Notas iniciais
Curtam bastante...

Um dia normal era o que deveria ser, mas perdi um general importante na organização... Todos estavam de luto, dois dias se passaram e as atividades da Hellsing já deveriam estar normalizadas, mas EU não estava... Desde que Alucard foi numa missão na Castelvânia eu me senti sozinha, muito sozinha, parecia ser a única pessoa daquele imenso lugar. Mesmo com Selas, Walter, Anderson e todos os outros, ainda assim parecia que ninguém existia por aqui.

Minha situação era tão grave que nem de terno eu estava, usava um belo vestido branco que descia até o chão, passava dos meus pés, andava descalça pela casa, ia de um lado a outro, também havia uma pequena coroa feita com flores brancas, rosas brancas... Alucard fez para mim. Meu rosto era indiferente para muitos, mas Selas e Walter notavam fácil meu humor tristonho e infantil...

Andava pelos corredores das masmorras, sentia aquele cheiro de morte, mas não sabia ao certo se era. Sentia o cheiro dele, era diferente dos outros, exalava-se mais forte e bem mais endiondo...

Fui até o salão de música e notei que o piano estava fechado, todas as tardes aquele maldito vampiro perturbava minha leitura o tocando, mas no final eu acabava prestando atenção nele, e gostava.

Já se passaram duas semanas e alguns chegaram a me dizer que ele estava morto. Não quis acreditar, se não já teria visto seu corpo. Ele não morreria fácil assim, meu Alucard não...

O único nome que me vinha a cabeça: Alucard.

Me atrapalhava a pensar no resto das coisas... Sentei na poltrona vermelha do salão de música e encarei o piano... Fazia tempo que não o tocava, desde que papai morreu. Violino? Nem sabia mais onde Walter o colocou, Violoncelo estava ali, quase ao lado do piano, mas nem se quer o olhei.

Pensei e pensei numa música que ele vivia tocando, mas também pensei na letra... Uma espécie de poema, lamentava aquele Cão de guarda não estar aqui!

Sentei no bando e abri o piano, suas teclas impecavelmente limpas, coisa de Walter é claro, toquei uma tecla e comecei a rir em silêncio...

"This is over for me, but you..."

(Este é o fim para mim, mas você...)

Comei a tocar aquela maldita música, daquele maldito vampiro...

"I want that survive, because I need you"

(Eu quero que sobreviva, porque eu preciso de você)

Não sabia o que era pior, perder a vontade de ser você ou perder a vontade de tudo...

"Dear, listen me... Don't the end, I'm here to you"

(Querida, ouça-me... não é o fim, eu estou aqui para você)

O mundo parecia desabar para mim, estou sozinha outra vez, sem Ele, nada existe então... Queria poder chorar, mas meu coração de pedra é gelado como sua pele... Maldito vampiro!

"I'm here, don't cry, Love You Mister Girl..."

(Eu estou aqui, não chore, Te amo Senhora Menina...)

Vampiros sentem alguma coisa? Então se sentem deve saber o que eu sinto também... Sinto sua falta, idiota.

"I miss you Dear."

(Eu sinto sua falta Querida)

Queria poder chorar... Mas apenas tocava o piano preto, da cor dos seus cabelos...

Ele me salvou da solidão e a música me tirou do silêncio da enorme mansão que me guarda... Eu apenas tocava o enorme piano preto com calda, deslizava meus dedos sob suas teclas enquanto sentia ele me olhar com graça... Vampiro desgraçado, te amo mais que a mim.

-Integra...

No final da música eu parei imediatamente, olhei para as paredes atrás, mas não o vi, quando mirei a poltrona ele ali sentado, de olhos fechados, deixando rolar lágrimas de sangue pelo rosto, eu me levantei e vi aquele lindo rosto frio e pálido outra vez, me senti feliz, me aproximei dele e o beijei, ele abriu os olhos espantado.

-Não me deixe mais esperando assim, ouviu bem?

Eu disse toda séria e manhosa... -É claro, jamais deixaria você assim.

Ele me abraçou de um jeito tão carinhoso, ficamos desse jeito a tarde toda... Na hora de dormir, eu pedi que ele se deitasse comigo e me contasse alguma coisa boa que ele aprendeu por lá...

-Vi uma linda garotinha, loira, de olhos azuis como os seus, ela parecia ter uns 4 anos, ela me olhou e sorriu, ficou me olhando um tempo enquanto eu observava o parque, quando me levantei ela estava de frente para mim e me disse para voltar logo, alguém precisava de minha companhia. Ela me deu a mão e saiu andando comigo pelo parque todo, e seu nome... Bem, eu não sei, não quis perguntar, mas a chamei de Integra e ela sorriu tanto que me deu uma pequena flor, uma rosa branca com manchas azuis, diferente das outras. Ela é unicamente linda e me faz lembrar você...

-Essa garotinha deve ser bem especial...

-Sim, lembra minha pequena Hellsing.

Não sei quanto tempo ficamos conversando, mas logo eu dormi, e me senti muito bem ao lado dele, que por sinal, pela primeira vez, dormiu um dia inteiro comigo, e uma noite toda também...

Fim!

Notas finais
se ficou ruim comentem!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!