Os Reis - A ascensão ao Trono
7 7. Fingir.
Notas iniciais
Fingir vtd 1. Inventar; 2. Fantasiar, supor (o que não é); 3. Aparentar; mostrar (o contrário do que é); 4. Imitar, simular; vi 5. Aparentar o que não é; vp 6. Desejar passar por (o que não é); 7. Dar-se ares de.
...
Apesar de ainda estar tomando coragem para entrar no local da festa a música era alta e invadia seus ouvidos, arriscava dizer que até sua alma estava abalada com a batida daquela música, não sabia onde Ino conseguia aqueles tipos de música, tudo bem que não conhecia muito bem Ino ou até mesmo poderia admitir que ultimamente as coisas não fizessem muito sentido naquela Terra. Seu irmão permanecia calado ao seu lado, os dedos dele batucavam em seus braços cruzados, ele estaria impaciente ou nervoso?
Definitivamente ela estava nervosa, não sabia exatamente o motivo daquilo, ela só tinha aceitado o convite de uma amiga de Shikamaru da qual nunca tinha visto pessoalmente, isso era preocupante? Concluiu que deveria estar nervosa por isso e não por algum outro motivo qualquer.
Fez um sinal com a cabeça para que Gaara a seguisse e assim adentrou o local da festa sem muitas dificuldades após dar seu nome e de seu irmão para um dos seguranças. Ino estava esperando-a quase grudada na porta e tão nervosa quanto seu irmão ainda demostrava ou até mesmo tão nervosa quanto à própria Temari.
— Você deve ser Ino. – Deu um de seus melhores sorrisos.
— Sim. Sinta-se em casa. Minha festa sua festa. – Ino brincou sorrido.
— Shikamaru não sabe mesmo disso?
— Negativo. Vai saber agora. Ele está sentado no bar, impossível não reconhecer o antissocial em pessoa. Eu achei que sua presença aqui fosse deixa-lo mais solto. – Ela se explicou. – Ele fala muito... Bem... De você.
— Duvido que eu possa ajudar em algo com relação a ele. – Temari riu. – Ele não falou mesmo bem de mim.
— Bom, pode ser que não, na maioria das vezes. Shikamaru não é de falar muito, mas sei que algo está o incomodando e como vocês têm passado muito tempo juntos eu só achei...
— Entendo. Você é uma boa amiga Ino. – Ino sorriu tímida. – Então vou lá atrás dele, você pode ficar e enturmar um pouco meu irmão? Ele não é de falar muito.
— Ah claro. – Era um preço pequeno pela felicidade do amigo. – Onde ele está?
Temari se virou a procura do irmão e fez uma careta ao perceber que ele não estava ali.
— Acho que ele fugiu. – Constatou a outra loira. – Como que ele é? Eu vou procura-lo.
— Ruivo. Com olhos verde água, ele está com lápis de olho preto e uma blusa azul marinho. – Ela parou para pensar um pouco. – E tem uma tatuagem na testa.
— Na testa? – Ino quis rir.
— É. – Ela falou meio risonha. – Ele é um idiota, mas eu amo ele.
Ino confirmou e foi procurar o ruivo – esperando que não existissem tantos ruivos com tatuagem na testa na festa – enquanto a outra loira foi procurar o amigo em comum delas, Shikamaru.
...
Neji não estava para festa assim como um leão não estava para alface. Ele tentou realmente ficar perto de sua prima, mas quando a menina queria ela poderia sumir na multidão. Odiava o barulho, ou melhor, o excesso de barulho. Ele tinha um copo com um liquido azul na mão e bebia calmamente – tinha gosto de hortelã com um toque de xarope adocicado no final – analisou a multidão e vendo se achava alguma garota bonita para poder investir. Ele não gostava de festas, mas se ele estava ali ele deveria se parecer com um adolescente normal pelo menos. Quando a bebida acabou ele largou o copo em uma bandeja de um dos garçons e começou a dançar no meio de um grupo de garotas. Não estava interessado em nenhuma especificamente. Ele só queria ficar com alguém por uma noite e depois nunca mais ver o rosto dela. Sentiu uma menina de cabelo verde dançar mais colado com ele e passou os olhos em sua direção. Ela realmente tinha cabelos verdes escuros e olhos em um castanho claro, ela abriu a boca – para dizer algo que provavelmente seria seu nome – mas foi calada pelos lábios do garoto. O beijo não durou muito, o suficiente para Neji ganhar o resto de atenção da menina e garantir uma boa dança pelo resto da noite.
A batida da música trocou e Neji procurou na multidão um garçom, não achando, sinalizou para a menina que iria pegar mais uma bebida do bar e ela pareceu concordar com a cabeça enquanto dançava. Andou até o bar desviando das pessoas e com o máximo de cuidado para não pisar no pé de alguma. Pediu mais uma daquela bebida azul e começou a beber.
Uma coisa estranha aconteceu, ele pode jurar que viu uma menina muito familiar. Poderia ser seus olhos pregando peças ou aquela bebida tinha mais álcool do que imaginava, mas ele viu a menina passar de ante dos seus olhos no meio da multidão, seus cabelos chocolate da mesma cor dos olhos, os traços finos do rosto. Poderia não ser ela, havia muitas pessoas com características semelhantes com as dela no mundo e ainda mais ela havia crescido e deveria ter mudado. Terminou a bebida e foi atrás dela.
Ele dava passos rápidos, ela aumentou o passo também. Ele não lembrava o tom de voz dela, mas lembrava de seu nome. A chamou várias vezes – algumas ele até gritou – mas quando a chamava a música abafava sua voz devido à distância e quando chegou perto dela o suficiente e por pouco não pegou seu pulso ele esbarrou em alguém, a chamou pela última vez enquanto o cara falava algo que ele não entendia, olhou para a direção dela e ela estava o encarando, ela sorriu e viu seus lábios chamarem por ele.
— O desculpe. É apenas um bêbado. – Ela falou para o rapaz que reclamava com ele.
— Tudo bem, não chega perto desse aí. – O cara debochou e saiu para sua dança com os amigos.
— Neji não é?
— É. – Sorriu. – Como você está Bela?
A menina encolheu os ombros e demorou a responder.
— Bem e você Neji?
— Bem. Conhece a Ino?
— Ino? – Ela pareceu confusa.
— A dona da festa.
— Bingo. Não, mas ela me deixou entrar.
Ele riu.
— Ela deixou você entrar. – Ele riu. – Quer uma bebida?
Ela confirmou.
...
Sentiu os dedos em seu ombro, virou um pouco impaciente. Quem poderia a perturbar vendo que ela estava procurando alguém.
— Oceano?
Olhou para a figura a sua frente, pela descrição era o garoto que procurava.
—Gaara?
— Você lembra meu nome. – Ele pareceu contente. – Não esperava que depois de tanto tempo minha praia lembrasse-se de mim. Como você está Ino?
Oceano? Praia? Do que aquele garoto estava falando? Como que ele sabia seu nome? Espera... Gaara, praia, oceano... Ela ficou tentando encaixar aquilo por mais tempo do que gostaria.
Aquele não poderia ser o mesmo Gaara que ela teve – há muito tempo – uma pequena paixão, ruivo de olhos verde água e a chamando de praia... Seu Gaara era o Gaara irmão de Temari? O desespero começou a tomar conta de seu corpo por essa possibilidade.
— Estão me chamando, espera um pouquinho.
E tão rápido quanto um lobo faminto ela já tinha sumido da vista do garoto.
...
— Aquela não é a Ino? – Hinata falou bebendo um suco de morango.
A rosada se virou na direção que a amiga apontava, suficientemente lento para ver a chegada da loira.
— O que houve Ino?
— Acabou o suco de morango? – Hinata arregalou os olhos.
— Não. Fica tranquila.
— Então o que é?
— É o irmão da Temari, Gaara.
— E...
— Eu acho que o Gaara irmão da Temari é o Gaara.
Sakura fez uma cara de desentendida não entendendo o assunto da conversa e Hinata balançou a cabeça como se aquele nome não significasse nada para ela.
— Lembra-se de quando eu fiquei caidinha por um garoto que eu falei que era meu porto seguro? Sendo que eu só o vi uma vez.
— É ele?
— Talvez.
— Mas você não sente mais nada por ele, não é? – Hinata lhe lançou um olhar curioso.
— Não.
— Então por que esse desespero?
— Porque eu pensei que nunca mais o veria. E se for ele?
— Que tal fingir que nada aconteceu e ir falar com ele?
— Como amiga do Shikamaru. – Sakura completou.
A loira pensou um pouco, não seria tão difícil assim fingir que não sabia quem ele era e o tratar como uma pessoa normal, ainda mais se ele não fosse ele. Ela sorriu agradecendo as amigas que sempre colocaram seus pensamentos em ordem e depois enquanto andava a procura do ruivo – do qual não foi tão difícil achar desta vez – se deu conta que ela realmente era um pouco desligada para arrumar alguma desculpa.
— Gaara? – Ela o chamou quando estavam suficientemente próximos.
— Ino.
— Sua irmã me mandou tomar conta de você e o enturmar, mas estou meio atarefada tentando manter a festa de pé. – Ela riu.
— Ahm sim. – Ele sorriu timidamente. – Tudo bem se você não puder me acompanhar.
— Vou fazer uma forcinha, afinal você me parece uma ótima pessoa.
— Você também. – Ele parecia é uma pessoa diferente que a de minutos atrás. – Quer dançar?
Ela hesitou minimamente, porém sorriu mais uma vez e afirmou.
...
Era iria negar se alguém perguntasse algo, ela gostaria de apagar aquela cena constrangedora de sua cabeça por todo o resto de sua vida, ela veio ali por um motivo: Shikamaru. O motivo do qual ela queria falar algumas verdades para ele mesmo que não admitisse isso para si mesma, porém ele parecia muito ocupado com outros tipos de verdades como, por exemplo, a verdade da boca do garoto estar grudada com a de uma menina que nunca tinha visto mais feia antes. Temari sentiu o estomago contrair em um vomito e saiu de lá o mais rápido que pode. Ela deveria ter gastado muitos bons minutos procurando o moreno e tentando parar de tremer para que ela pudesse falar com ele, mas o destino age por linhas completamente esquisitas e se Shikamaru quando a viu não fez nada, o destino queria que ela mantivesse a boca fechada. Agora ela estava procurando o irmão tatuado que parecia ter se camuflado bem na multidão adolescente.
Quando o achou ele parecia se divertir com a loira, girando-a e fazendo passos combinados com ela no ritmo da música. Deu mais alguns poucos minutos para ele.
— Obrigada pela festa Ino.
— Mas já? Fica mais um pouco. E o Shikamaru?
— Não o achei e eu prometi ao meu pai que dormiríamos na casa de uma conhecida nossa por aqui.
— Entendo. Então... – Se deu por vencida. – Foi um prazer te conhecer Temari... – Abraçou a outra loira.
— Igualmente. – Retribuiu o abraço. – Nos vemos nas aulas?
— Pode ter certeza. – Ino olhou para Gaara e o abraçou brevemente. – Um prazer te conhecer também.
— O prazer foi todo meu.
Ino viu eles se distanciando.
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