Os Novos Heróis
31 Quase viro churrasquinho POV Luke
Notas iniciais
Meu primeiro pensamento ao ver aquele dragão foi “Oh, droga”.
Eu mal havia tido treinamento, não tinham nem de longe domínio total sobre meus poderes Poseidásticos/Poseidônicos/Poseidíticos/esses nomes soam bizarros, melhor dizer ‘de Poseidon’ (escolha a opção que preferir). Como eu poderia lutar com uma criatura daquelas? O único monstro com o qual eu já havia lutado era a Aranha Gigante Sinistra do Bosque, quando salvei a Bianca.
Tive a leve impressão que o dragão era bem mais forte.
– Si – chamei – Algum plano?
– Por enquanto – ela pulou para o lado, se esquivando de um ataque do monstro – Apenas fiquem vivos.
“Maravilha, se nem ela tem um plano, tudo o que podemos fazer é lutar”, resmunguei para mim mesmo.
Agarrei meu tridente firmemente em minha mão. Investi contra a criatura, acertando uma de suas pernas escamosas. Em troca, recebi um belo chute e voei uns poucos metros, caindo de costas no chão. Senti uma pontada nos ossos da coluna, mas ignorei e me levantei.
Ataquei novamente o dragão, dessa vez focado em seu tronco, e consegui fazer um corte raso no lado de seu abdômen. Ele rugiu e virou-se para mim, como se pensasse “Fedelho idiota!”. Me afastei alguns passos para trás, e acabei tropeçando em meu próprio pé, o que foi ridículo, quando o monstro avançou em minha direção. Em um súbito momento de iluminação mental, ou talvez foi só o medo de levar uma mordida (acredite, aqueles dentes são algo que ninguém quer ter próximo de sua pele), rolei para baixo do corpo do monstro no exato momento em que ele pretendia me atacar com suas presas afiadas. Levantei o tridente com a intenção de perfurar sua barriga, mas a criatura foi mais rápida e abriu as asas, começando a flutuar levemente sobre o chão, tornando meu alvo inalcançável e derrubando as meninas, que o atacavam por outros lados.
Meio desequilibrado, sai engatinhando para não ficar debaixo do dragão quando ele resolvesse voltar suas patas enormes ao chão. Panqueca de Luke não soa muito agradável para mim.
Longe do alcance das patas, tentei raciocinar um plano. “Um milagre!” , diria minha adorável irmã. Mas era óbvio que eu não puxara a inteligência e habilidade estratégica de minha mãe, esse era o papel de Silena. E a própria não parecia ter nenhuma ideia. Percebendo que era uma tentativa inútil, decidi apenas continuar não morrendo.
Vi Zoe atacando o dragão pelas costas, e Mônica tentando atingi-lo com magia. Silena enfiou sua adaga na perna da criatura, provocando um alto rugido acompanhado de uma boa quantidade de fogo. A fera desequilibrou-se um pouco, mas conseguiu atingir minha irmã, que foi atirada a alguns metros. Corri para ajudá-la, mas ela fez sinal para que eu continuasse lutando.
– Estou bem! – garantiu – Mas se não matarmos logo esse monstro, ninguém aqui vai ficar nada bem!
Assenti com a cabeça e decidi que era hora de fazer algumas loucuras.
Aproximei-me pelas costas do dragão e pulei em cima dele, me agarrando ao seu rabo. Parecendo irritado com minha súbita ousadia, ele sacudiu sua enorme cauda para que eu saísse voando, mas acabei caindo em suas costas, o que facilitou meu plano. Finquei o tridente nas costas do monstro, que rugiu de dor e cuspiu fogo em todas as direções. Ele sacudiu-se tanto que acabei caindo, e rezei para não ter quebrado nenhum osso.
As garotas continuavam atacando, provocando cortes nas escamas negras da fera e desorientando-o. Porém, em determinado momento, minha irmã ficou encurralada pelo monstro, e eu, sem pensar, espetei-o com meu tridente, infelizmente atingindo uma área próxima aos fundilhos da criatura, que provavelmente enfezou-se de vez com essa. Imediatamente, eu soube que estava ferrado.
O dragão virou-se para mim, por pouco não atingindo em cheio a pequena Di Angelo. Recuei, tentando mirar seu focinho, ou nariz, ou seja lá como se chama a fuça de um dragão. As chances de eu acertar o tridente no alvo eram mínimas, e caso acertasse, a probabilidade de adiantar alguma coisa era extremamente pequena. Eu procurava outra saída, mas percebi que ele estava me encurralando. Levei uma patada, caindo de lado no chão e quase sentindo as costelas se deslocarem com o impacto.
No momento em que me senti irremediavelmente encurralado, comecei a imaginar como seria um churrasquinho de Luke no espeto. Me pareceu bem nojento, mas imaginei que um dragão como aquele iria gostar bastante. Balancei a cabeça para afastar pensamentos estranhos ou ridículos, como algo envolvendo molho tártaro e meu cabelo.
No exato momento em que ele abriu a boca gigante para tornar meus assustadores devaneios de churrasco de legado reais, Mônica surgiu na minha frente com uma mão apontada para a fera, gritando:
– Nihil motum!
O dragão congelou onde estava. Bom, não congelou, ficou paralisado. Comecei a rir histericamente no momento em que percebi que não havia sido queimado vivo.
Voltei a mim a tempo de ver Zoe Di Angelo cravar sua espada de Ferro Estígio bem no coração do monstro, e ele desintegrou-se em areia.
~*~
Agradeci à Mônica por ter salvado minha vida.
– Não se preocupe com isso – ela riu, corando um pouco.
– Bem – Silena se aproximou – Creio que deveríamos inspecionar aquele túmulo, não?
– Ah, sim – concordou a filha de Hécate, e as duas seguiram em direção ao grande buraco, onde Zoe já havia entrado. Fui atrás delas.
Não era muito profundo, então pulamos. Graças à luta com o dragão, senti meus ossos levemente desconjuntados com o impacto da queda. Não parecia ter nada quebrado, mas acreditava ter torcido o tornozelo ou algo parecido.
– Zoe? – chamei, dando uma olhada no túmulo. Havia um caixão prateado, adornado com bonitas pedras. Achei irônico o fato de um lugar protegido por um monstro ser decorado de forma bonita, já que a intenção era manter qualquer um afastado, ou seja, ninguém veria a decoração. Talvez o espirito de Flamel gostasse de pedras.
A pequena Di Angelo, que antes analisava minuciosamente o lugar, voltou-se para nós com uma expressão de desespero.
– A Pedra Filosofal... já foi levada.
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