Os Mutantes: Harmonia Caótica
25 Traição - Parte 6
A garota misteriosa olhava para Lorenzo, que não sabia como reagir.
— Então... Eu posso... Sair?
Ela cancelou seu ataque.
— Você é uma delas, não é? Uma mutante?
Ela apenas cruzou os braços.
— Eu... Vou embora agora, com licença e... Desculpe por entrar sem avisar, mas é que meus amigos me desafiaram.
Naquele momento, alguém bateu na porta.
— Lorenzo, você está aí? — Era a voz de Miguel.
A garota olhou para Lorenzo, como se estivesse surpresa. Teria ele convidado alguém mais...?
— Ah, são meus amigos, eles vieram me buscar... Hã... Tchau!
Lorenzo rapidamente saiu do guarda-roupas, caminhou até a porta de entrada e a abriu. Miguel e Sarah estavam lá.
— Ah, você está aí? — Perguntou Miguel.
— Nós viemos te salvar... Parece que vamos nos encrencar se algo acontecer com você... — Disse Sarah.
Lorenzo se irritou.
— Vocês não imaginam o medo que eu passei!
— Ah, pare com isso. Vamos logo! — Disse Miguel.
Os três saíram da porta do apartamento e foram pelo corredor.
— Eu vou contar tudo para meus pais! — Disse Lorenzo.
— Vai nada, se fizer isso a gente te mata! — Disse Sarah.
— Vocês me enganaram. Eu acreditei que iam me deixar entrar no grupo!
Miguel pegou Lorenzo pelo pescoço e o colocou contra a parede.
— Escuta aqui, seu covarde! Uma palavra sobre o que aconteceu hoje, e você não vai viver para ver o Sol nascer de novo... Está me ouvindo?!
— Gah... Me solta, Miguel!
Sarah riu.
— O que me diz, Miguel? Vamos acabar com ele agora mesmo?
— Eu gostei da ideia, Sarah...
Mas naquele momento, eles perceberam que havia alguém observando... Era a garota misteriosa, parada em frente à porta de seu apartamento. Aparentemente ela ouviu tudo.
— Ei, quem é a esquisita? É sua amiga, Lorenzo? — Perguntou Sarah.
A garota misteriosa sacou sua espada e encarou Miguel e Sarah.
— E... Ela tem uma espada?! — Perguntou Miguel assustado.
— O... O que ela pretende... — Gaguejou Sarah.
A garota apontou sua espada em direção aos dois e correu. Miguel soltou Lorenzo, que caiu sentado no chão. E junto com Sarah, os dois correram o máximo que podiam.
— Ela vai nos matar!! — Gritou Miguel.
— Ela não é bruxa, é uma serial-killer!! — Gritou Sarah.
A garota parou em frente à Lorenzo e estendeu sua mão.
— ...Ãh? — Disse ele, confuso.
Lorenzo pegou na mão dela, e se levantou.
— O... Obrigado... Eu pensei que podia confiar naqueles dois, mas parece que eles não são boa companhia... Bem, eu vou pra casa agora. Até mais!
Lorenzo se despediu com um sorriso e foi pelas escadas.
— Aliás, você fica muito legal usando a espada! — Gritou ele, antes de descer.
A garota apenas o observou.
.........
......
...
A manhã seguinte chegou. O céu continuava encoberto, mas a chuva parecia ter dado uma trégua. Renata estava no apartamento de Claude. Os dois conversavam na sala.
— Então, você fez sua investigação... Descobriu alguma coisa? — Perguntou Claude.
Renata negou.
— Infelizmente não muito... Mas acho que temos alguém para eliminar da lista de suspeitos.
Claude se interessou.
— Quem?
— Eugênio. Ele descobriu todo o meu plano apenas usando sua inteligência. Eu não acho que ele seria tão idiota ao ponto de ajudar uma inimiga da Liga do Bem sabendo o que pode lhe acontecer.
Claude pensou.
— É, você tem razão... Acho que nossa lista de suspeitos agora possui... Clara, Ângela, Vavá, Tatiana, Carol, ou alguma das crianças da ONG... Excluindo os adultos, que ao que tudo indica, não poderiam ter feito isso.
Os dois refletiram a lista.
— E quanto aos outros? Tarso, Aquiles, Ágata... — Perguntou Renata.
— Não, eles não estavam presentes na maior parte das reuniões que tivemos.
Renata baixou a cabeça.
— Que horrível ter que suspeitar dos nossos amigos...
— É assim que as coisas funcionam, Renata.
Renata se levantou do sofá.
— Eu queria pelo menos descartar a Carol...
— Então pense bem... Tem alguma chance dela ser a traidora?
— Hum... Eu acho que não, ela tem nos ajudado tanto...
Claude pegou seu celular.
— Para quem vai ligar?
— Para ela.
Claude fez a ligação. Alguns segundos depois, alguém atendeu.
— Alô, Carol? Onde você está?
Alguns instantes de silêncio.
— Certo, estamos indo aí, precisamos conversar. Até logo!
A ligação foi encerrada.
— Onde ela está? — Perguntou Renata.
— Na praça. Vamos, eu quero falar com ela. Precisamos de apoio nessa missão, se conseguirmos descartá-la como suspeita, ela poderá nos ajudar muito.
Renata não pôde deixar de notar que Claude parecia confiar bastante em sua amiga.
.........
......
...
A dupla chegou na praça. Até que viram Carol sentada em um banco. Haviam poucas pessoas ao redor, talvez muitos consideravam a chance de chover a qualquer momento, e então resolveram ficar em suas casas.
— Oi, Carol! — Disse Renata.
— Renata!
As duas se abraçaram.
— Vocês vieram mesmo... Posso ajudar com alguma coisa?
— Na verdade, sim... Nós precisamos te contar sobre a situação da nossa missão. — Disse Claude.
Alguns bons minutos se passaram, até que Claude e Renata conseguiram explicar tudo sobre o possível traidor da Liga do Bem para Carol. Ela ouvia tudo atentamente.
— E é isso, alguém pode estar passando informações para a garota misteriosa. — Concluiu Renata.
— Mas... Alguém da Liga do Bem? Por essa eu não esperava...
Claude cruzou os braços.
— É uma possibilidade que estamos considerando. Mas temos que eliminar você como suspeita, Carol...
Carol se espantou.
— Eu?!
Renata ficou com um pouco de ansiedade.
— Calma, Carol, é só porque o Claude tem que ter certeza que você está do nosso lado!
Carol olhou para Renata.
— Até você, Renata?! Se eu fosse inimiga, teria livrado seu nome quando a polícia te perseguia?!
Carol parecia estar se irritando.
— É, Claude, ela tem um ponto...
Claude se virou para Renata.
— Não confie tão cedo, Renata. Precisamos de provas.
— Mas ela já fez muito para nos ajudar! Até já foi atacada pela garota misteriosa e denunciou o ataque para você!
— Hum...
Claude agora se virou para Carol que se sentou de volta no banco.
— Carol, eu vou lhe dar um voto de confiança, pode ser?
Carol suspirou.
— Por um instante achei que estava com problemas...
— Não se preocupe, nós confiamos em você, Carol. — Disse Renata.
Claude colocou a mão na cabeça.
— Mas agora precisamos pensar em qual será nosso próximo passo... A lista de suspeitos não é muito pequena...
— A única possibilidade na minha mente é irmos por eliminação... — Disse Renata.
Carol estava pensativa.
— Claude, você disse que a maior parte da Liga do Bem não sabe dessa investigação, não é?
— Sim, mas eu não duvido que vão começar a desconfiar.
Carol se levantou.
— Eu tenho uma ideia que pode funcionar...
— Estamos ouvindo. — Disse Renata.
— Por que não... Armamos para o traidor?
Renata e Claude ficaram confusos com a ideia.
— Como assim? — Perguntou Claude.
— Vamos fingir um ataque contra a garota misteriosa, e contar para a Liga do Bem. Só que quando o plano entrar em ação, vamos mirar no traidor, não na garota misteriosa. Entendeu?
Claude deu um leve sorriso.
— Essa foi a mesma ideia que eu tive, Carol... Na verdade, eu planejava fazer isso, mas sem contar para ninguém.
Carol negou com a cabeça.
— Não, se você não contar pra ninguém, o traidor não vai agir. Se ele ficar sabendo, aí ele faz seu movimento, e nós nos preparamos para pegá-lo.
Renata riu.
— Vocês dois estão em sintonia, heim? Mas eu ainda não sei como faremos isso...
— Eu já tenho uma ideia... Vamos para a sede da Liga do Bem, prestando atenção em todos ao redor. Daí contamos o falso plano, e esperamos o traidor agir.
Carol se animou.
— Perfeito, vamos lá então!
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