Notas iniciais
Eu fiz ela ontem a noite e passei pra cá agora, não sei se ta boa.
Ali estava eu, na minha cama fria e sem cores. Ao decorrer da noite estava ficando cada vez mais difícil dormir. Não que eu goste, mas era necessário.
— Amanhã será um dia longo... — Pensei, enquanto rolava na cama, tentando achar uma posição boa. Eu me inscrevi numa faculdade onde poucos conseguiam entrar. Era muito importante eu fazer a prova de amanhã, senão perderia a vaga, então eu já deveria estar dormindo. Olhei a bancada ao lado da minha cama e fitei o relógio, que estava marcando 23:46h, e ao seu lado estava o meu celular. Pensei de repente em entrar na internet, para tentar descobrir maneiras que ajudem a dormir.
— Ok, irei fazer isso! — Falei para mim mesmo, em tom de esperança. Peguei ele com cuidado, liguei o Wi-Fi da casa e comecei a procurar no Google. Cliquei no primeiro site que havia. Logo entrando no site eu fui lendo palavra por palavra e não havia nada que eu já não houvesse tentado, mas algo me chamou a atenção. Logo após ler todo aquele texto havia algo a mais, em caixa alta, estava escrito “Se nada disso funcionar, tente isso!”. Sem pensar duas vezes, afundei o dedo no mouse e cliquei para abri-lo. Começou a baixar um arquivo em mp3, me assustei de início, mas comecei a pensar em 1.000 situações diferentes, que me fizeram relaxar e abrir o arquivo. Logo quando abri, uma música começou a tocar. Não parecia ser uma música normal, eu até me assustei, o som era daqueles brinquedos de caixinha que você roda a manivela e sai um bicho ou um palhaço. Após toda essa música, uma voz apareceu. Ela era ofegante e grossa, não era normal, parecia até edição.
— Olá. Se você está ouvindo isso, é porque precisa de ajuda para dormir. E eu irei ajudá-lo. Primeiro, preciso que deite na cama, mas continue ouvindo essa música. — Após essas palavras saírem do celular, pausei, peguei o fone e fiquei numa posição confortável para que nada atrapalhasse.
— Após você se deitar, quero que relaxe e comece a pensar em uma espiral, que venha do fundo de seu pensamento até tomar conta de toda sua mente. É importante que nada saia errado, tome cuidado. Quando a espiral estiver em seu maior tamanho, quero que aperte bem forte seus olhos e tente imaginar outra coisa, um lugar calmo e feliz. — Estava achando cada vez mais estranho, mas não liguei muito pra isso e comecei a seguir todos os passos com muito cuidado para não errar nada. Chegando na última parte, imaginei uma sala branca, não sei porque, mas foi o que me veio a mente.
— Agora, preciso que abra os olhos devagar e sem se mexer. — Abrindo os olhos e sem mover um músculo, não percebi nada de mais.
— Que saco, ele estava brincando com minha cara! — Pensei, irritado, pelo visto aquilo era tudo enganação. Fitei o relógio para ver que horas eram, mas me assustei, estava desligado, tirando o fone de ouvido. Me levantei da cama, dei um salto até a o regulador e levantei a parte da luz, não ligava. Por várias vezes tentei, até desistir da ideia
— A energia deve ter caído... — Pensei novamente comigo mesmo a situação mais possível. Corri até a janela, olhei as casas ao lado e os meus vizinhos, que por sinal eram muito bagunceiros, ainda estavam com as luzes acesas
— Será que aconteceu algo com o interruptor? — Desistindo da ideia anterior, esta veio logo como destaque sob as outras. Abri a porta e fui andando até a estante da sala, lá peguei uma lanterna e fui até a porta do porão. Abri com cuidado e adentrei, desci as escadas tentando não tropeçar porque seria um tombo feio. Chegando aos interruptores de luz, percebi que não havia nada de errado, olhei para as fiações e meu coração começou a disparar.
— Como assim??? Eles foram cortados?! — Disse, com meu coração quase saindo pela boca. Fiquei tonto de repente, e deixei a lanterna cair no chão, que começou a iluminar a parede, revelando uma criatura estranha. A criatura que aterroriza meus sonhos até hoje, ela era toda branca, corcunda e careca, seus olhos eram negros, não havia sinal de felicidade, apenas rancor, tristeza e mágoa. Eu estava como uma estátua, não conseguia me mover, nunca havia visto algo daquele tipo, e quanto mais eu observava o seu corpo, mais eu tinha medo e nojo daquele ser. Num rápido momento, a criatura esbanjou um sorriso macabro, intimidador e muito aterrorizante, e ainda parada na parede, ficou me fitando. Como reflexo do corpo, comecei a correr para as escadas e a criatura não parecia se mover, aproveitei para abrir a porta sair correndo, mas...
— O que é isso??? — Gritei, assustado, quando me deparei com um ambiente fora do normal. Eu estava numa sala branca e não mais no meu corredor. Era similar ao quarto que imaginei ouvindo o arquivo. “O que será isso? Um sonho?” foi a pergunta que me fiz, da forma mais clichê possível. Fui andando por toda a sala procurando uma saída, queria fugir, aquela criatura provavelmente estaria por trás disso tudo.
— Olá, é muito bom saber que você fez tudo exatamente como eu pedi. Bem vindo ao meu pesadelo, aqui você não tem como fugir, eu te controlo. — A voz havia voltado e estava mais forte, não saía de um fone ou de uma caixa de som, e sim na minha mente.
— O que você quer de mim? O que eu te fiz? Me deixe voltar, por favor! — Eu gritei, alto suficiente para ecoar naquela sala branca e sem fim.
— Não há mais voltas. Há muito tempo estive esperando que alguém se conectasse comigo e você chegou, não posso perder esta oportunidade, mas primeiro irei lhe torturar. De repente comecei a sentir uma forte pressão em minha cabeça, como se ela fosse explodir.
— AAAAAARGH! — Gritei, elevando minhas mãos a cabeça, tentando de alguma forma parar aquela dor.
— Isto é só o começo, irá piorar cada vez mais. — A voz agora ecoava pela sala como se o dono estivesse ali, provavelmente seria a voz da criatura. —
Vamos fazer um jogo, dê 3 passos e olhe para trás, irei lhe dar algo para dar um fim nisto, você irá pensar e decidir o que irá fazer com isso, mas pense rápido, quanto mais tempo aqui, mais a dor irá aumentar e consequentemente, com o tempo sua cabeça irá explodir. Com aquela dor, a única coisa que pude fazer foi agreditar no que ele disse. Dei os 3 passos e me virei. No chão, agora havia uma revólver, peguei ele e vi que tinha apenas 1 bala.
— Com esta arma você tem 2 escolhas, me procurar por toda essa sala e tentar se vingar ou pode se matar e acabar com o seu sofrimento. — A voz agora ecoava cada vez mais alto. A dor estava piorando e eu já estava chorando, não estava mais aguentando aquilo. Por um momento, tentei acreditar na ideia de que se eu me matasse poderia acordar novamente em minha cama pronto para fazer a prova, mas era algo tolo de se acreditar. Por algum motivo, a lógica que eu acreditava não era de verdade. Pensei em algo que talvez me ajudasse. Se eu estava no pesadelo dele, talvez matando-o eu saísse dali. Procurei por todos os ângulos um sinal de vida, e minha cabeça cada vez mais parecia afundar, me deixando atordoado. Comecei a correr em direção à porta que eu entrei. Senti algo de repente, vi aqueles olhos negros em minha mente e meu coração deu um pulo. Olhei para atrás e vi de perto aquele sorriso macabro buscando sofrimento. Sem pensar duas vezes, me ajoelhei no chão e tentei desfarçar a minha vontade de matá-lo, ergui a arma até minha cabeça e fingi que ia atirar. E, enquanto ele ria e ficava feliz por me ver naquela situação, eu aproveitei para mirar na cabeça dele e atirar. O som abafado da arma foi interrom pido por um grito de dor. A criatura havia sido atingida e o sangue pintava o chão branco. Aquela criatura parada e sem sinal de vida estava ali, mas ainda não havia nenhum sinal que eu sairia dali, deitei no chão e comecei a imaginar a espiral. Repeti todo o processo e quando abri os olhos, estava na minha cama. Olhei para o relógio, estava marcando 3:20.
— Isso... Foi um sonho? — Pensei em voz alta, meio confuso. Ergui minha cabeça aos meus ouvidos. Ainda estava de fone e o celular estava ali na cama ao meu lado. Me levantei e abri a porta. Dessa vez eu pensei demais antes de fazer isso, abrindo com cuidado, eu olhei para todos os lados e estava tudo em perfeita ordem. Logo, voltei a tentar dormir. Consegui dormir e acordei no horário certo, tomei banho, café e fui à pé, enquanto decorava algumas coisas da prova. Estava adentrando em um beco que dava passagem até a universidade e havia algo escrito na parede, como gostava de ler fui ver o que era.
“Você acha que acabou?”, li infinitas vezes sem parar e não conseguia ver um sentido para aquilo. Meu coração voltou a disparar, e eu comecei a correr para sair do beco. Logo saindo, vejo algo na esquina. Quando olho com mais atenção, ali estavam aqueles olhos negros e o sorriso macabro me olhando
Notas finais
Bom, ela provavelmente deve está ruim, mas taí, x_x ela só tem 1 capítulo mesmo, é só isso.
Obrigado Kash por ajudar a corrigir os erros ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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