Os Opostos Se Atraem

45 44º capítulo – Os opostos se atraem


Notas iniciais
LEIAM! LEIAM! LEIAM! LEIAAAAAAAAAAAAAAAAAM!

Oi, gente. :D
Tudo bem?
Primeiro: Esse capítulo é dedicado a linda da Mina do Shadows pela RECOMENDAÇÃO MARAVILHOSAAA *--* Ameeeeeeeei, supeeeeeer ameeeeeeeeeeei! ♥ MUITO OBRIGADA,
ok, rs
Bom, esse é o último capítulo.
Ele está bem grande, o maior de toda a fic, talvez o maior que eu já tenha escrito.
Foi bem trabalhoso, tive que reler toda a fic, fazer anotações, passar noites em claro.
Não sei se saiu do jeito que era pra ter saído, mas acho que ficou bom.
Com a quantidade de reviews que eu tive no capítulo anterior, não era nem pra eu estar postando.
Nós, escritores, passamos por tudo isso. Enxaqueca, culpa por não postar rápido, falta de criatividade e muito mais. O mínimo que esperamos é a opinião sincera de vocês. Mas aí a gente tem todo um trabalho e um carinho jogados fora, por que quase ninguém comenta. (QUEM COMENTA, POR FAVOR, DESCONSIDERE.)
Não dá pra ter inspiração assim, e quem é autor aqui, sabe disso. É muito desanimador ficar horas sentada na frente do computador escrevendo e ninguém ter o mínimo de consideração pra dizer que está ruim, está bom, está péssimo. =/
Esse capítulo é o último, mas ainda tem o epílogo. Mas só posto o epílogo se tiver reviews de cada um.

Bom, pessoal, me desculpem, mas isso me deixou muito chateada.
Sem mais enrolações, Boa leitura, e opinem.
Beijos.

LEIAM AS NOTAS FINAIS, LEIAM AS NOTAS FINAIS, LEIAM AS NOTAS FINAIS!

44º capítulo – Os opostos se atraem


“E a gente é assim: briga, fica de mal, fica um tempo sem se falar. A gente sempre acaba, mas nem dá tempo de respirar e olha só, a gente já tá se amando.”


Autor desconhecido.


— Estava só esperando você pedir. Sim. Eu quero namorar com você.

Brian deu um sorriso fascinante e Daphine deliciou-se com ele.

Os meses que haviam passado ao lado dele foram de longe os melhores da sua vida. Cada beijo, excitante e arrepiante, cada toque, mágico e inebriante.

Ela amara John, e ele a Jasmine. Mas estavam permitindo-se conhecer um novo amor, uma nova sensação. E os dois admitiam que as sensações descobertas até ali, foram excepcionais. Completamente diferente de tudo, até por que eles eram diferentes.

Brian via Daphine como uma patricinha. Ele já discutira com ela desde que começaram a ficar por causa de várias coisas fúteis. Até mesmo por uma mancha de sorvete.

Ele havia levado-a para dar uma volta no parque, a incentivo de Jassy.

Conversaram, riram, e ele admirava aqueles olhos azuis claros como o céu. A loira estava vestida com uma mini saia rodada rosa, uma regata simples branca e sapatilhas da mesma cor. Uma jaqueta de couro rosa combinava.

Seus cabelos loiros caiam em cachos até o meio de suas costas.

O rockeiro achava que havia rosa demais. Que provavelmente azul combinaria mais, dando uma realçada nos olhos. Mas mesmo assim, gostava. Era diferente dele, e era isso que ele apreciava.

A garota tinha um corpo cheio de curvas, apesar de ser baixinha. Os seios médios, e um bumbum empinado. As pernas tão torneadas que Brian nem reclamava as saias tão curtas. Ele adorava.

Sim, ele admitia. Ele sentira um pouco de ciúmes quando viu que todos a olhavam. Mas quem não olharia? Ela era linda.

Enquanto andavam rindo e brincando, Brian parou e comprou um sorvete para ele, e um para ela. O dele era de baunilha, e o dela era de chocolate.

Ela não se importou em engordar ou nada do tipo. E o rockeiro apreciou isso.

Começaram a tomar o sorvete, voltando a conversar, andando pelo parque, quando Brian tropeçou num brinquedo de criança, esbarrando em Daphine, fazendo com que ela enfiasse o próprio sorvete de chocolate na blusa branca.

Brian olhou estupefato, balbuciando algumas desculpas, mas tudo que a garota fez foi gritar, abanando as mãos no ar.

— Minha blusa! Sabe quanto foi essa blusa? Ah, meu Deus!

— Daphy, é só uma blusa. Desculpe, não foi de propósito.

— Não foi de propósito? Eu vi o seu sorrisinho quando você esbarrou em mim! Você queria implicar comigo.

— O que? Está louca?

— Olhe Brian, se não quiser mais ficar comigo, fala, não precisa fazer isso. — a garota fez um beicinho, cruzara os braços e seus olhos encheram-se de lágrimas.

Brian vendo aquilo começara a rir, achando fofo e infantil ao mesmo tempo.

A garota fechou a cara.

— Eu sabia! — Ia virar-se de costas e ir embora, pois não ficaria ali sendo motivo de chacota, mas o rockeiro puxou-a e a beijou nos lábios, abraçando-a apertado, sem se importar se ia se sujar com o sorvete na blusa dela ou não.

Quando seus lábios se separaram, ele permaneceu com os braços envoltos a cintura da garota, e ela relutantemente o olhou, ainda com um biquinho nos lábios, que não resistindo, Brian o beijou.

— Tire esse bico daí, Daphy. Não fiz de propósito. Eu te dou outra de presente.

— Não quero. Obrigada. — fingiu-se de brava, mas deitou a cabeça no peito do rockeiro, arrancando risadas do mesmo.

Agora, ele a pedira em namoro. E alguma coisa o dizia que ia dar certo. Mesmo que briguem, mesmo que nem tudo eles combinem, mesmo que seja muito rosa da parte dela, e muito preto da dele, ela era linda, e ele era um puto de um gostoso.

Uma linda loira que o encantava e enlouquecia com apenas uma olhada. E um puto de um gostoso que tinha uma pegada de molhar a calcinha e que a entendia como ninguém.

Ela, uma patricinha mimada. Ele, um rockeiro malicioso. Opostos que tinha de tudo para dar errado, mas na verdade, dariam extremamente certo.

— Que bom que só estava me esperando — ele respondeu, pra logo depois abraçá-la apertado, sabendo que ela era dele, e beijá-la como se não houvesse amanhã.



No quarto de Jasmine, John e ela se beijavam com fervor.

Ficaram apenas uma parte do dia sem se tocarem, mas fora como se fosse semanas.

Necessitavam tanto do outro quanto necessitavam de ar. Não imaginavam a vida sem o outro.

Quando estavam um na presença do outro, mesmo sem um tocar mais profundo, sentiam-se completos com o mais simples toque e olhar.

Jasmine achava difícil que algo no mundo poderia resultar aquela felicidade. Ainda não era completa. Mas nada comparada a qualquer uma que sentira.

Ela não precisaria ter derramado lágrimas. Sabia que John não era do tipo que via lágrimas, ficava desesperado e se desculpava. E nem queria que fosse assim.

Ela chorara por que começara lembrar-se de seu pai. E ela sempre chorava quando se lembrava dele, por mais que odiasse chorar. As saudades de seu pai somadas à palhaçada de John fizeram com que a rockeira derramasse lágrimas indesejáveis.

Mas agora ela já havia derramado as lágrimas que não queria e John estava ali com ela, beijando-a com tanto amor, que a fez perceber que ele sempre estaria quando ela precisasse. Para secar mil lágrimas, para amá-la, brincar, viver, conversar... tudo que fosse necessário para que ela fosse feliz.

Com essa linha de pensamentos, o coração de Jasmine se inchou de felicidade. Ela apertou o cabelo da nuca de John, arrancando um gemido do garoto.

Ela não queria se ver longe dele. Não queria mais brigar. Provocações sim, mas brigas que machucassem não.

Ela ainda era a mesma, porém quase completa.

John colocou sua mão na cintura da garota, apertando tanto que traria marcas. O beijo estava quente, voluptuoso.

Ele sentia que poderia ficar ali para sempre, mas o ar foi necessário, fazendo com que John encostasse a testa na da Jasmine.

Os olhos de ambos estavam fechados e suas respirações arfantes.

— Tenho um presente pra te dar. — disse John, devagar.

— Presente? — disse Jassy, ainda arfante. — Que presente?

— Uma surpresa. Espere aqui.

Jassy fechou a cara. Odiava presentes. Odiava surpresas. Odiava mais ainda quando ambos estavam na mesma frase, ou eram a mesma coisa.

— O que você está inventando, nerd?

— Nada. — deu um selinho em seus lábios. — Vou em casa e volto.

— Posso protestar? — disse a rockeira cruzando os braços, insatisfeita. Não precisava de presentes. Só precisava dele ali com ela.

— Não. — riu John, saindo pela porta.

Jasmine suspirou e foi deitar-se em sua cama.

Fechou os olhos e lembrou-se da irmã, Valentina. Sentia falta da pequena. Esperava que os pais dela não estivessem só aproveitando a lua de mel sem cuidar dela.

Jassy foi a primeira a ir contra levá-la. Mas não pôde fazer muita coisa, pois a menininha tinha apenas três meses de vida. Não poderia ficar longe da mãe.

Ela não faria isso à irmã.

A garota ficou com os pensamentos viajando quando Daphine entra no quarto com um sorriso de orelha a orelha.

— Ele me pediu em namoro.

Inicialmente, Jassy ficou sem reação, e a loira teve medo de que ela ainda gostasse dele. Mas então essa reação passou, dando lugar a olhos cintilantes e um sorriso lindo.

Levantou-se depressa e deu um abraço na prima levantando-a levemente.

Ela sabia que era aquilo que Daphine mais queria nos últimos meses. Vinha mudando, vinha tentando e provocando.

Jasmine estava feliz pelos dois. Principalmente que Brian agora ia ser feliz. Jassy pedira tanto que ele fosse feliz, que ele encontrasse alguém... e agora encontrara. Pois ela sabia, que se ele pedira, era por que gostava da prima.

Agradeceu silenciosamente. Lembrava-se bem da dor que ele passara quando ela escolhera John. Por mais dolorosa que a escolha tenha sido na época, agora estava tudo nos eixos.

Soltou a garota no chão e pôs a mão em seus ombros, olhando nos olhos azuis cheios d’água.

— Está feliz?

— Muito.

— Não faça merda novamente, garota. Se não te quebro ao meio. Ele não é como os outros.

Daphine riu. — Já aprendi com meu erro, prima.

— ótimo, pois eu falo sério.

A garota engoliu em seco e depois respirou fundo.

— eu também.

O ar entre as duas ficou tenso por um nano segundo, pois logo as duas sorriram felizes.

— Vai, garota. Vai lá.

Daphine assentiu, e se virou, mas parou quando chegou à porta, e se virou para a prima — que mais que prima era amiga e irmã—, com um vinco na testa.

— E o John? Eu o vi saindo.

— Ah. Estamos bem. Ele foi buscar um presente, sei lá.

A garota assentiu, rindo e saiu serelepe para encontrar o namorado.

A rockeira sentou-se pesadamente na cama, sorrindo pela notícia.

Queria que desse certo entre os dois. Assim como ela e John, Daphine e Brian eram diferentes, mas se completavam.

Deitou e ficou esperando John chegar.

Depois de uns minutos, ouviu uma comoção no andar debaixo. Quando ia verificar, John irrompe quarto adentro parecendo eufórico.

Jasmine estreitou os olhos.

— Está desse jeito por quê? Viu alguma ruiva peituda?

John nada respondeu, tentando recuperar o fôlego. Fechou rapidamente a porta atrás de si e pareceu aliviado.

Foi só então que Jassy notou uma caixa média de papelão em suas mãos. Olhou-a com curiosidade e daquele jeito petulante que só ela sabia ter, arqueou uma sobrancelha.

O ex nerd se aproximou, escondendo o tempo todo o conteúdo da caixa.

— Feche os olhos, rockeirinha.

— Por que eu faria isso, garoto?

— Por que você me ama. — respondeu sorrindo.

— Convencido. — disse a garota, tentando espiar dentro da caixa.

— Nada disso. — John se afastou e a olhou de olhos estreitados. — Só mostro se fechar os olhos.

A garota bufou. Vendo que não iria conseguir ver sem fazer o que o namorado pedia, fechou os olhos, totalmente curiosa.

O que tinha naquela caixa que promoveu aquela comoção e um jogador de futebol americano arfante?

Ouviu a caixa sendo colocada no chão, o som característico de papelão sendo remexido e sentiu a aproximação e o cheiro do amado.

— Pode abrir Jasmine. —A rockeira sentiu um comichão gostoso na boca do estômago ao ouvir seu nome na voz sexy de John.

Então, ela abriu os olhos e um sorriso brilhante nasceu em seus lábios, devagar.

Ali, embalado nos braços fortes de John, um filhote de rottweiler dormia serenamente. Tinha o pelo em um preto brilhoso, com metade das quatro patinhas e sobrancelha em mogno.

— Quem é essa? — Jassy estava claramente encantada.

— Este. E é teu. — Disse o garoto, satisfeito com a reação da namorada. — Foi abandonado na minha porta uns dias atrás. Não sei por que. É puro, está saudável. Tem uns dois meses e meio, mais ou menos.

— Coitadinho. Quem teria coragem de abandoná-lo? Levou ao veterinário?

— Sim. Pega, garota. Ele não morde. Ainda. — riu, esticando o animalzinho.

A garota revirou os olhos para a piada idiota, mas sorriu ao pegá-lo, vendo-o suspirar no soninho pesado.

Pegou-o com cuidado, sentindo o peso do filhotinho.

— Que pesadinho. Por que meu?

— Porque me lembrei de você assim que o vi. Tem o seu estilo, sabe. É bravo, forte e inteligente. Fora que tem uma faminha de nervosinho...

Jassy deu um soco no John, não desgrudando do cachorrinho, fazendo-o esfregar o braço.

— Viu. — resmungou, chateado — é esse o agradecimento que eu ganho depois de dar um lindo presente.

Jassy, que olhava o cachorrinho pensando num nome, levanta os olhos para o garoto gostoso a sua frente, ainda esfregando a parte dolorida, com a cara emburrada e os olhos no chão.

Seus beiços formavam um biquinho inconformado e sua testa estava franzida.

Jassy quase sorriu.

— Obrigada. — Quando John levantou os olhos, olhando-a, continuou. — Obrigada pelo brava, forte e inteligente. Obrigada pelo presente, eu amei. E obrigada por existir. Por ser meu.

John sorriu.

— De nada, rockeirinha. Eu sei que você não seria nada sem mim.

Jasmine revirou os olhos para ele e quando ia socá-lo novamente, ele a puxa com cuidado para si, segurando sua mão livre, e a beija.

— Brincadeira. Obrigada também. Eu que não sou e não seria nada sem você. Você sabe disso.

E era verdade. Se não fosse por Jasmine, ele ainda estaria naquela de ser um nerd.

Depois que contara o que acontecera, ele voltara a ser quem era antes, mas estava mudado.

Havia ganhado caráter e virado homem.

Jasmine insistira para que cumprisse a promessa que havia feito a Will, pouco antes de sua morte: dizer à sua família que ele os amava.

Quando John chegara lá, quase voltara para casa, mas Jasmine estava ali, do seu lado, segurando sua mão.

A principio, ele pensara que eles o acusariam e que ele sairia de lá totalmente arrasado.

Mas a família de Will era diferente. Bondosos e humildes. John contara a mesma versão para a família de Will, que contara para Jasmine, com pequenas exceções.

Eles ouviram, pois tudo que sabiam, era que o garoto fora baleado num beco, numa briga entre gangues.

Depois que John contara a história, um silêncio reinou. Não aguentando, ele finalmente diz o motivo dele estar ali.

— Ele me fez prometer, antes de partir, que diria a vocês que ele os ama. — John apertara a mão de Jasmine, que em nenhum momento saíra do seu lado e trocou um olhar com ela. Depois que Jassy assentiu, ele voltou-se para a família chorosa de Will. — Onde quer que ele esteja eu sei que ele os ama muito.

Foi então que as lágrimas silenciosas da mãe de William se tornaram audíveis. Seu marido se controlava, apenas dando um abraço forte e reconfortante na mulher e nos pais, os únicos avós vivos do garoto.

John se controlava. O aperto na garganta estava sufocante. Apertava tanto as mãos de Jasmine, que estava com medo de quebrá-las, mas precisava de um apoio e sentiu-a apertando de volta.

William era filho único. A família não era de muito dinheiro, mas tinha uma boa condição e eram pessoas de boa índole.

Depois que todos se acalmaram, olharam John.

— Você é um bom garoto. — Disse a mãe de Will, olhando fundo nos olhos de John, depois de analisar Jasmine — E ela está do seu lado. Não deixe que nada de ruim aconteça a ela. Assim como meu filho, ela também quer o seu bem.

O garoto ficou atordoado com as palavras da mulher, mas sabia serem verdadeiras. Sentia no seu coração a veracidade delas.

— Eu sei. Eu a amo muito, e sempre a protegerei. — Olhou Jasmine, beijando suas mãos, mas logo virou-se para a mãe de Will. — Me perdoem? Eu... sinto muito mesmo. Ele foi um ótimo amigo.

— Fico feliz que ele tenha tido um amigo tão verdadeiro. Não... teve quase ninguém além dos meninos no enterro.

O jogador abaixara a cabeça. Os meninos dos quais ela se referia eram os amigos de John, que foram ao enterro, em sinal de respeito.

Sentia-se péssimo por não ter ido velar o corpo, mas não conseguia. E por mais que se sentisse de tal maneira, não se arrependia, pois percebera: para tudo na vida, há o momento certo.

Ele ficara apenas de longe observando o acontecimento, mas não conseguira ficar até o final. Fora embora, ver o mar, como tanto gostava. E dali em diante, mudou.

John não disse nada a mãe de Will, nem ao pai e avós. Mas olhou nos olhos de cada um ali, e sabia que eles entendiam a falta dele no velório. Era difícil, insuportável, enterrar alguém que se ama.

Ver o corpo descer num caixão, ficar a sete palmos abaixo da superfície, sem a luz do sol, sem o vento no rosto… sem vida.

Ele não aguentaria. Não aguentara.

— Temos que ir. — John levantou-se. — Mas preciso do perdão de vocês.

— Você não tem que pedir perdão, querido. — disse suavemente, a mãe de Will. — Will foi feliz. Teve notas boas, viveu momentos bons, e teve um amigo fiel. Obviamente eu o queria aqui nos meus braços, mas Deus sabe o que faz.

John ficara muito agradecido, e soubera, dias depois, que ela estava esperando outro filho.

Ficara muito contente com a notícia. Eles iam ter outra chance de criar um filho. Torcia pra que tudo desse certo dessa vez.

Voltando ao presente, John balança a cabeça, expulsando as memórias. Observou Jasmine sorrindo e brincando com o cachorrinho que acordara.

— Qual o nome que vai colocar, Jassy?

— Não sei. Que tal Apollo?

— Gostei.

— Eu também. — A rockeira sorriu. — Como ele come?

— Tem uma mamadeirinha aí dentro da caixa. Mas ele come rações molinhas.

Jassy assentiu.

— Vamos mostrar o mais novo membro da família pros outros.

— Eles viram. Fizeram um alvoroço. — John riu.

— Essa criança é muito fofa. Quem não ficaria encantado? Vamos lá.

Jassy saiu e John a seguiu, indo para o andar de baixo.

Ao lá chegarem, encontraram Brian e Daphine sentado juntos no sofá, conversando com o pequeno John.

O pequeno estava com a carinha de quem acabara de acordar. Quando viu o cachorrinho nas mãos de Jassy, arregalara os olhos e abrira um enorme sorriso. Correu em direção à irmã, para olhar o cachorrinho de perto.

— De quem é, mana? — Seus olhinhos brilhavam.

— John que me deu. O nome dele é Apollo.

— É seu e da Valentina também. — Disse John sorrindo para o xará.

O garoto sorriu mais e a irmã deu a ele o cachorrinho para segurar.

— Cuidado, mano.

O garoto assentiu e andou até Brian e Daphine para mostrar Apollo. Os dois ficaram babando no cachorro, junto com o menino.

Jasmine, depois de ficar um tempo observando as pessoas que amam entretidas na nova diversão, virou-se para o namorado, sorrindo.

— Valeu por fazê-los sorrir.

— Pra ver você sorrir, eu faço tudo. — disse John, e beijou-a.


Dias depois…


Conforme os dias foram passando, iam ficando melhores. Apollo, o novo cachorrinho da família, dava muita alegria a todos, principalmente a Jassy e seu irmãozinho.

Ela havia ligado para sua mãe e dito sobre o cachorro. Sua mãe fora relutante no começo, mas acabara gostando da ideia, já que filhos demais, era perigo demais, e o cachorro poderia ajudar.

Valentina crescia saudável e sapeca. Sua mãe lhe disse que ela ficara encantada com a Itália. Ria gostoso das atrações e em nenhum outro destino da viagem dos pais houve tanta comoção.

Jasmine estava morrendo de saudade dos três, e principalmente, da irmãnzinha.

Mal esperava para vê-la.

Já o outro irmão dela, o pequeno John, ia de casa pra escola, e da escola pra casa, direto para Apollo e Jassy.

Em um dia de tarde ensolarada, pequeno John e a empregada, saíra para passear com o cachorro.

Jassy estava fotografando alguma coisa, quando Daphine entra correndo e arfante, parando com a mão sobre o peito que subia e descia no ritmo acelerado da sua respiração.

Jasmine franziu o cenho.

— O que houve?

— Minha... mãe... — A loira estava com dificuldade para falar, e parecia que ia desmaiar a qualquer segundo.

Jasmine andou apressadamente até a cozinha, pegando um grande copo de água fresca, e voltou até onde Daphine estava, fazendo a garota sentar-se e tomar o copo d’água.

Depois de generosos goles, a garota pareceu melhorar um pouco. Respirou fundo duas vezes antes de voltar a falar.

— Minha mãe entrou em trabalho de parto!

— O que? Ela já foi levada para o hospital?

— Não. Meu pai está numa viajem, e eu não tenho carro.

— Merda. — disse Jassy correndo para a garagem. Ao chegar lá viu que não havia nenhum carro lá. O de sua mãe estava na oficina e o seu... onde estava o seu? — Cadê a merda do meu carro, caralho?

— Prima, você emprestou ao Brian ontem. Ele ia sair com os amigos, se lembra?— disse Daphine, rapidamente.

— Mas que merda, é isso mesmo.

— E John?

— Ele também saiu com os amigos. Foi ver um jogo com eles, num lugar distante, obviamente foi de carro.

— E a mãe dele?

— Talvez! Ela não trabalha hoje. Vamos!

As garotas colocaram-se a correr para a casa de John. Assim que lá chegaram, começaram a apertar a campainha seguidamente.

A empregada veio e atendeu a porta com o rosto inicialmente irritado, mas assim que viu a expressão de Jassy, liberou a passagem.

Sua futura sogra estava sentada no sofá, pronta pra se levantar.

— Jackeline!

A mulher virou-se, alarmada.

— O que houve, querida?

— A mãe da Daphine está em trabalho de parto. Tem como nos emprestar o carro?

— Claro! — Jackeline correu para pegar a chave numa mesinha de canto e entregou-a a Jasmine.

Jassy, que conhecia muito bem a casa, foi em direção à garagem com Daphine e Jackeline em seu encalço.

A rockeira abriu a porta da Bentley prata. Sentou-se no banco do motorista, colocou o sinto e a chave na ignição. Daphine já estava no banco do passageiro. Jassy girou a chave, mas o carro pegou e morreu. Tentou de novo, e dessa vez o carro não chegara nem a pegar. Mais uma vez. Nada.

Jackeline havia aberto a porta da garagem para poupar tempo, e assim que percebeu que o carro não pegava, uma expressão horrorizada atravessou seu rosto.


— Meu Deus, e agora?

As garotas saíram apressadamente do carro.

— Sogrinha, tenta concertar o carro o mais rápido possível, e corre pra casa da Daphine.

— Sim, minha mãe está sozinha. Ela pode estar precisando de ajuda.

A mulher assentiu e Daphine falou o endereço dela.

— Como chegarão lá? É um pouco longe!

As duas adolescentes se olharam, respirando fundo e se preparando.

— Correndo. — responderam as duas, e sem perder tempo, se colocaram a correr, colocando toda a força em suas pernas.

Passaram por um gato mestiço se lambendo, por um casal de velhinhos jogando milho aos pombos, por debaixo de uma escada, pelo parque.

Tropeçaram na calçada, esbarraram nas pessoas, quase foram atropeladas e receberam buzinadas.

Cada vez que colocavam um pé a frente do outro, parecia que não passava nada e que a casa de Daphine ficava mais longe.

Pontadas começaram a surgir nas pernas das moças quando viraram a décima esquina e se depararam com a casa da loira no horizonte.

Seus pulmões ardiam, e suas peles quentes tinham gostas de suor.

Colocaram mais impulso e força, até que finalmente chegaram ao destino.

Assim que chegaram à porta, não deu para dar um suspiro de alívio ou mesmo recuperar o ar, pois logo que chegaram ouviram um grito de dor da mulher.

Entraram correndo.

— Daphine, traga água para sua mãe.

Daphine assentiu, com o rosto e o pescoço completamente vermelhos.

Jasmine foi ao telefone e tentou alguns números de emergência.

O dos bombeiros entrava em estado de espera, e ela não havia tempo para esperar. O da polícia nem chamava e da ambulância, ninguém atendia.

Será possível que ninguém trabalhava nessa merda?

Jassy deixou o telefone de lado e correu para a mãe da garota.

— Tia.

A rockeira foi recebida com um grito de dor. Começou a ficar desesperada, sem saber o que fazer.

Não tinha como levar uma grávida, prestes a ter o filho, correndo para o hospital, ainda mais sendo este longe.

Não havia carro, e ninguém que tivesse um. E agora?

— Jasmine! Tá nascendo! — gritou a mulher, tirando a garota dos devaneios.

Jassy foi para o seu lado, e limpou o rosto suado da tia com uma toalha que estava em seu colo. A mulher procurou por sua mão e quando a encontrou a apertou com força, fazendo a sobrinha trincar os dentes com força e não gritar também,

Daphine volta com dois copos de água. Entrega um à Jassy e outro a mãe, e a ajuda a beber.

Rapidamente Jasmine bebe a água, tomando fôlego e tentando se acalmar, mas assim que os copos foram colocados na mesinha de centro, a mulher gritou de novo.

— Está nascendo, porra! — gritou — Está doendo!

Daphine olhou em desespero para a prima, e Jasmine temeu que o olhar da prima fosse o mesmo em seu rosto.

Elas eram apenas adolescentes. Não sabiam nada sobre a vida. Como poderiam lidar com aquilo, sozinhas?

— vamos levá-la para o quarto. — resolveu-se Jassy, já que o sofá onde a tia estava deitada não iria ajudar muito. Estava claramente incomodando-a, e mesmo que tivesse que subir alguns degraus, a cama era mais confortável e traria menos dores a ela.

Subiram com a mulher, com calma e paciência, os poucos degraus necessários. Chegaram ao quarto e a deitaram na cama.

Assim que ela se deitou, gritou de dor novamente.

— Tá saindo!

— Ai meu, Deus. O que a gente faz? — perguntou Daphine

— Façam o parto, porra! Façam alguma coisa! Aaaah!

— Ok. — Jassy parecia nervosa. — Daphine, pegue várias toalhas limpas, a banheira do bebê, com água quente.

Daphine assentiu e correu para fazer o que a prima queria, e Jassy ligou o aquecedor do quarto, para manter a temperatura do bebê.

Assim que ela trouxe as toalhas, ela colocou uma embaixo da mulher, outras separadas e outra perto do rosto dela.

A banheira, com pés grandes, colocou ao lado da cama.

— Jassy, é melhor você fazer isso. Eu desmaiaria.

Jasmine assentiu, já sabendo que aquela responsabilidade era dela.

A loira mais baixa correu para a mãe, limpando o suor e segurando firme em sua mão.

— Vamos lá, tia. Empurra!

A mulher gritou, respirando fundo várias vezes, e empurrando o máximo que podia.

Para a sorte das três, Jasmine era totalmente equipada para o momento. Quando a mãe estava grávida, tivera várias vezes o sonho de que aquilo aconteceria com ela. Obrigou ao Arthur e a Jasmine a fazerem um pequeno preparatório particular.

Continuaram com o procedimento, com Daphine apoiando e dando força à mãe e Jasmine fazendo seu “trabalho”, até que um longo berro foi dado e um chorinho de bebê ecoou pelo recinto.

Jassy rapidamente deu um banho no recém nascido, limpando o sangue. Fez os procedimentos básicos, e o enrolou numa toalha.

— É um menininho, tia.

A mulher sorriu, arfante. Lágrimas saiam de seus olhos. Ela estendeu os braços fracos e Jassy deu o bebê à ela, em todo momento segurando-o, caso ela não tivesse forças.

Daphine olhava o irmão chorando muito, enquanto dava apoio à mãe.

Foi então, que olhando aquela cena, Jasmine foi atingida em cheio com a realidade.

Ela fizera um parto. Se não fosse por ela, seu primo não teria nascido. De certa forma, ela deu vida a uma pessoa.

Aquela verdade a pegou desprevenida. De repente, ela sentiu-se fraca física e emocionalmente, e sentiu vontade de chorar. Mau via a hora que iria se casar, ter os próprios filhos, a própria família.

Um sentimento crescia dentro dela, e ela estava num mundo paralelo. Sentia a criança e os braços da tia envolta dos seus, mas não via ninguém, nem ouvia.

O sentimento cresceu por dentro, tornando-se tão grande, que foi insuportável não erguer a coluna e deixar aquele sentimento se apoderar de si. Ela sentia-se plena, revigorada e muito confusa.

Tinha uma família maluca, mas feliz. Tinha um namorado idiota gostoso. Um amigo que foi seu ex, mas que era verdadeiro e fiel. Uma amiga que era prima e irmã. Um irmão inocente que só foi permitido conhecer um outro lado da vida por causa dela. Uma irmã que só existia por causa dela, já que se Arthur não tivesse encontrado-a quando fora deixada no beco, talvez não tivesse se casado com sua mãe.

Percebeu que, por mais que no passado tenha sido doloroso e ruim, hoje era um resultado bom e grandiosamente satisfatório.

Estava feliz.

Aos poucos foi voltando a si, ao quarto e às pessoas — seus primos e tia — ali presente. Não sabia o que tinha acontecido agora.

Mas sabia que seu primo estava ali para fazer grandes feitos na vida da família.

Sentiu seu corpo fatigado e extremamente cansado, e entregou o menino à Daphine, que ainda chorava.

A baixa segurou seu irmão com cuidado. Sentira a mesma coisa que Jasmine. Estava plena, feliz, a vida estava perfeita, e só tinha a melhorar.

Duas adolescentes deram vida a um menino lindo de olhos azuis claros, feito o céu mais limpo.

Jassy percebeu que seu rosto estava manchado de lágrimas, como o da prima.

Foi até o banheiro mais próximo e se apoiou na pia por um tempo, para logo depois abrir a torneira, lavar bem as mãos com sabão e jogar bastante água fria no rosto.

Ajeitou os fios loiros e os prendeu num coque. Então, olhou-se no espelho pela primeira vez.

Seus olhos, com um leve traço de delineador, estavam tão límpidos, que seu verde era quase azul. Havia um brilho diferente neles. Suas bochechas estavam coradas, assim como os lábios desenhados.

Estava diferente, e incrivelmente linda.

Suspirou e voltou ao quarto, bem a tempo de ver a mãe e o pai de John ajudando sua tia.

Levaram ela e o bebê para o carro com Daphine, enquanto Jassy pegava o que era necessário com Jackeline.

Percebendo que Jasmine estava meio alienada, a futura sogra da garota segurou-a pelos ombros e olhou em seus olhos.

— Eu estou tão orgulhosa de vocês duas, Jasmine. Foram corajosas e fortes. Vá pra casa, eu assumo daqui. John deve estar a caminho. — Então a mulher abraçou-a apertado, e guiou-a até o sofá, deitando-a ali. Terminou de pegar as coisas e fechou a porta, sem trancá-la, e se foi.

Jassy estava sozinha. Em seu íntimo um sentimento que não sabia definir completamente ainda estava em plena imensidão e força. Seu corpo estava cansado demais para se mexer, mas tampouco sentia sono.

Não tinha forças pra falar, nem para piscar. Sabia que parte do sentimento que apoderara-se de si, era felicidade. Mas... havia algo a mais. O que?

Sentiu o tempo passar. Ouviu alguém bater na porta e gritar seu nome, mas não fez nada. Ouviu alguém abrir a porta e ouviu passos pela casa. Sentiu alguém passar os braços por seu corpo. Depois, não soube como, estava em sua casa, no seu banheiro, sendo despida por mãos másculas.

As mesmas mãos a guiaram para debaixo da água quente, totalmente bem vinda.

A rockeira fechou os olhos. Passaram-se minutos, horas... quem realmente poderia saber?

Seu corpo foi relaxando, os nós se desfazendo debaixo da água quente, o cabelo desembaraçando, o sangue que ficara seco nos seus braços do parto, escorrendo pelo ralo.

Não via nada disso, apenas imaginava. Então, abriu os olhos. O verde cor de folha, tão vivo.

Olhou seus pés, e viu que realmente tinha sangue descendo o ralo. Levantou as mãos na altura dos olhos, e viu que tremia. Passou-as bobamente pelo cabelo, e percebeu que eles foram lavados com shampoo e condicionador.

Quem estava cuidado dela?

Ela não conseguira levantar a cabeça e olhar, pelo cansaço. Apenas permitiu que aquela pessoa que estava cuidando dela com tanto carinho, continuasse.

Sentiu-se sendo ensaboada e enxaguada. Então, a água do chuveiro cessou e alguém a abraçou apertado.

Jasmine reconheceu o cheiro de John, e mesmo que não conseguisse passar os braços em volta dele e dizer que estava tudo bem, que era apenas seu corpo reagindo a sentimentos tão estranhos, ela se aconchegou a ele, respirando fundo o cheiro másculo do grande amor da sua vida.

John a enrolou numa toalha preta e grossa, e a pegou no colo, levando-a com facilidade para a cama.

Depois que a deitou lá, não soube o que fazer. Estava totalmente desesperado. A garota mal se movia, não o olhava, não falava, e mal parecia escutar. Seu olhar estava perdido, confuso e límpido.

Viu que ela estava encolhida e foi até o closet da garota, pegando uma calcinha e sutiã, uma calça de moletom roxa escura e uma blusa de manga grande preta da banda Metallica.

Vestiu a garota, e jogou a toalha molhada no chão.

Passou as mãos pelos cabelos, andando pra lá e pra cá no quarto, sem ter coragem de olhá-la mais uma vez, e sentir-se imponente.

O que aconteceu? Por que ela estava daquele jeito? Estava em estado de choque? Entrando em coma? O que deveria fazer?

Seu instinto dizia para se acalmar-se e ficar ali com ela, mas seu coração teimava em dizer-lhe que era para levá-la ao hospital imediatamente.

Seria o certo a fazer? Ou o coração, exagerado como sempre, estava errado?

Respirando fundo, virou-se para a garota.

Ela olhava-o. Não parecia lúcida, mas parecia bem. Estava linda, apesar de aquele estado chocar tanto John que tinha vontade de sacudi-la até ela xingá-lo e socá-lo mandando ele parar com aquela porra.

— Obrigada. — a rockeira sussurrou.

John correu até ela, aliviado, não deixando que ela visse as lágrimas em seus olhos.

Cobriu-a com um grande edredom, ligou o ar condicionado e deitou-se ao seu lado abraçando-a apertado.

— Não precisa agradecer — sussurrou de volta. — Quem ama, cuida.

Então, adormeceram.



No dia seguinte, os dois acordaram com barulho no andar debaixo.

John apertou os olhos e abraçou mais apertado a garota. Olhou-a e a viu de olhos abertos. Não estavam lúcidos ainda, mas estava bem melhores que no dia anterior. A garota estava se recuperando aos poucos.

— Jassy? — A garota o olhou. — Tudo bem?

A garota franziu o cenho. Ela estava bem? Sim. Então por que não voltava ao estado normal?

Por que ela ainda estava confusa e seu cérebro não conseguia responder a qualquer outra coisa a não ser a sua confusão, apesar de a garota estar podendo escutar e falar um pouco.

— Sim. — sua voz era fraca e leve.

John deu um beijo em sua testa, demonstrando o carinho, amor e respeito que sentia pela garota à sua frente.

— Quer descer, ou quer que eu traga algo pra você comer?

— Descer.

Ele ajudou-a a se levantar.

— quer trocar de roupa?

A garota olhou-se. Sentia-se confortável com aquelas roupas. Não estava ligando muito, então sacudiu a cabeça.

Desceram, devagar. Quando chegaram à sala, descobriram o porquê do barulho.

Os amigos de John estavam lá. Eles haviam vindo com ele, quando pegou Jassy na casa de Daphine.

Todos eles:

Fred Linger, o melhor amigo de John; Peter, o rockeiro da turma de futebol; Daniel, o mais comilão e engraçado; Uris, um negro que arrasava loiras e negras e Marco, o estrategista.

Ele ficara tão preocupado com Jassy que se esquecera que eles estavam ali.

Deviam ter dormido ali pelas caras de sono. John viu que eles eram amigos de verdade, pois mesmo depois de tudo que ele passara eles continuavam ali.

Até mesmo se ele se esquecesse da presença deles no momento.

Quando viram Jassy e John descendo, pararam de se bater e ficaram tensos, olhando-os.

Perceberam que Jasmine não estava de volta a si por completo, mas estava um pouco melhor. Perceberam também que ela os olhava com surpresa. Não devia tê-los visto no carro, ou se lembrado.

John sussurrou algo no ouvido de Jassy e depois que ela assentiu, olhou-os com cara de bravo.

— Vocês são irresponsáveis, malucos ou o que? — todos engoliram em seco. John usava a voz que usava no campo quando eles faziam uma merda muito grande. E aquela voz era forte como trovão. — Vocês não pensaram que estariam incomodando Jasmine com toda essa barulheira?

Os cinco enormes garotos engoliram em seco novamente e olharam a rockeira sem expressão.

— Desculpe, Jassy nós... — Fred foi interrompido pelas gargalhadas de John. Ele olhou confuso para os amigos — também confusos —, olhou Jassy com um mínimo sorriso no canto dos lábios e então entendeu.

Os dois pombinhos ali estavam zoando com a cara deles.

— Vocês tinha que ver a cara de vocês!

Fred estava achando que tinha algo errado. Os outros caíram na risada, mas ele era o melhor amigo de John.

Vira como o garoto ficara totalmente desesperado quando encontrara Jassy naquele estado deitado no sofá, feito uma estatua de olhos abertos, fixos e gélidos.

A garota melhorara, sim. Mas não estava cem por cento.

Então ele entendeu de verdade. Quando olhou o sorrisinho de Jasmine, e os olhos sérios de John, apesar da gargalhada, na garota, percebeu que John não queria que todos ficassem tensos e preocupados.

Aquilo não ajudaria em nada. Então percebeu que os outros entenderam o mesmo que ele também.

Começou a rir, socando o cara mais próximo, apesar de estar preocupado com os dois.

John e Jasmine terminaram de descer as escadas e foram para a cozinha, com os outros seguindo de perto.

Peter bagunçou os longos cabelos, ainda loiros de Jassy. Ela o olhou, mas nos olhos dela não havia ameaças e nem nada.

Ela também não havia socado ele como todas as outras vezes que ele fizera aquilo.

O garoto ficou preocupado, mas não demonstrou.

Todos sentaram-se a mesa e comeram. Logo, o irmão da garota descia as escadas com Apollo no colo.

Ante a visão do irmão e do cachorrinho, os olhos vidrados de Jassy melhoraram um pouco e um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.

Todos observaram quando os braços de Jassy ganharam um pouco de agilidade ao receber um abraço do irmão e retribuí-lo.

O irmãozinho se afastou, deixando Apollo no colo de Jassy, e sentando-se a mesa.

Jasmine acariciou as orelhinhas e a barriguinha de seu amado cachorro e o colocou no chão, levantando-se.

Olhou o irmão e foi até ele, levando-o até o banheiro e fazendo-o lavar as mãos.

Todos aqueles movimentos foram lentos, mas John e os garotos ficaram felizes por eles.

O dia foi passando, e Jassy ia melhorando aos poucos. Melhorou com uma ligação de Daphine. Mal falou, mas pelo que deu pra entender, a mulher e o bebê estavam bem. Falou com Brian também, e ficou um pouco melhor.

John percebeu que cada vez que via ou ouvia pessoas que amava, a garota ia ficando melhor.

Ele e os garotos fizeram de tudo para animá-la um pouco. Depois que eles foram embora, ela estava bem melhor que pela manhã.

Ela, John e o irmão assistiram a um filme de comédia, e quando os dois adormeceram, o ex nerd ficou olhando-os.

Estava agindo como um pai de família aquele tempo em que os adultos estavam longe.

Ele e Jassy cuidava de John e de Apollo, que no momento estava deitado em sua caminha no canto da sala. E ele cuidava dos três.

Suspirou, torcendo para que tudo estivesse bem assim que amanhecesse. Desligou a TV, e pegou o pequeno xará no colo, levando-o para o seu quarto e cobrindo-o.

Voltou à sala, e pegou Jassy. Fez o mesmo procedimento que com o pequeno e foi até o banheiro, voltando logo depois apenas de cueca.

Deitou-se e logo sentiu os braços de Jasmine circundando-o, e descansando a cabeça em seu peito másculo.

Ambos suspiraram satisfeitos e dormiram.



Os dias passaram-se e Jassy voltava a si.

Entendera que os sentimentos que crescera dentro dela era admiração por si mesma, pela garota de personalidade forte e única; felicidade grandiosa e esperança da vida ser melhor para ela, como nunca fora antes.

As sensações eram boas demais para ela, uma garota tão acostumada a sentir-se desprezada, e ver todos com medo dela. Estava acostumada com sentimentos negativos.

Quando todo aquele sentimento bom apoderou-se de si, ela ficara extremamente confusa.

Mas estava sorrindo, falando bem e se movimentando bem.

Foi quando sua mãe ligou e falou de Arthur e Valentina que ela ficou completamente curada.

Todos que ela amava estavam bem, e era isso que importava a ela.

John, Brian, Daphine, seu irmão, seus amigos, todos ficaram exultantes e saíram para comemorar o retorno da rockeira.

Foram a um parque de diversão, e Jassy não tirava o sorriso do rosto ao ver todos eles se divertindo tanto.

Brian e Daphine se beijavam na montanha russa. Johnzinho, seu irmão, aprendia tiro ao alvo com Marco, o estrategista do time. Peter estava jogando guitar hero, se gabando de suas habilidades para algumas garotas perto. Os outros do time estavam no carrinho bate bate, que nem crianças.

— E nós? — perguntou John

Jassy sorriu maliciosa e o puxou para o trem fantasma.

Com a plena felicidade que as pessoas que amava, a proporcionava, Jasmine passara a sorrir mais. Apesar de ser naturalmente estressada, e raramente romântica, Jassy estava muito mais relaxada depois dos dias que passara em estado de torpor.

John agradeceu silenciosamente a Deus por ter aquela bela garota como sua. A mesma que uma vez odiara, e que negara tantas vezes estar apaixonado.

Sorriu ao ver a garota dar um gritinho falso a um fantasma gigante cair por sobre suas cabeças.

— Eu te amo, rockeirinha.

A garota virou-se para ele, ainda sorrindo.

— Eu sei, nerd. Eu te amo também.

E foi ali, naquele romântico cenário de terror e monstros falsos, a primeira vez que ela sorriu dizendo aquilo.

Ela era feliz com ele. E ele também.



O mês que Arthur e Jamily ficaram de lua de mel passara de forma rápida para todos.

Faltava apenas uma semana para Jassy e os amigos acabarem o terceiro ano do colegial.

Daphine estava estudando para passar numa universidade de moda na Europa, enquanto Brian pretendia segui-la, fazendo shows ocasionais por lá até a garota terminasse a faculdade. Depois, talvez ele pretendesse se formar em música.

Fred pretendia cursar direito em Harvad. Estava estudando como condenado. Semanas depois de fazer a prova, recebera a admissão. Todos ficaram orgulhosos, enquanto o garoto não conseguia acreditar.

Uris não sabia o que queria, estava apostando na carreira de jogador, assim como John que pretendia cursar alguma faculdade depois de alguns anos.

Peter estava apaixonado por uma nerd do colégio, e ninguém mais o via. Ouvira– se falar que ele queria fazer administração.

Daniel, obviamente, faria gastronomia. John nem se surpreendeu ao ouvir dos planos do garoto.

Marco, como adorava montar estratégias, se alistara no exercito e por lá pretendia ficar.

Jasmine era apaixonada por fotos. Faria faculdade de fotografia e cursos profissionalizante de empreendedorismo.

No dia em que ficara marcada a chegada de Arthur, Jamily e Valentina, Jassy e Daphine prepararam uma festa de boas vindas.

Havia uma grande placa dizendo: Sejam bem-vindos de volta!

Tinha mesas recheadas de quitutes diferentes, salgados, docinhos e frios. Bebidas com e sem álcool.

Toda a família e amigos estavam reunidos, esperando o casal. Conversavam animadamente.

John fora buscar os três e assim que estivesse próximo, mandaria uma mensagem para Jassy.

Adelaide se aproximou da bisneta como quem não quer nada.

— Jassy, minha netinha. — Jasmine olhou para a bisavó enquanto bebia refrigerante. — Quando vou ganhar meu tataraneto? Eu não vou viver muito.

A rockeira se engasgou, tossindo descontroladamente, ficando vermelha. Adelaide começou a dar tapinha nas costas da menina, como se não houvesse dito nada demais.

Quando a garota se recuperou, respirou fundo algumas vezes, antes de se virar para a bisavó.

— Eu mal tenho 17! Tenho muita coisa para fazer, vó, e você ainda vai viver muito tempo.

A senhora a olhou como se Jasmine fosse uma alienígena e se foi.

A rockeira ficou pensando nas palavras da avó, e já ia segui-la quando seu celular vibra no bolso.

Ela verifica a mensagem:

Esquina.

Jassy gritou: Eles estão na esquina! Apaguem as luzes, e desliguem o som!

Uma muvuca começou e todos se ajeitaram conforme o combinado.

Ouviram a tranca sendo remexida na porta e assim que eles entraram e acenderam as luzes:

— SURPRESAAA!

Valentina, no colo do pai, começou a gargalhar e seus pais estavam de olhos arregalados.

Jasmine correu para os braços da mãe. Até aquele momento, não percebera que sentira falta da mulher. Jamily ficara surpresa, mas logo retribuíra o abraço. Depois que se soltaram, Arthur deu um abraço na enteada, e o pequeno John que estava abraçando-o no momento, fora abraçar a mãe.

Valentina estava no colo de John, rindo para todos.

Abraços foram dados, e logo todos perguntaram sobre a viajem e os diferentes países que eles foram.

Jasmine pegara Valentina e sentara-se com ela no sofá. A irmãzinha estava maior do que se lembrava e com bastante cabelo.

Jamily ficou surpresa ao ver a irmã, mãe de Daphine, com o filho nos braços. Seu nome era Breno. Ficara surpresa e orgulhosa das meninas, pela corajem e força que tiveram.

Deixaram para contar depois o estado de torpor de Jassy, pois já passara e não queria estragar a festa.

Arthur dissera que Valentina mal dera trabalho, mas que chorara ao sair da Itália.

Pequeno John, ouvindo as histórias de outros países, mal via a hora de conhecer outros lugares também. Não saíra do colo de Arthur desde que falara com sua mãe. Estava fascinado com os detalhes da viajem.

A pequena Valentina adorou Apollo. Insistia em ficara perto do novo cachorrinho sempre que tentavam afastá-la.

Cada momento desses, cada história, cada cena, Jasmine registrava em sua câmera. Ela gostava de registrar cada detalhe, pois não sabia quando tudo aquilo poderia acabar.

Enquanto Brian e Daphine conversavam animadamente no sofá, lá estava Jassy os fotografando. Enquanto Daniel comia e enchia os bolsos de comida, sua máquina fotografava. Até mesmo quando ela e John estavam juntos e ele mal poderia esperar, ela batia uma foto.

Quando cansou-se de andar pela festa fotografando momentos fofos e constrangedores, sentou-se no sofá ao lado de Arthur.

Lembrava-se bem da infância que tivera ao lado dele, e ficou agradecida por ser ele a estar ao lado de sua mãe, e ser pai de seus irmãos.

Arthur, que sempre fora fascinado pela beleza de Jasmine, era um pai muito coruja, pois Valentina se parecia muito com Jassy.

Ele sempre quisera ser pai, formar uma família, mas nunca encontrara a pessoa certa para isso. Depois que a enteada desaparecera e ele a encontrara, Jamily ficara imensamente grata. Os dois acabaram se envolvendo e se apaixonando, até que ela engravidara.

E ali estavam… Casados, felizes e com três filhos lindos.

Mesmo que Jassy nunca o chamasse de pai, ele queria cuidar dela como se fosse. Ela era tão amada quanto Valentina e o pequeno John.

— Como ficaram as coisas enquanto viajávamos, princesa?

— Boas, tio. — Jassy olhava o irmão dormindo serenamente no colo do pai adotivo. — Esse garoto não dá trabalho nenhum.

Arthur sorriu e ia dizer algo quando foi interrompido por um microfone e caixa de som.

— Jassy? Pode me ouvir?

Todos começaram a olhar em volta, fazendo um burburinho. A música havia sido desligada, e todos prestavam atenção na pessoa com o microfone.

A rockeira franziu o cenho ao ouvir a voz do namorado pelas caixas de som. Procurou em volta até que o viu chegando pela sua direita, ajoelhando-se na sua frente.

— Jasmine, você com esse jeito marrento e estressado, me fez completamente louco por você. O jeito que me olha, que me abraça, que cuida de mim, é totalmente único. As conversas, os segredos, as brincadeiras, os sorrisos, me fazem querer tê-la para sempre. Você me ajudou e muito, e com certeza quero fazer o mesmo por você. Percebi que não sou nada sem a sua presença na minha vida. Eu te amo. E por isso, quero te dar isso.

John colocou a mão no bolso e de lá, puxou uma caixinha de veludo preta. Abriu e um lindo anel trançado de ouro branco com pedras brilhantes e um outro maior, igual, sem as pedras havia dentro.

— Não é noivado, e nem casamento. Apenas alianças de compromisso. Você aceita?

Todos começaram a sorrir, achando fofa a atitude de John. Adelaide em algum canto da casa sorria. Jamily estava com lágrimas nos olhos. Daphine estava emocionada, não se contendo de satisfação pela prima. Brian sorria, assim como todo o time. Os adultos admiravam a corajem de John.

E Jassy…

A garota estava totalmente paralisada. Queria dizer sim, sim, aceito. Mas tudo que conseguiu fazer foi se jogar em cima dele, derrubando os dois no chão, e tascar um beijão nele.

Todos começaram a rir e bater palmas.

Quando se separaram, Jasmine sorria, e todos se encantaram com aquela rara visão para eles.

— Vou levar isso com um sim. — John sorriu, arrancando mais risadas dos telespectadores e colocou o anel de Jasmine em seu dedo.

Jassy fez o mesmo, e suspirou mais feliz que nunca.

John foi parabenizado pelos homens, e Jassy cercada pelas mulheres, querendo ver cada detalhe do anel e de como ela se sentia.

Quando finalmente ficaram sozinhos, no quintal, Jasmine o abraçou apertado.

— Você é um idiota.

— E você é a minha rockeirinha.

— Sua.

John a olhou nos olhos. Eles estavam tão diferentes de quando a conhecera. Havia brilho e felicidade neles. Ela sorria, brincava e apesar de ainda ser mandona e estressada, estava mais relaxada. Ele a amava tanto que não conseguia se manter longe dela por muito tempo. Não conseguia não sorrir quando se lembrava dela. Não conseguia não beijá-la ao estar tão perto.

Seus olhos baixaram-se para as boca bem desenhada e carnuda da namorada, e sem conseguir se impedir, colou sua boca na dela com força e paixão.

Era macio e impetuoso. Aquele sabor de menta com morango misturado, e nunca enjoativo. Parecia que fogos de artifício haviam sidos jogados no céu para estourar num colorido avassalador, que tambores tocaram bem próximos ao coração de cada um, pois eles estavam rápidos. Parecia que havia pares e mais pares de asas de borboletas em seus estômagos.

Mas não. Era o beijo. Perfeito.

Finalmente John realizara um antigo desejo: Ele descobrira todos os seus segredos, todos os poros, todas as emoções, sentimentos, passado e mundo dela. A descobrira por completo.

Afinal, escolheram o caminho certo. Estavam felizes, radiantes.

Aquele livro aberto uma vez, para a história dos dois, terminara de ser escrito. E sabiam bem que eles teriam um final feliz.

Pois ela era dele. E ele… irrevogável e indubitavelmente… era dela.


Notas finais
Capítulo dedicado a uma pessoa mais que especial na minha vida, JVQ ♥

OKk, MEDO O.O SERÁ QUE ALGUÉM VAI GOSTAR?
Bom, quero muito agradecer a quem esteve comigo durante todo esse trajeto, mesmo sendo fantasma. (Vou chamar um caça fantasmas daqui por diante, kk)
Obrigada a todos os leitores, a todos os amigos, a todos as recomendações maravilhosas que eu recebi, a todos os reviews que recebi e os que ficaram aí na cabeçinha de vocês...
Obrigada a Halls de Pimenta, minha beta maravilinda, que sempre me ajudou e me apoiou! *-*
Bom, eu estou triste e feliz ao mesmo tempo. Triste por que, só mais o epílogo pequeno e acaba e feliz por que finalmente finalizo esse projeito para começar outros. Espero vê-los em outras fics minhas também!
Hmmmm... Se tiver erros avisem! Não quis mostrar pra betinha antes. kkk
Beijoos, gente.
Logo logo tem o epílogo! Só depende de vocês!