Os Pais de Theodora - OneShot
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
Se alguém gostar de crepúsculo de uma olhada na minha outra fic. "Gravidez Inesperada"
Espero que gostem!
Comentem o que acharam!
Beijos!
Era apenas mais um dia normal, estava em meu quarto lendo pela milésima vez crepúsculo, deitada em minha cama retangular ao lado da janela, onde o pequeno abajur no bidê ao meu lado direito iluminava o livro, minha hora de dormir já havia passado, mesmo tendo meus 17 anos meus pais insistem que deite na hora certa. Algumas horas depois levanto para finalmente dormir, quando percebo vozes alteradas vindo do quarto que corresponde ao dos meus pais, ouço claramente meu nome sendo pronunciado na discussão e como é sobre mim, resolvo sair.
Theodora sabia que ouvir a conversa dos outros não era uma coisa certa, mas sua curiosidade falou mais alto naquele momento, ao abrir a porta rosa e se inclinar para o lado, seus olhos marejam e seu coração dispara ao ouvir a seguinte conversa.
-Ele voltou?
-Como assim ele voltou? — pergunta o pai de Theodora, José
-Ele veio me procurar, estava no mercado e ele me chamou e disse que desta vez veio para ficar e que... Quer saber se... — O desespero na voz de Lucrecia, mãe de Theodora era crescente.
-Se o que?
- Se Theodora é sua filha! — Pouco a pouco a face de José vai ficando vermelha.
-Como assim sua filha? Acho que já deixamos bem claro que a filha é minha! — Lucrecia assustada com os gritos de seu marido se pronuncia.
-Na verdade ninguém sabe!
-Mas você sabe!- Esbraveja ele.
Theodora totalmente em choque com a revelação não consegue se mover ao ouvir passos se aproximando da porta.
-Theodora o que você...? — seu pai se interrompe ao perceber que ela chorava.
-Você não é meu pai? — a pergunta sai rapidamente.
-É claro que sou seu pai, quem lhe disse o contrário. — José desesperado a abraça.
-Eu ouvi o que o senhor e a mamãe conversavam.- Sua mãe ao ouvir a voz entrecortada da menina pelo choro a abraça também.
-Isso é assunto meu e de sua mãe filha, você não tem que se preocupar. — seu pai fala depois de um tempo.
-Como não é assunto meu? É a minha vida! — Theodora se afasta deles.
-Já chega disso Theodora.- José grita assustando a menina. A mãe por sua vez esta encostada na mesinha ao lado da porta de seu quarto, se sentindo extremamente culpada por toda essa confusão.
Sare
Não No dia seguinte Theodora não conseguia esquecer a conversa de seus pais, então ela toma uma decisão, se eles não querem contar ela vai descobrir por si só. E é com este pensamento que ela invade o quarto dos pais assim que volta da escola, sua mãe é corretora, mas não tinha hora certa para chegar e seu pai dentista só chegava à noite, ou seja, era a hora perfeita para ela vasculhar as coisas deles. Depois de 30 minutos procurando, não vê nada que a possa revelar algo, apenas fotos e uma foto em particular chamou sua atenção, nela estava um homem e ela no Natal, pela descrição atrás ela tinha nove anos, pensando um pouco a lembrança daquele dia aparece em sua mente, apenas pequenos fragmentos onde se lembra de seus pais o apresentarem como um tio distante.
-Theodora?!- Escuto minha mãe chamar-me do andar de baixo, rapidamente junto às fotos que espalhei pela cama e guardo na caixinha de lembranças, onde o marrom desbotado mostra seu estado.
-Aqui em cima mãe!- grito ao a caixa de volta na terceira gaveta de sua penteadeira em frente a cama.
-Oi filha, como foi seu dia?- pergunta mamãe assim que me encontra ao pé da escada lhe esperando.
-Bem.- respondo fechando os olhos ao sentir seu beijo em minha testa. Logo a sigo para seu quarto.
-Bom, vou tomar um banho e me arrumar, e você deveria fazer o mesmo seu pai quer um jantar em família, naquele restaurante novo que abriu...- mamãe segue tagarelando para o banheiro, sorrio, ela sempre faz isso, tranquilamente vou juntando suas roupas e pondo em seu guarda-roupa seis portas de um azul totalmente ofuscaste. Quando estou prestes a sair do quarto ouço seu celular tocar.
-Atende para mim, querida!
Theodora pega o celular de sua mãe na bolsa atendendo alegremente achando ser seu pai.
-Oi pai!
-Theodora?!- fala uma voz que não se parece em nada com a voz, tranquila e harmoniosa de seu pai.
-Quem fala?- pergunta a menina desconfiada.
-Sou eu filha, seu pai.
-Não! Você não é meu pai.- ela teima.
-Claro que sou, mas você não me conhece ainda, eu me chamo...
-Theodora quem é? — Lucrecia interrompe o que o homem do outro lado da linha falaria. Ela olha em choque para a mãe sem saber o que falar e desliga o telefone.
-Theodora quem era? — sua mãe insiste.
-Ninguém- ela disfarça dando um sorrisinho. — Era engano, queriam falar com um tal de Carlos ou algo assim.
-Então ta, vai se arrumar. — Lucrecia finge que acredita no que sua filha falou, Theodora nunca soube mentir. Quando a jovem sai, a mulher não perde tempo e confere o celular, dando confirmação as suas suspeitas.
Já tarde da noite, depois de voltaram do restaurante Theodora vai a cozinha para pegar um copo de água, e sorri ao lembrar de como seu pai bebeu além da conta e ela e sua mãe tiveram que o carregar escada acima.
Estava distraída com as lembranças, quando escuto a voz de mamãe falando baixinho. Desci as escadas cautelosamente e quando olhei para sala, ela andava de um lado para o outro de frente para a janela ao lado do sofá branco de couro.
-Está bem, estou indo. — a escuto cochichar quando chego na divisa da sala de estar.
-Meus Deus, Theodora! Que susto. — exclama quando se vira.
-Quem era mamãe? — Theodora pergunta, e percebe que a mãe fica nervosa com a pergunta.
- Era do restaurante, esquecemos o celular de seu pai lá. Então vou ir buscar, já volto. — ela se explica enquanto pega sua bolsa e o casaco na porta dos casacos, ao lado da porta de saída.
-Está tarde, por que não busca amanhã? — Theodora questiona intrigada com a pressa de Lucrecia para sair.
-Seu pai trabalha amanhã e precisa do celular, é melhor você ir dormir. — a mulher beija a testa da garota e logo sai.
-Mas amanhã é sábado. — A menina diz para o nada, já que sua mãe já havia saído.
Theodora não conseguiu dormir aquela noite que se seguiu, seus pensamentos voavam e nunca chegavam em uma conclusão, ao fitar a janela de vidro ao lado de sua cama, viu claramente as luzes do sol querendo atenção e foi neste momento que sua mãe chegou, junto com uma ideia insana que surgiu em sua mente.
Na manhã que se seguiu, consegui pegar o celular de mamãe enquanto ela terminava de se arrumar e por meu plano em pratica.
-Então você me pega na escola e conversaremos.
-Não sabe como estou feliz com sua decisão Theodora. — ele fala do outro lado da linha.
-Vou desligar mamãe está vindo. — ponho rapidamente o celular de volta à sua bolsa que está no sofá ao meu lado.
-Falando sozinha Theo?- ela pergunta.
-Ouvi dizer que é bom.
-Com certeza- ela ri.
Já na saída da escola, Theodora espera por ele.
-Fiquei surpreso de ter me chamado para vir aqui, filha.
-Eu não sou sua filha. — Theodora retruca, depois de muito pensar havia tomado a decisão de chamar ele para conversar, saber a história já que seus pais nunca mais tocaram no assunto. Ela o encara por um momento o reconhecendo da fotografia.
-Tio? — pergunta franzindo o senho.
-Vejo que se lembrou de mim, querida. Mas não sou seu tio, eu queria muito te conhecer, eu sempre te observava quando saía da escola, ou brincando na rua. — ele sorri de canto, mostrando os pés de galinha ao lado dos olhos. — Mas numa dessas vezes que te observava José me viu, ele já sabia de minha história com sua mãe, pediu que me afastasse de você, mas como disse anteriormente queria muito te conhecer. — a essa altura os dois se encontram sentados num banco na praça em frente à casa de Theodora, sua escola não ficava longe, então o caminhada foi curta. Theodora perdida nas lembranças de criança olha para o céu, o crepúsculo o deixava espetacular, as estrelas já querendo brilhar. Ele continuou.
-Então fizemos um acordo, ou melhor, eles fizeram. Me deixaram que a visse, desde que me apresentasse como um tio e prometesse nunca mais te procurar, eu aceitei é claro. — ele se vira para ela. — Fiquei fascinado por você, eu não tenho filhos e vendo você ali, mesmo não sabendo se era minha filha ou não, o sentimento foi diferente, por isso voltei. Não posso mais viver com essa incerteza.
-Então você também não sabe se é ou não meu pai.
-Sua mãe nunca contou.
-Mas como você pode não saber? — ela pergunta o encarando indignada.
-Bom... Por onde começo?- ele pensa.
-Talvez pelo começo. — ela é irônica.
-Conheci sua mãe no ensino médio.- ele começa e seus olhos perdem o foco como se estivesse ha anos atrás novamente. — Ela era linda, mas não dava bola para mim, ela namorava meu irmão mais velho, porém nunca perdi as esperanças em um dia ficar com ela, então teve a festa de formatura de meu irmão, estávamos no segundo ano e ele no terceiro, mas como éramos parentes e ela sua namorada fomos convidados. Ela bebeu demais aquele dia. — ele dá um sorrisinho. — Nós dois bebemos de mais, meu irmão já tinha carteira e mesmo estando mais bêbado que nos, conseguiu nos levar para casa, entretanto ele foi o primeiro a apagar.
Ele para por um momento e observa Theodora.
-Foi uma irresponsabilidade nossa, e no dia seguinte sua mãe se mudou e um mês depois casou com José. Foi tudo muito rápido e logo em seguida, fiquei sabendo que sua mãe havia ganhado você. Não sou bom em contas, mas você nasceu 8 meses depois que ela se casou e pelo que soube você nasceu saudável, mas quando a questionei sobre isso, me disse que você nasceu prematura. E pensei comigo mesmo, bebês prematuros permanecem ainda um tempo no hospital, por não estarem "totalmente prontos" para nascer, mas aos oitos meses isso não significa muita coisa.
Theodora absorta nas palavras dele, simplesmente levanta e vai para casa sem se despedir. Várias perguntas surgem em sua mente, e ela começa a comparar as semelhanças entre ela e seu pai e ele. Percebe que tem grande semelhança com ele, principalmente depois da história que ele lhe contou. Mas será que poderia realmente acreditar nele.
-Theodora você está bem querida? — sua mãe pergunta durante o jantar. A garota balança a cabeça como se isso expulsasse as várias perguntas que rondam sua mente e olha para mãe e da seu melhor sorriso.
-Claro mãe. Tudo bem!
-Que bom, como estava dizendo... — sua mãe contínua tagarelando, Theodora por sua vez a observa sem prestar atenção no que ela fala.
-Achou o celular do papai, mamãe? — ela pergunta e vê Lucrecia prender a respiração.
-Meu celular? — José pergunta encarando Theodora.
-Você tinha esquecido no restaurante não tinha? — José franzi o senho, não intendendo nada.
-Não. — responde ele. Theodora encara a mãe com uma pergunta muda.
-Você acredita que era um trote? — Lucrecia fala segundos depois.
-Trote? — José perdido encara sua mulher. Ambas Theodora e Lucrecia se encaram.
-É, trote! — Confirma a mulher. — Recebi uma ligação quando voltamos do restaurante, pedindo para ir lá que seu celular havia ficado em cima da mesa. E quando cheguei o restaurante já havia fechado, voltei para casa e o achei embaixo da cama. — Lucrecia sorri. Theodora a encara, ainda não acreditando em sua mãe, pois se foi trote por que ela voltou apenas ao nascer do sol.
-Bom já está tarde, amanhã você tem escola Theo. — Lucrecia muda de assunto, recolhendo as coisas da mesa.
Mamãe estava nervosa com essa conversa e percebi isso facilmente, mas resolvi deixar para lá e confrontá-la amanhã, depois da escola.
Voltei da escola e não encontrei mamãe em casa, mas havia um bilhete com seu nome, nem li provavelmente tinha ido ao supermercado. Depois de algum tempo, mando uma mensagem para ele vir, quero confrontá-los junto e tirar de uma vez por todas essa história a limpo.
Theodora desce as escadas e encontra seu pai na sala de estar, sentado com um papel entre as mãos que se encontravam em sua cabeça, maltratando seus cabelos.
-Pai?! Cade a mamãe? — A menina pergunta ao se aproximar de José.
-Ela fugiu! — esbraveja ele levantando o rosto. Theodora ao ver a face agoniada do pai toma a dimensão de suas palavras.
-O que?- ela exclama sentindo o chão fugir de seus pés.
-Ela deixou uma carta. — Seu pai fala simplesmente.
- O que ela diz?- Theodora pergunta meio catatônica.
-Que sente muito por tudo, que ama você e em breve entrará em contato, mas que ela não aguentava mais essa situação e precisava seguir em frente e ser feliz, então fugiu com quem ela sempre amou.
-Mas vocês são casados, eu achei que vocês...- Ela se interrompe propositadamente.
-Nosso casamento já estava acabando, todavia não achei que na primeira oportunidade ela fugiria com aquele bastardo do... — antes de José completar a frase ouça-se uma batida na porta. José abre a porta, não demora muito para que Theodora escute os gritos do pai.
-O que você faz aqui? Veio esfregar na minha cara que fugiu com minha mulher.
Assim que chego na porta vejo papai ir para cima dele, mas antes que ele pudesse bater nele fico em sua frente.
- Theodora, saia! — ele rosna.
-José deixe- me explicar.
-Explicar o que? — Papai grita andando de um lado para o outro.
-Eu descobri tudo!
-Tudo o que? — pergunto.
-A história verdadeira, que Lucrecia escondeu de todos nós.
-Então ela não fugiu com você? — papai parecendo mais calmo, indaga
-Não. — ele fala calmamente.
-Então com quem ela fugiu? — pergunto encarando ele, e vejo papai fazer a mesma coisa.
-Seu verdadeiro pai.
Fim...
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