Dois homens entraram correndo em um beco escuro. Um deles carregava uma sacola cheia.

— Quanto nós conseguimos?!

O outro homem abriu a sacola que estava carregando.

— Eu não sei, cara... Mas deve ter pelo menos cinco mil aqui!

Os dois comemoraram.

— Isso foi demais!

— Ninguém pode nos parar agora!

De repente, a dupla notou que não estava sozinha. Um homem de jaqueta e calça se aproximava lentamente dos dois.

— Tem certeza disso...? — Perguntou o homem.

os dois olharam fixamente para o homem.

— Ih, olha só...

— Qual é, irmão? Tá querendo se dar mal? — Disse o bandido enquanto colocava a sacola no chão.

O homem parou em frente aos dois.

— Eu entendo... Vocês não são humanos... São aberrações que usam seus poderes para se divertir.

Um dos bandidos se irritou.

— Olha lá como fala com a gente, heim?! Quem é você afinal?

— Meu nome é Claude... Isso é tudo que vocês precisam saber.

— Eu posso acabar com você em dois segundos, cara! — Disse um dos bandidos, com raiva.

Claude colocou as mãos nas costas.

— Por que não tenta?

— Você que pediu!

O bandido colocou os dedos indicadores em sua testa. Uma expressão de raiva surgiu em seu rosto. Claude continuava imóvel.

— Mas... Mas o que é isso?! — Disse o bandido, confuso.

— Qual é? Acaba logo com ele! — Disse o outro.

— Era pra ter acontecido alguma coisa? — Perguntou Claude.

O outro homem empurrou seu amigo.

— Deixa comigo!

O homem abriu sua mão direita em direção ao peito de Claude. Em seguida, sua mão começou a tremer rapidamente.

— Eu não acredito... Meus poderes não estão funcionando!

Claude retirou seu celular do bolso e o observou por alguns segundos.

— Se vocês me permitem, eu não tenho todo tempo do mundo...

Claude avançou rapidamente em direção aos dois bandidos. Num gesto veloz, derrubou o primeiro com um chute em sua perna. O outro tentou agarrá-lo, mas Claude conseguiu segurá-lo pelo braço e derrubá-lo de costas. Em instantes, os dois estavam no chão.

— Ele... Ele é imune...?

— Nossos poderes não... Fazem efeito nesse cara...

Claude deu um leve riso.

— Sabe qual o problema? Vocês confiam demais em seus poderes e se esquecem de lutar como seres humanos.

Claude retirou duas seringas do bolso de sua jaqueta. Em seguida, se abaixou e injetou uma delas no peito de um dos mutantes. Em seguida fez o mesmo no outro.

— Boa noite... A polícia vai chegar daqui à pouco...

Os dois mutantes dormiram lentamente. Claude pegou seu celular e fez uma ligação. O visor mostrava "Chamando NEO-Depecom".

— Mathias, eu peguei mais dois.

— Perfeito! Estamos a caminho. Você vai continuar caçando, ou quer encerrar o dia?

Claude olhou em seu relógio de pulso. Eram 22:40

— Não, já chega... A minha dose de MX está acabando. Eu vou ficar vulnerável logo.

— Ok, tenha um bom descanso. Até amanhã, Claude.

Claude desligou o telefone e saiu do beco.

Algum tempo se passou. Claude abriu a porta de um apartamento e entrou. Em seguida, retirou sua jaqueta e a jogou no sofá.

— Mais uma noite, mais mutantes derrotados...

Em seguida, caminhou até seu quarto e se jogou na cama.

— Mas eu ainda espero o dia... Em que vou encontrar o assassino que matou meu irmão... Aquele mutante que eu persigo faz cinco anos... Algum dia eu ainda vou acabar com ele!

Claude fechou os olhos e tentou dormir.

Na manhã seguinte, Claude vestiu novamente sua jaqueta e saiu de casa. Após cerca de quinze minutos de caminhada, parou em frente a um grande prédio.

— Aqui estou eu novamente... Vamos ver os resultados de ontem.

Enquanto subia as escadas e se aproximava da porta de vidro, Claude olhou para trás. Algumas pessoas pareciam olhar de forma estranha para ele, mas acabou ignorando. Assim que entrou, um homem que estava sentado em uma cadeira na recepção se levantou e foi até ele.

— Claude! — Gritou o homem correndo em sua direção.

— Oi, Rafael... Alguma novidade?-

— Não, acho que tudo está correndo normalmente!

Claude colocou as mãos nos bolsos da calça e caminhou até o elevador. Rafael o seguiu.

— E você? O que conta de novo? — Perguntou Rafael.

— Eu estive pensando em como atrair a atenção daquele Mutante que eu estou perseguindo.

— Ainda com essa história de vingança...

Claude apertou o botão do elevador. A porta se fechou.

— A NEO-Depecom vem há muito tempo tentando rastreá-lo. Mas ele desapareceu. Eu tenho que tirá-lo de sua toca. — Disse Claude.

— E como vai fazer isso?

— Eu preciso que ele me reconheça. Estava pensando em agir à luz do dia.

Rafael se assustou.

— Claude! Nós agimos durante a noite exatamente para não chamar a atenção.

— Eu sei...

— E a única razão pela qual nenhum de nós morreu é por causa da MX. Se não injetarmos antes de um ataque, somos totalmente vulneráveis aos poderes dos mutantes.

— Eu também sei disso!

A porta do elevador se abriu.

— Claude, eu sou seu amigo! Eu me preocupo com você. Mas essa sua ideia de vinganga está indo longe demais.

— Eu sei o que estou fazendo, Rafael. Vamos logo pra reunião.

Rafael pensou em continuar argumentando, mas resolveu apenas se calar. Os dois caminharam até uma porta no final do corredor. Havia uma mesa onde vários homens e mulheres se sentavam.

— Bom dia! — Disse Rafael.

Todos acenaram com a cabeça. Os dois se sentaram.

— A Chefia não chegou ainda? — Perguntou Claude.

Um homem negou com a cabeça.

— Ainda não. A reunião de hoje vai ser rápida, ele disse.

— Rápida? Isso quer dizer que pode vir coisa ruim por aí... — Disse Rafael.

Enquanto Rafael falava, a porta se abriu. Um homem mais velho que Claude entrou.

— Bom dia à todos!

Todos responderam em voz baixa. O homem parou em frente à mesa.

— Eu vou ser bem rápido hoje... Estamos correndo perigo. Esse lugar pode não ser mais tão seguro quanto pensamos.

Todos se espantaram.

— O que você quer dizer, Mathias? — Perguntou Rafael.

— Nós estamos ativos há quase um mês, e a população está desconfiando das atividades nesse prédio. Principalmente pelo material do laboratório que chega constantemente.

Uma mulher interrompeu.

— Está se referindo ao MX e aos sedativos?

— Sim... Eu vi algumas pessoas comentando sobre as estranhas caixas que nós recebemos. Lembrem-se que eu contatei um laboratório para nos ajudar a enfrentar os mutantes, e se eles perceberem que estão correndo algum risco, podem cortar nosso material.

— E sem esse material... Sem chance de continuarmos lutando, não é? — Perguntou Claude.

Mathias acenou positivamente.

— Seja lá o que for, temos que continuar agindo no escuro. E não deixem que descubram sobre a MX. E continuarmos nos reunindo aqui pode ser perigoso, mas deixem que eu cuido disso. Entendido?

Todos acenaram positivamente.

— Falando nisso, o novo estoque de MX e sedativos já chegou. Vocês podem pegar na recepção. Isso é tudo. Tenham muito cuidado, a NEO-Depecom não pode ser destruída. — Disse Mathias.

A reunião se encerrou e todos se levantaram.

De volta na recepção, Claude se aproximou de uma gaveta que tinha uma etiqueta com seu nome: Claude Fernandes. Após abri-la, notou que havia uma pequena caixa selada.

— MX... A única forma de um humano comum sobreviver aos poderes de um mutante... E o sedativo especial que os coloca para dormir em segundos...

Claude guardou a caixa em sua jaqueta. Alguém apareceu atrás dele.

— Olá, Claude.

Claude se virou. Mathias, o líder da NEO-Depecom estava atrás dele.

— Você está se destacando bastante... Pegou dois mutantes ontem de uma vez só.

— Eu faço o que posso...

— Então tudo bem se eu te passar uma missão agora?

Claude passou a mão no rosto.

— O que é?

— Direto ao ponto, heim? Gosto disso.

Mathias entregou um papel para Claude. Havia uma foto de uma bela garota, de longos cabelos pretos. A informação dizia: "Renata Sabine, 19 Anos, Atributo: Fogo".

— Uma mutante com poder de fogo... — Comentou Claude observando a foto.

— Exato. Guarde bem essas informações, ela é seu próximo alvo. — Disse Mathias.

— O que ela fez?

— Parece que ela incendiou o próprio prédio onde vivia, causando duas mortes.

— Hum... E o que quer que eu faça com ela?

Mathias olhou fixamente para Claude.

— Você acha que pode fazer algo mais radical?

— O que está sugerindo? — Perguntou Claude, cruzando os braços.

— Ela pode ser muito perigosa, então seria bom se você... A matasse.

Claude se espantou levemente.

— Você quer que eu a mate?

— Eu sei que nem você e nem ninguém da NEO-Depecom matou algum mutante antes, mas estamos falando de uma garota que incendiou um prédio. Acha que consegue fazer isso, Claude...?

Claude olhou novamente para a foto da garota.

— ...Sim, eu posso.