Os Novos Heróis
13 Sou perseguido pela tia da cantina (Sammy)
Notas iniciais
Lá estava eu, na escola, fazendo uma prova de matemática, em pleno verão. Antes que alguém pergunte, vou explicar minha situação:
Sou Sammy Levesque Zhang e tenho 11 anos. Moro na cidade de São Francisco, com meus pais, sou filho único. Tenho TDAH, o que não ajuda meu desempenho na escola, especialmente em matemática, porque eu não consigo me concentrar naquele monte de números e operações que nem sei a utilidade! As vezes acho que servem para os matemáticos gastarem o tempo. Como sou muito ruim nessa matéria, acabei ficando de recuperação e perdi meu fim de semana estudando para a prova. De manha cedo, minha mãe me deixou na escola, fui direto fazer a prova e depois fui ao refeitório fazer um lanche antes de voltar para casa. Acho que foi um erro.
Cheguei no balcão e pedi um salgado e um refrigerante, normalmente. A tia estranha da cantina me entregou, normalmente. Mas ela me olhou com uma cara estranha e, enquanto procurava o dinheiro no bolso, percebi que ela estava farejando o ar (sim, farejando, parecia um animal procurando sua presa). Coloquei o dinheiro no balcão e ela olhou para mim como que me analisando, dei um sorriso amarelo e saí de fininho na direção das mesas. Comi meu lanche bem depressa e peguei minha mochila, notei que a tia estranha ainda olhava para mim... Estava com um mal pressentimento e não tinha mais ninguém no refeitório, o que antes eu acharia ótimo (meus colegas tem o costume de me importunar) mas agora tudo que eu queria era que tivesse mais gente lá.
Comecei a andar e ouvi passos atrás de mim. Olhei para trás e a tia da cantina estava a poucos metros de mim, fingindo limpar o chão (sério, a vassoura mal tocava o chão!) continuei andando, me virei novamente e a estranha senhora estava mais próxima a mim, ainda "varrendo". Comecei a andar meio correndo, com um péssimo pressentimento sobre aquela senhora. Saí da escola e pelo retrovisor de um carro pude ver seu vulto me seguindo. Comecei a realmente correr e notei que o som de passos parou. Desconfiado, me virei para trás e vi algo que preferia não ver: a tia da cantina estava se transformando numa criatura velha e enrugada, com asas e garras de morcego e presas amarelas. Antes que minhas pernas paralisassem, sai correndo, dessa vez sem olhar para trás.
"Volte aqui, cria dos deuses" ela disse, me deixando bem confuso.
Corri por alguns quarteirões e, para tentar despistar a bruxa, virei em uma rua. Vou admitir, não fazia idéia de onde estava. E para piorar minha situação, a rua era um beco sem saída. 'Maravilha' disse a mim mesmo 'se a velha do mal me achar, estou frito!'
Ouvi um som se aproximando e me escondi em uma lixeira que havia ali. Sim, nojento, mas prefiro feder a ter minha pele arrancada por uma velha cheia de garras.
"Venha cá, legado" ela chamou com sua voz rouca e esquisita (tudo nela era esquisito). 'Legado? Que raio é isso?'me perguntei.
Pelo que entendi no momento, ela me procurava pelo cheiro, então entrar no lixo me salvou. A senhora demoníaca saiu do beco, e depois de uns minutos, resolvi sair daquele lugar desagradável. Saí do lixo, tentei tirar o excesso de sujeira e fui caminhando para casa, olhando para trás a cada minuto. Cheguei em casa e abri a porta, determinado a falar com meus pais.
"Mãe, pai" chamei, com a voz séria "vocês estão me devendo explicações"
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