Os Sacrifícios de Alice

4 Capítulo 3 - Sophia


Sophia estava saindo de sua escola como fazia normalmente, a mesma nunca estava sozinha. Sempre rodeada de amigos ou familiares, todos pareciam amar muito ela. Sophia estava muito ansiosa, pois faltava apenas uma semana para sua formatura do colegial.

- Então Sophia como estão os preparativos para seu vestido de formatura? – disse Ginger caminhando ao lado de Sophia – Tenho certeza que você fará um vestido mais lindo que o da última vez!

- Muito obrigada Ginger, você é realmente muito gentil. Já tenho algumas ideias de como fazer ele, a cor será verde e terá um pouco de brilho – disse Sophia empolgada – Assim que eu chegar a minha casa já irei trabalhar nele.

- Entendo... Nossa você viu o novo aluno que chegou hoje? Ele é muito gato...

- Não o vi ainda... Desculpe-me, mas preciso ir para casa. Se não eu nunca irei conseguir terminar aquele vestido. – disse Sophia impaciente.

- Tudo bem, depois te ligo tá?

- Tá bom, até mais Ginger – disse Sophia sorrindo e afastando.

A casa de Sophia não era tão longe assim, ela só precisava pegar um ônibus e caminhar um pouco até em casa. O tempo geralmente passa muito rápido quando a mesma está voltando da escola, mas dessa vez era como se o tempo tivesse parado. Ela não via a hora de chegar a sua casa e poder terminar seu vestido. Logo, Sophia avistou o ponto de ônibus e ficou ali parada esperando assim como todos os outros que estavam junto dela. Um sorriso estava estampado no rosto da mesma, seus pensamentos estavam voltados á aquele vestido que iria fazer para sua formatura. A ansiedade a dominava, assim como a impaciência. Enquanto estava ali esperando, ela começou a observar as coisas ao seu redor, tentar ganhar mais um pouco de inspiração para fazer seu vestido. Foi aí que então Sophia percebeu do outro lado da rua uma pessoa misteriosa, essa figura usava um capuz marrom e olhava fixamente para a mesma. Ela tentou desviar o olhar, mas toda vez que olhava para aquela pessoa novamente a mesma continuava a encará-la. O ônibus então chegou e Sophia sentiu um alívio, logo embarcou no ônibus e observou aquela figura sumir conforme o ônibus partia.

Chegando á sua casa, Sophia subiu correndo para seu quarto e colocou sua maleta rapidamente em cima de sua mesinha. A mesma então ficou de joelhos próxima á sua cama olhando para seu vestido inacabado. Era uma grande emoção olhar aquele vestido que ela mesma estava fazendo. Sophia sentiu um enorme orgulho e muita felicidade.

- Sophia, você não vem almoçar? – gritou sua mãe.

- Estou indo, mamãe – gritou Sophia de volta.

A mesma almoçou rapidamente e já subiu para seu quarto correndo para terminar seu tão esperado vestido de formatura. Logo, ela pegou seu vestido com delicadeza e o levou para a sala de costura de sua mãe.

- Eu irei terminar esse vestido, papai. Irei fazer o senhor ficar orgulhoso de mim – disse Sophia com determinação.

Era ainda um pouco triste quando Sophia se lembrava de seu pai, ele havia morrido á três anos atrás. Ele estava com Pneumonia e não sobreviveu até chegar ao hospital. Seu pai era a pessoa que mais encorajava ela á seguir seu sonho de ser Designer de Moda, a paixão de Sophia era criar peças de roupas para diversas pessoas, incluindo ela mesma. Antes de morrer, seu pai a disse para nunca desistir de seu sonho e era isso que ela estava fazendo, não só por ela mesma, mas por seu pai também. Naquele momento, seu maior tesouro era aquele vestido, o qual faria seu pai ter orgulho dela.

Quando faltavam apenas alguns detalhes, o tecido acabou.

- Oh não! Não acreditou que o tecido acaba bem numa hora dessas... Parece que terei de ir até a loja comprar mais – disse Sophia chateada.

Ela rapidamente pegou dinheiro em sua carteira e avisou sua mãe que estava saindo. A mesma sentiu um pouco de desespero, queria terminar aquele vestido o mais rápido possível. Enquanto caminhava até a loja de tecidos, Sophia sentia como se estivesse sendo seguida por alguém, mas quando olhava para trás não havia nada lá. Assim que chegou à loja, ela comprou o tecido verde correndo e logo começou a caminhar mais rápido. Dessa vez, a sensação de estar sendo seguida havia aumentado e então a mesma começou a sentir calafrios. Ela queria olhar para trás, mas percebeu que isso só atrasaria sua chegada em casa. Seu coração acelerava a cada passo mais rápido que ela dava até chegar mais perto de sua casa, Sophia começou a sentir muito medo... Medo de estar sendo seguida e não haver ninguém por perto, pois a rua estava praticamente vazia. A mesma não resistiu e tinha que ter certeza de que não estava sendo perseguida, então ela foi diminuindo seus passos até parar no meio da calçada. Sophia lentamente virou para trás... Mas não havia nada nem ninguém lá. Quando ela voltou á olhar para frente... Deu de cara com aquela mesma figura e acabou caindo no chão. Seu coração agora estava realmente muito acelerado, aquela pessoa tinha um sorriso sinistro e segurava uma arma. Depois disso, tudo escureceu.

Sophia foi abrindo seus olhos lentamente, ela estava caída no chão e logo tentou analisar onde estava. A última coisa que a mesma se lembrava era de ter visto aquela pessoa encapuzada e depois sua visão ter escurecido.

- Ei Sophia, você vai brincar comigo não vai? – disse a figura sorrindo para ela.

- Porque eu deveria?! E quem é você? – disse Sophia gritando e se levantando rapidamente – Você já estava me perseguindo antes, não é mesmo?!

- Você é bem esperta... Mas acho que você deveria brincar comigo, pois querendo ou não você vai ficar aqui para sempre... – disse a pessoa encapuzada rindo – Vamos lá... Eu escolhi um lugar muito especial para você, olhe ao redor... Você poderá ficar com seu papai aqui para sempre!

- Como sabe do meu pai?! – disse Sophia furiosa correndo em direção da figura com o punho fechado – Não ouse falar dele!

A criatura encapuzada só ficou mais feliz pela raiva de Sophia, tudo aquilo proporcionava muito prazer á mesma. Assim que ela veio correndo em direção da figura, logo a mesma agarrou-a pelos cabelos e a jogou no chão com força.

- Não tenha pressa... Teremos muito tempo para brincar. – disse a figura olhando fixamente para Sophia e sorrindo.

Sophia não estava dando muita atenção ao que a figura dizia, ela estava mais desesperada em sair daquele lugar. Então a mesma começou a procurar por algo que á ajudasse a lutar contra aquela figura. Mas rapidamente a criatura puxou a arma de seu manto e começou a tentar atirar em Sophia, a mesma correu para de trás de uma das lápides e se encostou ali. Sua respiração estava ofegante e ela já não sabia o que fazer, foi então que ela encontrou um pedaço de madeira.

- Não adianta se esconder... O último que tentou isso não conseguiu. He he he he – disse a figura procurando por Sophia.

Assim que a criatura passou do lado da lápide que Sophia estava, rapidamente a mesma se levantou e bateu o pedaço de madeira na cabeça da figura nocauteando-a. Agora Sophia estava um pouco mais aliviada e sua respiração estava voltando ao normal, foi então que ela percebeu que a lápide em que ela estava encostada era a de seu pai. Uma tristeza tomou conta dela naquele momento, mas logo ela voltou á realidade e correu para a saída daquele cemitério.

- Você vai me abandonar não é? – disse a figura olhando para Sophia e deixando algumas lágrimas escorrerem – Pensei que nós éramos amigas...

Aquilo poderia parecer muito idiota, mas Sophia sentiu um pouco de compaixão pela figura e não sabia se deveria realmente deixar aquele lugar. Afinal, ela parecia tão sozinha...

- Eu... – disse Sophia se aproximando da figura.

- Por favor... Não me deixe...

- O que... O que aconteceu com seu rosto? Porque usa esse manto e esse capuz? É para esconder seu rosto? – disse Sophia se abaixando e tirando o capuz da figura.

Sophia ficou muito surpresa e assustada, aquela figura tinha cabelos loiros e duas tranças. Seu rosto estava esfolado e seus olhos eram pretos.

- Você não deveria ter visto isso! – disse a figura colocando seu capuz de volta e empurrando Sophia – Agora você vai pagar por ter sido tão curiosa!

A figura foi aproximando suas mãos dos olhos de Sophia e ela estava muito chocada e assustada para correr. A única coisa que se pôde ouvir foram os gritos abafados de Sophia e logo em seguida o silêncio.

Depois do dia que Sophia fora sequestrada, ninguém a achou. Logo, a mesma foi dada como desaparecida e uma busca por ela começou. Alguns dias depois, acharam Sophia naquele mesmo cemitério. Todos ficaram horrorizados e chocados com o que havia acontecido com a mesma. Seu corpo estava em uma cova rasa e sua pele tinha sido esfolada, seus olhos arrancados e uma coroa havia sido costurada á sua cabeça. Em uma de suas mãos estava um bilhete com várias frases, deixado pela figura escrito com sangue: “Os que morrem são os sortudos”, “A vida é uma ilusão”, “Princesa Sophia agora comandará o mundo dos mortos, para sempre.” A letra estava quase ilegível e nenhum dos policiais pôde entender nada, mais tarde encontraram atrás da cova de Sophia uma Rainha de Paus. Ninguém nunca mais se atreveu á pisar naquele cemitério á noite, á não ser o coveiro que trabalhava ali.