Os Pensamentos de Hazel Grace.
1 Part.1 ''Os Pensamentos de Hazel Grace''.
(...)
“O que mais? Ela é tão linda! Não me canso de olhar para ela. Não me preocupo se ela é mais inteligente que eu: sei que é. É engraçada sem nunca ser má. Eu a amo. Sou muito sortudo por amá-la, Van Houten. Não dá para escolher se você vai ou não vai se ferir neste mundo, meu velho, mas é possível escolher quem vai feri-lo. Eu aceito as minhas escolhas. Espero que Hazel aceite as dela.
Eu aceito, Augustus.
Eu aceito.”
Os Pensamentos de Hazel Grace.
Eram 1:20 da manhã, e eu só conseguia pensar em duas coisas, você e nós. Lembro como se fosse ontem, a primeira vez que o vi. Vivíamos um dia de cada vez... Até ele me deixar. Não o culpo mas realmente sinto sua falta com todas as minhas forças. Ele está bem aonde quer que esteja, ele definitivamente não queria ficar nesse mundo maldito, porque todos nós morremos algum dia.
E naquela noite, pensando no dia que Augustus se foi.. Eu deitei na cama e chorei até me acabar, gritei, esperneei, coloquei tudo pra fora ao mesmo tempo em que me certificava de que ninguém me ouvia.
Pensando em meio a escuridão, naquela noite fria, sem os seus braços envolvidos nos meus, olho de relance para o chão e relembro de como era lindo, de como era bom ouvir sua voz. Ele me fazia sorrir em plena madrugada, e eu realmente adorava isso. Lembro do nosso ‘’ok’’. Eu me lembro da vez que ele disse que talvez ‘’ok’’ seja o nosso sempre... Bom espero que você pense em mim as vezes, onde quer que você esteja Gus, só para eu não me sentir tão idiota por pensar em você o tempo todo.
Se passaram alguns meses depois da morte de Augustus e parece que nada faz sentido, ele era meu amigo, meu amor, simplesmente tudo pra mim e agora simplesmente eu não tenho nada. É tão ruim se sentir sozinha como se o mundo fosse desabar em você .... Eu sempre fui assim, sempre chorei baixinho debaixo d’ água no banho para abafar o som dos soluços, e sempre que eu demorava mais, minha mãe me compreendia. Quase todos os dias eu tenho um novo pesadelo, e minha mãe está sempre me acordando e sussurrando bem baixinho em meu ouvindo ‘’filha isso vai passar, vai ficar tudo bem, tenha calma.’’
Bem, eu nunca fui como ela, sabe? De bem com a vida, tranquila e tão confiante. Sinto falta dele, sinto muita falta do seu abraço, do seu beijo e do seu conforto. Ele me entendia completamente, como se ninguém mais importasse para ele e isso dói, saber que ele se foi assim... De uma maneira tão vaga, lembro das suas brincadeiras e de todas as bobagens que ele me dizia, lembro daquela viagem que mudou minha vida e que fez sentir- me livre. Sinto falta dos carinhos no meu cabelo, e das suas meras metáforas que eram idiotas demais... Apenas sinto saudade, aquela saudade que aperta, e muitas vezes dói.
Eu fiquei internada no Hospital recentemente, tive uma notícia horrível mas ao mesmo tempo confortadora que eu estou em estado terminal. Primeiramente me senti meio que aliviada, mas alguns segundos depois pensei nos pais de Gus, de como eles sofreram com a sua morte. Sua mãe voltou a fumar, e seu pai teve uma recaída com a bebida. Não quero que coisas ruins aconteçam com os meus pais, não quero que seja por minha causa. Mas eu não tenho como evitar esse tipo de coisa, seu já estiver morta.
Tem dias que eu me jogo – literalmente — na cama, e olho para o teto, penso na vida e fico horas assim. Penso no que eu deveria ter feito, ou no que eu já fiz e nas coisas que não me arrependo... Também penso muito nas coisas que eu devo fazer agora, no presente, no hoje. Mas eu prefiro morrer, calmamente e lentamente e deixar que a vida me leve para um lugar melhor. Fechei os olhos mais forte que podia. Tentei por um minuto esquecer tudo aquilo, mas não conseguia. Duas horas se passaram e eu ainda não estava conseguindo desviar meus pensamentos. Eu olhei o relógio, e eram exatamente três horas e quarenta e cinco minutos da manhã. Juro, acho que eu tenho sérios problemas pra dormir. Rolo de um lado, rolo de outro e nunca pego no sono. Ainda não sei se sofro de insônia ou de lembranças.
Part. 2
As pessoas me veem, e sempre que podem se lamentam por minha ‘’trágica perda’’. Eu fico muito irritada com isso. Nós não éramos perfeitos, não éramos almas gêmeas, nem como os casais dos livros e muito menos tínhamos a nossa música. Nós éramos… Bem, apenas nós. Ah, se pudéssemos riscar tudo o que passou e escrever uma nova história, um novo fim... Mas nós não podemos, E só nos resta esperar e torcer para que tudo fique, de alguma forma, bem, mesmo que no final não fique.
Resolvi sair de casa, ir para o quintal e sentir o cheiro da grama fresca e molhada. Deitei-me no chão como se fosse uma cama verde e olhei para o céu e para as estrelas, e nesse dia, depois de tanto tempo, eu me senti bem. Estou ofegante e não consigo me levantar. Acho que é o fim. Sim, aposto que é. Bem Augustus, Talvez haja outra oportunidade em outro lugar... E quem sabe nos encontramos em uma outra vida? Então fecho os olhos e me entrego.
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