Os Novos Jogos
18 Capítulo 17
Notas iniciais
-
Espero que gostem e não deixem de comentar!
Chace's POV
- Está brincando? — Diana exclamou, incrédula. — Nos mandaram paraquedas?
Talvez eles tivessem câmeras no mar afinal, pensei com um arrepio.
- Nosso episódio de ontem não deve ter passado despercebido – eu disse.
Me aproximei do paraquedas prateado que acabara de pousar bem na nossa frente. Era uma cesta grande, cheia de comida. E quando digo cheia de comida, quero dizer realmente cheia. Ali estavam todas as comidas que haviam na Capital, mais os pães meio esverdeados do Distrito 4. Garrafas de água, cozidos, frutas. Tudo e um pouco mais que imaginaríamos ganhar.
- Isso é incrível – eu disse. Nós dois voltamos para a caverna na praia que ficava encostada a muralha e desfrutamos do delicioso banquete. Um banquete que deve ter custado uma fortuna e ainda assim mandado para dois tributos, provavelmente só porque fizeram sexo. Pensar nisso me enojou.
Diana estava mais radiante do que nunca. Todas as vezes que eu olhava para ela, ela se esforçava para esconder um sorriso. Imaginei o que nossos pais estariam achando. Os pais divinos, Poseidon e Afrodite. Nós tínhamos feito isso no mar do meu pai, e Afrodite com certeza ajudara. Um dos dois não estava feliz, o que me fez rir internamente.
- Não precisamos mais andar por enquanto – disse Diana quando terminamos de comer uma parte do que havia na cesta.
- Ou procurar outro lugar para ficar – eu completei. Ela balançou a cabeça, confirmando. — Podíamos tirar o dia livre.
- Tirar o dia livre? — ela perguntou, com uma expressão de diversão. — Na Arena dos Jogos Vorazes?
- É – confirmei. — O que temos a perder? Ninguém vai às praias sabendo que ainda estou vivo, e há pouca gente. Temos comida e armas, e a probabilidade de encontrarmos alguém numa ilha desse tamanho é pequena.
- Certo – Diana se levantou, seguida por mim. — Você decide o que fazemos, então.
- Tem certeza que quer que eu decida?
- Claro que tenho. — Ela sorriu. — O que quer que seja, vai ser melhor do que o que já passamos aqui.
- Ótimo você pensar assim – eu disse, dando um sorriso torto.
***
- Como descobriu isso? — perguntou Diana, depois de uma hora.
Estávamos em uma cachoeira. No topo dela, na queda d'água. O barulho quase não me deixava ouvi-la. Embaixo, um pequeno rio se estendia no meio das árvores e desaguava no mar.
- Dava para sentir – eu gritei em resposta.
Diana espiou o tamanho da queda.
- É seguro?
- Não. Mas eu resolvo a coisa do impacto.
Ela deu de ombros.
- Claro – disse. — Por que não?
Ela subiu nas minhas costas e prendeu as pernas em torno de minha cintura. Fui até a borda com o cuidado para não escorregar e não ser levado pela correnteza controlando-a. Avisei para Diana fechar os olhos. Não me assegurei de que ela o havia feito antes de pular.
Nós dois gritamos de adrenalina. Eu era incapaz de me molhar, mas Diana ficou encharcada, obviamente. Atingimos o rio lá embaixo e afundamos até o chão. Eu usei os poderes para aliviar a queda. Certo, disso eu podia ser culpado. Mas e daí? Já estava tudo ferrado mesmo. Eu só irritaria mais ainda os Idealizadores.
Diana e eu emergimos, os dois rindo igual a loucos, roucos.
- Isso foi demais! — exclamou ela.
Passamos o resto da tarde ali, nos divertindo. Esquecendo os problemas por alguns momentos. Quando começou a esfriar, nos pusemos a caminho de volta para a caverna.
A noite caiu mais rápido do que nos outros dias. Não dava para enxergar nada na maior parte do tempo, e só às vezes a lua artificial iluminava uns pontos. Um canhão atirou. Depois, só silêncio.
Silêncio demais. Fora do comum. Normalmente dava para se escutar os insetos ou as folhas das árvores mexendo pelo vento. Agora, não havia vento. Nem insetos. Isso me deixou nervoso. Como se alguma coisa fosse acontecer. Infelizmente, eu estava certo.
Diana gritou. Sem fazer barulho, um ninho de cobras pulara em cima dela. Eu me movi, mas fui muito lento. Diana foi picada e tentava desesperada matar as cobras. Só havia três, mas mesmo assim. Eu ajudei com o tridente e elas estavam mortas segundos depois.
- Diana... — eu comecei.
Ela caiu no chão de joelhos, arfando, com uma mão no pescoço. Por entre seus dedos, saía uma torrente de sangue. Em sua cintura, outra das cobras também abrira um buraco.
Meu coração falhou uma batida. Me agachei ao lado dela.
- Consegue andar? — perguntei.
Diana balançou a cabeça negativamente e inclinou. Ela engasgou e vomitou sangue.
- Ei, ei. — Eu coloquei a mão em suas costas e vi que ela estava tremendo. Se aquelas cobras fossem venenosas... — Vem, vamos sair daqui.
Eu passai os braços por suas costas e joelhos e a carreguei. Diana encostou a cabeça no meu ombro. Chegamos à caverna e eu a deitei num dos cantos.
- Você vai ficar bem – eu disse, sem certeza alguma. Diana piscou e tossiu. — Durma.
Ela não discutiu. Fiquei esperando algum patrocinador mandar remédios ou pelo menos um curativo. Nada. Os furos no pescoço de Diana não paravam de sangrar. Ela começou a se remexer no sono. Eu sabia que estava tendo pesadelos. Me deitei ao lado dela e a abracei, mas não ajudou.
Eu tinha certeza que as cobras eram bestantes. Ou Diana estaria bem pior, talvez morta. O veneno não era para matar. Diana ficou a noite gritando por causa dos pesadelos.
Acordou com os olhos arregalados e me olhou como se eu fosse um monstro, com medo.
- Não! — exclamou. E se afastou.
- Sou eu – eu disse. Os olhos dela tomaram foco novamente. — Sou eu, Chace. Não precisa ter medo.
Ela começou a chorar. Eu voltei a abraçá-la. Olhei para fora e vi o rosto da menina do 9 desaparecendo do céu. Imaginei se Diana teria forças para ver a próxima pessoa naquele céu. Eu não queria perdê-la. Eu não podia perdê-la. Ela era a única coisa que me restava. E a única de que eu realmente precisava.
Me lembrei da última noite na Capital, quando ela havia me dito que todos tinham que ter algo que os afetasse. Agora eu percebia que Diana era esse algo meu. E que as cobras de hoje só haviam ido atacar ela, não a mim.
- Você tem que ir – Diana sussurrou de repente, me trazendo de volta.
- Ir? — perguntei, confuso. — Do que está falando?
- Eu não vou ficar bem, Chace – ela respondeu. Sua testa pingava suor frio. — Nós dois sabemos disso. Você não é idiota.
- Eu não vou embora – insisti. — Podemos achar alguma coisa. Podem nos mandar.
- É, certo – Diana respondeu, mas eu sabia que não estava convencida. Ela hesitou e soltou um suspiro trêmulo. — Não deixa eu ter pesadelos?
- Não se preocupe. Eu vou estar aqui.
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