Os Mutantes: Duplo Destino
31 A Proteção - Parte 2
A tarde chegou. Claude abriu a porta de seu apartamento e viu Renata sentada no sofá novamente lendo o caderno da Liga Bandida.
— ...Renata.
Renata se virou para ele.
— Oi, Claude.
— Eu comprei algo pra você.
Claude entregou uma caixa embrulhada como presente para Renata. Um lindo embrulho rosa.
— Pra mim...? — Perguntou Renata, surpresa.
— Sim.
Renata pegou o pacote e gentilmente o abriu.
— ...Um celular?!
Dentro havia um celular prateado. Não era o modelo mais novo que existe, mas tinha até uma câmera.
— Não é muito moderno, mas eu notei que você não tinha um. — Disse Claude.
— Claude, eu... Eu adorei! Obrigada!
— Sem problemas!
Renata ligou o celular.
— Ei, deixa eu salvar o seu número?
— Ãh... Claro. — Respondeu Claude.
Claude passou seu número para Renata.
— E... Guardado.
— Agora se você precisar de mim, e eu estiver longe... Pode me chamar. — Disse Claude.
— Eu vou andar sempre com ele! Assim você também vai saber onde eu estou!
Claude deu um leve riso.
De volta ao apartamento de Pepe, César colocava o pendrive em um notebook. Maria, Marcelo, Vavá e Tatiana estavam ao redor dele.
— E então? Tem algo importante nesse pendrive? — Perguntou Tatiana.
— Espera, Tati. Deixa o Doutor César fazer o trabalho dele. — Disse Marcelo.
César analisou uma pasta onde haviam vários arquivos relacionados a entrega e distribuição de MX.
— Consegui! I did it! — Disse César, comemorando com as mãos.
Todo o grupo se aproximou do notebook.
— Então... O que exatamente tem aí? — Perguntou Maria.
— É um endereço. E muito provavelmente do fornecedor do MX.
Vavá pensou.
— MX... Esse é o nome daquela droga que torna humanos imúnes aos mutantes?
— Isso mesmo, Vavá! E se eu estiver certo, e eu acredito que estou, esse é o endereço de onde essa droga está sendo produzida e enviada em segredo para um grupo secreto.
César cruzou os braços.
— Ou estava... Já que o Claude me disse que o líder deles foi preso.
O grupo se espantou.
— Preso? — Perguntou Marcelo.
— O líder do grupo que aquele tal de Claude pertence? — Perguntou Maria.
— Sim... Mas isso não quer dizer que essa droga ainda não está sendo fabricada.
— Respondeu César.
Tatiana pensou.
— Então... Tudo que precisamos fazer é entrar nesse lugar e destruir tudo, não é?
— Eu acho que não, Tati... Mas uma investigação seria mais do que necessária. — Disse Marcelo.
César se levantou.
— Vocês podem deixar isso comigo. Como cientista, eu estou muito curioso pra saber quem está por trás de algo tão revolucionário.
Marcelo encarou César.
— Tem certeza? Parece perigoso pra você ir sozinho...
— Bem, eu acho que tenho que concordar... I agree with that. — Disse César.
Naquele instante, Vavá riu.
— Doutor...
César se virou para Vavá.
— Sim, Vavá?
Vavá colocou seu capuz.
— Que tal se... Nós dois investigarmos juntos, pelos velhos tempos?
César riu.
— Certo... Pelos velhos tempos! Old good times!
Os dois trocaram um aperto de mão.
Durante a noite, Claude lia o caderno da Liga Bandida, sentado em sua cama.
— Cris... Onde esse maldito foi se enfiar depois da guerra?
Claude folheava algumas páginas até que uma delas lhe chamou a atenção.
— Hum... Os maiores perigos que a Liga Bandida enfrentou... A Liga do Bem, o Depecom...
Um nome lhe chamou a atenção. Claude colocou o dedo naquela palavra.
— Cris! Aqui está... Vejamos...
Claude leu o trecho.
— "Depois da Grande Guerra, não o vimos mais... Cris era um mutante que se sentia melhor afastado, então provavelmente ele ainda está..."
Claude fez uma pausa.
— "...Na Ilha dos Mutantes..." Interessante...
Claude colocou o caderno na cama e foi até seu computador. Assim que o ligou, foi até uma pasta da NEO-Depecom.
— A Ilha dos Mutantes... Por que eu não pensei nisso antes?
Naquele momento, Renata entrou no quarto.
— Claude...?
— Ah, oi Renata.
Renata entrou.
— Você descobriu alguma coisa? Eu pensei ter ouvido algo.
— Sim, eu estava pensando em voz alta... Acho que achei o paradeiro do Cris...
Renata se espantou.
— Sério?! Onde?!
— Não é uma certeza, mas é uma probabilidade... Ele pode estar na Ilha dos Mutantes... Onde a Doutora Júlia guardava seus maiores segredos. — Respondeu Claude, cruzando os braços.
Renata pensou.
— A Ilha dos Mutantes... Acha que podemos ir pra lá?
— Bem... Vale uma oportunidade...
Enquanto isso, César parava o carro em uma rua.
— É logo ali em frente, mas eu vou parar aqui para não chamar a atenção.
Ele e Vavá retiraram os cintos e desceram do carro.
— Quem ia imaginar que depois de cinco anos nós íamos voltar a trabalhar juntos?
— Pois é... O destino às vezes é curioso... — Disse César.
Os dois se aproximaram de uma casa que não tinha nenhum destaque especial. Era apenas uma casa simples com um pequeno jardim de entrada.
— Bem... Vamos nessa! Let's do it!
— Espero não termos que lutar... — Comentou Vavá.
César apertou a campainha, mas ninguém atendeu.
— Parece que não tem ninguém em casa... O que faremos, Doutor?
— O que qualquer um faria numa situação dessas... Pular o muro.
A resposta de César surpreendeu Vavá, mas enquanto ele ainda pensava no assunto, o Doutor César já estava em cima do muro, pulando do outro lado.
— Venha, Vavá! Eu sei que isso é fácil pra você!
Vendo que não tinha outra escolha, Vavá deu um grande salto, passando por cima do muro e caindo ao lado de César.
— Certo... E agora?
— Vamos entrar. Eu tenho certeza que vamos encontrar algo interessante aqui dentro! — Respondeu César.
César se aproximou da porta. Estava trancada.
— Claro... Trancada. Locked.
Vavá olhou ao redor.
— Pode ter uma janela aberta.
— Sim... Geralmente pessoas esquecem uma ou outra janela aberta, ou simplesmente não se importam. Vamos ver.
Os dois checaram as janelas ao redor da casa. Duas delas estavam trancadas, mas a última...
— Está aberta!! — Gritou César.
— Doutor! Em voz baixa, ou vamos ser descobertos!
— Opa... Desculpe... I'm sorry.
César abriu a janela lentamente. O que tinha dentro parecia um pequeno laboratório caseiro. Uma sala branca com uma mesa central cheia de frascos, um armário com componentes químicos e papéis com tabelas nas paredes.
— Encontramos! Esse é o lugar! — Disse César.
Vavá entrou e foi até a parede, acendendo a lâmpada. Agora o local estava iluminado.
— Então... Por onde começamos? — Perguntou Vavá, coçando a cabeça.
— Vamos investigar! Temos que encontrar informações sobre o MX.
Dito isso, os dois começaram a investigação. César observava frascos enquanto Vavá ia lendo os papéis que encontrava... Até que uma voz ecoou de trás da porta.
— Quem está aí?!
Fale com o autor