Notas iniciais
Hello Minna! Mais um capítulo! ^^ Boa leitura!

Ok... Aquilo estava sendo cinco vezes pior do que Alex poderia imaginar. Afrodite sem dúvidas devia estar provocando-a, não era possível que existisse alguém no mundo com aquela personalidade. Pensava uma Alex entediada, encostada à porta de uma butique no Shopping em que estavam.

– Alê, querida! Você não vai entrar? — Perguntara a ela o loiro que a mirava dos pés à cabeça.

– Está de brincadeira, não é?

– Não. Eu estou falando sério! Você está um trapo! Nem parece uma mulher! Olha pra você! – Ele se voltara a sua frente.

– Não tem nada de errado comigo. – Respondeu ela seca. O que tirou mais uma gargalhada cínica de Afrodite.

– Querida, se isso... – ele segurou em sua jaqueta surrada — ... não for nada de errado, você está com sérios problemas de auto estima.

– Minha “auto estima” não tem nada a ver com minhas roupas. – Falou rispidamente, não estava aguentando mais aquilo.

– Certo, então entre.

– Já disse que não vou entrar.

– Você é minha segurança! Não pode me deixar em uma loja sozinho! – Disse fazendo cara de birra. Ela girou os olhos.

– Você é bem grandinho para escolher suas próprias roupas...

– Alex! Entre logo! – Ele a puxou pela mão, ela pensou em empurrá-lo, mas decidiu não fazer isso, e entrou relutante na loja. Realmente, jamais compraria em uma loja daquelas. Além de terem roupas muito espalhafatosas, eram o olho da cara, ou melhor não só o olho, talvez a cara toda... Ela cumprimentou a vendedora e procurou o sofá mais próximo para se sentar.

– Haaaa!!! Nada disso! – Afrodite fora ao seu alcance. – Vem até aqui, quero que me ajude a escolher...

– Me poupe, Daley! Não vou fazer isso! Estou aqui para te proteger, não sou estilista!

– Vendedora! Escolha umas roupas para a mocinha também!

– O quê?! Não! Eu vou ajudá-lo a escolher suas roupas! – Ela se levantou indo até ele.

– Sabia que mudaria de ideia... – Murmurou Afrodite sorrindo de canto.

As roupas que ele escolhia, Alex jamais, nem em seus pesadelos, vestiria. Eram femininas, mas não eram saias nem vestidos, eram calças muito apertadas, blusas de cores fortes, e estampadas.

– Vai para o carnaval no Brasil? – Perguntou segurando uma das roupas que ele escolhera pra experimentar. Uma blusa que quase não possuía tecido algum, amarelo berrante com rosa choque.

– Sabe que não... Mas gostaria... E se possível te levaria junto! – Disse ele do outro lado da porta.

– Então vai ter que contratar outra pessoa pra te proteger, não sou mestre sala, muito menos de uma porta bandeiras escandalosa e com muito mal gosto! – Ela escutara ele abrir a porta.

– Ora Alê... Que comentário maldoso... Mas não. Irei a um desfile hoje. Fui convidado para assistir, e não posso faltar! – Alex já imaginara que fosse mesmo algo do tipo. – Pode me passar essa peça? – Disse apontando para a roupa que ela segurava.

– É toda sua! – Entregou a mesma a ele. – Vai mesmo usar isso? – Perguntou vendo-o colocar a blusa, pois não fechara a porta.

– Sim, está feio?

– Quer minha opinião sincera?

– Com certeza.

– Está parecendo uma palhaça...

– O quê?!

– Daley, preste atenção...

– Afrodite!

– Tá, tá! Você não está combinando cores, se quer chamar tanto a atenção, porque não coloca logo um pinico na cabeça?

– Você é grossa, Alê! – Disse ele tirando a camisa e devolvendo a ela.

– Não é questão de grosseria, olha o estilo de roupa que você usa! Isso chega a ser uma agressão aos olhos... E olha o preço disso aqui! – Ela segurou a etiqueta que marcava exatos duzentos dólares. – Sabe o que eu faria com esse dinheiro, Afrodite?

– Não...

– É lógico que você não sabe! – Ele a olhou indignado vendo-a se exaltar. — Faria uma bela compra e daria o que comer pra crianças que não sabem nem se quer o gosto de um achocolatado! – Ele se aproximou dela a analisando clinicamente.

– Já está mais calma...? – Ela o mirou devolvendo a roupa a ele. A vendedora se aproximou. – Não vou ficar com esta... – Disse ele sem jeito entregando a roupa a ela.

– Mas ficou tão bela em você querido! – Disse a mesma sorrindo falsamente.

– Viu só, Afrodite? – Alex o mirava. – É por isso que não gosto desse tipo de loja... Mentir é a coisa que vocês mais sabem fazer, não é mesmo? – Perguntou para a vendedora que ficou sem saber o que responder, vendo a garota sair da loja pisando forte.

– Não liga não... – Disse Afrodite sem graça. – Ela é um pouco rebelde mesmo... – Falou, vestindo suas roupas às pressas. – Alex! Espera! – Correra em direção à garota que já havia perdido de vista. Alex bufava com tanta frivolidade. Se arrependera de ter concordado em aceitar o serviço, era demais ter que aguentar aquele fresco falando um milhão de baboseiras em seus ouvidos. Pra que ele precisava de seguranças afinal? Que bandido em sã consciência iria pensar em cometer um delito com Afrodite? Perguntava-se, enquanto caminhava pelo Shopping.

– Certo... E agora o que vou vestir? – Ela girara os olhos ao ouvir a voz do loiro no pé de seu ouvido.

– Pergunta difícil pra quem tem um monte de roupas... – Disse ela.

– Como sabe que tenho um monte de roupas?

– Não é óbvio? Se pra cada festa que você vai, usa uma roupa diferente, no mínimo deve ter umas quinhentas!

– Ah nem tanto, Alê... – Ela o mirou, estava mesmo perdendo tempo de discutir com aquele fútil? Perguntou-se. — Vamos tomar um suco... – Disse ele, se aproximando de um quiosque, já se sentando na primeira mesa que vira. Jogara a bolsa de mão sobre a mesa esticando as longas pernas embaixo dela. Alex só observava aquela cena... Rira por dentro de seus pensamentos.

– Porque está rindo? – Perguntara ele.

– Eu estou rindo?

– Está rindo. Vi um sorrisinho maldoso brotar ai!

– Você está vendo muito, garoto...

– Não me chame de garoto...

– Você é um garoto.

– Não sou um garoto.

– É uma mulher então?

– Bem que eu gostaria de ser... – Ela o mirou séria.

– Nem por brincadeira diga uma merda dessas.

– Por quê?

– Porque você não tem ideia de como é ser uma mulher. – Ele gelara por um segundo, engolindo em seco. Não conhecia aquele olhar assassino de Alex. Chegou mesmo a acreditar que ela talvez fosse capaz de fazer muito além do que poderia imaginar, afinal não a conhecia bem, mas estava disposto a conhecer e ver até onde aquela garota "metida a homem" poderia chegar.

– O que vão pedir? – Uma garçonete se aproximara.

– Pra mim um suco de laranja, já pra minha amiga aqui... O que vai querer, Alex?

– Nada, obrigada.

– O mesmo pra ela, sim? – Disse ele sorrindo à garçonete. Alex respirou fundo.

– Sim, já estarei trazendo. – Disse a menina se afastando. Não demorou para que ela trouxesse os sucos, servindo ambos. Alex mirou o suco de laranja à sua frente.

– Não vai beber? – Perguntara a ela Afrodite, que estava praticamente se afogando no canudinho. Ela puxou o copo, tirara o canudo, e bebera o suco em grandes goles, pousando o copo a mesa. Puxara alguns trocados do bolso jogando-os sobre a mesma.

– Ei! Eu ia pagar! Eu tenho modos, sabia? – Falou Afrodite.

– Eu também tenho, bonitinho... – Disse ela. – Afinal, sou eu o cavalheiro aqui... – Afrodite realmente não a conhecia.

– Ok... Não vou entrar em conflito. – Disse ele, fazendo barulho ao sugar o canudo, pois o suco já havia acabado.

– Vamos logo com isso, Afrodite... Se tem que ir a mais lojas, vamos então...

– Ah! É por isso que está com pressa! – Falou se levantando e catando seu copo e o dela, levando ao quiosque, e pagando em seguida. Alex observara a cena, não imaginava que ele faria a gentileza de levar os copos, e nem que iria ignorar o dinheiro que ela havia deixado na mesa. — ... Pois fique sabendo que não vou pra mais nenhuma loja. – Respondeu quando retornara. – Aqui... — Ele segurara o dinheiro. — ... Pegue “cavalheiro”... Por hora deixe as gentilezas comigo, ok...? – Ela pegara fazendo pouco caso.

– Está falando sério? – Perguntara Alex.

– Sobre o quê?

– De não comprar roupa alguma.

– Mas é claro, Alê! Eu não brinco com essas coisas, até porque nem eu acredito no que estou fazendo... – Falou enquanto seguia com ela pelo Shopping.

– E porque está fazendo isso..?

– Porque eu vou pegar o dinheiro e comprar achocolatado pras criancinhas... – Disse sério. Alex não acreditava no que estava ouvindo, e pensara que ele só poderia estar brincando com a cara dela.

–---------***----------

Era um desfile, fato. E tinha tudo que Alex mais abominava, futilidades e sorrisos falsos. Afrodite por outro lado, vinha e ia com pessoas que conhecia pra lá e pra cá. Ele era exaltado e escandaloso, hora ou outra ele apresentava sua guarda-costas as pessoas que podia, e Alex tinha vontade de esmagá-lo por isso.

– Guarda-costas, Afrodite?

– Sim... Dá pra acreditar?

– Ela não me parece do tipo que conseguiria deter algo sério, caso isso acontecesse... – Dizia um estilista do qual Afrodite conversava. Miravam-na de longe.

– É o que eu penso também... Mas quero ver do que ela é capaz...

– O que está pensando em fazer?

– Você vai ver, Phill... Se der sorte. – Falou ele com um risinho sarcástico nos lábios.

– Ora...! Você abusa de sua fama, não é?

– E fama não é pra isso? – Os dois riram em coro com a frase. Alex por outro lado, mirava o loiro de longe, estava bem afastada da “bagunça”.

O desfile se iniciara, e Afrodite tratou de se sentar na primeira fila, próximo a passarela. Alex observava as meninas que entravam com aquelas roupas estranhas, saltos absurdamente altos e desengonçados, olhares vidrados e rostos tristonhos. Se perguntava qual era a graça de se submeter a isso... Aquele era o sonho do qual tantos jovens corriam atrás? O sonho de se tornar um "top model" mundial, e notavelmente cansado e triste? Se bem que Afrodite estava bem longe de ser assim... Mas realmente não conseguia acreditar... Não julgava, pois cada um tinha um sonho, mas sinceramente, não entendia. Homens também desfilaram, e depois de muitos modelos e várias roupas serem exibidas, o estilista dono da coleção aparecera, e fora aplaudido de pé pelo público. Alex apenas olhava para tudo aquilo com profundo descaso. Ao fim do desfile, todos se reuniram no saguão principal do local para uma pequena comemoração, no qual somente os estilistas presentes e alguns modelos estavam, e é claro, Afrodite era um deles.

– Vou ficar lá fora, caso precise de mim é só me chamar... – Disse Alex à Afrodite, passando por ele rapidamente, indo em direção a saída. Ele apenas a mirou se afastar e continuou a conversar com seus colegas.

Alex se via finalmente livre de tudo aquilo. Sentou-se próxima a uma árvore já do lado de fora. Uma garoa fina caía naquela noite. Ela escutara risos se aproximando, até perceber que era a voz de Afrodite. Ela se levantou se esgueirando pela parede. Pode ver que havia um homem com ele. Um rapaz moreno o apertava contra a parede, enquanto ele ria. Alex não interferira. Lembrou-se de tê-lo alertado que se caso precisasse a chamaria, mas ele não parecia precisar dela naquele momento. Resolveu não se afastar tanto...

– Adrian! Assim não... – Sussurrou Afrodite ao rapaz.

– Mas você não disse que quer testar sua guarda costas?

– Quero, mas não precisa exagerar! – Disse Afrodite tentando empurrar o rapaz.

– Para de ser difícil, Afrodite! – Falou Adrian tentando beijá-lo.

– Disse pra não exagerar! – Lembrou-o o loiro. Mas Adrian não estava muito afim de conversa, começara a apalpar o corpo esquio do modelo sem pudor algum, e Afrodite não sabia muito bem como reagir aquilo, afinal fora ele quem tivera a “brilhante” ideia.

– Para, Adrian!

– Se eu parar não vai ter graça...

– Não era assim que combinamos! Me solta! Você está me machucando!

– Não estou... Você que é muito fresco... – Nesse momento ele empurrara Afrodite contra a parede, tapando sua boca. O loiro se desesperara, sua ideia estava fugindo de controle, não esperava que Adrian faria isso com ele. Tentou se soltar, mas o rapaz era mesmo muito forte. Foi então que o moreno rasgara sua calça, puxando-a de uma só vez. Afrodite tentava com todas as forças se soltar, mas estava sendo impossível na posição em que estava, pois Adrian havia travado suas pernas, e como não tinha conhecimento algum em defesa pessoal, estava em completa desvantagem... Não acreditava, mas estava precisando de Alex, e não tinha como chamá-la... Pensava enquanto se debatia, lágrimas de seu completo desespero, brotaram do canto de seus olhos. Estava perdido, seria violado ali mesmo, caindo na própria armadilha.

– Solta ele. – Uma voz soara ao lado oposto do beco onde estavam. O coração de Afrodite dera um falhada.

– Ora! Vejam só! Você finalmente apareceu... – Disse Adrian. – Nossa, Afrodite! Sua guarda-costas é mesmo demorada...

– Eu disse para soltá-lo. – Repetiu Alex, sua voz estava fria, mas Afrodite pode finalmente sentir o alívio brotar do fundo de seu peito.

– E se eu não quiser? – Desafiou-a o moreno. Alex sorriu ironicamente. Se aproximando.

– Não vou perder meu tempo em discutir com pessoas como você. — Adrian não vira nada, mas sentira um ardor em sua perna esquerda, o que o fez se ajoelhar, até notar o sangue que escorria de sua perna, e uma pequena estrela de ferro cravada nela. No segundo seguinte, Alex grudara em sua jaqueta, e com uma força incrível o jogara para longe do loiro, atirando-o ao chão. Ela nem se quer mirara Afrodite, havia se colocado entre ele e Adrian, sem dar as costas ao moreno, do qual observava atentamente. – E então? Vai querer resistir e lutar? – Perguntou.

– Sua desgraçada! – Adrian avançara como um touro em direção a ela, que esperou o momento certo até quase se chocarem, para desviar graciosamente para o lado, usando a velocidade de Adrian contra ele próprio, ela simplesmente o girara com a mão segurando-o pelo próprio braço, tombando-o de costas ao chão, do qual caíra com um baque surdo.

– Aikido*. – Disse o mirando de cima. Adrian estava com um corte na testa.

– Vai me pagar por isso... – Disse ele se levantando com dificuldade. – Isso foi uma armação desse louco aí! – Gritou antes de correr como podia para bem longe dali. Alex respirou fundo e se virou para Afrodite, que estava estagnado e boquiaberto ao canto.

– Você está bem? – Perguntara se aproximando dele, que se abaixara ao chão rapidamente, nitidamente envergonhado. – Estou perguntando se está bem! – Disse ela bem em frente a ele.

– O que acha? – Perguntou com o rosto entre as próprias pernas. Ela pode perceber que a voz dele estava chorosa. Então se abaixara, notando que parte da roupa do rapaz estava rasgada. Tirara o próprio sobre tudo preto que trajava, pousado-o sobre o loiro. – Vamos Afrodite. Levante-se. – Disse. Ele percebeu que estava coberto, então levantou o rosto para Alex, que o mirou, pela primeira vez, dentro de seus olhos. Ele se levantou com certa dificuldade, suas pernas estavam doloridas. – Ele fez alguma coisa a mais com você? – Perguntou Alex. – Afrodite se apoiara nela, até chegarem no carro que estava a espera dos dois. Ele não respondeu sua pergunta, nada dissera no percurso até o hotel. Ela o levara até o quarto do loiro, vendo-o de cabeça baixa o tempo todo... Já tinha ideia do que Afrodite aprontara.

– Eu estou bem... Não se preocupe. – Disse ele ainda sem olhá-la.

– Não Afrodite, você não está bem... Pois o que aquele desgraçado disse é verdade, não é? – Afrodite a mirara rapidamente. Seu rosto estava molhado por suas lágrimas, e sua maquiagem totalmente borrada.

– Não...! Alex! Não é o que está pensando! – Falou em desespero.

– Ah não é? Você estava querendo me testar, moleque! – Ela se aproximara rapidamente prensando-o contra a parede. – Pois eu sei que isto estava além do que você e seu amiguinho tarado haviam planejado! Você pensa que está lidando com quem afinal, Daley? Eu não sou como você! Não sou uma pessoa mimada e fútil que faz o que der na telha por seu bel prazer!

– Nãoo! Alex eu..

– CALA A BOCA QUE EU NÃO ACABEI! – Gritou ela, Afrodite arregalara os olhos se calando automaticamente. – Você trate de prestar bem atenção, porque eu não vou repetir! Se você fizer mais uma dessas gracinhas, eu arrebento esse seu rostinho de Barbie mal maquiada! Está me entendendo?! – Ela o soltara de uma só vez, fazendo-o se arrastar de costas pela parede, até cair sentado na cama. Alex respirava ofegantemente, tamanha era sua raiva. – E EU PERGUNTEI SE ELE MACHUCOU VOCÊ!

–NÃO! – Respondera ele no susto.

– Então eu vou dormir... – Ela se virara saindo, Afrodite pensou em chamá-la mas fora tarde demais, ela já havia ido embora, e fechara a porta com tanta força, que movera até o lustre do teto.

Notas finais
*Aikido - É uma arte marcial criada no Japão na década de 1940. ---------------------- Bom é isso.. XD Espero que tenham gostado!!! *-* Até o próximo... o/