Os Mutantes: Duplo Destino
11 A Fugitiva - Parte 3
Após o confronto com os policiais, Renata saiu do meio das árvores e encontrou uma trilha de terra.
— Eu tenho que chegar em algum lugar...
Renata seguiu a trilha por vários minutos até que algo surgiu em sua frente. Uma casa construída na beira de um penhasco, onde era possível ter uma incrível visão do mar.
— Essa casa... Eu preciso de ajuda...
Renata correu até a porta. Sem pensar duas vezes, bateu na esperança de alguém atender.
— Por favor... — Disse Renata em voz baixa.
De repente, a porta se abriu. Um homem apareceu.
— O... Olá... O que aconteceu com você? — Disse ele espantado.
Renata juntou as mãos.
— Por favor... Eu preciso de ajuda... Estão me perseguindo... Mas eu não fiz nada.
O homem percebeu que Renata falava sério.
— Por favor, entre! — Disse ele.
Renata entrou. Três jovens que estavam na sala ouviram a conversa e se aproximaram de Renata. Um rapaz, uma moça de cabelos loiros que aparentava ser corcunda, e outra jovem que tinha cabelos curtos.
— O meu nome é Guiga. Esses são meus filhos, Eugênio, Clara e Ângela.
O rapaz foi o primeiro a falar.
— Você parece assustada! O que aconteceu?
— Espera, Eugênio. Deixa ela se acalmar um pouco. — Disse Guiga.
A garota loira se aproximou e segurou as mãos de Renata.
— Tudo bem... Você pode se acalmar aqui com a gente... Nós podemos te ajudar.
A outra garota, Clara, se aproximou também.
— Pode confiar em nós.
Renata respirou fundo.
— O... O meu nome é Renata. Eu sou uma mutante... Posso controlar o fogo...
Guiga se espantou.
— Ah, você também é mutante? Meus filhos também são.
Eugênio arrumou seus óculos.
— Sim. Eu tenho o dom da super inteligência.
— E eu posso curar qualquer ferimento apenas com o toque das minhas mãos. — Disse Clara.
Renata ficou um pouco mais aliviada de saber que estava entre outros mutantes. Em seguida, se virou para Ângela.
— E... Você também é mutante?
Ângela desabotoou sua blusa pelas costas. Um grande par de asas brancas surgiu em suas costas.
— Isso... Isso é lindo... — Disse Renata, sentindo paz em seu coração.
Ângela fechou sua blusa novamente.
— Obrigada... Sente-se mais calma agora?
— Eu acho que sim...
— Em todo caso eu vou buscar um copo de água pra você. — Disse Guiga.
— Obrigada...
Guiga foi até a cozinha e rapidamente trouxe um copo de água para Renata.
— Aqui está.
Renata pegou o copo.
— Já se sente melhor pra contar o que aconteceu? — Perguntou Eugênio.
Renata tomou um pouco da água.
— Essa noite eu voltei pra casa depois de um dia normal... Eu fui pra cama dormir, e... Depois de algumas horas eu acordei com meu apartamento pegando fogo. E meus pais morreram no incêndio...
Essa frase assustou todos. Renata continuou.
— E... Os bombeiros chegaram dizendo que fui eu quem causei o fogo... Eu escapei deles e tive que correr da polícia pra chegar até aqui... Mas... Eu tenho certeza que não fui eu!
Renata cobriu o rosto com suas mãos. Ângela e Clara se aproximaram.
— Renata... Eu sinto que você está falando a verdade. — Disse Ângela.
Renata respirou um pouco mais aliviada.
— Nós sabemos que os mutantes muitas vezes são injustiçados. — Disse Clara.
Eugênio se sentou no sofá.
— Mas nesse caso temos que ficar espertos. É muito provável que alguém tentou te incriminar, Renata.
Renata se espantou. Até agora ela não teve muito tempo pra tentar decifrar o que aconteceu em sua casa.
— Me incriminar?!
Guiga cruzou os braços.
— Infelizmente ainda tem muito preconceito em relação aos mutantes. Algumas pessoas são capazes de qualquer coisa só para se livrar de um deles.
— Mas... Eu pensei que depois da guerra cinco anos atrás, os mutantes tiveram bem mais aceitação na sociedade. — Disse Renata.
— Sim, a coisa melhorou bastante... Mas sempre haverão humanos que por algum motivo se sentem incomodados com a gente. — Disse Eugênio.
Renata baixou a cabeça. Clara colocou a mão em seu ombro.
— Renata, se você quiser pode ficar aqui com a gente.
Guiga pareceu incomodado.
— O que foi pai? — Perguntou Ângela.
— Pessoal, vamos com calma... Eu sei que vocês querem protegê-la, e eu também quero... Mas eu não posso também colocar minha família em risco.
Clara se assustou.
— Como assim, pai?! Você vai deixar que peguem ela?!
— Claro que não! Mas vocês entendem que eu não quero que o que aconteceu com a gente durante a guerra se repita!
Renata interrompeu.
— Tudo bem, eu entendo... Você é um pai e quer proteger seus filhos... Eu não quero que vocês entrem em perigo por minha causa também.
Eugênio se levantou.
— Nada disso, Renata! Você vai ficar aqui com a gente.
— Eugênio... — Disse Guiga.
— Tudo bem, pai! Se alguma coisa acontecer, nós estamos todos juntos. E não vamos nos separar, certo?
Guiga notou que não podia fazer outra coisa a não ser concordar.
— ...Tudo bem. Mas tomem cuidado, eu não quero que ninguém se machuque.
Renata parecia confusa.
— Eu... Não sei se é isso que eu quero...
Ângela deu um leve sorriso.
— Você é inocente. Eles não vão conseguir provar que você é culpada de alguma coisa.
— Sim, mas lembrem-se que pra muita gente o fato de ser culpado ou inocente não interessa. Ainda mais quando falamos de mutantes. — Lembrou Guiga.
Eugênio arrumou seus óculos.
— Acho que podemos ir dormir pelo resto da noite. Amanhã pensamos melhor.
— Certo! Vamos, Renata, eu vou mostrar seu quarto. — Disse Guiga.
Guiga levou Renata até o andar de cima.
Renata foi levada até um quarto.
— Você pode ficar no quarto de hóspedes.
Renata parou no meio do quarto e se virou para Guiga.
— Olha... Eu não quero colocar sua família em perigo, Guiga...
Guiga respirou fundo e cruzou os braços.
— Me desculpe por aquilo, Renata... Eu sempre fui um pai super protetor, e isso às vezes me faz dizer coisas não muito agradáveis.
Renata olhou fixamente para ele.
— Super protetor?
— É... Durante muito tempo eu cortei as asas da minha filha pra impedir que ela voasse pra longe ou fosse descoberta. E eu sempre evitei que elas tivessem muito contato com o público.
Renata cruzou os braços.
— Isso é compreensível... Quando ainda estavam meio ocultos, os mutantes eram motivo para pânico na população.
— Eu sei...
Guiga segurou a porta.
— Eu vou pro meu quarto. Se precisar de alguma coisa, pode me chamar.
— Certo... Obrigada.
Guiga fechou a porta. Renata se deitou na cama e olhou para o teto.
— Alguém queria me incriminar...? Mas quem faria isso...? Eu não tenho inimigos...
Renata resolveu tirar esses pensamentos da cabeça e tentar dormir.
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