A única certeza que tive em minha vida foi a de ser um homem dividido. Era como se eu tivesse duas máscaras, uma em cada bolso: no direito a máscara de marinheiro e no esquerdo a máscara de Garp.

Você vai rir e dizer que não, que eu sempre fui aquele que aparento: Garp, o Vice-Almirante. Mas haverá como saber o que se passa bem dentro da alma de alguém? Apenas vemos o exterior e daí tiramos nossas conclusões. Boas ou ruins, isso pouco importa. Apenas que no fim, cada uma encontra uma certeza.

E a minha é que fui um homem dividido entre meu dever como marinheiro e o que a voz do meu coração dizia. Minha vontade como um homem que carrega a Justiça nas costas e o que minha consciência ordenava.

Posso ser sincero, só mais uma vez?

Em todas as vezes que estive num dilema entre meu dever e meu coração, este último sempre teve a voz mais forte.

Lutei contra piratas toda a minha vida, e quando um deles disse que teria um filho, fui lá fazer a vontade do pirata. A sua última, pra ser mais exato. Mesmo que essa atitude descuidada valesse meu posto na Marinha, se descoberta. Simplesmente não pude ir contra a voz do meu coração.

E quando segurei em meus braços aquele pequeno ser, ainda recém nascido, que carregava a culpa do sangue herdado...? fiz um propósito de torná-lo alguém que fosse capaz de viver sem arrependimentos uma vida segura, sem culpa.

A verdade, e aqui vai mais uma, é que queria fazer por ele o que nunca consegui fazer pelo meu próprio filho. Queria que aquele pequeno menino vivesse uma vida de bem e fosse um marinheiro.

Mas a vida nos prega peças. E nem esse pequeno menino nem seu irmão mais novo seguiram o caminho que desejei. Mesmo querendo, essa escolha não era minha.

Nem mesmo meu Punho do Amor foi forte o suficiente para dissuadi-los. O sangue falou mais alto que o amor.

E agora, aqui estou. Mais uma vez dividido entre meu dever e meu coração.

Meu coração, minha família, minha vida. Não achava que os jovens poderiam causar tanta dor a alguém tão velho como eu. Não achava que teria que me decidir, agora lutando contra aquilo que sempre foi a minha razão de viver.

Acontece que, ao longo de minha vida, deixei demais meu coração a frente. Se eu não tomar agora a atitude que esperam de mim, minha reputação vai ser posta a prova.

– Ace, sinto muito por tudo isso. Se tivesse seguido o que eu havia pedido, talvez nada disso fosse um fato no dia de hoje. Como marinheiro devo respeitar a escolha que você e o Luffy fizeram – Me levantei da poltrona em que estava sentado e me dirigi a plataforma feita pelo revolucionário Inazuma. Já via no pé da plataforma meu neto mais novo correndo em minha direção.

– Jii-jii – Ainda ouvi Ace falar no alto do cadafalso.

Meu coração está preparado e agora meu dever me chama a lutar contra meu neto mais novo.

– Se quiser passar terá que me matar primeiro, Mugiwara no Luffy...

Foi um pequeno engano. A dor só aumenta...

Notas finais
Bem, eu tenho muita simpatia pelo Garp, acho que ele deve sofrer bastante, mesmo com toda a pinta de Herói que ele tem.

Porque, como ele mesmo disse "Família é outra coisa".

Enfim, espero que gostem.

Bjo =**
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!