Os Mortos Também Amam - Livro 1
44 Verdades à Tona
Notas iniciais
Edward, Emmet e Rosalie chegaram por volta do meio dia, um pouco depois de todos terem almoçado, na verdade ninguém comeu realmente. Os vampiros não precisavam de tantos alimentos e Bella não estava mesmo com apetite. A comida feita com tanto esmero por Esme e Helena foi toda deixada de lado, nem elas mesmas se animaram.
Era a vez de Alice, Jasper fazerem a vigília por volta da casa. Damon ao ver Edward apressou-se em sugerir a Bella que fossem ao Café. Ela se agasalhou devidamente, despediu-se de todos e foi com Damon. Ao tocar as mãos umas nas outras, percebeu que estava suando. O clima na verdade não estava para fazer suar e sim para tremer de frio. Constatou que estava muito, mais muito nervosa.
Como poderia ser diferente? Klaus, o vampiro maníaco com humor duvidoso e agora meio tarado marcara um encontro com ela em um lugar público e mais, onde justamente dois de seus amigos vampiros trabalhavam. O que ele queria realmente? Ah... Óbvio, enlouquecê-la.
Chegaram ao Café e Bella fez questão de ajudá-los. A essa altura, duas pessoas foram contratadas para ajudar no estabelecimento. Na verdade, Bella achava que Esme tinha contratado mesmo porque as pessoas começariam a questionar como apenas ela e Jasper davam conta da contabilidade, gerencia e atendimento aos clientes. Humanamente para duas pessoas seria difícil com a demanda que o local já possuía.
Damon podia ser visto vez ou outra dando algumas voltas pelo lado exterior da loja e voltava para ficar perto de Bella. Ela pensou que a medida que o tempo passasse e que ela fosse se distraindo com o serviço a sua ansiedade iria embora. Na verdade sentia-se ainda mais ansiosa, o que lhe custou algumas olhadelas de Jasper que captava suas emoções.
– Quero que vocês dois sentem-se aqui. – Esme pedira guiando Bella e Damon aos bancos do balcão e depois indo ficar atrás dele com Jasper.
– Especialmente para vocês. Andam muito tensos. – Jasper falou entregando-lhes duas xícaras de café que fumegava. Eles provaram.
– Hum... Isso está muito gostoso mesmo. – Bella elogiou.
– Bom. – Damon aprovou.
– Que bom que gostaram. É um dos favoritos do pessoal. – Revelou Esme.
– Entendo por que. – Bella sorriu.
– Não precisa ficar tão nervosa. – Jasper começou sério. Damon olhou para ele com curiosidade. – Sei que você deve ter ouvido isso milhares de vezes, mas as coisas vão acabar bem. – Bella sorriu triste e Damon a fitou preocupado. Ele acariciou o seu braço e Bella se aconchegou em seu ombro. Jasper sorriu para eles e depois seus olhos desviaram para além deles, para fora do Café. – Sabe sobre o que acabei de falar de não precisar ficar nervosa? – Bella franziu o cenho. – É melhor deixar para mais tarde, eu tenho certeza que você ficará...
– Do que você está falando Jasper? – Damon perguntou.
– Da nossa visita que lá fora. – Eles olharam para fora e viram Klaus encarando-os despreocupado.
– Tá de brincadeira! – Damon levantou afastando Bella dele.
– Avisarei aos outros. – Esme apressou-se.
– Mas o que ele quer aqui? – Jasper perguntou e Damon olhou para Bella.
– Cuide dela, vou ter uma palavrinha com ele.
– Nem pensar! – Bella o segurou.
– Tudo bem, ele não fará nada aqui.
– Você que deve estar de brincadeira. Acabou de dizer que aquele maluco ali não fará nada só porque estamos aqui. Lembra-se das outras coisas que ele já fez?
– Será rápido. – Damon retirou a mão de Bella de seu braço e encaminhou-se para fora.
Bella tentou manter-se calma. “Ele não fará nada. Ele não fará nada. ” Era o mantra que repetia em sua cabeça. Oh droga! Aquilo não estava funcionando. Ouviu Esme falando com Carlisle e depois desligando, logo os outros estariam ali. Claro que Klaus não estaria sozinho, ele nunca poderia ser pego desprotegido. Aquilo tudo parecia uma armadilha.
– A que devemos a honra dessa visita? – Damon perguntou irônico.
– Por favor, não faça com que perca o meu tempo. – Damon riu sem humor.
– Que tal para você então irmos direto ao ponto? – Klaus olhou divertido. – Ao que me consta estamos quites. Você quebrou meu pescoço, e me machucou um pouco. Divertiu-se pra caramba.
– Não foi o suficiente, seria hilariante mesmo esmagar seu coração ou triturá-lo num liquidificador e dá-lo aos lobos. – Nos seus lábios poderia ver um sorriso, mas seus olhos estavam sérios e brilhavam de modo horripilante.
– Seria muito criativo e eu aprecio isso. Mas eu poderia pensar em coisas melhores. – Damon estava querendo tempo, tempo para que os outros conseguissem chegar ali. Além do mais, estava mesmo querendo irritar aquele cara que tinha quase o matado.
– Essa conversa não me interessa, Salvatore. Já disse, não me faça perder tempo.
– Estou te fazendo perder tempo? – Fez-se de desentendido.
– E paciência. Saia do meu caminho.
– Opa! – Ele ergueu as mãos em gesto de paz. — Não queremos que se descontrole, não é mesmo? – Zombou.
– Ah, é algo que você não quer mesmo. – Seu sorriso morreu.
– Então Klaus, porque não me diz o que veio fazer aqui? Eu matei a sua piranha, você quase me matou. Isso nos torna próximos, eu e você e acho que pode me contar. – Ele voltou a sorrir.
– Se eu não te desprezasse tanto Damon... Até que poderíamos ser mesmo próximos. Próximos de uma maneira que eu daria as ordens e você as cumpriria, mas nem para isso quero você por perto. – Ele piscou para Damon. – Agora por favor, eu tenho um encontro. – Damon ficou surpreso.
– Um encontro? Que pessoa louca seria essa? – Debochou.
– Louca não, linda. Isabella Salvatore me espera e já estou atrasado. – Falou despreocupadamente.
– Está brincando comigo!
– Estou com cara de quem esteja brincando?
– Você não vai se encontrar com ela, você nem mesmo vai entrar nesse lugar. – Avisou.
– Damon, foi muito fácil quebrar seu pescoço daquela vez, não seria diferente agora e nem vá pensando que estou desprotegido. A redondeza esta resguardada pelos meus amigos. Eu não quero brigar com você, particularmente você cansa. Tenho um encontro marcado e irei a ele. – Damon o impediu colocando sua mão na altura do peito de Klaus.
– Você não vai. – Klaus olhou para Damon parecendo tranquilo.
– Uma cena aqui? Tem certeza? – Bella ao ver aquilo correu antes que Jasper a impedisse e foi ter com os dois do lado de fora. Klaus a olhou maravilhado esquecendo totalmente de Damon ali.
– Klaus. – Bella falou e Damon relaxou a sua mão.
– Bella entre. – Ele exigiu.
– Estava aqui explicando a este cavalheiro que temos um encontro. Desculpe esse transtorno querida. – Damon olhou de um para outro sem parecer acreditar. – Podemos sentar um pouco e começar a conversar, talvez tomar um café?
– Sim. – Bella falou resignada. Qualquer coisa para afastá-lo de Damon e mantê-lo vivo.
– Como?! – Damon soltou-o. Bella ficou sem jeito, não conseguiu encarar Damon. Klaus sorriu vitorioso. – O que tudo isso significa, Bella?
– Damon, por favor, fique calmo. – Ela o fitou carinhosa. – Explico depois. – Foi a saída mais rápida.
– Como quer que fique calmo diante disso?
– Só preciso que confie em mim. – Deus, Bella o que estava fazendo? Ouviu o riso de Klaus o que a fez olhar para ele.
– Vamos? — Ele a chamou. Depois lançou um último olhar e Bella entrou no Café com Klaus ao seu lado. Jasper e Esme o encararam sem se intimidarem. Se ele tentasse algo com Bella morreriam defendendo-a. Sentaram em uma das mesas do fundo, cerca de vinte pessoas estavam por lá no momento. Damon entrou atônito e voltou a sentar no lugar de antes. – Lugar agradabilíssimo.
– Qual a razão disso tudo? Só o prazer de ver o clima tenso entre meu namorado e eu? — Ele sorriu. Klaus chamou uma das pessoas para atendê-lo. Um rapaz foi até eles.
– Boa tarde, senhor. O que vai pedir? – Klaus o cumprimentou com um aceno de cabeça e voltou-se para Bella.
– O que vai querer?
– Nada. – Disse seca querendo que aquele “encontro” acabasse o mais rápido possível.
– Ora, por favor, deve me acompanhar com alguma coisa. – Insistiu.
– Dispenso.
– Dois cappuccinos, por favor. – Pediu ao atendente que saiu para pegar os pedidos. — Até quando se referirá a ele dessa maneira? — Bella não compreendeu. – Até quando se referirá a Damon como seu namorado?
– Não determinei um prazo para isso.
– Querida, você sabe que não continuará com isso. Você conhece seus compromissos.
– Ótima palavra para definir isso, “compromisso”. – Zombou.
– Como foi o baile?
– Você não quer mesmo saber e eu não quero mesmo falar.
– Ora, torne isso mais fácil. Diga como foi. Interessa-me já que estava lá.
– Ok, foi ótimo, já que não estava lá. – Sorriu amarelo.
– Bom que se divertiu. – Ele ignorou o que ela disse. – E já que não está tão animada para me falar sobre o baile, vamos falar de nós.
– Não existe “nós”, Klaus.
– Não ainda, querida. – Os cappuccinos chegaram. — Muito obrigado. – Agradeceu gentil. Experimentou o líquido e pareceu gostar. – Quero que comece a dar adeus aos seus amigos humanos e vampiros. Partiremos neste mesmo horário amanhã. – Bella arregalou os olhos com o susto, Damon se remexeu no banco desejando esganar aquele canalha. Do que ele estava falando? Levar Bella com ele?
– Partir?! Quer me levar para fora de Forks?
– Esse sempre foi o plano.
– Klaus...
– Não comece com lamentações. Odeio quando apela pra isso. Sabe que gosto da sua força, determinação, quando a vejo lamentando é insuportável. Você sabe muito bem o que me prometeu naquele dia. “Eu serei sua companheira. Irei quando me chamar. ” Essas foram as suas palavras. – Bella empalideceu, já não sabia o que falar com os outros sobre esse encontro marcado com Klaus e agora tudo piorara. Seus olhos encontraram com os de Damon, ele parecia não acreditar no que ouvira, ficou preocupada porque não se movia, parecia uma estátua sofrida. – Adoro ver esse tipo de coisa. Corações partidos são tão... Comoventes. – Bella o encarou com raiva. – Não fique assim, querida, ele teria que saber algum momento. – Bebeu um pouco mais do seu cappuccino. Ele ergueu a mão para chamar o atendente novamente. – A conta, por favor. – Pediu. – O rapaz se retirou.
– Tudo bem, Klaus, será como o prometido. Só quero que esqueça a minha família e meus amigos.
– Não tenho intenção de machucá-los, é só ficarem longe dos meus assuntos. Não vê como me comporto aqui? Não devolvi a matriarca dos Cullen e o Salvatore petulante para você depois que conversamos? – O rapaz aproximou-se com a conta. Klaus deixou algumas notas dentro. – Fique com o troco.
– Obrigado e volte sempre. – Agradeceu e saiu novamente. Klaus debruçou-se parcialmente sobre a mesa em sua direção.
– Não vim aqui só pelo prazer de ver o clima tenso entre o Salvatore e você. Apesar de ser interessante... Tantos segredos. Vim também porque sabia que seria difícil para você sair sem ser percebida em uma casa com tantos vampiros prestando atenção em você. E é claro, como disse antes, este é o momento do dia em que encontros amorosos parecem perfeitos. – Klaus levantou-se ficou em pé ao lado dela. Acariciou de leve o seu rosto. – Até amanhã, te buscarei na casa dos Cullen já que está lá. Não adianta tentarem te esconder, será pior. Matarei toda a cidade se preciso e cada um deles. – Bella estremeceu, fazendo-o perceber a sua reação. Klaus dirigiu-se para a porta, Damon e Jasper foram atrás. Esme correu para a mesa, ocupando o lugar em que Klaus estava antes.
– Querida você está bem? – Esme pegou suas mãos e envolveu-as nas suas confortando-a. Bella estava pálida e tremia um pouco.
– Sim. – Sua voz saiu incerta e baixa.
– Tome um pouco do cappuccino. – Bella obedeceu automaticamente.
Lá fora Damon alcançou Klaus tendo ao seu lado Jasper. Os outros já tinham chegado e estavam cobrindo a parte de fora do Café. Eles podiam ver os vampiros criados por Klaus, pois eles não estavam se escondendo. Não estava havendo conflitos apenas se encaravam e esperavam o desenrolar do que estava acontecendo no Café.
– Miserável! Acha mesmo que vai levá-la? – Damon socou-o no rosto. Klaus fora pego de surpresa. Seu rosto não se moveu muito com o soco recebido, mesmo assim ele passou as mãos pelos cabelos e no local atingido. Jasper segurou Damon para que ele não tentasse novamente, mesmo ele também querendo socar o canalha a sua frente sabia que isso seria insensato. Claro que Klaus revidaria. Os outros estavam atentos àquela conversa.
– Não vai querer ter mais dívidas comigo, não é? Você deve ter consciência que o estou poupando agora deixando-o vivo.
– Você não a terá nunca, Klaus!
– Eu já a tenho Damon. Por muito tempo já a tenho. Só que agora a terei todo o tempo. – Damon quis entender aquelas palavras, mas parecia não conseguir. – Ela os ama muito, tanto que me daria o seu sangue para mantê-los seguros. Criaturas das sombras como nós e ainda assim ela faria isso e fez. Eu saboreei o sangue dela muitas vezes e em todas elas me sentia mais embriagado e viciado. Sabia que já a provei no mesmo lugar que você o fez? Não é como se realmente estivéssemos dividindo algo? – Damon se sentia enjoado com as informações, Jasper sentiu o mesmo não só porque ele sentia, mas suas próprias reações eram essas. Era tremendamente doloroso imaginar Bella nos braços de Klaus deixando-se ser drenada.
– Eu vou matar você. – Disse Damon quase sem ar de tantas emoções misturadas.
– Vai mesmo? – Zombou Klaus. – Vocês Salvatore e todos os Cullen são fracos e despreparados. Como podem ter uma criatura tão especial em seu meio e nem se quer notar.
– Bella é muito especial mesmo Klaus. Nós sempre soubemos disso e será por isso que não a deixaremos em suas mãos. – Jasper falou.
– Não... Vocês não sabem o quanto ela é especial para a nossa espécie. – Eles o olharam de maneira desconfiada. – Como imaginei, vocês não sabem o que Bella é. Bella é uma geradora meus caros. Vocês nem ao menos sabem o que é isso. Ela tem em seu DNA uma mutação que a faz ser capaz de gerar híbridos. Ela pode ter bebes meio humanos, meio vampiros.
– O que? – Os dois falaram ao mesmo tempo. Todos os outros se espantaram também.
– Chocados? — Klaus colocou as mãos dentro dos bolsos da calça despreocupadamente. – Um segredo dos antigos revelado, mas eu tenho certeza de que não irão espalhar essa informação por aí. Não querem ver um bando de vampiros enlouquecidos para terem Bella, não é? Posso dar uma aula de história vampiresca para vocês qualquer dia destes... Ou não. – Ele riu divertido e virando para ir embora. Damon o agarrou pelo ombro, mas ele girou e agarrou-o pelo pescoço, soltando-o em seguida. Algumas pessoas que passavam ficaram olhando os três. Klaus e Damon disfarçaram. – Talvez amanhã você tenha a chance que precisa. – Klaus entrou no carro e se foi.
Os vampiros de Klaus também se foram sem tentarem nada, porém eles só relaxaram quando não podiam mais vê-los perto. Correram para o Café e ainda encontraram Damon parecendo em choque do lado de fora e Jasper ao seu lado com uma mão em seu ombro confrontando-o. Helena tocou-lhe o rosto petrificado.
– Tudo vai ficar bem, Damon. – Aquelas palavras não tiveram eco em seu coração. Ele sabia que provavelmente aquilo acabaria de maneira ruim.
– Vou pegá-la, encontro vocês em casa. – Stefan falou para todos e entrou na loja com Helena. Os dois estavam chocados com a revelação de Klaus sobre Bella ser uma geradora, mas muito mais por ele a ter drenado. E não sabiam como lidar com a informação de que Damon também bebeu do sangue de sua sobrinha.
– Onde está Alice e Edward? – Jasper se deu conta, despertando os outros para o fato dos dois não estarem com eles.
– Estavam perto de mim logo a pouco. – Emmet falou no mesmo instante que o celular de Jasper dava um aviso de mensagem.
– “Estamos em uma missão. Não se preocupem. ” – Jasper leu em seu celular a mensagem de Alice. – Que ótimo! – Vociferou.
Quando Stefan e Helena entraram encontraram Bella nos braços de Esme. Ao vê-los ela correu para Helena e a abraçou. A sua tia a apertou entre seus braços lamentando muito a sobrinha ter passado por aqueles momentos com Klaus e culpando-se por não ver os sinais que ela dava. Pensara que a palidez e o desanimo eram sintomas de estresse.
– Como eu não percebi? – Lamentou em voz alta.
– Tia me desculpe, era a única maneira de deixá-los em paz. – Bella chorou em seu ombro.
– Ele nunca mais vai tocá-la. – Helena garantiu.
– Tia, mas temos um acordo. – Bella falou achando-se perdida.
– Qualquer que tenha sido esse acordo, você não vai cumpri-lo. – Stefan pegou-a dos braços de Helena e a abraçou.
Quando saíram do Café, Bella pode ainda ver o carro de Damon dando partida. Ele nem ao menos olhou para trás para vê-la. Sentiu-se ainda mais arrasada, claro que ele estaria se sentindo traído. Rosalie e Emmet deram uma última olhada pra ela antes de seguirem no jipe escandaloso do grandão.
– Ficarei com Esme para fechar e depois nos encontraremos em casa. – Jasper falou para eles antes de entrar parecendo muito abatido como os outros.
– Pra onde Damon foi?
– Todos irão para a casa dos Cullen, Bella. – Helena informou.
– Carlisle está a caminho, teremos uma reunião. – Stefan falou entrando no carro.
Sentiu-se um pouco aliviada ao constatar que o carro de Damon estava realmente na área da casa dos Cullen ao lado do jipe. Nem Stefan nem Helena falaram nada durante o percurso. Mas ela sabia que viria muito sermão pela frente.
Damon estava em pé na sala segurando em uma das mãos uma garrafa de whisky e na outra um copo vazio que encheu ao vê-la entrar. Emmet e Rosalie desciam as escadas juntos para ficarem com eles.
– Damon... – Ela tentou uma aproximação.
– “Só confie em mim”. – Ele riu amargo. – Só confie em mim, foi o que você disse? O que tem em sua cabeça? – Ele apontou para a própria cabeça, os olhos injetados, estava fora de si. De uma só vez bebeu todo o whisky do copo.
– Damon controle-se, precisamos ter calma. – Helena tentou fazê-lo cair em si que aquilo não os levaria a lugar algum. Stefan parecia estar a todo o tempo controlando-se para ele mesmo não gritar com a sobrinha.
– Pro inferno com a calma! – Ele gritou. – Ele a tocou! – Apontou para Bella, seu rosto estava em um tom perigosamente vermelho, os olhos agora úmidos, ela quase desaba com aquilo.
– Eu só queria protegê-los. Klaus não faria nada contra vocês se eu permitisse que ele... – Damon pareceu estar sentindo dor ao ouvi-la. Ela simplesmente parou percebendo.
– Nós não precisamos de sua proteção, éramos nós que deveríamos proteger você!
– Viu o que ele fez com você na véspera do baile e ele poderia matar todos da cidade como fez com os Finn. – Suas lágrimas ardiam em seus olhos e ela as sentia caindo na sua face. — Mesmo que isso me mate por dentro, eu seria capaz... Eu sou capaz... – ela corrigiu. – de ter quantos filhos ele quiser se isso os mantiver sãos e salvos. – Damon jogou o copo e a garrafa em uma das paredes.
– Isso não, Stefan. – Helena chamou o marido como quem pedia socorro. Suas mãos estavam em sua cabeça em desespero. Rosalie abraçou Emmet, ninguém queria aquele fim para Bella.
Os olhos de Damon estavam vermelhos, seus lábios entreabertos com a respiração ofegante passando entre os dentes cerrados. Rapidamente estava em cima de Bella, suas mãos como garras em seus ombros.
– Nunca mais repita isso! Não tem nada mesmo nessa cabeça, não é? – Bella tremia diante da fúria daquelas palavras.
– Damon, vamos resolver isso. – Stefan também parecia tremer pelo impacto das palavras da sobrinha.
– Eu não vou ficar calado diante da tanta besteira! Ele nunca mais tocará em você! Sou capaz de morrer para vê-lo indo comigo para o inferno.
– Você pode se sacrificar para me salvar, mas eu não posso fazer o mesmo por você. Isso não parece muito justo. Eu o amo como você me ama e amo a todos, faria qualquer coisa. – Ela estava decidida.
– Eu já disse para calar a boca! – Bella cairia se ele não estivesse segurando-a. – Acha que se você se for ficaríamos sãos e salvos? Enganou-se sua tola. Ninguém aqui descansaria para tê-la de novo, para tirá-la dele. Morreríamos tentando em desespero. – Bella o encarou parecendo aturdida por um momento, engolindo em seco a informação.
– Não teriam porque me resgatar. Estou indo por conta própria, é a minha decisão. – Ela olhou para casa rosto ali. Damon a soltou e para ela ficou claro que eles não descansariam até resgatá-la de Klaus. – Vocês não podem! Devem me deixar ir. Klaus não fará nada comigo, ele não quer me machucar, mas vocês... Por favor, me prometam...
– Vá para o quarto. – Stefan falou sem olhar realmente para ela, não suportava mais.
– Por favor... Devem me deixar ir, é o único jeito.
– Vá para o quarto. – Ele repetiu.
– Tio, ficarei bem. – Mentiu debilmente como última tentativa.
– Vá agora! – Ele descontrolou-se com a insistência da sobrinha em servir-se de salvação para eles. – Quando precisarmos de seus relatos a chamaremos.
Bella subiu em prantos. Não queria que sua família reagisse a Klaus. Ela não poderia permitir que se sacrificassem. Teria que fazer alguma coisa.
Esme, Jasper e Carlisle chagaram. Stefan dolorosamente teve que explicar o que tinha acontecido.
– Certa vez, ouvi um boato rondar pela fortaleza Volturi, mas foram logo dispersados e nada pareceu passar de boatos de casos impossíveis já que ninguém nunca tinha visto acontecer. Lembro-me que os boatos surgiram e logo depois criaram as crianças imortais. – Carlisle falou depois de Stefan ter-lhe perguntado se ele já tinha ouvido falar em bebes meio vampiros gerados por mães humanas.
– Será que uma coisa tem a ver com a outra? – Perguntou Helena.
– Só saberíamos se os próprios Volturi nos dissessem. – Carlisle respondeu.
A conversa foi dispersa quando Edward e Alice chegaram. Jasper abraçou a companheira, ele estava muito preocupado com ela.
– Nós os seguimos, sabemos onde se escondem. – Edward falou agitado. – Seguimos em seu encalço ao sul da cidade. Longe da estrada principal em uma estrada de terra há uma casa pequena, ele deixou seu carro ali e seguiu mais adentro da mata. Há algo no subterrâneo, algo parecido com uma construção antiga. Podemos atacá-los.
– Agora você falou a minha língua. – Damon adorou a possibilidade.
– Eles estão em número maior, não conhecemos esse lugar subterrâneo e tem o Klaus um super vampiro, além de não termos muito tempo para pensar em uma estratégia. – Rosalie relatou.
– Vinte quatro horas pode ser tempo suficiente para nós. – Jasper falou.
– Há mais dois amigos nossos dispostos a ajudar e estão chegando, são vampiros mais velhos do que eu. Têm mais poder. Entrei em contato com eles na véspera do baile. – Carlisle anunciou.
– E agora sabemos que podemos pegá-lo de surpresa, isso ficou claro quando Damon acertou aquele soco nele. – Jasper lembrou.
– Ainda não posso acreditar que isso seja possível. – Carlisle falou sentando-se. – Humanas que possam ter filhos com vampiros.
– Sempre sentimos que Bella era especial. – Emmet falou.
– Não é só porque ela pode ter bebes meio vampiros que a amamos. – Edward falou irritado.
– Concordo com Edward, o nosso amor por ela é verdadeiro, vai além disso. – Alice apoiou o irmão.
– Mas nada disso interessa se ela não colabora. Bella está disposta a se sacrificar. – Stefan soltou irritado.
– Talvez haja algo no sangue das Gilbert, sempre dispostas a se sacrificar. – Falou com esgar olhando para Helena. Edward viu através das mentes deles a conversa recente com Bella.
– Temos que ficar de olho nela. Bella está muito determinada a nos salvar da fúria de Klaus. – Edward disse por fim.
Helena minutos depois subiu até o quarto da sobrinha com uma bandeja contendo um refresco, sanduíche e frutas. Bella que estava deitada ficou sentada na cama e sentiu o estômago embrulhar só de imaginar que a tia lhe forçaria a comer.
– Precisa se alimentar. – Helena pôs a bandeja na frente a sobrinha sentando-se em seguida. – E temos que conversar.
– Não quero conversar sobre a minha decisão.
– Ah mais você vai conversar comigo sobre a sua suposta decisão e sobre tudo o que andou omitindo. – Helena usou o tom autoritário que normalmente deixava para Stefan. Ela respirou fundo para continuar. – Terá que falar sobre tudo isso, porque deveria ter falado comigo desde o início. Talvez as coisas não estariam neste ponto.
– Talvez estivessem piores. Falei sobre a identidade dele para vocês e os saldos foram às mortes dos pais de Riley. – Explicou-se.
– Quando exatamente essas ameaças começaram? – Helena perguntou ainda com o mesmo tom sem vacilar.
– Não vou falar sobre isso com todos eles lá embaixo. – Bella temeu falar a verdade e fazê-los ficarem ainda mais furiosos.
– Todos amamos você. – Bella vacilou, mas sabia que tinha que falar a verdade. Já tinha escondido demais as coisas, precisava para seu próprio bem desabafar.
– No hospital, quando os pais de Riley foram supostamente atacados por um animal. Ele me disse quem era e me forçou a visitá-lo no dia seguinte. Foi quando ele me contou sobre Katharine, sobre a vida deles dois. Falei sobre isso naquele mesmo dia com vocês...só que...não contei toda a verdade. – Bella ergueu rapidamente o rosto para respirar, seus olhos ardiam ao lembrar daqueles momentos.
– Conte agora Bella. – Helena incentivou.
– Em troca da vida dos meus amigos... Eu... Aceitei passar algum tempo com ele. – Engoliu em seco. Edward lá na parte de baixo com os outros prendeu a respiração não querendo ter escutado aquilo. Damon bateu o punho fechado na mesa e tentou se controlar. – Tempo para que ele bebesse de meu sangue. – Helena fechou os olhos pesadamente para depois abri-los desolados. – Ficou mais frequente quando ele se tornou o Conselheiro do colégio e quanto mais frequente, mas agressivo em suas ameaças ele se tornavam e por outro lado, mas gentil e cavalheiro comigo. Ele driblava Stefan com problemas acadêmicos. Mas eu acho... Acho... Que realmente estava tentando me seduzir. E agora sei por quê. Klaus apesar de tudo parece não querer fazer. – Bella apertou de leve as têmporas. – acho mesmo que ele não queria me forçar na cama. — Helena olhou para a sobrinha intrigada. – E é por isso que ele quer ultrapassar a barreira na minha mente.
– Como ele faria isso? – Helena perguntou.
– Não sei bem tia, quando estava com ele, Klaus apenas tomava do meu sangue parecendo muito concentrado e conversava muito comigo.
– Helena. – Edward chamou seu nome do andar de baixo enquanto os outros prestavam atenção nele também. – Preciso falar algo.
– Poderíamos sim ter evitado todos esses encontros desagradáveis que teve com ele. Bella, nunca mais esconda nada de nós. – Helena levantou-se. – Tome pelo menos o refresco e depois descanse. – Ela desceu para ter com os outros. – O que aconteceu Edward?
– Talvez Klaus esteja conseguindo. – Ele pareceu entender algo.
– Conseguindo o que? – Ela aproximou-se ainda mais dele.
– Desmoronar a barreira na mente de Bella.
– Explique. — Damon exigiu.
– Por duas vezes consegui ver o que Bella sonhava.
– O que?! – Ouviu-se um coral de vozes com a mesma pergunta.
– Pensei que ela estivesse fragilizada e por isso a sua mente relaxou para as barreiras. Mas fiquei intrigado na segunda vez quando percebi que ela só sonhava com Klaus.
– E porque mesmo você não contou para alguém? – Damon ficou irritado pela omissão e talvez por ele ter lido a mente dela também.
– Não pensei que fosse algo deliberado partindo de Klaus e não falaria sobre os sonhos dela com ninguém. Achei apenas que era uma reação ao estresse. – Damon bufou.
– Ok, chega de conversa. Vamos explodir esse desgraçado! – Jasper foi para a mesa e jogou uma grande mochila e ao abri-la dava-se para ver materiais necessários para a confecção de bombas caseiras.
– Nossos amigos chegaram na hora certa. – Carlisle falou ouvindo aproximarem do lado de fora.
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