Os Novos Heróis
4 Vamos de táxi ao acampamento (Silena)
Notas iniciais
OBS DA HISTÓRIA: ESSE CAPÍTULO SE PASSA 1 ANO DEPOIS DOS CAPÍTULOS ANTERIORES!
Olha, ter algum parentesco com deuses gregos não estava nos meus planos de vida. Mas, quando seus pais são semideuses, não se tem muita escolha sobre como sua vida vai ser. Pois é. Meus pais são Percy Jackson e Annabeth Chase, dois ‘heróis do Olimpo’.Com pais assim, as pessoas tendem a ter grandes expectativas sobre mim. E sobre meu irmão também. Sim, eu tenho um irmão, Luke. Somos gêmeos, embora nada parecidos. Mas chega de enrolar! Vamos a história.
Desde pequena eu sei da existência de seres mitológicos. Sei que sou filha de semideuses. Que não sou uma garota normal: sou um legado (acho que é esse o nome). Quando eu era mais nova, meu pai me falou sobre um acampamento de férias para semideuses, e disse que Quíron (o homem-pônei, de acordo com o tio Tyson) arrumaria um lugar para crianças como eu e meu irmão, filhas de semideuses. Minha mãe disse que eu iria para lá, quando completasse 12 anos. E chegou o grande dia.
A mala estava pronta há uma semana. Ao menos a minha. Devo ter pedido mil vezes para meu pai descrever cada lugar do acampamento. Sem dúvidas, eu estava bem mais empolgada que meu irmão. Ele tratava essa ocasião como um acontecimento qualquer, o que do meu ponto de vista é um absurdo. Eu estava muito ansiosa, havia esperado tanto tempo por essa ocasião! Ocasião, essa, que era também o dia do nosso aniversário: 13 de junho.
Ao primeiro toque do despertador, me levantei da cama. Abri meu guarda-roupa e peguei a blusa que estava separada para esse dia: a blusa laranja do Acampamento Meio-Sangue que minha mãe havia usado quando tinha a minha idade. Deixei a blusa em cima da cama e corri até a cozinha, onde minha mãe preparava waffles azuis (longa história). Sentei e devorei um waffle, e ela deu um beijo em minha testa.
“Bom dia, apressadinha! Si, não precisa correr, ainda são 7:30 da manhã!” ela disse, rindo.
“Eu sei, mãe, mas quero ir logo!” respondi, deixando meu prato na pia e indo ao banheiro. Tomei um bom banho, sequei e penteei meu cabelo. Vesti a blusa do acampamento e jeans. Dei uma olhada no espelho: cabelos escuros penteados, rosto limpo e sem cara de quem acabou de acordar. “O suficiente para causar uma boa impressão nos outros campistas” pensei.
Olhei no relógio: 8 horas. Resolvi ver como estava meu irmão, porque conhecendo a criatura, eu sabia que ele não estaria pronto. Mas fiquei um pouco surpresa quando entrei em seu quarto e ele ainda estava dormindo! E babando.
“Acorda, babão!” gritei, puxando seu cobertor.
“Ah, fala sério Miss sabe-tudo! Me deixa dormir!” ele disse, enfiando a cabeça embaixo do travesseiro.
“Não, não e não! Você não vai ficar dormindo no dia mais importante da minha vida!” retruquei, irritada. “Levanta dessa cama e vai logo tomar café!”
“Afe! Não sei porque você está tão ansiosa!” ele resmungou, se arrastando até a cozinha.
“Cabeça de Ameba” murmurei, abrindo o armário dele. ‘Caramba’, pensei, olhando o armário cheio de roupas jogadas ‘Ele nunca arrumou esse armário?’
Depois do que para mim pareceu um século, Luke apareceu na sala. Eu estava sentada no sofá, lendo um dos livros que havia separado para levar para o CHB, minha mala ao meu lado, e ele chegou.
“A Sabe-tudo já está com o nariz em um livro?” ele perguntou, só para irritar.
“Fica quieto, Cabeça de Ameba!” rebati, sem olhar para ele.
“Vocês dois, parem de discutir!” meu pai entrou na sala “Hoje é um dia especial!” ele disse com um sorriso travesso no rosto.
“Sim, nosso aniversário!” Luke respondeu, alegre.
“Nossa ida ao acampamento!” eu disse, fechando o livro.
Nossa mãe também entrou na sala, segurando dois pacotes. Ela entregou-os a meu pai e deu um abraço em Luke e eu.
“Feliz aniversário, queridos!” ela disse, e nosso pai nos abraçou também. Ele entregou um pacote a mim e outro a Luke, que abriu rapidamente. Era uma caneta. Uma caneta verde. Luke ficou com uma expressão decepcionada, mas de repente ele pegou a caneta e tirou a tampa. Um tridente cor de bronze apareceu em sua mão, e ele sorriu e agradeceu meus pais.
Então eu abri meu pacote e vi um colar. Uma correntinha prateada com um pingente de coruja. Eu sorri e agradeci a meus pais. Minha mãe pegou o colar e, enquanto colocava em mim, sussurrou:
“Experimente encostar no bico” e foi o que eu fiz. De repente, uma adaga prateada surgiu em minhas mãos. Fiquei olhando para a arma com uma expressão admirada. Ela era tão bonita... Olhei na lateral e percebi que tinha algo escrito: κύμα κόρη. Após refletir um instante, traduzi como ‘Filha da Onda’. Deixei a adaga no sofá e dei um grande abraço em meu pai e minha mãe. Guardei meu presente cuidadosamente na mala e disse entusiasmada:
“Então, vamos para o acampamento?”
Meu pai sorriu para mim e concordou. Todos nos levantamos e descemos até o térreo (eu moro eu um apartamento, 5º andar). Na porta do prédio fizemos as despedidas, e aí caiu a ficha:
“Como nós vamos para o acampamento? Vai vir um sátiro?” perguntei, confusa.
Meus pais se entreolharam e minha mãe respondeu:
“Não querida. Vocês vão de um modo diferente” ela sorriu, tirou um dracma do bolso e disse algo em grego antigo que eu entendi como: ‘Pare, Carruagem da Danação!’ e jogou o dracma na rua, e a moeda afundou e desapareceu. Lembrei que meu pai havia comentado algo sobre isso uma vez. Era assim que se convocava as...
“As Irmãs Cinzentas” minha mãe disse, completando meu pensamento. De um líquido estranho que havia aparecido, surgiu um táxi cinza. Me lembrei da história de papai e mamãe, quando usaram o táxi. Abracei os dois novamente, que me disseram para tomar cuidado e enviar uma mensagem de Íris assim que chegasse no CHB. Eu e Luke entramos no táxi e eu falei para as estranhas irmãs:
“Dois para o Acampamento Meio-Sangue, por favor”
A velha que estava na direção, ouvi chamarem ela de Vespa, pisou fundo no acelerador, e partimos rumo o acampamento, dando um ultimo aceno a meus pais.
A viagem foi melhor do que pensei que seria, pelo que papai me contou. Vespa dirigia rapidamente, já que estava com o olho. Por motivos que desconheço, a velha do meio, Ira, começou a morder o dracma, e a outra, Tempestade, começou a brigar com ela, pedindo o dente. Decidi não fazer comentários a respeito e, tirando o dente que parou no colo de Luke em certo momento, a viagem correu bem. Após certo tempo, olhei pela janela e avistei uma colina. A Colina Meio-Sangue.
Havíamos chegado.
Notas finais
OBS: o nome da espada, lê-se kýma kori :)
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