Os Reis - A ascensão ao Trono
4 4.Inteligência.
Notas iniciais
Inteligência. sf 1. Faculdade de entender, de conhecer; 2. qualidade de inteligente; 3. compreensão fácil; 4. fig acordo.
...
A menina acordou desanimada aquela manhã, os irmãos não estavam. Então sua tarde seria a mais entediante possível assim como foi a semana inteira sem seus amados e irritantes irmãos.
Levantou vestindo seu roupão cor verde musgo com o brasão da família e seguiu para a sacada do quarto, olhou para a imensa faixa de terra seca que mais parecia areia, o solo de seu reino estava evoluído infamemente, seu pai aguarda ansioso para o dia em que as terras voltem a ser férteis e de lá cresçam árvores sólidas. Ela não sabia como eram as árvores que o pai descrevia de quando seu reino era prospero, muito menos sabia como eram os lagos cheios de água, pois agora eles eram secos como o resto da região.
A loira de olhos musgo adentrou novamente o quarto e sentou-se na cama, deixou sua coluna encontrar a macies de sua cama, ouviu uma batida na porta e murmurou um “entre” em quanto se sentava na cama novamente:
Uma mulher de olhos pretos e cabelos castanhos claros adentrou o quarto segurando uma bandeja:
— Princesa, não esperava que estivesse acordada tão cedo! – A mulher olhou um pouco surpresa para a menina. –Trouxe-lhes o pequeno almoço.
A mulher que vestia uma roupa preta com um avental branco pôs a bandeja perto da menina.
— Com sua licença milady. – A mulher falou ao fazer uma reverência e sair logo após.
Olhou a bandeja de madeira clara, ela estava cheia de comida e a menina por sua vez não queria comer aquela manhã, analisou a comida e viu escondido entre o prato vazio e a cesta pequena com torradas um lindo narciso amarelo. Sorriu desanimada, seu pai estava a sua espera.
...
— Deixe-me ver se eu entendi: Você está indo contra todos os seus princípios entre eles estão ajudar alguém e sair às pressas me arrastando junto para sabe sei lá onde no fim do mundo. – O garoto se ajeitou no banco do carro.
— Eu já te expliquei isso. – O pai falou paciente.
— Não, você me disse meias palavras juntas formando meias frases sem sentido.
— Estamos indo fechar uma aliança.
— Disto eu sei, mas não consigo ver algo que eles tenham que nós não podemos desenvolver.
— Escute Shikamaru, o reino Sabaku No tem tecnologias que demoraríamos anos para conseguir e eles pedem em troca do compartilhamento de tais informações coisas tolas como estratégias de guerra e coisas do tipo. Não temos tanto tempo para perder criando essas coisas enquanto uma estratégia de guerra é muito mais simples.
— Eles têm as armas e não sabem usa-las?
— Irônico.
— Mas estou dizendo, eu poderia ter ficado em casa, mamãe está sozinha. Estamos na estrada há semanas e estou começando a me incomodar com a terra ficando cada vez mais seca e esses carros que nos escoltam.
— Paciência Shikamaru. Estamos quase chegando. Segurança em primeiro lugar, além do mais sua mãe me parece que se vira muito bem sozinha e a agenda real não está cheia, nada que ela não dê conta. Preciso de você.
O menino olhou para as terras secas.
...
Ela passeava com o pai na estufa, o único lugar no reino que o verde era realmente verde. A grama era curta e cresciam flores brancas em alguns lugares, árvores de médio porte se encontravam na entrada, ali se produziam alimentos e ervas para medicamentos. Era difícil acreditar que algum dia aquelas terras já foram povoadas por aquelas árvores e os alimentos eram produzidos em fartura sem nenhuma dificuldade como agora. Outros tempos.
O mais velho tinha cabelos medianos que eram espetados para cima contra a gravidade, era moreno e possuía olhos amarronzados e na opinião da menina ele seria até bonito se não possuísse duas tremendas cicatrizes, uma acima dos olhos e outra na bochecha, sua mãe via certo charme nisso.
Caminhavam em silêncio, não era constrangedor, aprenderam a apreciar a companhia um do outro sem que nada precisasse ser dito. A menina estava feliz por esta com seu pai e o pai estava feliz por estar com sua filha e isso bastava.
Um guarda se aproximou.
— Desculpe Majestade, mas os Nara chegaram.
—Leve-os para o Silêncio. Estarei esperando por eles lá. Temari você vem comigo.
...
Eles estavam no meio do nada. Algumas dunas de areia eram vistas ao longe, ela estava do lado do pai tentando inutilmente não secar com os olhos os convidados desconhecidos.
Anos, ela disse anos... Escondendo o Silêncio para seu pai simplesmente dar para dois estranhos. Ele enfiou a mão na areia e puxou uma alavanca e a rodou. Algo surgia no meio da areia, a alavanca subia gradativamente e a areia escorria pelas laterais da caixa de ferro que se formava, a caixa parou de crescer quando tomou a altura de dois metros, o Sabaku No colocou a mão sobre o ferro e uma porta se abriu, o interior da caixa era feito também de ferro e era parecido com um elevador industrial, espaçoso e com uma janela de vidro que iam do teto ao chão.
O Nara mais novo analisou o local quando entrou, no local do painel dos andares tinha dois leitores de digitais e um reconhecimento de voz. Viu o homem por a mão em um deles.
—Temari.
A menina de sua idade fez uma cara contraditória e hesitante colocou a mão ao lado da do pai. O elevador começou a se mover para baixo e Shikamaru olhou para o vidro que começava a refletir o subterrâneo da cidade, canos levando água às casas, embaixo esgoto sendo tratado e nas profundezas estava seu destino.
...
Lá embaixo era um grande galpão mal iluminado e com algumas mesas mal distribuídas cobertas por lençois.
— Vejo que temos muito trabalho.
— Muito mesmo.
— Permita-me olhar as coisas. – O pai do menino levantou um dos lençóis de uma mesa. – Shikamaru.
O menino de aproximou e olhou a mesa cheia de armas, nunca em toda sua vida viu tantas armas juntas no mesmo lugar. Pegou uma e procurou alguma fonte de energia e não achou.
— Vou ter que desmontar e analisar com calma. Essas armas não são definitivamente desta dimensão.
— Certo, certo, podem levar algumas para testes.
— Sim. Precisaremos de algumas amostras de terra de algumas regiões de seu reino para podermos ver se há algo que possamos fazer por elas.
— Vou providenciar isso e uma caixa para você levarem com descrição as armas. Podem me acompanhar?
...
A menina tentava processar o que tinha acontecido agora pouco, olhava as terras áridas do horizonte. Chegou à conclusão que não entendia o que o pai fez e muito menos quem eram os estranhos. Olhou para as casas de aparência suja e empoeirada.
— Shikamaru Nara.
— O quê? – A menina virou assustada. – Mas como...?
Ele sorriu de lado.
— Desculpe, às vezes esqueço-me de fazer barulho para anunciar minha chegada.
— Realmente você deveria fazer. Então... O que trouxe aqui Shikamaru?
— Temari não é? – Ela afirmou. – Bom... Algumas tecnologias estranhas têm sido encontradas recentemente por todos os reinos, todas as tecnologias eram benéficas onde nós podemos desenvolver carros, navios e até coisas que voam pelo céu. Porém vocês encontraram armas de fogo e obviamente não sabem usar.
— Ninguém nunca encontrou tais coisas.
— Por isso que seu pai resolveu estuda-las...
— Mas não sabemos fazer isso. – Ela o cortou.
— Certamente. – Ele sorriu de lado. – Temos uma aliança agora, além de nós estudarmos as armas, vamos treinar seus soldados e melhorar sua segurança.
— Então não vejo motivos para quererem fracos cheios de areia.
— Eu posso esconder algo de você menina? – Brincou.
— Pode. – Ela sorriu.
— Então eu vou esconder isso. – Ela fez uma careta e ele mudou de assunto. – Meu pai e eu acreditamos que vocês brevemente podem liderar o mundo tecnológico.
— Então vou acreditar também.
— Você é inteligente, deveria acreditar em suas próprias palavras em vez da minha.
— Eu preciso de um empurrão para compreender as coisas facilmente. Então duvido que um dia acredite nas minhas próprias palavras.
— Então vou te ensinar a ser inteligente.
— Eu acho que você nunca mais vai me ver.
— A ocasião faz o ladrão.
...
Ele não partiu aquele dia, foi somente na tarde do dia seguinte. Mas eles não conversaram em nenhum momento. Ele só queria entender as armas e ela só queria que ele fosse embora. Cada minuto parecia mais incomodante.
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