Os Opostos Se Atraem

4 4º capitulo - Lembranças do passado recente


4º capitulo — Lembranças do passado recente

Jonh não conseguia pregar o olho a noite toda.

Não conseguia tirar da cabeça nenhum momento da hora em que Jassy esteve em seu quarto. Até mesmo o momento em que ela esteve em silêncio, odiando a hora, o lugar e a companhia.

Mas o que parecia chiclete em seu cérebro era a porra da garota fazendo o que não deveria fazer. A sensação que ela causara, foi a melhor que já teve.

As mãos, que pareciam pequenas e delicadas demais para qualquer coisa, tocaram-no melhor do que qualquer outra.

Então, sua mente foi para o momento em que ela encostou levemente sua boca na dele. Aquele momento foi rápido. Mas naquela hora, naquele mínimo segundo, todo o seu ser se agitou, querendo mais que apenas o encostar de lábios. Queria sentir o gosto de sua língua, e explorar cada cantinho de sua boca.

Jonh virou para um lado na cama. Em pensar que ela só está daqui a duas casas...

Virou pro outro. Por que eu ainda estou pensando nessa menina?

Então seus olhos ficaram pesados e Jonh adormeceu com Jasmine na cabeça.

Como se só tivesse tido um segundo para dormir, Jonh acordou com sono, e dor de cabeça pela noite mal dormida.

Desligou a porcaria do despertador que anunciava ser 6:30a.m. Tomou um banho gelado para dar ânimo, escovou os dentes, passou seu perfume, e foi com a toalha enrolada no quadril para o closet.

Correu os olhos por seu antigo vestuário, ignorando a tentação de vesti-los e foi em direção as roupas bregas e feias.

Pegou uma camisa quadriculada amarela e preta e uma calça de listras azuis. Fez uma careta ao vesti-los e quase os tirou, mas pensou duas vezes antes.

Ajeitou o cabelo de lado e pôs os óculos. Depois de colocar as meias e o tênis, pegou sua mochila e desceu para tomar café com os pais.

Assim que se sentou a mesa, seus pais olharam de relance para suas roupas com caretas. Ainda não haviam se acostumado com aquilo.

— Bom dia pai, mãe.

— Bom dia. – responderam em uníssono.

— Como passou a noite? – perguntou sua mãe.

Ela havia mudado tanto desde o dia que o levou a mudar. Estava mais presente em sua vida, queria saber o que aconteceu, sua opinião, se interessava mais por ele. E ele gostou disso.

Compartilhava segredos com a mãe, que antes não podia compartilhar. E ela também começou a apreciar esse envolvimento maior na vida do filho. Queria saber de tudo.

Seu pai não mudou muito, pois sempre foi um pai dedicado e presente. Amoroso e amigo.

— Mais ou menos. Não consegui dormir bem. E estou com um pouco de dor de cabeça. – disse comendo salada de frutas. – E a de vocês?

— Perfeita. – responderam sorrindo um pro outro.

Jonh tremeu levemente. Não queria imaginar o que eles haviam feito. Eles eram tão apaixonados mesmo depois de tantos anos de casado. Será que um dia seria assim com ele?

— Bom, pai, mãe, estou indo, vou ver se pego o ônibus com Jasmine.

Jakeline franziu o cenho.

— Querido, não a provoque. Quando as mulheres se vingam, é mil vezes pior.

— Valeu – disse Jonh, não ouvindo as palavras da mãe e seguindo para a casa de Jasmine.

Jasmine saiu correndo de casa.

Não queria mais ouvir sua mãe a elogiando pelo comportamento da noite passada. Ontem não houve tempo de falar, pois assim que passou pela porta, Jassy subiu correndo para seu quarto e trancou-se.

Tomou um banho, vestindo uma roupa confortável e deitou-se para dormir. Mas não dormiu. Sua mente deu voltas.

Pensou no jantar, na foto da identidade – onde havia visto o sobrenome, havia lembrado —, pensou na provocação que fez com o Jonh, pensou no toque de seus lábios, pensou em tudo, mas não conseguiu concluir nada.

E não conseguia de jeito nenhum tirar da cabeça o porquê do garoto ter mudado tanto. Foi burra, pois ontem podia ter vasculhado todo o quarto do moleque.

Levantou-se, colocou um jeans claro, uma camiseta com um desenho de uma caveira, botas sem salto, e uma boina preta. Como sempre, os olhos bem delineados de preto. No pulso, havia uma corrente fina de ouro branco.

Quando saiu, percebeu que estava cedo para o ônibus passar, mas não queria voltar pra dentro de casa, então continuou ali.

Sentiu olhos cravados em suas costas, e virou-se.

Viu Jonh parado a um metro dela. Lembrou-se da noite passada. Observo-o de cima abaixo. Estava ridículo novamente.

— Precisa de alguém que o vista? Essas roupas são horríveis, nerd.

— Preciso de alguém que me dispa. Quer se voluntariar, rockeirinha?

Jonh viu o brilho de raiva nos olhos da garota.

— Não, não deve ser interessante te ver nu. Daria-me náuseas e me faria vomitar.

— Não pareceu ontem.

— O que teve ontem?

Jonh ficou irritado. Como o que teve ontem?

— Você sabe.

— Não sei não. – provocou ela.

Era claro que sabia. Não iria tirar aquilo da cabeça nem tão cedo. Mas queria ver a reação dele, na hora que pensasse que pra ela, aquilo não tinha sido nada de mais.

As mãos dele se fecharam em punho.

— Você me tocou.

— Toquei? — Perguntou, se aproximando — Como?

— Você sabe.

— Assim? — Perguntou, encostando sua mão no ombro de Jonh.

— Não.

Desceu sua mão para o cotovelo dele.

— Assim?

— Certamente não.

Jassy desceu a mão para a barriga dele, e percebeu ser bem definida.

– Aqui?

— Não. – disse entre dentes.

Desceu a mão, chegando enfim no membro de Jonh. – Aqui?

— Porra... é. – respondeu controlando-se.

—Huum ... – deliciou-se Jassy. — Não lembrava.

Jonh irritou—se e pegou a mão dela abruptamente.

A puxou com brusquidão e encarou aqueles olhos verdes hipnóticos.

— Gosta de provocar né, rockeirinha? – rosnou baixo em seu ouvido. —Pois saiba, que eu também. – disse mordendo a orelha dela, e pressionando seu membro contra o sexo dela.

Jassy ficou mole e gemeu baixinho. Surpreendeu-se pela súbita atitude do nerd.

Jonh sorriu, e quando foi beijá-la, a garota levantou o joelho com tudo em seu membro.

— Filha da ...

— Não encoste em mim, babaca.

Jonh estava curvado com a mão em seu membro, se contorcendo de dor.

O ônibus apareceu e Jassy subiu, com Jonh em seu encalço, mancando um pouco. Sentaram-se e ela, por dentro, estava pulando.

— Vai ter troco, rockeirinha. — Avisou.

Jassy deu de ombros.

— Pode dar, o meu troco será mil vezes pior.

Então Jonh lembrou-se das palavras da mãe, e praguejou, por não tê-la ouvido.

Ele respirou fundo, e endireitou-se.

Observou, pelo canto do olho, a garota colocar os fones no ouvido. Percorreu seus olhos pelo corpo cheio de curva e teve vontade de abraçá-la. Sem motivo algum. Só abraçá-la. Como se a vida dele dependesse daquele abraço.



Na aula do Srº Varez, física, sentaram-se em seus lugares, e esperaram a aula começar.

— Hoje passarei um trabalho em dupla para semana que vem.

Houve um murmurinho de reclamações.

Esses trabalhos, Jassy sempre fazia sozinha. Ela nunca queria fazer com ninguém, e ninguém nunca queria fazer com ela. O professor deixou todos escolherem seus parceiros e distribuiu uma folha com instruções para cada dupla. Assim que chegou a Jonh, ele questionou:

— Tem dupla Jonh?

— Não senhor.

— E você Jasmine?

— O que acha?

— Poderia juntar-se a Jonh?

— Não.

O professor suspirou e chamou duas líderes de torcida pra fazer com Jonh. Aquele grupo ia ter três componentes, com a junção de John.

Alguma coisa dentro de Jassy gritou, se agitou, e ela não pode deixar de gritar: “não, eu faço” ao ver que Jonh adorou idéia de fazer um trabalho com duas lideres de torcida.

Ao ouvir Jassy falar que faria o trabalho, o professor virou-se para ela com uma sobrancelha arqueada e ela fechou a cara. Jonh, por dentro, adorou o ataque de ciúmes repentino de Jassy, e adorou o fato de ter que passar mais tempo com ela. Mas por fora reclamou.

— Droga, Rockeirinha. Eu ia me esbaldar com aquelas líderes.

Jassy ferveu

— E o que eu tenho com isso? Esteja na minha casa às três horas, idiota.



Na hora de ir embora, Jassy passou pelo campo de futebol, e viu Jonh sentado nas escadas com ar nostálgico.

Deu um passo em sua direção, afinal, ele estava ali sozinho, não conhecia e não falava com ninguém além dela, e ela sabia muito bem como era ficar só. Ele ficou com ela, mesmo ela o expulsando, o ameaçando. Mas então, lembrou-se que, talvez, assim como ela, ele queira ficar sozinho.

Então decidiu-se, e foi pra casa.

Já em casa, Jassy toma um banho, coloca um short jeans escuro e uma blusa preta simples. Ficou de chinelo, pra ficar mais a vontade. Separou todo o material que iriam precisar para o trabalho e sentou-se no sofá para esperar a chegada de Jonh.

Já estava começando a ficar ansiosa demais quando a campainha toca. Foi correndo e então parou abruptamente. Porque ela estava correndo pra vê-lo mesmo hein? Recuperou-se e abriu a porta com um ar quase tedioso.

Jonh estava do outro lado da porta com uma bermuda simples branca e uma regata preta. O cabelo, como sempre, partido de lado e com os costumeiros óculos fundos de garrafa.

— Até que fim uma roupa que de pra olhar sem ferir os olhos, nerd. Só falta esse cabelo e esses óculos ridículos.

Jonh arqueou uma sobrancelha sem nada dizer.

— Entre.

Ele obedeceu e a seguiu para a sala de estudos.

Fizeram o trabalho, e quando acabaram, olharam um para a cara do outro como se perguntando o que fazer.

— Saiu da escola muito tarde? — Perguntou Jassy seguindo para a sala com ele ao seu encalço.

— Não muito, rockeirinha. Por quê?

— Vi você nas arquibancadas. — disse, chegando à cozinha e pegando as pizzas que havia mandado preparar e jogando — literalmente — as garrafas de refrigerante para Jonh, que as pegou sem esforço algum.

Jassy estreitou os olhos para o fato de John ter pego as garrafas sem nem as olhar direito, mas nada disse. Estava juntando os fatos que via, mas não conseguia chegar a nenhuma conclusão.

— Vamos ter uma festa? — Perguntou o nerd, se referindo a quantidade de comida e bebida.

Jassy olhou tudo aquilo e por fim deu de ombros.

— Vamos ter que comer tudo. Minha mãe não gosta de estragar comida.

Foram pra sala e colocaram um filme de terror pra assistir.

— Por que não volta a jogar? — perguntou a ele quando o filme estava no começo. — Você parece sentir falta.

Jonh demorou a responder. É claro que ela havia entendido que ele jogava no primeiro dia que o conhecera. Ponderou se falava algo ou se fingia não entender sobre o que ela estava falando, mas sabia que isso não enganaria a garota e ela ficaria enchendo o seu saco, então respondeu o mais simples possível.

— Por mais que eu sinta, não posso voltar a ter a vida de antes.

Jassy queria perguntar o porquê. Mas talvez ele não quisesse contar. Afinal, quando perguntou a ele, no primeiro dia, ele ficou bem irritado.

Assistiram ao filme com Jassy não mostrando sentimento algum com as mortes. Jonh se impressionara, já que todas as garotas que ele conhecia tinham medo ou não gostavam de filme de terror.

Jassy olhou para Jonh, que a olhava com o rosto de lado, os olhos ligeiramente arregalados e a boca ligeiramente aberta. Ela franziu o cenho.

— Hã... Nerd... Por que está me olhando com essa cara de bobão?

— Hã? – Jonh endireitou-se e Jassy revirou os olhos, rindo por dentro.

— Coma. — Apontou para o resto de pizza que havia.

— Ahh, estou tão cheio. — Reclamou, levantando a blusa e colocando a mão na barriga. Aquela barriga era bem definida. Jassy olhou o corpo de Jonh. Alto, forte, definido, bonito...

EPA!

Jassy sacudiu a cabeça com força e Jonh achou que ela estivesse dançando alguma musica que só ela estivesse ouvindo. Esses rockeiros não ficavam balançando a cabeça que nem uns loucos?

Então reparou que ela estava completamente sem maquiagem.

— Você fica mais bonita ao natural. — soltou ele, de repente.

A garota arregalou tanto, mas tanto os olhos, que pareciam que eles iriam pular a qualquer momento.

— Eu estou sem maquiagem? — perguntou sussurrando, como se gritar fosse ter algum efeito ruim.

Ele assentiu, franzindo o cenho.

Jassy subiu correndo para o quarto, tropeçando nas escadas, e Jonh foi atrás, com medo de que ela acabasse rolando aquela escadaria.

— Ah, eu sabia que estava esquecendo alguma coisa... Mas logo maquiagem? Como me esqueci disso? — murmurava consigo mesma.

Maquiagem era parte do que ela era. Jassy odiava seu rosto sem ao menos um delineador, sem nada, então, nem se fala.

No momento em que foi passar o delineador, uma máscula mão segurou seu pulso gentilmente.

— Fique assim. Você está em casa, e sua beleza natural me encanta. —disse ele, sincera, encarando os olhos dela pelo reflexo do espelho.

Jassy, depois de hesitar, guardou o delineador e virou-se para ele, ficando com as mãos sobre seu peitoral e ele em sua cintura.

Seus rostos se aproximaram, seus hálitos se misturaram, e a um centímetro de seus lábios se tocarem:

— Jasmine, querida, tem alguém aí?