Os Novos Heróis
15 Mônica Grace
Notas iniciais
bom, eu tive a ideia desse capítulo, ele se interliga ao resto da história, vocês verão pelo final
espero que gostem!
O por do sol estava lindo naquela noite. Pena que eu estava muito triste para aprecia-lo. Caminhava sozinha pela rua, perto de um parque meio deserto. Senti o estômago roncar, não comia a várias horas. Mas como arranjar comida, se o dinheiro havia acabado? Minha ultima refeição havia sido um pão amanhecido de manhã, e eu não havia comido nada depois. Estava suja e cansada. Carregava comigo uma pequena mochila, onde estivera guardado o pouco dinheiro que eu tinha, uma roupa que me sobrou, e, bem guardada, uma foto minha com meu pai.
Cansada de andar sem rumo, me sentei no meio-fio. Abri a mochila e peguei a foto. Olhei bem para ela, admirei o rosto de meu pai, que sorria com aquele ar alegre que ele costumava ter. Observei meu rosto na foto, uma garotinha de 8 anos sorridente, que nem poderia imaginar o que sua vida viraria não muito tempo depois. Fiquei uns minutos olhando para nossos rostos, me lembrando como eu era feliz, como nós éramos felizes. E senti as lagrimas começarem a correr pelo meu rosto, sem que eu pudesse me controlar. Abracei o porta retrato e continuei chorando, sem me importar com as pessoas que passavam por mim e me olhavam com expressões de pena, confusão, desprezo. Eu não me importava com mais nada.
“Eu quero minha vida feliz de volta” falei, mesmo sem ter alguém para me ouvir “EU QUERO MINHA VIDA FELIZ DE VOLTA!” dessa vez gritei, num misto de raiva e tristeza, ficando de pé. Sentei com tudo na calçada, guardei a foto na mochila e recomecei a chorar, abraçando meu joelho. Ouvi alguns murmúrios de pessoas andando por perto. Realmente deve ser meio estranho ver uma garota de 11 anos sozinha sentada numa calçada chorando. Mas eu não me importava com o que as pessoas pensavam sobre mim, afinal eu não era exatamente normal. Eu não conhecia minha mãe, na verdade nem sabia quem ela era. Só sabia de uma coisa: minha mãe era uma deusa, e isso pode soar legal, mas não é legal ser filha de uma deusa. Monstros te perseguem, e tornam sua vida um inferno! Foi por causa de um desses monstros que eu havia perdido meu pai, há três semanas atrás, e depois havia começado a vagar sem rumo pelas ruas de NY, sozinha e com pouco dinheiro. E após três semanas, sem dinheiro. Tinha como a minha vida piorar? Olhei meu reflexo em uma poça d’água (havia chovido de manhã) e vi minha situação (um pouco distorcida, afinal era uma poça): uma garota triste, com olheiras e os cabelos vermelhos com mechas azuis despenteados (sim, vermelho com mechas azuis). Esse é mais um motivo para me acharem estranha: meu cabelo é vermelho com mechas azuis e meus olhos são roxos. Roxos!
Bom, voltando a história: eu estava desolada, sentada naquela calçada, pensando o que seria da minha vida, quando ouvi um som: passos, de muitas pessoas caminhando juntas. E então eu vi um grupo de garotas vindo em minha direção. A maioria delas usavam tranças no cabelo, vestiam uma blusa e jeans e eram bonitas, algumas aparentavam mais ou menos a minha idade, outras pareciam mais velhas, mas todas eram adolescentes. Na frente do grupo, estava uma das garotas, aparentava uns 14, 15 anos, mas ela tinha o cabelo preto na altura dos ombros e não usava trança. Ela tinha os olhos de um azul-elétrico e estava olhando diretamente para mim. As garotas pararam bem em frente a mim, e a garota de olhos azuis se adiantou.
“Porque está sentada aí sozinha?” ela me perguntou com um tom suave.
Fiquei desconfiada, mas senti que podia confiar nela, então respondi.
“Eu não tenho para onde ir. Não tenho mais família. Se me encontrarem, me levarão ao orfanato, e eu não quero ir para lá” falei, olhando nos olhos da garota.
“Não se preocupe, não te levaremos a nenhum orfanato. Mas o que houve com sua família?”
“Eu tinha apenas o meu pai” respondi, uma lágrima escorrendo “Mas ele foi morto. Por uma dracanae” respondi, algo me dizendo que a garota me entenderia. Ela fez uma expressão de compreensão e olhou para mim como se dissesse ‘sinto muito’.
“Qual é o seu nome?” ela perguntou
“Mônica”
“Só Mônica?”
“Sim. Não quero ser chamada pelo meu sobrenome” falei “Porque me trás lembranças tristes” como o dia em que meu pai foi morto. A voz daquela dracanae o chamando pelo sobrenome ficaria para sempre em minha mente.
“Tudo bem, Mônica. Eu te entendo. Sou uma semideusa, filha de Zeus. Me chamo Thalia Grace” ela disse, dando um pequeno sorriso para mim “Mas você quer ter uma nova família agora?”
“Uma nova... família?” repeti sem entender
“Sim” ela confirmou “Você pode se juntar as Caçadoras, se quiser. As Caçadoras de Ártemis são um grupo de garotas que seguem a deusa Ártemis e ajudam-na em suas caçadas e missões. Nós não envelhecemos e só morremos em batalha, somos quase imortais. Quer ser uma caçadora, Mônica?”
Eu fiquei alguns minutos absorvendo suas palavras. Uma nova família. Caçadoras. Quase imortais.
“Sim, eu quero ser uma caçadora” respondi após pensar um pouco.
“Muito bem” ela sorriu “ Você faz parte da nossa família agora. Bem vinda a caçada!”
Ela me deu um abraço, e pela primeira vez em semanas eu sorri. Tinha uma nova família agora. Não viveria sozinha pelas ruas.
“Mas, ei, você não quer ficar sem sobrenome para sempre, quer?” ela me perguntou de repente. Neguei com a cabeça.
“Eu estava pensando...” ela disse pondo as mãos em meus ombros “ Você quer ser a Mônica Grace? Quer ser minha irmã?” ela perguntou, parecendo animada. Mas não mais animada do que eu fiquei ao ouvir aquilo. Uma irmã! Eu poderia ter uma irmã!
“Sim, sim, sim!” falei, abraçando Thalia novamente “Quero ser sua irmã!”
“Então está certo, Mônica Grace!” ela disse, bagunçando meus cabelos, que já estavam bagunçados. Então apareceu uma garota ruiva, que parecia ter uns 12, 13 anos. “Lady Ártemis” Thalia dirigiu-se à garota “Essa é sua nova Caçadora”
Ártemis sorriu e eu me apresentei.
“Seja bem vinda, Mônica Grace” ela disse parecendo feliz com a minha chegada.
Então ela se virou para Thalia.
“Tenente, recebi um chamado de Quíron. Teremos que ir para o Acampamento Meio-Sangue”
Notas finais
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