Os Nove Magos

3 O garoto de olhos azuis


Notas iniciais
Desculpem pela demora. Minhas aulas começaram e muitos outros incidentes me atrapalharam enquanto eu escrevia o 4º capítulo. Por que não postei logo? Ora, eu sempre tento ter pelo menos um capítulo pronto antes de postar o próximo. Mas dessa vez achei que já tinha passado tempo demais e decidi postar. Atenção! Esse capítulo contém personagens novos! Quem aí lembra do garoto de olhos azuis? Bom, não preciso falar mais nada... Boa leitura!

Rumo à rota 29, Cyndaquil e eu nos aquecemos para nossa primeira luta. A primeira vez que atravesso a grama alta... Sinto um frio na barriga. Eu piso. Ando. “Hum... parece normal...”, penso. Derrepente, um Pidgey aparece na minha frente com um vôo baixo, entrada triunfal. Era o nosso momento!

– Cyndaquil, está na nossa hora! Cabeçada!

Ele ficou um pouco confuso, mas entendeu o recado e avançou veloz para cima do inimigo. Porém este se esquivou rapidamente e atacou o Cynda em descendo de seu vôo numa velocidade incrível. Meu pequeno rodopia sem rumo por um momento

– Reponha-se! Eu acredito em você! Cabeçada!

Cynda acertou em cheio dessa vez. Sinto que minhas palavras foram motivadoras.

O Pidgey cai no chão e lá fica. Jogo a pokébola na direção do inimigo e ela o absorve na forma de luz. A pokébola se move. E de novo. Fico nervosa. Seria este Pidgey meu primeiro Pokémon capturado?

O clarão reaparece. Droga, falhei. O Pidgey volta com tudo e avança no Cynda.

– Esquive-se, Cyndaquil!

Ele obedece, e ainda tenta dar uma cabeçada, mas ele erra. O inimigo fica atordoado sem saber o que fazer.

– Agora, Cabeçada!

O golpe final. Esta era a minha hora. Jogo a pokébola. Após três movimentos, um brilho tímido sai do instrumento. Eu o capturei! Foi tudo tão rápido.

– Muito bem! Você foi ótimo Cynda! Estou orgulhosa!

Nós continuamos a caminhar, enfrentando os pokémons no caminho. Um Pokémon se juntou ao meu time. Tanto Cynda quanto o Pidgey batalham, se fortalecem. O fim da rota se dá em Cherrygrove City.

Aprendi algumas coisa com as primeiras batalhas que tive: tudo dentro delas é puro instinto. Somos uma equipe. O Pokémon e seu treinador devem ter uma relação forte para ganharem. Não é qualquer treinador com um Pokémon forte que irá ganhar a batalha. A amizade deve estar presente.

Por sorte, apareceu nenhuma pessoa querendo lutar. Ainda tenho medo do que irá acontecer. Por outro lado, gostaria de saber que Pokémons eles iriam usar... Gostaria de conhecer mais Pokémons ou até o jeito com que os meus inimigos iriam batalhar.

Quando chego em Cherrygrove, já é quase noite (confesso que me perdi algumas vezes na rota 29), e me dou conta de algo: onde irei dormir? Rapidamente, recupero Cyndaquil e Pidgey no Pokémon Center e compro algumas poções e antídotos com o dinheiro que tenho e os guardo na minha mochila.

Depois de fazer tudo isso caminho um pouco pela cidade para conhecê-la, e sinto que há alguém me olhando. Viro para trás. O garoto de olhos azuis? Só poderia ser ele.

Cynda, que está no meu ombro, e eu olhamos para cima. Como agora ele está em pé (e não sentado como o vi no trem) percebo que ele é muito maior que eu. Uns quinze centímetros, no mínimo. Ele está vestido com uma camiseta branca por baixo e um casaco azul, um azul um pouco mais escuro do que o tom dos seus olhos, e calças jeans. Eu fico apenas olhando para ele, pensando como não tinha notado aquela pessoa tão grande.

– O que foi, viu um fantasma? – diz com um tom sarcástico, quebrando o silencio entre nós.

– N-não... Porque estava me stalkeando?

– Eu não estava stalkeando! – ri. – Estava te observando para ter certeza de que era você, a garota do trem.

– Ah, sim... Você é o garoto que ficava me olhando? – rio.

– Parece que nos encontramos novamente! Está procurando algo?

– Sim... Eu não acho um lugar para passar a noite e queria me hospedar em algum lugar.

Ele fica pensativo por alguns instantes até que sua expressão muda.

– Eu moro na cidade! Você gostaria de ficar na minha casa por esta noite? – diz, ajeitando o cabelo.

Eu estranho, mas era uma oportunidade única.

– Você faria isso mesmo? – digo com os olhos brilhando. Ele balança a cabeça positivamente. – Obrigada!!!

– Seu nome é..? – pergunta se inclinando e se aproximando de mim.

– Lucy.

– Pode me chamar de Luke. – fala, sem eu ter perguntado nada e se vira.

Ele me guia até sua casa. Quando tenho a chance de olhar o resto de seu corpo e não apenas o seu rosto, vejo que há um Pokémon atrás dele. Um... T-Treecko? Um inicial de Hoenn?! Ele veio de outro continente?

Eu fico tão surpresa que dou um suspiro que faz Luke e seu Treecko virarem-se. Até Cyndaquil parece um pouco surpreso. Ele me pergunta o que aconteceu.

– Você veio de um outro continente?! – grito, desajeitada e coro de vergonha.

– Sim, eu acabei de me mudar de Hoenn. Por isso tenho um Treecko. – quando ele ouve seu nome, o Pokémon me olha com sua expressão séria.

Esse era o porquê do livro “Pokémons de Johto” que vi no trem. Ele conhecia outros pokémons! Cochicho para Cynda minha conclusão. Nós dois ficamos contagiados, e meu pequeno solta alguns fogos de alegria (que quase queimam meu cabelo, por sinal).

Chegamos à casa de Luke. Uma casa humilde. Com certeza ele morava sozinho. Ando pela casa sem saber exatamente o que fazer. Então ele me mostra a casa, incluindo o quarto de hóspedes. Ele se desculpou, pois o cômodo estava desarrumado, mas estava tudo bem.

Era um quarto pequeno onde tinha uma estante baixa de livros e uma cama. Me sento na cama e tiro Cyndaquil de meu ombro, colocando-o no chão. Ele fica pulando, querendo colo. Eu o ignoro e arrumo a cama, ponho minhas coisas num canto no chão. Imprevisível, meu pequeno fuça com seu nariz espichado dentro da minha mochila e uma pokébola cai. Eu o tiro de lá e pego a pokébola, que tem Pidgey dentro. Eu fico a olhando, pensativa. Depois deito na cama e a acolho entre os meus braços, em forma de concha. Cynda me olha do chão, curioso.

Devo liberar Pidgey? Quero o ver mais uma vez, mas não sei se Luke vai deixar. Guardo a pokébola na mochila e vou me juntar à Luke, que prepara o jantar. Olho na janela e vejo o final do pôr do Sol: um dégradé de tons de amarelo ao puro vermelho sangue coloram o céu, e uma bola vermelha oscilante baixa no horizonte.

Me viro para Luke e o observo. Ele é jeitoso com a cozinha, prepara tudo com carinho e sabe quais são os temperos necessários. Eu rio baixo, pois ele está utilizando um avental feminino com rendinha. Ele se vira rapidamente, pois não tinha notado minha presença.

– Você está engraçado com esse avental. – digo.

– Ele era da minha mãe. Nós dois tínhamos o mesmo dom para cozinhar. – ele limpa as mão no avental e fica de frente para mim. – Sinto falta dela.

Eu fico um pouco sem graça de ter perguntado aquilo. Eu pego Cyndaquil no colo para descontrair a atmosfera pesada que se formou.

– Ei, está tudo bem! Ela não morreu ou sei lá o que você pensou. – ele ri.

– Ah tá... Você me assustou.

Ele serve a comida na mesa de dois lugares e dá algumas berrys para Cynda e para Treecko. Os dois juntos comem num canto da sala e brincam.

A minha comida está muito boa. Eu estou morrendo de fome e como com voracidade. Percebo que Luke está me olhando com uma cara confusa. “AHHHH, COMO SOU DESAJEITADA!”, penso. Minha boca está cheia de comida. Engulo e fico encarando Luke, irritada.

– Eu sei que você gostou de me olhar, mas mesmo quando estou comendo?! – finjo não rir.

– Você é bonitinha. – responde, calmo.

Sinto que minha cara inteira cora e continuo a comendo mesmo jeito que antes, fingindo não ter nada acontecido. Não houve mais conversas.

Quando o jantar acaba, ele me dá boa noite e cada um vai para seus respectivos quartos. Eu fico pensativa na minha cama, mas acabo pegando no sono.

A noite passa e eu acordo. Me arrumo e vou para sala, me juntar a Luke. Desta vez ele está sentado em uma das caixas da mudança vendo TV com Treecko. Eu fico olhando-o por alguns instantes: seu cabelo está desarrumado e ele está apenas de calça. Acho que foi por isso que eu olhei para ele muito mais tempo que o normal. Já eu visto um vestido azul. Hoje gostaria de capturar mais Pokémons e continuar a jornada.

–Luke?

Ele se vira, e sorri.

–Bom dia. – ele responde.

Ele finalmente coloca uma blusa e me conduz até a mesa de refeições onde está servido um café da manhã completo: Torradas, ovos mexidos, uma caixa de leite de Miltank e algumas outras coisas que emanavam um cheiro delicioso. Me pergunto se ele poderia ter feito tudo aquilo por mim. Cyndaquil, que estava no meu ombro, desce dele e vai comer um pouco de berrys com Treecko. Eu e Luke nos sentamos e nos servimos.

– Teve uma boa noite? – ele pergunta.

– Sim. O seu quartinho bagunçado tem um ar acolhedor! – rio.

– Obrigada! Você vai partir hoje?

– Sim, partirei depois do café. Te agradeço muito por tudo. – sorrio, mas desejando poder ficar mais.

O ambiente fica um pouco quieto, mas depois de alguns minutos Luke quebra o silêncio:

– Você gostaria de uma rápida batalha Pokémon comigo? Sei que Treecko é um pouco mais forte que seu Cyndaquil, mas ele está um pouco enferrujado com as mudanças. Então estaríamos mais ou menos no mesmo nível.

– Sim... claro! – meus olhos brilham.

Minha primeira batalha com outros treinadores! E ainda com Luke, uma pessoa que eu conheço e que não tiraria vantagem de uma novata como eu. Cyndaquil sobe no meu ombra cheio de alegria, tão entusiasmado quanto eu.

Quando terminamos de comer, saímos de casa e fomos para a rota 30, para batalhar. A rota parece bem calma mas mais adentro dela parece ter mais treinadores novatos como eu. Nós nos estabelecemos então perto da cidade.

– Treecko, eu escolho você! – diz Luke. Nessa hora eu me pergunto se ele tem algum outro Pokémon. “Não Lucy. Não é hora para pensar essas coisas”, penso.

– Vai, Cyndaquil!

Cynda, que está no meu ombro, desce para o chão soltando faíscas. É hora de batalhar.

– Treecko, use Pound! – imprevisível, o Pokémon soca meu pequeno e ele voa longe.

– Cyndaquil se levante! Use Cabeçada! – ele acerta e Treecko cai no chão.

– Agora use absorver! – grita Luke.

Derrepente se acende uma luz verde dentro do corpo de Cynda e nós dois ficamos surpreendidos. A luz sai do corpo dele e vai aos poucos para o de Treecko. Vejo que Cynda vai ficando mais cansado e seu oponente mais poderoso. É como se ele estivesse sugando-o. Mas como este é um ataque de grama, meu pequeno se repõe rápido e ataca com uma cabeçada improvisada.

Mas há um problema. Agora Cyndaquil está mais fraco e poderemos perder a luta logo. Tomo uma decisão:

– Cyndaquil,volte! – ele se torna uma bola de luz que vai direto na Pokébola.

Pego a de Pigdey e sussurro: “Acredito em você”.

– Vai, Pidgey! – o Pokémon sai da Pokébola e dá um grito de coragem. – Use bicada!

Pidgey dá um vôo rápido e bica o Treecko. Mas ele desvia e Pidgey erra o ataque. Então ele dá mais um Pound mas, ao mesmo tempo, Pidgey usa bicada. Os dois são jogados para trás e uma nuvem de poeira se eleva. Impressionante. Eu e Luke nos olhamos, tentando entender o que aconteceu. A nuvem de poeira se abaixa e então podemos ver o resultado.

Os dois Pokémons estavam deitados no chão sem nenhuma energia. Com certeza, não agüentaram a combinação desses dois ataques.

Levanto Pidgey inconsciente e o abraço, e sussurro “Estou orgulhosa!”. Eu o reponho na pokébola e Luke e eu vamos ao Centro Pokémon.

No caminho, nós dois vamos conversando sobre a batalha. Luke me elogia, ele gostou de meu modo de batalhar e acha que se eu treinar mais meus pokés são capazes de ficar invencíveis. Claro que é um pouco exagerado, mas agradeço.

Quando nossos Pokémons estão recuperados, vamos a fronteira da rota 30 com a Cidade de Cherrygrove e nos despidimos.

– Bom... Desejo uma boa jornada para você, Lucy. Você tem um ótimo Pokémon do seu lado. – Luke olha para para Cyndaquil, que grita “Cynda!”.

– Digo o mesmo para você! – Treecko mastiga o capim em sua boca e sorri para mim. – Boa sorte com seu estabelecimento em Johto. Garanto que essa será uma ótima casa.

Eu aceno dizendo adeus me viro e dou meus primeiros passos. Quando estou um pouco mais longe, ouço passos correndo na minha direção e me viro:

– Lucy!!! – alguém grita de longe.

Luke! Claro! Eu corro na direção dele. Ele está cansado e cheio de mala em suas costas. Me percorre um calafrio. Ele para e se apoia com as mãos em seus joelhos, bufante. Então ele diz:

– Eu estava pensando... uf, uf... que esta jornada seria um tanto solitária... uf... Eu poderia viajar com você?

Notas finais
E agora? O que será que aconteceu? Hm, sem spoilers u.u Até o próximo capítulo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.