Os Opostos Se Atraem
25 24º capítulo – Conhecendo a pequena Jasmine
24º capítulo – Conhecendo a pequena Jasmine Salmerón
Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você esta comigo
O tempo todo
E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem...
Legião Urbana – Vento no litoral
…
Jasmine acordou com neve branca a sua volta. Ao abrir os olhos, constatou estar no cemitério. Sentou-se desnorteada. Como dormira naquele frio, no meio de um cemitério?
Então percebera que estava envolta de duas mantas bem grossas. Estava também bem agasalhada ao sair do hospital ontem, então, não estava sentindo muito frio.
Olhou para a lápide do pai e passou a mão com luvas grossas, pretas de couro, ali, limpando a neve.
- Você o amo muito, não é?!
Jassy virou-se alarmada para a voz. Encontrou um garoto alto, forte, com cabelos castanhos claros divididos de lado, óculos grandes e escuros. Bem agasalhado e carregava em suas mãos dois copos grandes fumegantes.
John fitava a lápide do pai da garota.
- sente muita falta dele?
A garota, confusa, perguntou: — o que faz aqui?
Virando o rosto em sua direção, respondeu: — vi você entrando aqui ontem. Trouxe esses edredons e dormi aqui. – Apontou outros edredons mais afastados. – não queria que ficasse sozinha aqui, nesse frio, na madrugada.
A garota virou o rosto para a lápide.
O nerd entregou um dos copos de chocolate quente, e sentou-se ao lado dela.
Beberam em silêncio. Sem provocações, sem olhadas, sem brigas. Apenas um silêncio por um bom tempo. Até o nerd quebrá-lo.
- Por que veio pra cá, Jasmine?
Um frio percorreu o corpo quente de Jassy. Mas não era frio pelo tempo, e sim pelo modo como seu nome soara na boca do garoto. Já sentira aquilo nas poucas vezes que ele dissera seu nome, mas antes havia ignorado. Agora, que sabia de seus sentimentos pelo ser ao seu lado, era quase inevitável ignorar.
- Eu... – respirou fundo – não sei. Sempre venho pra cá. Quando estou mal, ou simplesmente para conversar com meu pai.
- nunca foi de ter muitos amigos, não é?!
A garota deu de ombros. – Não gosto das pessoas. São falsas, ignorantes e interesseiras.
- eu não sou assim.
A garota fez um som irônico e nada disse. Será mesmo que não era? Afinal, o que ele escondia? Quem era o verdadeiro John?
- Porque veio aqui, moleque?
- Porque não iria deixá-la sozinha, rockeirinha.
- e... ?
— bem... – John sentou-se melhor, ficando numa posição em que pudesse fitar os olhos dela perfeitamente. – eu vim me...
Jasmine o cortou.
- Não faça isso, nerd, se não for de verdade.
- mas...
- Sabe... – cortou-o de novo — ...passei toda a minha vida ouvindo desculpas falsas da minha mãe. Era... doloroso. – disse com dificuldade. – Eu fazia desenhos a ela, depois da morte de meu pai, e ela nem olhava. Muitas vezes eu encontrava nos lixos, ou guardado nas coisas de meus avós, que pegavam. E quando eu perguntava dos desenhos, ela dizia que deveria ter entregue por engano ao chefe no trabalho ou sei lá o que. Mas estava sempre no lixo.
O nerd piscou algumas vezes. Sabia que a vida da garota não havia sido fácil, mas parecia que era muito mais do que ele supusera.
- Por que... porque sua mãe fazia isso, rockeirinha? – perguntou John inclinando-se curioso em direção a garota.
Desde o dia que a conhecera, ficara curioso sobre ela. A garota não era como as outras. Na verdade, era totalmente o oposto delas. Era única.
Jasmine pensou se contava ou não. Nunca contara nada a ninguém. Daphine sabia por ter passado sua vida ao lado dela. Brian sabia apenas algumas coisas.
Ela gostava do garoto ao seu lado. Porque então, esconder?
Então falou, permitindo-se abrir-se totalmente pela primeira vez na sua vida.
- Porque não aceitava a morte do meu pai. – Então ela contou tudo.
Contou de como a mãe deixará de lado quando mais precisara, de como não olhava em seus olhos, de como se afundara n trabalho. Contou o primeiro aniversário depois da morte dele, contou de como se afastara das pessoas, o porque da raiva que sentira de Daphine até pouco tempo atrás.
Contou como sua mãe esquecia de datas importantes, como natal, aniversários, feriados e afins. Como ela ficava sozinha à noite, e como tinha que ficar escondida de baixo do edredom, com medo, por causa de pesadelo.
- Ela não me deixava entrar em seu quarto.
“ Jasmine acordara gritando. Havia sonhado novamente com a morte do pai, só que no sonho, os homens não eram mortos, e então vinham atrás dela.
Chorando, assustada foi em sentido ao quarto da mãe. Entrou carregando seu ursinho, esfregando seus olhinhos.
- mamãe. – chamou baixinho com a voz embargada. O tempo lá fora estava ruim, e o vento sacudindo a janela assustou mais a garota que segurando o ursinho com força, recomeçara a chorar.
- mamãe, mamãe!
A mulher virara-se para a filha. – O que faz aqui?
- tive um pesadelo, mamãe.
- Era tudo falso.
- Não, não era...
- era sim. Agora, deixe de bobagem e volte para o seu quarto.
E voltou a dormir.
A pequena, chorando, saiu do quarto e se deparou ao corredor escuro. Tudo que olhava refletia sombras e garras.
Girando em volta de si mesma, a garota chorou alto e desesperada, e onde quer que olhasse havia pares de olhos vermelhos a fitando.
Colocando a mão nos olhos, deixando seu urso cair, soltou um grito gutural.”
- Tudo que eu queria era apenas dormir ao seu lado. Queria apenas que ela dissesse que tudo ficaria bem, e que aqueles filhos da puta estavam mortos.
Jassy apertou com força o edredom envolta de seu corpo e continuou a contar sua vida. Passaram horas assim. Ela falando enquanto ele tudo ouvia em silêncio, abismado.
Quando ela terminou, ficaram em silêncio. Ela se levantou e dobrou as mantas. John fez o mesmo e a seguiu para fora do cemitério.
- Naquela noite, do pesadelo, depois do grito, ela veio correndo ver o que estava havendo, assim como meus avós. Acusei-a, e meus avós começaram a discutir com ela. Era sempre assim. Depois, veio pedir desculpas, e estava sempre tentando se reaproximar. Só que de maneira errada. E, além do mais, já era tarde. Eu não a queria mais por perto.
John assentiu compreendendo. Jassy ficou em silêncio deixando o garoto absorver toda a história.
Ele parou de andar, fazendo com que a garota também parasse. Viraram-se de frente um pro outro.
- Rockeirinha, entendo sua reação no quarto ontem. Eu... me... desculpe. Eu fui extremamente egoísta e agora vejo isso. Espero que seja feliz ao lado de Brian. – abaixou a cabeça suspirando pesadamente.
Jassy deu um meio sorriso rapidamente. – Idiota. Porque acha que eu estou contando todo o meu passado pra você?
O nerd franziu o cenho e depois de pensar um pouco abanou a cabeça.
- Não sei. Por quê?
Jassy revirou os olhos e se aproximou. – Por que apesar da puta sacanagem que me aprontou, eu escolhi você. E quero que saiba do meu passado. O resto... o resto terá que descobrir por si próprio.
John, arregalou os olhos e escancarou a boca.
Não acreditava no que acabara de ouvir. Ela estava mesmo passando por cima de tudo? Passando por cima do que odiava, de tudo e todos para ficaram juntos?
- Vai ficar parado aí mesmo com essa cara de tacho? Beije-me logo, nerd.
Ele a obedeceu. Um beijo quente e caloroso, muito bem vindo, foi dado pelos dois.
Aquele beijo abriria a capa do livro da vida de Jasmine e John.
Aquele beijo iniciaria uma longa história. Só bastava os dois escolher, se a história teria ou não um final feliz.
Cabia aos dois seguir os caminhos corretos.
Notas finais
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