Os Opostos Se Atraem

34 33º Capítulo – Segredos destrancados do coração


Notas iniciais
FINALMENTE! Eu sei.
é gente... estou um pouco (muito) nervosa quanto a este capítulo... Sei lá...
Bem... Agradeço a Ely Vieira pela recomendação que eu gamei *---*. Obrigada linda.
E agradeço, principalmente, a HallsDePimenta por ser minha nova beta, e ter paciência com meus errinhos! Thaaank's *-*
* Capítulo dedicado a Ely Vieira e a minha beta linda!
Sem mais enrolações.
Enjoy.

33º Capítulo – Segredos destrancados do coração

— Vim aqui te contar meu segredo.

Jassy olhou assombrada para o garoto e de repente não sabia mais se queria ouvir o que o namorado tinha para dizer.

De repente, toda aquela raiva que sentia, toda vez que pensava que o garoto que estava com ela era um desconhecido, pareceu tola. Toda aquela raiva por esse mesmo garoto não compartilhar de seus segredos e de seu passado com ela, fora idiota. De repente ela sentiu medo do que poderia vir.

— Vamos para o meu quarto. — A garota levantou-se e seguiu em frente sem falar.

Assim que entraram, Jassy sentou-se em sua cama e John trancou a porta. O garoto seguiu para os puffs da garota e fez sinal para que ela sentasse ao seu lado.

A garota o fez, e John ajeitou-se da melhor forma que pôde.

— Eu era popular. Jogador de futebol, o quarterback. Era o melhor. — deu um sorriso pela lembrança e seu olhar perdeu-se ao se aprofundar nas memórias. — Ficava com todas. Era chegar, e pegar. Minhas notas eram as piores e eu não estava nem aí para tal fator. Meus pais, principalmente minha mãe, nunca estavam em casa. Eu saia, bebia, pegava várias em uma noite, e ia pra escola para fazer porra nenhuma. A única coisa que eu gostava naquele inferno de lugar era o jogo. O jogo e meus amigos. Aí Daphine apareceu. — Jasmine mexeu-se desconfortável ao ouvir das várias garotas que ele pegou, mas nada disse.

“Comecei a namorar Daphine e passei a sentir algo especial, pela primeira vez na vida, por uma garota. Ela parecia diferente. Não chegou se jogando nos meus braços. Simplesmente sorriu e disse 'oi'. A primeiro contato visual, eu queria pegá-la, como todas as outras e passar para a próxima. Era uma garota bonita e que todo o time de futebol cobiçava. Era a taça. Depois comecei a me sentir diferente. Comecei a mudar. Estávamos aparentemente felizes.

"Quando a conheci estava numa fase em que as garotas não mais me interessavam por serem todas iguais às outras. Nunca fui muito de maltratar os outros também e nem de sair por aí dizendo: 'Ei, olhem pra mim, eu sou o melhor'.

"Estava sempre no tédio. Era sempre do mesmo jeito. Com Daphine mudou alguma coisinha, mas o maldito tédio me consumia todos os dias.

"Então, um dia, por algum motivo fui o primeiro a chegar na sala. O professor já estava lá.”


Flashback on.


“ —Viatte! Queria mesmo falar com você.

Olhei para o professor com tédio e ergui uma sobrancelha, esperando que o tal falasse. Meu dia não tinha começado muito bem, e era bom aquele cara não me encher a paciência.

— Como é de seu conhecimento, suas notas não são as melhores, muito pelo contrário. — Sério?! Diga algo que eu não saiba. — E você é o quarterback de nosso maravilhoso e inútil futebol americano, correto?

— Sim. — Esse cara ia mesmo continuar falando o que todos estavam carecas de saber? Encostei-me a mesa e cruzei os braços.

— Deve saber então que, se não mantiver uma das melhores notas da turma, será expulso do time. — quase cai quando ouvi suas últimas palavras, e quase o fiz engolir meus livros ao ver sua cara de zombaria.

— Como?

O velho sorriu irônico e voltou para sua mesa. De lá, abriu uma gaveta e tirou um charuto.

— Sabe Viatte... As pessoas são como os objetos. São bons por um certo tempo. Ou se são multitarefas. Veja os charutos. Como sabe que são bons?

— Tragando-os e provando um por um?

— Tsc tsc... Não. — o professor apreciou o charuto e chegou perto de mim. — Pelo cheiro. Degustamos de seu aroma. Se o cheiro é bom, ele é bom.

— Como sabe? E outra... O que meu cheiro tem a ver com futebol?

— Anos de experiência. O que eu quero dizer é que se você não for bom numa coisa, certamente não será em outra. E se for, algo há de errado. Futebol não dá futuro. Você tem que ter uma segunda escolha. Afinal, por que você acha que só permitimos que o aluno participe dos campeonatos e continuem neles com notas altas? Para merecer um, ele terá que se empenhar no outro.

O que aquele professor estava dizendo não estava fazendo o mínimo sentido pra mim.

— Não espera que eu tire notas altas de uma hora para outra, espera?

— Sim, eu espero.

— O que?! — joguei as mãos para o alto. — Como?

— Com ele.

Virei e dei-me conta de que não estava sozinho na sala com o professor. Sentado na primeira cadeira do meio da sala estava William Brown. O nerd que eu sempre tinha um tempo pra zoar, apesar de ter parado um pouco com isso. Já estava tedioso demais.

— Ele? — perguntei me voltando pra o professor, incrédulo.

— Sim. Com ele.

Droga. O sinal tocou e logo toda a turma estava na sala. Fui para o meu lugar sem olhar um segundo para o nerd.”

Flashback off.


— O tempo passou, e a aula terminou. William veio falar comigo, e de muita má vontade marquei a porcaria da primeira aula. Ele me dava aula, e o meu tempo ficou dedicado somente a isso. Não queria sair do time, e tinha que estudar. E admito que gostei. Aquilo me fez sair da rotina e me fez conhecer um amigo... Um amigo de verdade. Não que os caras do futebol não fossem... Mas com o nerd não precisava beber, não precisava de mulher e nem nada pra poder sair da rotina. E ele logo via quando minha cabeça estava lotada de informações e precisava descansar. Dava-me o devido tempo para absorver tudo e depois íamos jogar qualquer jogo de nerd que ele levava. Era divertido.

Jasmine prestava atenção em tudo que ele dizia. Seu olhar não estava nele e o dele não estava no dela. Os dois estavam mergulhados na história e cada um a vislumbrava no ponto que fitavam.

— O tempo foi passando e sem perceber fiquei afastado do time. Havia mudado. As coisas não eram mais tão tediosas. Daphine era uma pessoa que tinha em comum comigo mais que qualquer um. E William era um gênio, que eu adorava conviver. Então eu soube... Soube que Daphine abrira as pernas para todo o time.

“ Eu fique desolado. Não entendia como uma garota como ela poderia ter feito aquilo. Eu não fiz nada! As pessoas no corredor davam risinhos de mim e andavam cochichando. Até olhares de pena eu encontrei. Um deles foi de Will. Eu simplesmente desmoronei com aquele olhar, vindo daquela pessoa. Saí correndo do prédio da escola. O sol já estava se pondo no horizonte, e eu estava correndo pra bem longe dali. Ouvi alguém me chamando, provavelmente Will... mas não dei muita importância.”


Flashback on.

“ Acordei num beco escuro com alguém chamando meu nome. Minha cabeça latejava muito e tudo que eu queria era que, quem quer que estivesse me chamando, calasse a merda da boca.

Sentei-me, e tentei enxergar alguma coisa. Via tudo embaçado, e o raio da dor só havia piorado. Coloquei alguma coisa na boca e percebi ser bebida.

— John! Cara, para de beber. — Will, reconheci, pegou a garrafa de mim e se levantou estendendo a mão.

Com dificuldade levantei cambaleando e tomei a garrafa de Will. Continuei bebendo e adentrando mais fundo o beco. William ficou para trás implorando que eu voltasse. Ignorei-o. E desmaiei novamente.

(…)

— Jonh! Seu grande paspalhão. Não acredito que você, o cara mais foda do colégio, está fazendo isso por uma patricinha qualquer. Ela nem é tão bonita assim. Parece mais uma anã.

Abri os olhos. Quem estava me enchendo a porra do saco? Mas será que nem entrar na merda eu posso mais?

Virei a garrafa de vodka que eu tinha arranjado e fechei os ouvidos para o idiota a minha frente. Aquilo ali eram duendes numa nave espacial?

— Eu quero.

— Quer o que, cara? Viu! Já está vendo coisas.

Bebi novamente. O gosto era tão bom. Um gosto amargo e doce descendo quente por minha garganta.

— Ei, John... Para de beber cara.

Eu não sabia de quem era a voz. Na verdade não lembrava nem de quem eu era. Esqueci-me de tudo. Só não me esqueci do que mais queria.

— Ca-cala a... Booocaaaaaaa. Cala… A boca. Quem é v-vo-você? E-eu só quero esquecer... Esquecer. — estava com a voz estava completamente embargada e falar me causava muita dor de cabeça.

— John... Chega, cara. Vamos embora. Eu te levo pra minha casa.

— Não! Eu ainda não esqueci a vadia da Daphine. — Falei tudo de uma vez, pra depois fazer uma careta de dor. — Vou esquecer aquela puta. Espera... — parei para pensar, me colocando de pé de maneira grotesca. Olhei para cima, tentando buscar algo na mente.

Começei a gargalhar e a dançar com a garrafa de vodka na mão. — Eu esqueci. O que quer que fosse... Eu esqueci.

Então, busquei no bolso algo e comecei a cheirar. Quando o garoto percebeu o que era, correu e deu um tapa na droga de crack que cheirava.

— Você é louco, cara? Vamos embora. — Disse arrastando-me dali.

Soltei-me com um puxão, e cambaleei um pouco pra trás. — Louco é você. Como faz isso? Nem te conheço.

Então, um barulho chamou a minha atenção e a do garoto que queria me tirar dali. Tiro. E outro. Seguido de mais cinco.

O garoto ficou assustado, mas eu me entusiasmei e corri desengonçado na direção dos sons que os tiros vieram.

— John! John!...

Cada vez mais que eu corria, os sons ficavam mais pertos. Escutei passos atrás de mim e de repente senti medo de quem estava atrás de mim. Aos poucos esse medo foi me trazendo de volta para a realidade, mas não sei por que motivo continuei correndo em direção aos tiros.

— John!

Parei ao ver alguns homens com armas na mão. Pareciam duas quadrilhas. Ao longe ouvi a sirene da policia. Escondi-me da melhor forma que pude e ouvi o garoto atrás de mim sussurrar meu nome.

Virei-me para ele e reconheci Will.

— Vamos embora, John. Vamos para minha casa.

— Fica quieto, nerd. Quero ver isso. – falei com grande dificuldade e sentindo minha cabeça latejar cada vez mais.

Will se abaixou ao meu lado descontente. Pela visão periférica, discerni uma sombra. Levantei-me com tudo, assustado, e derrubei as caixas que me escondiam. A sombra correu assustada e percebi ser a de um gato.

Tiros começaram a ser disparados e uma arma veio parar na minha frente. Peguei e analisei aquele objeto. Era um objeto bonito.

Homens passaram a vir de todos os lados atirando e logo Will e eu estávamos nos abaixando.

— Largue a arma, moleque. Ou seu amigo morre. — Ao ouvir as palavras proferidas por uma voz rouca, parecia nunca ter sido usada, congelei.

Virei-me lentamente com a arma em punho e mirei no cara que segurava Will pelo pescoço e apontava a arma em seu ombro.

— Larga a arma.

Olhei Will que estava morrendo de medo. O nerd que estava ali por mim, me seguindo, tentando me ajudar. O garoto que me ajudou a levantar as notas, que me fez companhia e que era um grande amigo. Que estava naquela por minha culpa.

Senti adrenalina correr em minhas veias e a vontade que tinha era de matar o homem. Mas eu nunca havia atirado na vida, minha visão não está lá aquelas coisas e nós dois não éramos os únicos armados ali.

Bem devagar coloquei a arma no chão. A sirene de polícia que havia ouvido a pouco, ficou alta demais. Estavam ali. Então tudo correu num borrão.

Atiraram em Will. Ao longe, vi parte do time de futebol gritar meu nome. Olhei de volta para Will e percebi que todos haviam corrido para longe.

— Chamem um médico, os policiais. Qualquer coisa. Ajudem! — Gritei para o time.

Eles correram em busca de ajuda e corri para William. Abracei seu corpo já gélido.

— Ei, Will. William, seja forte, nerd. Seja forte. Eu estou aqui com você, ok?! Fique comigo também. Sabe por quê?

— Por que? — sua voz era fraca e seus olhos estavam quase se fechando.

— Porque você é meu amigo. Porque eu estou com medo, e preciso de você aqui.

— Eu sou seu amigo? — percebi que ele fazia um grande esforço para falar e se manter acordado.

— É claro que é, seu idiota. É claro que é.

Uma única lágrima escorreu de seus olhos. Logo várias começaram a descer. Seu olhar estava fixo no meu. Um sorriso fraco, mas verdadeiro brotou de seus lábios.

— John...?

— Shiu. Não fale, cara.

— John...

— Estou aqui.

— Você foi o único amigo que eu tive em toda a minha vida.

Lágrimas quentes e salgadas começaram a descer por meus olhos. Aquele garoto em meus braços estava perdendo a vida por minha culpa. O garoto do qual eu zombei, maltratei e ele me ajudou. Esteve ali comigo nos estudos, me tirando do tédio, me ajudando sempre que eu precisava. Estava ali naquele beco naquela hora da madrugada por mim. Estava morrendo em meus braços por minha culpa. MINHA culpa somente. E nem um amigo ele teve.

Viveu enterrado nos livros e vídeo games por toda a vida, sozinho. Sem irmãos, sem primos. Sozinho. Completamente só. Nunca teve sequer uma namorada e eu estava tirando essa chance dele. Ele estava apaixonado e agora... Agora eu estava a tirando dele.

Isso não era justo com ele. Não era justo. Eu queria estar na pele dele. Era eu quem deveria estar na pele dele! Eu!

Abracei apertado William.

— Você vai ficar bem, cara. Você vai.

— John... Avise a meus pais e avós que eu os amo.

— Eu? Não! Você vai avisar.

— Prometa!

— Ok. Eu prometo.

— E John...

— Cala a boca, nerd. Descansa. Por favor, cara. Descansa. — Minhas mãos tremiam e eu não conseguia parar de soluçar.

— Obrigado. Obrigado por ser meu amigo. Nunca se esqueça… De mim. — Sua cabeça pendeu para o lado em meus braços.

— Will! William! — meu coração era um aperto grande. Eu não conseguia respirar e temia desmaiar a qualquer momento. Um grande buraco negro se instalou em meu peito.

— AJUDEM! ALGUÉM ME AJUDE!

Chorando como criança, abracei o corpo de William junto ao meu, ninando e balançando. Senti uma mão consoladora em meu ombro, mas não me virei para ver quem era.

Havia perdido um grande amigo. E por seu pedido, eu nunca me esqueceria dele. Não poderia. Por culpa, viveria como ele viveu toda a vida, pelo resto da minha.

Eu me tornaria ele. Com a exceção do nome. Eu seria William Brown na pele de John Viatte.”

Notas finais
...
Entãaao? hehe, prometo que não demoro pra postar.
Quero reviews... E quem sabe recomendações? hehe.
Então, quem gostoooou?