Os Novos Jogos

6 Capítulo 5


Notas iniciais
Aí está o capítulo de hoje, como prometido.
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Espero que gostem!

Daniel's POV



No dia seguinte aos desfiles, estávamos todos no Centro de Treinamento ouvindo a treinadora explicar as regras.

– Para os semideuses – dizia ela — não é permitido usar os poderes na Arena, ou será considerado trapaça e as consequências serão sérias. Não é permitido lutar com outro tributo aqui, terão tempo suficiente para isso daqui duas semanas. Ao final delas, cada um de vocês fará uma apresentação aos Idealizadores, recebendo uma nota de 0 a 12. Podem começar.

Mal ela acabou, todos fomos escolher os campos para praticar. Mais da metade foi para as armas ao invés de aprender a sobreviver. Me dirigi à ala de achar abrigo, que estava vazia. Alguns minutos depois, quando já estava fazendo uma esteira, uma garota se sentou do meu lado.

– Ei. Meu nome é Amy – ela se apresentou.

– Daniel – respondi. Olhei rapidamente para ela e vi que em seu uniforme preto estava o número 3.

– Sabe, Daniel, nós dois somos filhos de Atena – Amy começou. Eu a encarei, sem incentivá-la a continuar, sabendo o que viria, mas ela o fez do mesmo jeito. — Não acha que devíamos ser aliados?

– Você não tem seus companheiros de distrito? — respondi com outra pergunta, sem querer magoá-la. A verdade é que eu não queria ser aliado de ninguém se no final tivesse que matá-los.

– Não confio tanto neles assim – Amy respondeu sem se abalar. — Preferiria ter um meio-irmão para me ajudar.

– Desculpe, Amy – eu disse. — Não quero ser grosso, mas acho que vou trabalhar sozinho.

Ela abaixou a cabeça e fez um bico de desapontamento.

– Certo. Boa sorte, de qualquer forma – e voltou a treinar.



Claire's POV



– Calma, Thomas. A gente acaba com ele na Arena – Hayley dizia enquanto arrastava o garoto bufando até onde os doze Carreiristas estavam. Thomas havia discutido com um garoto do 9 que trombou nele e o desafiou. Eu não via por que ficar tão estressado por isso, mas ele quase pegou o garoto pelo pescoço. Os treinadores prestavam atenção, por isso Hayley o tirou de lá.

– Precisamos de mais gente – disse Nathan, sem ligar para o que acabara de acontecer; eu o odiava. — Os tributos do 8, 10 e 11 formaram uma aliança e estão chamando mais.

– Tem dois filhos de Atena que podem ajudar – informou Penny, do 1.

– Ninguém mais vai querer se juntar a nós. Eles têm medo – eu disse.

– E com razão – James ressaltou.

– Essa não é a questão – Nathan disse de novo. — São mais trinta e seis contra nós, doze deles semideuses.

– Liquidamos os mortais na Cornucópia, é simples – disse Thomas, ainda com o rosto vermelho de raiva.

– Mesmo se não for na Cornucópia – disse Chace – teremos patrocinadores. Teremos tudo, e eles nada.

– Ainda quero alguém que fale com eles – insistiu Nathan como uma criança.

– Então vá você mesmo – respondeu Chace.

– O quê?

– Você ouviu. Se acha que é o líder de alguma coisa, já pode reconsiderar. Quer aliados? Vá consegui-los.

Eu senti que todos os olhos estavam agora nos dois e o clima ficava cada vez mais pesado com a discussão.

– Talvez eu mande partes de você para os tributos. Assim eles entenderão a mensagem – Nathan rosnou.

– Ei, já chega – Noah interferiu, dando um passo a frente e se pondo ao lado de Chace. Thomas no mesmo instante ficou um passo a frente de Nathan, como um cachorrinho que protege o dono.

– Você não tem nem tamanho para tocar em mim – Chace continuou. Percebi que ele não era exatamente quem dava o braço a torcer e desistia rápido. Mas eu não consegui abrir a boca para fazer com que parassem. Por sorte, Diana fez isso por mim.

– Parem. Já deixaram bem claro o que queriam dizer.

– Vai ver quem não tem tamanho na Arena – Nathan rebateu.

– Por que esperar? Temos armas aqui mesmo – Chace provocou mais, até que a veia na testa de Nathan era bem visível.

– Eu disse para parar – Diana repetiu, e sua voz estava diferente. De repente, os dois pararam de discutir e deram as costas, voltando a lutar com os bonecos. O centro havia ficado silencioso e algumas pessoas olhavam para o nosso grupo.

Lancei um olhar para Noah e Diana quando também voltamos às atividades normais, algo que foi percebido pelos outros distritos.


***


A primeira semana de treinamento passou em um flash. A aliança entre o 1, 2 e 4 não foi desfeita, mas a tensão só aumentou entre Chace e Nathan, que agora brigavam por qualquer desculpa que arranjassem.

No domingo, nós quatro, Diana, Chace, Noah e eu, ficamos assistindo TV até tarde, depois indo dormir. Mas eu não consegui. Sentia que precisava falar com alguém sobre algo que andava me perturbando desde que cheguei à Capital. Acabei não resistindo e fui até o quarto de Diana, que era em frente ao meu. Ela me recebeu de pijama, mas não parecia ter dormido.

– Podemos conversar? — eu perguntei, com medo da resposta.

– Claro – Diana abriu espaço para que eu entrasse e eu entrei. — Não conseguiu dormir?

– Não. E você? — Ela balançou a cabeça. — Andei pensando... é uma pergunta idiota, mas achei que você talvez pudesse entender... — eu hesitei um pouco. — O que acontece quando entrarmos na Arena? Quer dizer... com tudo.

Diana fechou a porta devagar para não fazer barulho e sentou na beirada da cama. Eu a acompanhei logo depois.

– O que acontece? — ela repetiu a pergunta em voz alta, pensando. — Os tributos vão se matar. Vai ser um banho de sangue. Depois de algumas semanas, quarenta e sete crianças que poderiam ter um futuro brilhante pela frente não vão voltar para suas famílias. Metade não vai se importar ou lamentar.

Diana olhou para mim e adicionou:

– Sei que não era isso que você queria ouvir. Mas imagino que não veio aqui para ouvir uma mentira.

– Tem razão, eu não vim. — Na semana que se passara, eu havia ficado mais próxima dela e de Noah, a única coisa boa que acontecera. Eu confiava em Diana mais que em qualquer outra pessoa, e ela já me conhecia bem demais para o meu gosto. Viu a expressão em meu rosto e tocou em outro assunto.

– Claire, eu sou sua amiga. E você sabe que essa aliança só vai durar um tempo

– Eu sei... — respondi.

– Então também sabe que uma hora vai ter que matar – Diana continuou. — Eu não vou estar sempre do seu lado para te proteger. Você vai ter que se virar sozinha. E você é doce, Claire.

Eu compreendia o que ela queria dizer com aquela frase. Os Jogos Vorazes não eram o lugar para gente doce, e era disso que eu tinha mais medo. Diana estava certa, eu teria que acabar matando, mesmo sendo contra.

– Entendi. E obrigada por ter sido sincera – eu disse. — Até amanhã.

– Até amanhã. Boa noite.


Notas finais
Reviews? *-*