Os Monstros Também Amam II
2 "GasparDean"
Notas iniciais
Lizze:
Elijah, John, Sam e eu estávamos no hospital. John e Sam estavam bem, porém eu me preocupava com Dean. Fazia frio lá fora — como se eu pudesse sentir — e Elijah me abraçou para me consolar. Dean estava entubado em um dos quartos, e eu não queria vê-lo. Ok, eu não parava de ir e voltar do quarto dele, mas não era algo legal de se ver.
Sam estava sentado ao meu lado, com a cabeça em meu colo. Ele não chorava; estava mudo, com os olhos parados. De vez em quando, eu parava os cafunés para checar a respiração dele. Elijah olhava para nós dois com aqueles olhos nobres, os quais já me deixaram excitada outras vezes. De repente, Sam pula do meu colo e corre para o quarto de Dean, desesperado.
– Ele não morreu, Sam! — Falei, ao ver o desespero de Sam ao lado de Dean. Eu não estava muito certa disso, porém não conseguia sentir a passagem da alma dele para o outro lado. Esse lance de bruxa poder ver mortos a qualquer momento é pura lorota, mas nós podemos sentir a alma das pessoas.
– Acalme-se, filho. — John abraçou o filho. — Seu irmão está bem. Ele só está dormindo e...
– Pai, eu não sou mais criança para ouvir isso. — Sam disse, revirando os olhos, já mais calmo. — Aliás, ele vai viver. Eu sei que vai. — Disse, socando a cômoda. Então eu senti uma corrente fria passando por mim, como se quisesse chamar minha atenção. Elijah me puxou, sentindo minha tensão.
– Algum problema? — Ele sussurrou com aquele sotaque inglês inesquecível.
– Eu acho que Dean está pronto para morrer.
– Tipo... fantasma? — Ele arqueou as sobrancelhas.
– Mais ou menos. Mas ele está relutando em morrer, tipo, não aceitando passar para o outro lado. — Eu parei um pouco. — Droga, nós temos que tirá-lo dali.
– O que você sugere fazer?
– Um ritual de Espiritismo. — Dei um sorriso de lado. — Qual jeito melhor de invocar um espírito?
– Lizze, você já teve provas suficientes sobre o que acontece quando se altera o curso da natureza, afinal você já quase morreu por isso. — Ele abaixou a cabeça. — Eu não posso pensar em perder você outra vez. — Então Elijah afagou minha bochecha, passando o polegar por meus lábios, como se estivesse beijando-os mentalmente. Eu sorri.
– Eu não morro. — Dei um sorriso sarcástico, cobrindo a mão dele com as minhas mãos. — Ainda darei muito trabalho. — Dei uma piscadela e Sam veio nos interromper, seguido com John que irrompeu porta a fora.
– E agora, Lizze? Você pode fazer algo pelo meu irmão? — Sam me olhou esperançoso.
– Não só posso, como farei. — E, em um gesto atrevido, chamei os garotos com o indicador. — Sigam-me, vadiazinhas!
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Dean:
– Sabia que ela tinha rolo com esse cara. — Falei comigo mesmo. Eu já estava enlouquecendo com esse negócio de ficar só do outro lado, quando ouvi umas pessoas chorando. Segui o choro e dei de cara com uma garota que acabou de morrer.
– Quem é você? — Ela me perguntou, um pouco assustada.
– Fica tranquila, ok? Mas, pelo jeito, você morreu. — Não havia jeito melhor de dizer isso.
– Morri? — Então ela olhou para o quarto e viu duas mulheres chorando junto da cama dela. — Meu Deus! — Ela parecia pouco abalada. Um tanto estranho, aliás.
– Bom, me chamo Dean. — Estiquei o braço para cumprimentá-la.
– Tessa. — Ela retribuiu com um sorriso nervoso. — Onde nós estamos, afinal?
– Descobriremos em breve. — Eu sorri e nós fomos andando, procurando por Sam e Lizze.
– Quem você está procurando? — Ela me perguntou alguns minutos depois, apressada.
– Meu irmão e minha amiga. Eles vão me tirar daqui.
– Mas se nós já estamos prontos para morrer, porque adiar? — Ela me parecia muito tranquila. Tranquila até demais com tudo isso.
– Porque eu não posso morrer. — Falei e avistei Lizze trazendo uma tábua nas mãos. — Eu morrendo e ela trazendo um pedaço de madeira para brincar de fogueira. — Bufei.
– Não é um simples pedaço de madeira. — Tessa falou quando chegamos perto deles. — É uma tábua espírita.
– Como você sabe?
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