Notas iniciais
Esse é um capítulo em que eu precisei por um momento de tensão e resolvi deixá-lo para o final, é basicamente o inicio da '' nova '' aventura de Órion contra os Caçadores e ao mesmo tempo em que ele tenta fundir os seus problemas com as descobertas de um adolescente. Não acho que os diálogos tenham ficado bons, mas vou tentar melhorar no próximo capítulo.

A escola era como qualquer outra americana, mesmo que Tenebra não ficasse lá. Espaçosa, com quadra, piscina e vários outros tipos de lazer para as crianças e adolescentes, os armários espalhados por todo o corredor e turnos diferentes. Órion e Ellie eram os únicos que estudavam juntos e era realmente bom para o garoto já que não conseguia manter uma conversa muito longa com nenhum dos outros da tribo. Ellie ergueu as mãos e saiu de lá para a sua primeira aula.

Os armários não ficavam muito longe de Órion, então não demorou a chegar e começar a pegar os seus livros. Sua primeira aula seria de literatura. Confortava-se apenas com o pensamento de que teria os seus amigos naquela sala. Órion tinha muito do seu pai na personalidade e como consequência era um garoto levemente popular, tinha muitos amigos na escola, embora eles ficassem decepcionados as vezes quando o garoto faltava nas festas.

Abriu a porta de metal e entrou na sala, por sorte o docente ainda não se encontrava e Órion foi recebido por seus amigos.

E ai, guri. – Robb falou dando tapinhas nas suas costas. Era um garoto alto e de cabelos encaracolados, Órion nunca reparou em nenhum adjetivo.

Deixa o garoto ter um dia sem ver sua cara feia, Robb. – Max se levantou e apertou a mão de Órion que sorriu para ele.

O docente entrara na sala e todos começaram a sentar em suas respectivas cadeiras. Mas não era ele quem todos esperavam. Para Órion, o seu docente de literatura era como um grande amigo mais velho, uma ótima pessoa que tinha sempre os melhores conselhos para o garoto desde que entrara na escola. Quem estava ali, parado a sua frente era um docente novo. Alto e careca, com um porte físico bastante avantajado e a pele negra oleosa, com fundos e negros olhos. Assustador, Órion precisava admitir.

Boa noite. – ele disse com uma voz grave que ecoou por toda sala. – Eu me chamo Leonard Monteiro. Sou o novo docente de Literatura. O antigo docente de vocês foi demitido. Eu não tenho interesse em saber os seus nomes e vocês vão precisar estudar mais do que já estudam caso queiram passar na minha matéria. Espero que não tenham nenhum p... – antes que ele terminasse a porta se abriu mais uma vez.

Uma garota atravessou a porta e parou em um susto ao perceber o olhar penetrante do docente. Os fios de seu cabelo passavam de um loiro manteiga até o mais puro da cor amarelada, os seus olhos eram como esmeraldas de tão verdes, não passava de 1.70 e parecia ser um pouco mais velha do que o resto da turma. Órion olhou para a garota e a única coisa que sua visão conseguiu captar foram os lábios cheios dela, passeando entre um tom rosado e vermelho, era como se ele estivesse dando um convite ao garoto, estivesse o chamando por meio de um sussurro. Mas logo os seus devaneios acabaram.

E você é...? – questionou Leonard.

Merida. – ela respondeu

O sobrenome.

Winter. Merida Winter. – ela completou e correu para sentar-se em seu lugar com a cabeça baixa. Por algum motivo Órion não conseguia tirar os olhos dela, era como se Merida tivesse um imã que atraía o atraía, e o seu cheiro penetrava suas narinas de uma forma extremamente prazerosa para o garoto. Ele sentia tamanhas sensações em ver Merida Winter passar em sua frente que podia jurar que sentia uma parte abaixo do seu ventre queimar, mas não sabia explicar o que era.

O docente seguiu com o seu discurso sobre como ele não passaria a mão pela cabeça dos alunos e que as suas provas eram sempre as mais difíceis, pois literatura se tratava de uma arte e não de um passa tempo onde os alunos traziam os seus respectivos travesseiros e dormiam na aula. Leonard até mesmo jogou um giz na cabeça de Ed, o gordo enquanto ele babava na cadeira de tamanho sono. Órion sabia que com aquele docente as coisas seriam diferentes. Leonard possuía um jeito tão rigoroso de ensinar que os seus livros normalmente continham uma extrema violência, mas para ele tudo aquilo não passava de um aprendizado mais a fundo sobre a segunda guerra mundial.

A aula continuou a respeito do mesmo tema, até que o sinal bateu. Órion tinha uma aula vaga, então seguiu para o pátio com Robb. Era um lugar aberto e sem grades, com várias mesas vermelhas espalhadas e bancos de madeira. Os dois sentaram e olharam em volta.

Cara, você reparou naquela garota? A Merida? – Órion perguntou para Robb que coçou os cabelos e deu um riso.

Claro que reparei. Gostosinha. – Robb olhava para o lado, provavelmente procurando Lisa. Ele sempre fora apaixonado pela garota, já namoraram, mas ele descobriu que ela só estava interessada em sua carteira.

Ela tem algo mais. Não sei. Seu cheiro, talvez. – Órion mordeu o canto do lábio inferior puxando uma pequena pele. – Ela é extremamente linda, cara.

Órion, para, para, para! – Robb o interrompeu. – A garota acabou de chegar, não fica caidinho, você nem sabe de onde ela veio. –

O que? Eu só comentei que ela é bonita. – Órion bufou e se levantou. – Vou comprar alguma coisa pra comer. – completou e se retirou para atravessar o pátio e chegar até uma pequena barraca que ficava ali para os alunos comprarem lanches. Atrás de Órion estava um cartaz enorme com letras muito bem feitas em um tom neon e cinza que descrevia: Instituto Tenebra.

Ao olhar para o lado percebeu a presença de Merida ali esperando que o seu pedido chegasse, ela olhou para ele e sorriu. Órion fez menção em abrir a boca para ao menos iniciar uma conversa, mas logo qualquer som que saísse dos seus lábios foi abafado por um barulho vindo do bolso de Merida. Ela retirou o aparelho que se parecia com um celular de última geração: Pequeno e com uma antena que piscava em vermelho na parte de cima. A garota apertou um botão ali e olhou para Órion, o seu sorriso desaparecera por alguns segundos e em seguida voltaram a brotar estirando os seus lábios em um movimento uniforme deixando visível a cor rosa que mais se destacava. Mais uma vez Órion sentira aquele calor abaixo do ventre, então desviou o olhar para frente e de relance percebeu que Merida passava os dedos tão brancos quanto a sua face por cima de um brinco com uma pedra verde e se retirava dali.

Desconcertado, Órion murmurou para o atendente pedindo um copo de suco. Este se virou para dentro do trailer e desparecera. O garoto passou a mão pela testa e percebeu que estava soando, estirou o braço para pegar um guardanapo, porém o seu movimento foi interrompido quando uma pequena bola brilhante despertou a sua atenção, mas antes que conseguisse fazer qualquer coisa sentira a picada em sua panturrilha direita o fazendo cair no chão. Outra bola brilhou no céu e Órion desviou para o lado antes que ela o acertasse. Eram tiros, mas estes vinham com uma pequena carga elétrica em sua bala. Órion sabia o motivo, e sabia quem estava atirando: Caçadores.

O garoto começara a correr tentando chegar à parte de trás do Instituto Tenebra, onde ficava o estacionamento e escondeu-se atrás de um dos carros. Uma figura alta e totalmente coberta por roupas e umas máscara negra chegou ao estacionamento e Órion não sabia como, mas quando percebeu, já estava recebendo tiros eletrocutados novamente. Correu mais uma vez e estirou a mão jogando um portal a sua frente, mas uma bala atingiu o vácuo e este se fechou. Só agora, depois de correr, percebera que a sua panturrilha estava sangrando e aquilo começou a incomodá-lo.

A figura de preto parou olhando-o, e o garoto podia jurar que ele estava sorrindo mesmo usando máscara. Apontou a arma para Órion e quando fez o disparo, o garoto se jogou para o lado em uma cambalhota e mais uma vez a adrenalina começou a subir pelo seu corpo. Correu entre os carros e no momento oportuno jogou-se para debaixo de algum carro. Sua respiração estava pesada e da sua testa descia uma fila de suor, o seu rosto estava completamente vermelho e a sua perna começava a latejar.

Desceu a mão direita e suspendeu a calça de pano fino, passou os dedos pelo ferimento e sentiu o sangue. Baixou mais a lateral do corpo e tocou uma ponta metálica. Era uma adaga que ele escondia entre o sapato e a calça, uma ordem de Jon para casos de emergência. A adaga era completamente prateada, o seu cabo tinha um rubi preso bem ao meio e uma escrita em sua lâmina: A le lọ nipasẹ gbogbo awọn ti o ntọju wa yato si.

Órion ouvira mais tiros do homem e então ele parou. Um barulho de troca de bala ecoou pelo local. Aquela era a oportunidade perfeita. O garoto se arrastou para trás do carro e ergueu o seu corpo, olhou pelo canto e percebeu que o atirador estava realmente pondo mais bala em sua arma que se parecia com qualquer outra de calibre pequeno, mas suas balas brilhavam. Órion tocou a parede atrás do seu corpo e um portal se abriu, ele atravessou e outro cortou o vento atrás do atirador, o garoto pulou com o corpo em cima do homem e grudou as suas pernas na cintura dele, embora fosse visivelmente mais baixo do que o mesmo.

O atirador girou o corpo tentando jogar Órion para o lado, e de fato conseguiu, então partiu para cima dele tentando esmurrá-lo com a mão livre, mas o garoto era realmente ágil e as sua perna direita se ergueu proferindo um chute na barriga do adversário. Novamente ele se pós de pé e correu na direção do homenzarrão passando a sua adaga na barriga do mesmo e o fazendo urrar de dor, girou o seu corpo e cortou-lhe o pulso, rasgando também a sua malha que servia de camisa. O homem proferiu uma coronhada no ombro de Órion que o fez rolar pelo chão.

Os portões do estacionamento se abriram e outros dois homens com as mesmas roupas apareceram. Órion sentia o corpo pesar, mas mesmo assim conseguiu se levantar e correr. A adrenalina já se fora do seu corpo há certo tempo e logo ele veio ao chão por conta da sua perna. Era o seu fim, ele sabia disso. Os três homens ergueram as suas armas e o garoto imaginou que agora a família Woody estaria acabada...

Outro barulho surgiu, mas não fora de nenhum disparo. Algo cortou o vento formulando um som único. Órion viu no pescoço de um dos homens o chicote prateado clarear a luz do sol, enforcou o homem até que fosse puxado e o atirador rolasse até o chão. Um tiro foi lançado na direção daquela que portava o chicote, mas esta abriu um portal ao seu lado e jogou-se para dentro, reaparecendo na frente de Órion. Era Ellie.

A garota ergueu a mão que segurava o chicote e lançou na perna de um dos homens, puxando-o para o chão também, agarrou a adaga de Órion e correu na direção dos dois que estavam caídos cravando a adaga exatamente em seus peitos. O terceiro, aquele que tinha sido acertado na barriga e no pulso, começou a correr. Virou-se para Ellie e ergueu a sua arma, mas esta foi tomada de suas mãos com um movimento de chicote tão rápido que Órion nem mesmo conseguiu ver. Ellie correu na direção do garoto e o ajudou a levantar.

Vamos, mais vão aparecer. – Ellie ergueu a sua mão e um portal de cor azul marinho se abriu, e no vácuo estava a praia. – É o mais longe que consigo nos levar. – ela disse e os dois entraram. Ressurgiram no local onde o vácuo do portal indicava, onde ficava a casa de treinamento. – Nunca mais eu irei te salvar, Órion Woody! – a garota gritou enquanto ele mancava procurando apoio em seus ombros.

Notas finais
A le lọ nipasẹ gbogbo awọn ti o ntọju wa yato si Tradução: Podemos atravessar tudo aquilo que nos mantém separados