Os Pássaros

1 Vem, vamos além


Notas iniciais
' Então fica bem se eu sofro um pouco mais. ' — PRINCIPAL, Personagem.

“Escrevo essa carta para você, mesmo que você infelizmente não possa lê-la. Hoje faz um ano desde o dia em que o sonho destruidor da minha vida chegou. Eu nunca cheguei a conta-lo, pois bem faço agora.

Nós estávamos em nosso carro pequeno, começando nossa tão esperada viagem. Eu estava tão animado! Há menos de uma semana, eu a havia pedido em casamento e você me aceitou! Essa era para ser a melhor viagem de nossas vidas.

Feliz, conversando comigo enquanto dirigia, não percebera o caminhão que vinha na direção contrária a nossa. Ele chegou de repente, eu também não o notara. O choque foi tão forte e rápido que eu não tive tempo de visualizar em qual parte do caminho estávamos. O nosso veículo, ao se encontrar com o caminhão, deslizou para a direita e então nós caímos pelo penhasco, quebrando as cercas que eram programadas para evitar esse tipo de acidente.

Enquanto caíamos, pude notar o enorme ferimento na sua testa. Você tinha desmaiado. Já lá embaixo, o carro mergulhou na água e a mesma entrava pelas janelas quebradas. Nós tínhamos que sobreviver.

Acordei em um súbito levanto, mas não fiz barulho o suficiente para acordar você ao meu lado. Apenas voltei a dormir.

Assustado com o sonho, decidi não contá-lo a você no dia seguinte, pois poderia estragar nossa viagem. Porém, minha espécie de visão não fora o suficiente. Ao atender meu celular no banco de carona, me desliguei da estrada por um minuto. Tempo o bastante para o acidente ocorrer, só que agora não em um pesadelo, mas na minha real vida.

Meu primeiro pensamento foi em salvar você, desmaiada no banco do motorista. Tirei o meu e o seu cinto de segurança e me esgueirei pela janela quebrada levando você comigo.

Porém, era tarde demais. O seu desmaio fez com que você inalasse muita água do mar. Chegando à superfície, fiz o máximo esforço para salvá-la por respiração boca-a-boca, mas foi em vão.

Foi o momento mais triste da minha vida. Hoje, escrevendo essa carta, percebo o quanto solitária e assustadora foi a minha vida nesse último ano que passou. Sem você por aqui, minha mente ficou confusa, eu não soube o que fazer. Mesmo que meu emprego e meus amigos sejam aqueles que eu tinha na época, não considero a minha vida perfeita como era antes. Sempre achei que esse dia de solidão me chegaria, mas não o queria de jeito nenhum.

Eu escrevo essa carta, esperando que de algum modo essa informação lhe chegasse, mesmo tendo a certeza de que meu desejo não se realizará.”

Tampei a caneta. Deixando a folha de papel em cima da mesinha de meu quarto, me encaminhei para a minha cama, tentando não pensar no que acabara de fazer. Deitei-me preparado para dormir e assim fiz. Outro sonho me invadiu a mente.

Estava andando na rua, completamente alucinado com sua ausência, quando dezenas de pássaros apareceram por trás de mim e agarraram minhas roupas, me levantando ao ar.

Como já estavam me elevando muitos metros do chão, não fiz nada para que eu voltasse para lá. Se eu caísse, me machucaria feio, então só aceitei ser levado.

As aves me levaram até acima das nuvens e me deixaram lá. Não acreditei, mas eu não as ultrapassei, meus pés se firmaram em seu fofo e eu pude caminhar. Andei até encontrar uma mulher, vestida de noiva em um casamento. Percorri o grande tapete vermelho para chegar até ela. Quando a alcancei, a mulher levantou seu véu e eu pude ver seu rosto. Era ela, a minha falecida noiva.

Acordei com as mãos nos meus fios de cabelo, por espanto. Triste por aquela não ser a realidade, levei minhas mãos ao meu rosto, me desabando em lágrimas. Quando me perguntava se aquele fora um sonho bom por me levar a uma lembrança com ela ou um sonho ruim por me fazer lembrar que não a tenho mais, ouço batidas na porta.

Desanimado, ando até a porta para ver quem nela batia. Ao girar a maçaneta, não acreditei no que os meus olhos embaçados de lágrimas sofridas enxergavam. Era a mulher, que disse:

— Olá, amor! — Sorriu com seu maravilhoso sorriso que eu conhecia muito bem.

Notas finais
História totalmente diferente do usual que usei em um concurso literário da escola. Esse não é o meu estilo de escrita, então espero que tenha ficado bom.:85 (06/08/2015)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!