A tarde chegou. Claude abriu a porta de seu apartamento e viu Renata sentada no sofá novamente lendo o caderno da Liga Bandida.

— ...Renata.

Renata se virou para ele.

— Oi, Claude.

— Eu comprei algo pra você.

Claude entregou uma caixa embrulhada como presente para Renata. Um lindo embrulho rosa.

— Pra mim...? — Perguntou Renata, surpresa.

— Sim.

Renata pegou o pacote e gentilmente o abriu.

— ...Um celular?!

Dentro havia um celular prateado. Não era o modelo mais novo que existe, mas tinha até uma câmera.

— Não é muito moderno, mas eu notei que você não tinha um. — Disse Claude.

— Claude, eu... Eu adorei! Obrigada!

— Sem problemas!

Renata ligou o celular.

— Ei, deixa eu salvar o seu número?

— Ãh... Claro. — Respondeu Claude.

Claude passou seu número para Renata.

— E... Guardado.

— Agora se você precisar de mim, e eu estiver longe... Pode me chamar. — Disse Claude.

— Eu vou andar sempre com ele! Assim você também vai saber onde eu estou!

Claude deu um leve riso.

De volta ao apartamento de Pepe, César colocava o pendrive em um notebook. Maria, Marcelo, Vavá e Tatiana estavam ao redor dele.

— E então? Tem algo importante nesse pendrive? — Perguntou Tatiana.

— Espera, Tati. Deixa o Doutor César fazer o trabalho dele. — Disse Marcelo.

César analisou uma pasta onde haviam vários arquivos relacionados a entrega e distribuição de MX.

— Consegui! I did it! — Disse César, comemorando com as mãos.

Todo o grupo se aproximou do notebook.

— Então... O que exatamente tem aí? — Perguntou Maria.

— É um endereço. E muito provavelmente do fornecedor do MX.

Vavá pensou.

— MX... Esse é o nome daquela droga que torna humanos imúnes aos mutantes?

— Isso mesmo, Vavá! E se eu estiver certo, e eu acredito que estou, esse é o endereço de onde essa droga está sendo produzida e enviada em segredo para um grupo secreto.

César cruzou os braços.

— Ou estava... Já que o Claude me disse que o líder deles foi preso.

O grupo se espantou.

— Preso? — Perguntou Marcelo.

— O líder do grupo que aquele tal de Claude pertence? — Perguntou Maria.

— Sim... Mas isso não quer dizer que essa droga ainda não está sendo fabricada.

— Respondeu César.

Tatiana pensou.

— Então... Tudo que precisamos fazer é entrar nesse lugar e destruir tudo, não é?

— Eu acho que não, Tati... Mas uma investigação seria mais do que necessária. — Disse Marcelo.

César se levantou.

— Vocês podem deixar isso comigo. Como cientista, eu estou muito curioso pra saber quem está por trás de algo tão revolucionário.

Marcelo encarou César.

— Tem certeza? Parece perigoso pra você ir sozinho...

— Bem, eu acho que tenho que concordar... I agree with that. — Disse César.

Naquele instante, Vavá riu.

— Doutor...

César se virou para Vavá.

— Sim, Vavá?

Vavá colocou seu capuz.

— Que tal se... Nós dois investigarmos juntos, pelos velhos tempos?

César riu.

— Certo... Pelos velhos tempos! Old good times!

Os dois trocaram um aperto de mão.

Durante a noite, Claude lia o caderno da Liga Bandida, sentado em sua cama.

— Cris... Onde esse maldito foi se enfiar depois da guerra?

Claude folheava algumas páginas até que uma delas lhe chamou a atenção.

— Hum... Os maiores perigos que a Liga Bandida enfrentou... A Liga do Bem, o Depecom...

Um nome lhe chamou a atenção. Claude colocou o dedo naquela palavra.

— Cris! Aqui está... Vejamos...

Claude leu o trecho.

— "Depois da Grande Guerra, não o vimos mais... Cris era um mutante que se sentia melhor afastado, então provavelmente ele ainda está..."

Claude fez uma pausa.

— "...Na Ilha dos Mutantes..." Interessante...

Claude colocou o caderno na cama e foi até seu computador. Assim que o ligou, foi até uma pasta da NEO-Depecom.

— A Ilha dos Mutantes... Por que eu não pensei nisso antes?

Naquele momento, Renata entrou no quarto.

— Claude...?

— Ah, oi Renata.

Renata entrou.

— Você descobriu alguma coisa? Eu pensei ter ouvido algo.

— Sim, eu estava pensando em voz alta... Acho que achei o paradeiro do Cris...

Renata se espantou.

— Sério?! Onde?!

— Não é uma certeza, mas é uma probabilidade... Ele pode estar na Ilha dos Mutantes... Onde a Doutora Júlia guardava seus maiores segredos. — Respondeu Claude, cruzando os braços.

Renata pensou.

— A Ilha dos Mutantes... Acha que podemos ir pra lá?

— Bem... Vale uma oportunidade...

Enquanto isso, César parava o carro em uma rua.

— É logo ali em frente, mas eu vou parar aqui para não chamar a atenção.

Ele e Vavá retiraram os cintos e desceram do carro.

— Quem ia imaginar que depois de cinco anos nós íamos voltar a trabalhar juntos?

— Pois é... O destino às vezes é curioso... — Disse César.

Os dois se aproximaram de uma casa que não tinha nenhum destaque especial. Era apenas uma casa simples com um pequeno jardim de entrada.

— Bem... Vamos nessa! Let's do it!

— Espero não termos que lutar... — Comentou Vavá.

César apertou a campainha, mas ninguém atendeu.

— Parece que não tem ninguém em casa... O que faremos, Doutor?

— O que qualquer um faria numa situação dessas... Pular o muro.

A resposta de César surpreendeu Vavá, mas enquanto ele ainda pensava no assunto, o Doutor César já estava em cima do muro, pulando do outro lado.

— Venha, Vavá! Eu sei que isso é fácil pra você!

Vendo que não tinha outra escolha, Vavá deu um grande salto, passando por cima do muro e caindo ao lado de César.

— Certo... E agora?

— Vamos entrar. Eu tenho certeza que vamos encontrar algo interessante aqui dentro! — Respondeu César.

César se aproximou da porta. Estava trancada.

— Claro... Trancada. Locked.

Vavá olhou ao redor.

— Pode ter uma janela aberta.

— Sim... Geralmente pessoas esquecem uma ou outra janela aberta, ou simplesmente não se importam. Vamos ver.

Os dois checaram as janelas ao redor da casa. Duas delas estavam trancadas, mas a última...

— Está aberta!! — Gritou César.

— Doutor! Em voz baixa, ou vamos ser descobertos!

— Opa... Desculpe... I'm sorry.

César abriu a janela lentamente. O que tinha dentro parecia um pequeno laboratório caseiro. Uma sala branca com uma mesa central cheia de frascos, um armário com componentes químicos e papéis com tabelas nas paredes.

— Encontramos! Esse é o lugar! — Disse César.

Vavá entrou e foi até a parede, acendendo a lâmpada. Agora o local estava iluminado.

— Então... Por onde começamos? — Perguntou Vavá, coçando a cabeça.

— Vamos investigar! Temos que encontrar informações sobre o MX.

Dito isso, os dois começaram a investigação. César observava frascos enquanto Vavá ia lendo os papéis que encontrava... Até que uma voz ecoou de trás da porta.

— Quem está aí?!