Os Perfeitos E A Escrava
24 Perdão
Notas iniciais
Braços rodeavam a minha cintura, o sol penetrava os meus olhos fechados, e o cheiro dele e de sexo dominavam minhas narinas.
– Eu sei que você está acordada – O ouvi sussurrar em meu ouvido fazendo-me ficar arrepiada.
–Só estou com preguiça de abrir os olhos – Ele riu baixinho e colocou as mãos delicadamente em meu queixo erguendo-o e logo dando-me um selinho.
– Bom dia – Sorri ao ouvir a singela saudação.
– Bom dia – Abri os meus olhos e avistei os seus, aquele azul celeste e penetrante que me deixava tonta.
– Agora saia de cima de mim, você é pesada – Ele me empurrou para o lado, sim eu estava dormindo em cima dele.
– Idiota – Murmurei baixinho.
– O que você disse? – Ele perguntou com uma carranca.
– Eu? Então você se lembra quando eu perguntei se vocês têm uma droga especifica para Diafenix? Então! Você continua usando? – Murmurei levantando-me, ele inclinou-se em minha direção, desci da cama e corri para o banheiro, trancando-me lá as batidas na porta não tardaram a começar.
–Scarlet sua praga, abre esta porta – Ele gritava enquanto eu ria.
– Eros eu preciso tomar banho – Gritei de volta ligando o chuveiro, não antes de ouvi-lo bufar. Tomei um banho relaxante e demorado, quando sai encontrei Eros colocando o terno, seu olhar voltou-se para mim, ele fuzilava-me com os olhos.
– Ai que foi? Esta me encarando por quê? – Enrolada na toalha caminhei até o closet onde vesti minhas peças intimas, com o tarado do Eros me olhando, vesti um short jeans branco e uma blusa preta, coloquei um supras vermelho, penteei os meus cabelos o deixando solto e molhado.
– Não gosto desses shorts, você deveria usar vestidos igual ao meu povo – Ele murmurou revirei meus olhos.
– O seu povo é mais avançado do que o meu, no entanto ao mesmo tempo parece antigo – Critiquei-o abandonando o quarto com Eros no meu encalço.
– Não posso fazer nada se o meu povo preserva o corpo – falou, parei de andar e o encarei raivosa.
– É bonito preservar o corpo, mas o seu povo está passando por cima do meu então não vem se fazer de santo – Eu o encarava.
– Nunca fui santo, pelo contrário — Ele falou caminhando até mim, passando um abraço pela minha cintura, tentei sair do seu aperto, seus braços fortes prenderam-me com firmeza.
– Você é um idiota – ele riu, logo estávamos na sala, então o Eros descontraído se transformou em Eros frio. Na sala estavam alguns homens de preto, Ariadna, Oriel e, ei eu conheço aquela ruiva Diafenix, ela quase me bateu quando eu entrei nesta casa, a diafenix ruiva desmanchou-se em sorrisos quando viu Eros, foi logo abraçando-o, caminhei rapidamente até Oriel e me sentei ao seu lado, ele gentilmente sorriu para mim.
– Eros meu amor, a quanto tempo – Ela falou maliciosa e Eros retribuiu com um sorriso que logo se desfez.
– Sim Caroline, faz tempo – sua resposta foi seca, em seguida desviou toda sua atenção para os homens de preto.
– Quem são eles? – sussurrei para Oriel que me respondeu.
– Não são Diafeinix, eles parecem mas não são, nem humanos, são Garladios – assim que viu o ponto de interrogação em minha face tratou de explicar-se – É um planeta chamado Garladis desconhecido da terra, eles são bem ricos, a fauna deles é uma loucura — Assenti com a cabeça mostrando que eu havia entendido, olhei de novo para os homens conversando com Eros, eles pareciam o temer mas tentavam não demonstrar o que não estava dando certo, a ruiva chamada Caroline estava me encarando, a encarei também e sustentei o seu olhar, aquilo era extremamente tedioso e como não tinha tomado café não demorou muito para a fome me atingir, caminhei ate a cozinha, chegando lá haviam muitas empregadas, elas não me olhavam diretamente e nem falavam comigo, na verdade elas não falavam nada, acho que a conversa parou devido a minha chegada e isso era horrível, procurei uma que estivesse preparando cozinhando.
– Olá, aonde eu encontro ovos? – Perguntei com a intenção de fazer uma omelete para poder matar a minha fome.
– A senhora está precisando de algo? Se quiser eu faço panquecas- Ela falou olhando para baixo, panquecas é melhor do que omelete.
– Oh sim, eu gostaria muito se você não se importa – Ela assentiu com a cabeça e começou a fazer, me sentei em uma mesa perto dela e comecei a puxar assunto – Qual é o seu nome? – Ela me olhou pela primeira vez com os seus profundos olhos negros, ela era muito bonita.
– Nayara – A sua voz era baixa.
– Sou Scarlet – E a partir dai começamos a conversar, ela se soltou mais e me contou que havia vindo do Brasil, vendida pela madrasta gananciosa. A panqueca ficou pronta e estava deliciosa, quando terminei me despedi de Nayara e fui ver Maria.
Entrei em seu quarto ela conversava com a enfermeira e sorria, quando a enfermeira me viu entrando me cumprimentou, se despediu de Maria dizendo que viria quando ela chamasse e saiu.
– Mãe Maria que saudade- Fui até ela dando um beijo na sua testa que sorriu e fez carinho em meu rosto de um jeito terno.
– Minha menina, eu pensei que você estava morta, estou tão feliz, você me salvou – Ela murmurou e eu a abracei.
– Agora eu não vou deixar nada de ruim acontecer com você –
– O que aconteceu minha menina? Você está mandando no rei direitinho, o que está havendo? – Ela perguntou me olhando, me sentei na poltrona perto da cama dela.
– Estou lidando muito bem com ele, ele não me machuca e me trata bem, nós parecemos estar...Juntos...Algo do tipo, ele disse que me ama — Maria não gostou muito mas logo entendeu.
– E você? O ama? – A reposta para aquela pergunta parecia obvia, mas eu ainda estava em uma batalha com os meus sentimentos, mas era tão obvio que eu não conseguia mentir.
– Sim, eu o amo, eu sou apaixonada por ele, mesmo com o que aconteceu, eu ainda me sinto coagida, mas estou conseguindo lidar com o que aconteceu...Eu acho – Murmurei olhando para o chão, logo olhei nos olhos de Maria que sorriu.
– Com certeza você o ama – ficamos conversando, ela não demorou muito ate que precisasse dormir, chamei a enfermeira e a deixei com ela, fui para fora do castelo e fiquei no jardim principal.
– Escrava – Ouvi aquela voz nojenta, era ela, a ruiva vadia.
– Vadia, como vai? Tendo muito programa? – Perguntei sínica, ela me olhou raivosa, pelo seu olhar tive certeza que estava prestes a morrer então resolvi usar a influencia daquele bocó que era o Eros – não, estava vendo os seguranças? Todos estão nos observando, te garanto se você encostar em mim não será por muito tempo e Eros não vai gostar nada disso – Dei uma risada vitoriosa ao vê-la recuar, dei-lhe as costas e caminhei pelo jardim, a vadia me seguiu.
– Não seja idiota, você é apenas uma escrava humana que se apaixonou pelo seu dono, ele te levou para cama e disse que te ama não foi? A ele também disse que me ama e me levou para cama – A ruiva gargalhou e continuou – Sou uma Diafenix e vivo por muito tempo, sou belíssima e posso carregar um filho de Eros, já fui amante dele e ainda sou, não se iluda querida, você é humana e pode morrer rapidinho , além de viver pouco, quando você estiver velinha Eros estará lindo e com a mesma aparência, olhe para Ariadna, nem parece a mãe dele , mas ela tem 200 anos e Eros 50, imagine você com 50 anos? Vocês não podem ficar juntos – cada palavra, cada silaba, cada letra me atingiu como uma facada, ou talvez pior, a realidade me bombardeou, a diferencia de raça, ela ser sua amante, será que eles transavam? – Quando você se foi, sabe quem estava aqui? Euzinha, e cuidei muito bem dele, aliás, ele estava tão abatido – falou irônica. – por ter perdido sua boneca inflável, e a aberração que você carregava dentro de você , como se você fosse aguentar um filho dele, ele te fez um favor te espancando até ficar inconsciente e matar a aberração – Senti lágrimas caindo de meus olhos, como assim? Algo dentro de mim? Eu...Eu estava grávida? Eu perdi o meu filho?
– Eu estava grávida? – A minha voz não passava de um sussurro, Caroline fez uma cara de surpresa e depois deu uma risada debochada.
– Você não sabia que estava grávida? Então todos esconderam isso de você minha querida, que triste, sim você perdeu a aberração quando Eros te bateu quase até a morte – Não aguentei, sai correndo, a essa altura as lagrimas já lavavam meu rosto. Parecia uma idiota chorona, mas o que eu posso fazer? Eu perdi um filho e isso dói muito mesmo sendo dele, o Diafenix que eu amo, entrei no castelo e corri o mais rápido que pude, meus soluçõs eram altos, trombei com Oriel que me segurou pelos ombros.
– O que ouve? Alguém te machucou, irei chamar Eros, ele está em reunião com os Garladios – Oriel falava desesperado.
– Por que ninguém me falou? Por quê? -Eu gritava com a voz entrecortada.
– Falou o que? – Ele parecia confuso.
– Que eu perdi um filho, que eu estava gravida – Gritei tentando me soltar, mas ele ainda segurava meus ombros firmemente, os seus olhos se arregalaram e ele fez uma cara de culpa.
– Me desculpe, não podíamos você já estava muito mal – Ele falava baixinho.
– Um filho Oriel, uma vida, meu sangue – Griteime desvencilhando dele tranquei-me no quarto, comecei a quebrar tudo que eu havia lá dentro.
NARRADOR
Eros estava em uma reunião importante, não poderia ser interrompido por nada, aquilo realmente era importante, Oriel entrou na sala de reunião fazendo todos ficarem quietos.
– Que droga você faz aqui Oriel? – Eros falou frio como sempre.
– Scarlet – Ele sibilou, Eros imediatamente interessou-se pelo o que Oriel tinha a falar, gesticulou para que o mesmo se aproximasse, Oriel transpirava ansiedade.
– O que tem ela? Fala logo porra, o que aconteceu com ela? – Eros começou a ficar nervoso e irritado.
– Ela descobriu sobre a criança e esta fora de si, esta trancada no quarto e pelo que me parece resolveu redecora-lo, esta incontrolável – Aquilo foi com um tapa na cara do Diafenix rei, que era temido por todos, sem se importar em dar explicações ele correu com sua velocidade sobre humana para seu quarto antes mesmo de atingir o segundo andar sua audição apurada já podia captar gritos e barulho de coisas se quebrando, quando ele entrou no quarto foi atingido na barriga por um vaso de vidro que se quebrou ao se chocar contra ele, a visão do quarto era deplorável, contudo o pior foi ver Scarlet surtada com sangue nas mãos e quebrando tudo, os olhos dela estavam vermelhos, porem não choravam mais, sua dor era tanta que ela já não tinha mais lagrimas para chorar.
– Scarlet ... – Ele murmurou caminhando até ela que o olhava com ódio.
– Você o matou , eu vou te matar – Ela gritava munida de uma barra de ferro, seis golpes foram desferidos pelo corpo de Eros que não preocupou-se em desviar, quando o sétimo golpe estava pronto para atingi-lo seus pulsos fortes então pararam a loira.
– Eu não queria, eu não sabia ... – Ele falou tentando acalma-la – Perdão, me perdoa, eu não sabia, também era meu filho – O Diafenix tentou imobiliza-la, ela estava fora de si, e batia nele com as suas mãos cheias do próprio sangue.
– Você é um monstro, eu odeio você, você matou o meu filho – gritava, ele a abraçou e ela começou a se debater, sem forças acabou desistindo depois de ver que ele não a soltaria – Você matou ele – Ela soluçou.
– Eu não sabia sobre ele, me desculpa, eu estava fora de controle, perdão – Ele nunca havia pedido perdão a ninguém.
– Eu te odeio – Ela gritou tentando sair dos braços dele, logo ele a soltou e fez algo que ela não podia acreditar, ele estava ajoelhado ao pés dela com lágrimas nos olhos, um liquido negro começou a sair dos olhos dele, ao que tudo indicava as lágrimas diafenix no começo eram transparente mas quando derramadas em excesso ficavam negras. Negras como a alma dele, ela pensou.
– Me perdoa, eu também me odeio por isso, você não sabe como eu sofri por saber disso, me perdoa por tudo, me perdoa – Ela caiu no chão cansada e soluçando.
– Talvez essa seja a escolha mais errada que eu poderia fazer, mas eu te perdoo, te perdoo por que...Eu te amo – A loira falava chorando, o rei estava ali, ajoelhado fazendo algo que ele não fazia ou talvez nunca fez, chorar de verdade e ainda mais nos pés de alguém, da mulher que amava.

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