em minha volta me espremendo com força. A Náiade fez mais força no punho fechado, e a agua foi me apertando ainda mais.

Investi com o cabo da espada – Não com a lamina – Contra a mão da Náiade machucando-a. Não sei descrever o que saiu de sua mão, Não era vermelho como sangue humano, mas eu estava embaixo d’agua e não conseguia enxergar nada.

Aproveitando a situação nadei até a superfície. A Náiade, atrás de mim vinha manipulando a água, Um dos jatos que ela atirava, passou tão perto de mim que quase fui levado junto, e atingiu em cheio a canoa de Hefesto.

E quando eu já estava na superfície, ao lado da canoa de Ares, um jato de água atingiu violentamente nossa canoa, foi tão forte, que ao invés de partir ao meio, a canoa resistiu e foi lançada violentamente à quilômetros de distância, pegou impulso e foi em rumo à linha de chegada. Ganhamos

Estava pronto pra enfrentar a Náiade novamente, mas Quíron gritou pedindo para que não fizesse isso, então nadei até ele.

— Menino do mal. você, vai me esperar na Casa Grande. – Ordenou apontando.

Casa Grande? Acho que ele se referia àquele casarão grego onde eu havia ficado quando cheguei.

Ele assobiou e a Náiade submergiu do lago.

Caminhei até o casarão, ou melhor, a Casa Grande. Dionísio já havia deixado a competição e estava à varanda bebendo Diet Coke enquanto jogava cartas com um sátiro que parecia teme-lo.

— Ah, lá vem o menino monstro. – Dionísio resmungou.

Dei um passo à frente subindo na varanda.

— Senhor Dionísio, Quíron me...

— Opa – Ele me interrompeu. — Não invoque meu nome em vão.

— Como posso chama-lo então?

Dionísio amassou a lata de Diet Coke assim que a terminou, e então entregou ao sátiro, que berrou e logo a comeu.

— Alguns me chamam de senhor D – Refletiu Dionísio. — Embora eu prefira ser chamado de perfeito.

— Hãn... Senhor D é melhor.

— Ah, bem, se eu pudesse mandar para o tártaro cada um que me dissesse isso... Digamos que já não haveria mais espaço lá – Sr. D sussurrou pra si mesmo. — Enfim, gostaria de participar dessa jogada de pinochle?

— Acho que nunca ouvi falar, mas tudo bem. – Falei e me sentei à uma cadeira vazia.

Sr. D grunhiu amargurado.

— Ninguém sabe. É realmente muito interessante o modo como as pessoas regrediram culturalmente ao longo dos séculos.

Após escutar um pouco mais das reclamações de Dionísio sobre os deuses, o universo e a cultura, Quíron chegara trotando alarmado gritando sob a varanda.

— A Náiade, ela...

Parecia que Quíron não tinha tempo para conversa.

Ele estava muito apressado e assustado, e não conseguira concluir a frase. Ele me puxou e colocou-me sob suas costas, então saiu trotando rumo ao Anfiteatro.

Todos os campistas estavam lá reunidos em volta de uma fogueira. Frederik, o conselheiro do chalé de Ares se aproximou e me entregou uma coroa de louro espetacular, daquelas que você encontra na cabeça de toda estátua grega. Todos os filhos de Ares usavam uma. Deveríamos comemorar, mas alguém havia morrido.

Ali havia um corpo morto envolto à uma mortalha, era como se estivesse enrolado em um cobertor, e os filhos de Hefesto estavam todos cercando o corpo.

E havia também uma menina familiar no meio dos filhos de Hefesto. Tive a impressão de que a conhecia de algum lugar.

Eles queimaram a mortalha com o corpo.

Notas finais
Então, eu gostei muito do capítulo, espero que também tenham gostado.
Só lembrando: eu ainda aceito semi-deuses feito por vocês para a Fanfict, na verdade podem me mandar a qualquer momento, sempre aceitarei :)