Os Selos Do Destino

3 Um vulto e algumas habilidades secretas


Notas iniciais
Espero que gostem, tentei dar um tom mais misterioso nesse cap.

Ainda na cozinha, um tanto assustado, Allan tomou a iniciativa:

– Como assim magia, tá brincando, né?

– Venham, já preparei tudo. – Chamou o mordomo enquanto andava em direção do quintal.

Um pouco desconfiados, os gêmeos Loup se dirigiram ao quintal, em direção à casa de ferramentas como era chamada.

– Porque a casa de ferramentas?- Perguntou Allan.

– Porque era o único lugar que vocês tinham menos interesse.

– Não estou gostando disso Scott. — Disse Samantha.

– Já, já mudará de ideia.

Ao chegarem à casa de ferramentas, uma pequena casa de tijolos vermelhos, como nos quartéis de bombeiros. Entraram e, com um simples acenar de mãos, Scott fez uma portinhola surgir no chão.

– Como assim!? Isso é impossível! – Exclamaram os gêmeos.

– Mais possível do que vocês pensam. — Soltou Scott junto de um sorriso.

Desceram os três por uma escada pequena e íngreme. Chegaram a uma sala úmida, um tanto pequena, também de tijolos. Já que não havia muita iluminação, com mais um aceno Scott iluminou toda a sala. Surgiram então todo tipo de artefato, cajados, espadas curtas, longas, médias, lanças, arcos, e até mesmo pistolas modernas. E junto, uma estante abarrotada de livros e grimórios.

– Que coisaiada toda é essa? — Perguntou Allan, um tanto confuso.

– Ah, as ferramentas místicas ou os livros?

– Os dois! — Afirmou Samantha.

– Bem, como irei explicar isso pra vocês? O colégio Asphire é uma escola de magia e feitiçaria. Pronto. — Explicou o mordomo.

Estavam tão atônitos com a situação que não perceberam que o nome do colégio na verdade era Asphire.

– O quê?- Disseram os dois quase ao mesmo tempo.

– Eu sei que é um pouco estranho, mas preciso seguir com o acordo.

– Estranho? Imagina, isso aqui acontece sempre por aqui. — Ironizou Samantha.

– Sam, não está ajudando. — Disse Allan, um pouco furioso.

– Al, o que quer que eu faça? Também estou confusa.

– Crianças, podem parar de discutir um pouco? Falta uma parte ainda.

Ao terminar de dizer isso o mordomo murmurou algumas palavras e surgiu um grande corredor, que dava em uma sala bem iluminada. Os três foram em direção a ela. Ao chegar lá se encontraram em uma arena de treinamento. Mas logo Scott os fez voltar para a sala menor.

– Bem, vamos começar. — Disse o mordomo.

– Ainda estou confuso com isso. Vamos virar magos? — Perguntou Allan.

– Quase isso, mas vamos começar logo. Precisam ter noção básica de magia, já que, assim como a Sam disse, somente gente da elite vai para aquela escola.

Após algumas horas de tédio, os dois já estavam exaustos de aulas teóricas. Scott decidiu dar um descanso a eles, voltaram para a cozinha para tomar um chá. Enquanto esperava o chá ser feito Allan foi ao seu quarto pegar seu videogame que estava carregando. Ao voltar à cozinha, encontrou Samantha e Scott já tomando suas bebidas. Juntou-se a eles e se sentou. Quando Samantha disse:

– Já está com isso de novo, você não desgruda disso.

– Diga por si mesma, pois posso dizer o mesmo de você e esse celular aí. — Respondeu-lhe o irmão com um tom rude.

– Ah, pode parar aí mesmo seu quatro-olhos! – Respondeu a irmã.

– O que disse sua louca por gays? – Devolveu Allan.

– Nem vem, aquilo tem nome, e é yaoi. Ou como eu prefiro chamar: limões. — Disse Samantha.

– Limões uma ova! Você que es- Allan parou imediatamente ao ouvir Scott.

– Crianças que tal acalmarem os ânimos?- Pediu o mordomo com um tom severo.

– Por quê? Ela que começou! — Disse Allan indignado.

– Vocês não lembram, mas quando tinham 5 anos, vocês estavam brigando por um brinquedo, e quando começaram a gritar um com o outro os vidros estouraram, e alguns dos outros brinquedos também explodiram. Então desde esse dia tento evitar todas suas brigas.

“Tenso”, pensaram os dois e tentaram se acalmar e continuar a tomar seus devidos chás. Mal terminaram e os dois já estavam usando os seus aparelhos. Scott decidiu deixá-los descansar pelo resto da noite.

No dia seguinte, logo de manhã os gêmeos acordaram e foram tomar o café da manhã. Só que nesse dia o café estava mais que completo, era uma fartura. A mesa da sala de jantar estava sendo usada, enorme, cheia de coisas, tinha omeletes, panquecas, bolos, sucos, tudo que se possa imaginar em uma mesa de café da manhã.

– Uau! Você se superou hoje Scott. — Disse Allan impressionado.

– É mesmo, olha isso, tem comida pra alimentar um batalhão do exército inteiro. — Concordou a irmã.

– Só quero animá-los já que vocês pareceram não gostar muito das minhas aulas. — Motivou o mordomo.

– Não é isso Scott, só acho que é muito chato escutar essa ladainha toda e ter que aprender, não basta a escola, e justo agora no final das férias que queremos aproveitar temos que aprender tudo isso. — Explicou Samantha.

Depois de tomar o café, Samantha e Allan foram para o jardim, queriam conversar.

– Al, tem certeza que quer virar um mago? Acho isso tudo muito confuso.

– Sam, não é que eu não queira, mas já pensou em como seria legal, assim como o Scott, só com um acenar de mãos ter o que você quiser?

– É, até pode ser essa maravilha toda, mas pode ter seus riscos. Sei lá, ainda não me acostumei com isso.

Depois de muito tempo conversando perceberam algo muito diferente na janela do sótão.

– Sam, você viu aquilo no sótão? – Disse Allan, agitado.

– Você vive vendo coisas Allan, aposto que foi só um reflexo. – Disfarçou a menina.

– Não, tenho certeza que era alguém lá em cima.

– Se você tem tanta certeza disso vai falar pro Scott. — Indagou Samantha.

Assim, os gêmeos foram procurar Scott, porém, não encontraram ninguém. Foram procurar no andar superior da mansão e nada também, decidiram que ele estivesse na casa de ferramentas. Chegando lá, não encontraram a portinhola que levava a sala de estudos.

– E agora Sam? Não temos como descer.

– Hoje cedo antes de você me chamar para conversar no jardim vi Scott com um dos grimórios que ele mostrou pra gente nas aulas.

– Hmm, será que ainda etá na cozinha?- Perguntou Allan.

– Acho que o vi no balcão — Disse em voz baixa, mais para si mesma.

– O quê? Não ouvi.

– Vem.

Foram para a cozinha e lá estava o grimório que Samantha disse. Grande e um tanto pesado, tinha a capa feita de couro preto, com o título em cor dourada. O título era Artes Mágicas para Principiantes.

– Pelo visto era esse livro que ele estava usando pra nos dar aula, mas o que será que tem dentro? Está muito pesado.

Decidiram abrir para ver o que tinha dentro, e eram somente páginas, mas mal sabiam eles que as páginas eram especiais, o livro podia ser lido por qualquer um. Pois era enfeitiçado, um feitiço que traduz as palavras originais, em uma língua já morta, para a língua de quem o está lendo. Quando Allan olhou para a capa do livro, teve uma de suas estranhas visões que normalmente ocorrem quando está dormindo.


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Estava em outro lugar, parecia ser uma sala de aula, cheia de artefatos parecidos com os que tinham na casa de ferramentas, foi quando ouviu uma voz grave, mas serena:

– Scott, como vai o treinamento deles?

– Comecei ontem, o diretor nos deu a resposta um pouco tarde.

– Mas está ensinando o básico certo? Se ensinar demais já sabe o que pode acontecer... — A voz não terminou a frase, parecia estar preocupada.

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Então Allan percebeu que a irmã estava chamando por ele enquanto o balançava:

– Allan, você tá aí?

– Ahn? Oi.

– Poxa, tem uns dias que você fica desligado mesmo.

Allan nunca contou sobre seus dèjá vus para sua irmã. Eles acontecem desde pequeno, normalmente enquanto ele sonha. Mas logo o seu raciocínio voltou. Os dois decidiram procurar pelo mordomo mais uma vez na casa de ferramentas. Após chegar lá novamente Samantha teve uma ideia.

– Al, como foi que o Scott fez mesmo para a portinha aparecer?

– Ele fechou os olhos, balançou a mão e a porta apareceu- Explicou o irmão.

Foi então que Samantha fechou os olhos, imaginou a portinhola no chão e balançou a mão, tudo isso enquanto dizia:

– Bem que a portinha podia aparecer se eu fizesse isso, né?

– Como posso te dizer? Ela apareceu. – Disse o irmão sem conseguir acreditar no que via.

Samantha também tinha um dom como o irmão, muitos conhecem esse dom como "boca santa", quando era menor ela imaginava ou desejava algumas coisas e elas aconteciam, mas quando entrou para a escola, ela começava a desejar em voz alta e esses desejos aconteciam, por isso decidiu manter segredo de todos e usar somente em situações de extrema necessidade.

– Acho que acabei de fazer meu primeiro feitiço. — Disse Samantha, sorridente.

Allan preferiu não comentar, estava preocupado demais com Scott. Desceram rapidamente a escada, era preciso muita atenção na descida, pois a escada era muito íngreme. Chegaram ofegantes à sala onde tinham aulas, lá estava o mordomo de pé. Ao ver os gêmeos levou um susto:

– Por que vocês estão aqui? A entrada devia estar fechada.

– Acho que eu abri. — Falou Samantha um tanto confiante.

– Nunca mais faça isso Samantha. — Disse o mordomo quase com raiva.

– Desculpe Scott. — Respondeu a menina, cabisbaixa.

– Não foi culpa dela Scott, a gente estava preocupado com você, e não tínhamos ideia de onde você tinha se metido.

– Está bem, mas nunca mais façam isso, pode ser perigoso. — Disse Scott preocupado. — Bem, já que estão aqui que tal uma aula rápida sobre poções?

– Na próxima, me faça lembrar de não procurar ele, Sam.- Disse Allan.