Os Opostos Se Atraem

37 36º - O inacreditável


Notas iniciais
Oi gente.
Eu não gosto muito de dar explicações, por que geralmente vocês não as querem. Mas eu darei.
Bem, eu disse que iria postar na semana seguite, e realmente ia, o capítulo estava quase pronto. Só que aí, algum abençoado fechou o meu word sem salvar, e todo o meu trabalho se foi.
Certamente, fiquei muito desanimada, por que o capítulo estava tão perfeito...
Fiquei um tempo sem tentar escrever, chateada... Quando comecei a reescrever, aconteceu algumas coisas e tive que sair de casa, logo, estava sem meu trabalho novamente.
Voltei, e o que acontece? Minha vó é internada. =/ Não tinha como eu parar pra escrever, era uma correria só! Ainda fiquei sem net, e nem pude avisar nada pra vocês, entrava de vez em quando apenas. Enfim, sem mais enrolações, desculpem mesmo!
Agradecimento especial a quem esteve comigo todo esse tempo, e a minha lindaaa betinha que betou pra mim esse cap!
Beijos, Enjoy.
36º — O inacreditável

“Se alguém duvida, é por que tem motivo.”

Ariadne Guiraldello

(…)

John andava pelos corredores sentindo cada olhar, de cada funcionário, de cada aluno daquele colégio. Sentia-se livre. Voltara a ser como era antes. Aliás... Não como ERA antes.

Agora, com Jasmine, não sentia mais que sua vida era monótona e tediosa. Cada dia era um dia diferente, com humores diferentes, sorrisos diferentes e principalmente: emoções distintas.

Com ela, o antigo nerd sentia-se voando. Ele ia ao alto, atravessava nuvens, mergulhava oceanos e quando voltava, ainda se sentia anestesiado. Sentia-se seguro, porque além de namorado era amigo.

Ele sabia bem o quanto de ciúmes ela estava sentindo naquele dia em especial. Várias garotas o olhavam, e ele não sabia o quanto ela iria aguentar se segurar.

Ele ainda não acreditava que a garota, aquela à qual não queria de jeito algum contar o segredo, o ajudara a se erguer.

Quando saíra de seu quarto e seus pais lhe viram, ficaram surpresos e emocionados. Sua mãe derrubou a xícara quente em seu colo e seu pai tentou limpar, mas logo deixaram isso pra lá para poder abraçar John.

Pelo que parecia, agora tudo ia começar a se acertar. Sua vida estava começando a tomar um rumo.

Ao chegar ao seu armário, sentiu uma mão gélida passar sensualmente por seu corpo. No mesmo momento ficou rígido. Sabia que não era sua amada, pois o toque de Jasmine contra ele era quente, o que contrastava com seu corpo gélido.

Brian, que desde que encontrara com John e Jasmine, seguira o garoto de perto. Ele sentia que algo podia acontecer e que tinha que ficar de olho.

Ao ver o antigo nerd virar no corredor, escondeu-se atrás de uma pilastra e ficou a olhar.

— Vigiando os outros, Brian? — Ao ouvir a voz de Melanie atrás dele, deu uma rosnada de susto.

— Porra, garota! Não se meta.

Melanie, uma garota de altura média, morena, cabelos cacheados brancos com mechas roxas, ignorou e observou a cena se desenrolar.

Ao ver a líder de torcida chegar perto de John e passar as mãos sensualmente por ele, Brian estava logo filmando tudo desde que ela se aproximara.

John havia se virado, e fora pego de surpresa pelo beijo da loira. Agarrou em sua nuca a fim de se soltar, mas então congelou ao ouvir uma voz conhecida gritar seu nome:

— JOHN!

Seu coração doeu. Deu uma parada e voltou. Ao pensar que Jasmine tinha visto aquela cena, John simplesmente se odiou.

O coração de Brian acelerou ao ver Jasmine e automaticamente sua mão com o celular filmou Jasmine sem ele saber.

O jogador empurrou a loira longe e olhou a namorada. Aqueles olhos... Cheios de dor e sofrimento novamente. Não! Não podia ser ele o motivo daqueles sentimentos dentro dela!

Sem poder falar nada, apenas sentiu aquela macia mão estatelando em seu rosto, para logo depois vê-la derrubando a líder com força no chão com um soco e indo embora.

Passou a mão no local dolorido e percebeu que nada ouvia. Nem as fofocas em volta, nem o choramingo da líder. Ao olhar para o lado, viu Brian o encarando.

Um fitou os olhos do outro, e antes que John pudesse pensar, suas pernas o levavam até ela, porque, o que quer que possa acontecer, nada e nem ninguém poderia separá-los.

— Você vai mostrá-la o vídeo, não vai? Vai contar a ela a verdade, certo?!

Brian olhou a pequena a sua frente. Ele ia? Agora que poderia ter a chance de voltar com a garota que ama, ele ia mostrar o vídeo, e dizer a verdade a garota?

— Eu... — O mais alto olhou em volta a procura de uma resposta. Sua cabeça doía e ele não sabia o que fazer. — Não sei.

— Brian! Você tem que dizer. Eu sei que você gosta dela, mas esse é o certo a fazer, cara.

— PARA, MELANIE! EU NÃO SEI!

Correndo pelas ruas, com uma sensação de perda, Jasmine não conseguia entender por que estava com tanta raiva. Ela sabia bem o quanto aquele miserável era um galinha.

A verdade era que ela havia se entregado a ele. Dissera-o que o amava. A dor causada pela cena era diferente de qualquer uma que ela tinha sentido antes.

Sentira a dor de ser abandonada pela mãe quando pequena, sentira a dor da morte, sentira a dor da saudade. E por quebra, sentira a dor da traição. Parecia que ela estava fadada a sentir dor por toda sua vida.

Ao chegar aos grandes portões de ferro do cemitério, ela entrou e correu pelo caminho tão bem conhecido e ajoelhou-se de frente à lápide de seu pai.

Obviamente, Jasmine não chorou.

A dor de uma traição é grande. Ainda mais quando no exato momento em que você confiou, a pessoa te trai, mas ela havia prometido a si mesma, há muito tempo, que qualquer que fosse a sua dor, nada no mundo, além de seu pai, a faria chorar novamente.

Ela o ajudou, ela confiou. E o mais importante e doloroso: Ela disse que o amava.

Não precisava nem dizer que não haveria mais nada entre eles a partir de agora. E não seria segredo pra ninguém também que ela nunca mais confiaria em um garoto, fosse quem fosse.

— Hey, pai... — e novamente na vida de Jasmine, ela estava em dor. — Cadê você agora pra proteger sua princesinha, sua flor, dos garanhões da cidade?

Já passava de meia noite. Ninguém sabia onde Jasmine estava. Sua mãe andava pra lá e pra cá, preocupada pelo que podia ter acontecido, com a mão em cima da barriga arredondada de três meses. Arthur ficava olhando a noiva andar de um lado para outro, preocupado também.

Então, escutam o barulho da porta e olham em direção a ela, alarmados.

Jassy entrou meio cambaleante e tonta, pela porta.

— Olá, família. Sabe o que aconteceu hoje? — Sua fala estava totalmente embolada. — Eu fiquei novamente decepcionada. Onde está meu menininho?

Sua mãe olhou para ela, estranhando aquele comportamento e ficando cada vez mais assustada.

— Jasmine, o que aconteceu, minha querida?

— Não. Me. Chame. De. Querida. — suas falas emboladas foram pausadas, em tom de aviso. — Você é outra que sempre me decepcionou. Só espero que não faça isso com meus irmãos. O tio não vai deixar. — Olhou Arthur.

— Jassy... O que houve? — Perguntou ele, fazendo a mulher se sentar.

— Houve que eu perguntei onde está meu irmão e ninguém respondeu, porra!

— Ele... Ele estava te esperando até mais cedo, mas caiu no sono. Está no quarto dele.

Sem perder tempo, a rockeira foi rápida e desajeitadamente subindo as escadas. Seu futuro padrasto foi no seu encalço, com medo da garota cair. Deixou-a assim que ela “bateu” a porta do quarto do pequeno John.

Andando de soslaio, Jasmine foi até a cama em que o irmão dormia como anjo. Abaixou-se ao seu lado e observou-o dormir por longos minutos enquanto acariciava seu cabelo.

— Eu nunca vou deixar você ser magoado, ou magoar alguém, meu irmão. Nunca.

Antes de se deitar, Jasmine ficara pensando se deveria ou não ir à escola naquele dia. Além de acordar com uma puta ressaca, iria ter que acordar cedo. Mas se ela faltasse, iria dar uma de fraca, que não tinha forças para encarar o dia seguinte, então, resolveu que ia.

Assim que o despertador tocou as seis em ponto, Jasmine jogou-o longe. Sua cabeça explodia e ela queria mais era enterrar-se na cama até o próximo dia.

Levantou, e seguiu para o banheiro, onde lavou o rosto, escovou os dentes, e sem se olhar no espelho, entrou no boxe para tomar um banho frio.

Com a toalha enrolada no corpo, Jassy saiu do banheiro e entrou no closet. Escolheu uma calça preta que havia uns rasgos na coxa, uma regata preta do nirvana e um salto vermelho escuro.

Um colar com um pentágono e um bracelete simples no braço direito.

Depois de secar seus longos cabelos negros, cacheou-os. Na maquiagem, escolheu uma sobra cinza bem esfumaçada com preto e um traço grosso de delineador. Lápis preto, várias camadas de rímel, blush, e um gloss vinho fizeram de Jasmine uma garota linda, e que estava pronta pra encarar o que viesse.

Saiu sem tomar café. Estava sem fome alguma. Pegou seu carro e foi pra escola.

Nem tão rápido e nem tão devagar.

Assim que estacionou, ignorando os olhares sobre si — embasbacados e maliciosos dos machos, e invejosos das fêmeas — encostou-se à traseira do carro esperando por algo.

Assim que avistou o jipe branco, ficou de costas ereta e com um sorriso radiante.

John saiu do carro e fora direto em sua direção. Surpreso, enciumado, e deslumbrado.

— Olá, Viatte.