Os Novos Jogos

4 Capítulo 3


Notas iniciais
Espero que gostem!

Noah's POV



Nós quatro fomos levados ao Edifício da Justiça assim que a colheita terminou para nos despedirmos de nossos familiares e amigos. Logo que pusemos o pé lá dentro, Diana se livrou dos Pacificadores e se lançou em mim num abraço apertado, que eu retribuí.

– Seu idiota! — ela exclamou em meu ouvido. — Eu mesma vou te matar! Por que fez isso?

Eu sorri, tentando acalmá-la.

– Você devia saber que não se livraria de mim tão fácil. — Vi Chace Morrison revirando os olhos.

– Eu odeio você – Diana me largou e me encarou por um segundo até que os Pacificadores nos levaram para salas separadas.

No curto espaço de tempo em que fiquei sozinho, comecei a refletir o que havia feito. Eu me voluntariara para os Jogos Vorazes por causa de minha melhor amiga, e não me arrependia disso. Quando o nome dela foi chamado, isso foi tudo o que pude pensar para tentar tirá-la de lá. Nunca tive sentimentos amorosos por Diana, isso eu tinha certeza; mas nós éramos amigos desde crianças, e se havia alguém que merecia e poderia ganhar esses jogos era ela.

A única coisa que me preocupava era minha mãe, que adentrou a sala no instante em que pensei nela. Ela estava chorando descontroladamente e me abraçou num pulo. Dei tapinhas em suas costas, tentando segurar meu choro também.

– Não posso perder você – mamãe choramingou e meu coração partiu. — Você é a última coisa que me resta, Noah, por favor.

– Está tudo bem, mãe – respondi com a voz embargada. — A senhora não vai ficar sozinha.

– Prometa que tentará vencer – ela pediu. — Mas saiba que o que quer que faça, eu sempre serei orgulhosa de você.

– Prometo que vou tentar, mãe.

Não era menos que verdade. Eu tentaria por ela, só não tinha ideia de que cumprir essa promessa seria o mais difícil que eu já fizera na vida.



Chace's POV




Despedidas me deprimiam. Não porque havia uma fila de pessoas chorando por mim e eu me sentia triste, mas porque demoravam demais. Tudo que saía da boca de todos que vieram falar comigo eram só palavras sem sentido, pois eu sabia que nenhum deles se importava de verdade se eu morreria ou viveria.

A última pessoa que foi me ver foi minha mãe. Ela não estava chorosa, não era assim. Estava apenas com o rosto tenso e a boca reduzida a uma linha fina. Ela me abraçou de um jeito que nunca havia me abraçado antes.

– Não precisa me sufocar – disse automaticamente, surpreso.

– Vença – minha mãe me disse baixo. — Custe o que custar, você vai vencer, tem que vencer. Preciso do meu filho de volta. Entendeu? — terminou, segurando meu rosto para me fazer olhá-la nos olhos. Percebi que ela estava se segurando mais do que mostrava para não parecer nervosa.

– Eu prometo que vou vencer, mãe. Pode confiar em mim.


***



Embarcamos no trem para a Capital dez minutos depois. Diana, Claire, Noah, nenhum de nós falou nada no caminho, mas a mulher da colheita não calou a boca um segundo sequer; fiquei tentado a jogá-la pela janela, mas não achava que isso me traria pontos com patrocinadores. Pelo menos não ainda.


Não teríamos mentores dessa vez, como costumara acontecer no passado, pois não havia vencedores. A Laranja nos passou o cronograma das duas semanas seguintes: no dia seguinte seria o desfile; as semanas dedicadas ao Centro de Treinamento e um dia antes de entrar na Arena seriam as entrevistas.

Um homem entrou no cômodo chamando a mulher, cujo nome descobri ser Selyse, e ela nos deixou sozinhos depois de rapidamente explicar onde eram nossos quartos.

Diana se levantou depois de um tempo e sem querer chutou o pé de uma cadeira, por pouco não caindo no chão. Ela se recuperou e arrumou a cadeira de volta no lugar.

– Espera ganhar os Jogos sendo desastrada assim? — perguntei, quebrando o silêncio.

Diana virou o olhar para mim. Era linda. Seus cabelos eram castanhos compridos e ondulados e passavam um pouco do ombro. Os olhos dela eram hipnotizantes, pois pareciam mudar de cor entre azul, verde e marrom, o que me deixou confuso.

– Espera ganhar os Jogos com sua simpatia? — devolveu no mesmo tom sarcástico que eu usara com ela.

– Na verdade, não. Espero ganhar os Jogos com minha força e habilidade.

– Sinto lhe dizer que não será fácil como deve achar – Diana respondeu. Algo na voz dela me fez acreditar realmente nisso, e por algum tempo fiquei sem fala, até me lembrar de quem era sua mãe.

– Você tem o charme – eu disse debilmente. O filho de Hefesto, Noah, soltou uma risada contida.

– Tenho. E não vou desistir tão fácil. — Diana terminou a frase, se virou e se retirou apressadamente para seu quarto antes que eu pudesse responder mais.



Nathan's POV


Chegamos à Capital no fim da noite, já que o Distrito 2 era seu vizinho. O homem da colheita que me lançou o olhar estranho, que se apresentou novamente como Kit, nos levou até nosso andar no prédio onde os tributos ficariam. Reunimo-nos na sala de televisão para assistir às colheitas dos outros Distritos.

A sala era toda branca com móveis de várias formas peculiares. A TV de plasma ficava no alto de uma parede, na frente de um enorme sofá em U.

As colheitas começaram e prestei atenção em cada pessoa, se aparentavam medo ou força. Primeiro, claro, o 1, com um filho de Hades, um de Íris, uma filha de Hécate e uma Caçadora de Ártemis. Imaginei a raiva que a deusa estaria sentindo, sendo que nem suas devotas foram poupadas. Thomas, ao meu lado, riu, talvez pensando o mesmo que eu.

Em seguida, o 2 apareceu, e revi meus mais novos aliados serem chamados. No 3, uma filha de Atena, uma de Nêmesis, um de Deméter e outro de Hermes. Então o 4 apareceu: uma filha de Afrodite, um filho de Poseidon, uma filha de Apolo e um filho de Hefesto. Gostei mais desse Distrito por terem semideuses mais fortes e serem Carreiristas. Também poderiam ser uma ameaça, mas não importava, não para mim. Daqui algumas semanas, todos estariam mortos, e eu, vivo.

Parei de prestar atenção depois dos Distritos 5 e 6 – nada interessantes -, já que os outros eram humanos. No final, assim que a insígnia da Capital apareceu na tela, ouvi um rosnado ao meu lado e olhei para meus companheiros de Distrito.

Emma estava com uma expressão neutra, não parecia ter ligado para nenhum dos outros. Hayley estava séria, como quem se concentra em analisar toda fraqueza que havia percebido e o melhor meio de matá-los. Mas Thomas era diferente; ele estava com uma expressão mais que feroz, e um ódio puro nos olhos.

– Matarei todos eles – cuspiu, sem piscar ou desviar os olhos da TV.

Foi o pior erro que pudesse ter cometido. Foi ali que entendi a diferença entre mim e Thomas, algo que vinha tentando fazer desde que subimos no trem e nós quatro começamos a nos conhecer. Eu queria matar todos para ganhar. Thomas era um psicopata, louco, agia por impulso. E isso seria perigoso num lugar com mais 47 pessoas que poderiam ser mais espertas.

Sorri internamente com essa constatação. Pessoas com muito desejo de sangue ficariam obcecadas e não se concentrariam em mais nada. Ainda mais simples de eliminar.


Notas finais
O que estão achando?
Deixe seu comentário dizendo o que precisa ser melhorado ou não =D