Notas iniciais
Mais um capítulo! Dessa vez em tempo recorde.. u.u Boa leitura! ;D

Um mês. Era o tempo que já havia passado desde que se conheceram... tudo estava estranho para si de uns dias para cá... Divagava Alex ao mirar Afrodite socar os sacos de areia em sua garagem. Ele havia pego interesse por artes marciais, e admitia que o modelo evoluíra muito de lá pra cá, nem parecia a mesma pessoa fresca e sem noção que achava que ele fosse. O loiro treinava todos os dias, e quando ela própria esquecia, ele a lembrava que precisavam treinar... Confessava que se sentia orgulhosa de ver o bom desempenho que ele estava demonstrando ter.

– Um, dois... Um, dois... – Repetia ele sem perder o ritmo. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo alto, seria um belo samurai... pensou Alex ao vê-lo. Sim, ele tinha charme em qualquer coisa que fazia. – Do que está rindo, dona braveza? Vai ficar o tempo todo só me olhando treinar? Que tipo de professora você é que não me treina, hem? – Ele se aproximara puxando-a pelas mãos, fazendo-a se levantar.

– Do tipo que te deixa se virar sozinho na hora certa... – Respondeu levantando e ajeitando a roupa.

– Sei... – Ele mirou um soco, que foi facilmente bloqueado por ela, então ela fez o mesmo, e ele também bloqueou, talvez não com tanta facilidade como ela, mas bloqueou! E para ele isso era uma conquista. Ela avançou para lhe passar uma rasteira, mas Afrodite pulara e conseguira se safar dessa, mas em seguida foi a vez dele pegá-la de surpresa em uma rasteira, ela se desequilibrara e caíra, mas antes que ele respirasse, ela o derrubara também, do chão mesmo, o prendendo entre as pernas.

– Vai demorar muito até você me derrotar, bonitinho... – Ele sorriu, e novamente o coração de Alex acelerou ao mirar os olhos azuis brilhantes a sua frente. Ela se levantou rapidamente, mas sentira a mão de Afrodite segurar seu kimono.

– Não vai demorar se eu continuar treinando com afinco... – Falou ele. Ela estranhara o tom, Afrodite quase sempre possuía um "quê" de brincadeira na voz, mas desta vez estava sério.

– Sim... Isso é verdade. – Respondeu ela se desvencilhando de suas mãos.

– Hoje fui convidado a uma festa... – Falou o loiro se jogando com tudo no tatame. – Vou ter que ir... – Ele a mirou, mas ela não o encarava. Olhava os sacos de areia, que ainda se moviam levemente, sem realmente enxergá-los.

– Você... – Começou ela. — ... Tem ainda muitas coisas para fazer aqui, certo? Digo, aqui em Nova York? – Ele se sentou, era impressão sua ou pode ver tristeza nos olhos de Alex?

– Não muito.. Na realidade vim mais para o desfile em que eu seria o destaque da coleção... Depois disso só tenho mais algumas sessões de fotos para duas revistas e só... Recebi um convite pra pousar para uma coleção na Europa... Irei assim que terminar aqui... – Respondeu.

– Ah... Entendo. – Murmurou ela se levantando. – Vamos então, peixe do oceano... – Falou sorrindo a ele. Um sorriso que ele percebia ser levemente diferente.

– Sim... Vamos...

A festa que Afrodite havia sido convidado era em uma boate, e estava apinhada de gente. Alex odiou o fato de ter que ir junto, não gostava de lugares lotados assim... Mas era seu trabalho... Não que cuidar do modelo fosse para ela só uma obrigação, durante todo esse tempo ela já estava o vendo de outra maneira, e às vezes gostaria de estar enganada quanto à sua visão.

– Eu não vou ficar por muito tempo, Alê... – Sussurrara ele ao pé de seu ouvido, por alguma razão aquilo a arrepiara dos pés a cabeça.

– Tá bem, tá bem... – Ela se afastou rapidamente dele, ele porém sorriu de canto discretamente. Eles se encontraram com a organizadora da festa, Sheila. Afrodite apresentou Alex a ela, depois tiraram algumas fotografias no local. Passado um tempo, Alex se afastara, se encostando a um dos balcões, um garçom viera ao seu alcance lhe oferecendo uma bebida que ela negara. Estava dirigindo aquela noite, não podia beber. Ela observava o modelo que estava ali perto. Ele sorria abertamente e vez ou outra seu olhar cruzava com o de Alex, que corava instantaneamente e se virava.

– Mas que droga, Daley! – Balbuciava ela para si. – Eu só estou aqui para garantir sua segurança, não para flertar com você! – Exclamava irritada, levantando-se. Resolveu andar pelo meio da pista, passou perto de Afrodite que apesar de estar cheio de gente em volta de si, não tirava seus olhos de sua guarda-costas. Alex porém observava tudo ao seu redor. Tinha que notar segundas intenções só no olhar das pessoas, e evitar que elas se concretizem. Afrodite era bonito, e bastante feminino em certas características. Ele sabia o que sua aparência provocava e abusava disso. Não era discreto, e gostava de se mostrar.

Havia se passado alguns bons minutos quando Alex saiu. Precisava respirar um pouco.

– Pensei que estaria do meu lado. – Falou Afrodite que chegara de mansinho, mas é claro, não a assustara.

– Sou sua guarda-costas, não sua sombra. Não pense que gosto de ficar em lugares assim. – Disse ela mirando o céu.

– Nem me fale em "sombra", Pelo amor de Deus! – Ela rira achando graça na comparação. — Vamos. Eu já terminei... Disse a Sheila que estava com sono.

– E ela acreditou?

– Mas é claro que sim... – Falou ele sorrindo. Um fuzuê começara bem a frente deles. Um homem alto gritava com um rapaz, bem menor do que ele. — O que está acontecendo ali, hem? – Perguntara Afrodite, nitidamente curioso. Alex não tirava o olho da cena. Sem que esperassem o homem partiu para cima do rapaz o derrubando no chão.

– Não tem seguranças aqui? – Falara Alex já revoltada com a situação. Sorte que poucas pessoas haviam notado o ocorrido. O homem alto tirou uma arma da cintura. – Mas o que...? – Balbuciara ela. — Afrodite, fique aqui.

– O quê?! Alex! Volta aqui! – Mas era tarde. Alex partira na direção da briga.

– Solte ele. – Falara ela, vendo que o homem maior havia prendido o menor com as próprias pernas.

– O QUE? – Gritara ele que se levantara apontando a arma para ela, mas antes que ele pudesse prever, ela torcera seu braço para cima, apertando o pulso do homem, que gemera e derrubara a arma. Em seguida ela esticara a mão dando uma forte e precisa golpeada na boca de seu estomago, derrubando-o instantaneamente ao chão. – Sua maldita! – Gritara ele. Ela chutara sua arma para longe.

– E não tente fazer mais nenhuma gracinha! – Dissera ela ao homem que gemia ao chão. — Você está bem? – Perguntara ao rapaz, que parecia tão assustado quanto Afrodite.

– Sim... Obrigado. – Ela o ajudara a se levantar segurando-o pelos braços, trazendo-o para cima. Os seguranças vieram então, socorreram o rapaz e levaram o homem. Afrodite ainda observava tudo boquiaberto. Não acreditava que Alex, com aquela sua pouca estatura pudesse ser capaz de tanta coisa... Já havia visto ela “em cena” mas não com alguém armado com uma arma de fogo.

– Agora vamos, Afrodite. – Ela se virara e fora em direção ao carro.

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Embora a noite tenha sido fresca, o modelo não conseguira dormir. Algo em seu íntimo o incomodava. A cena de Alex tão prestativa ajudando aquele estranho mexera com ele. Aliás, aquela garota o vinha confundindo há algum tempo. Não que fosse homossexual, mas chegara a pensar que preferia homens quando era mais jovem... Mas Alex, não era um homem, mas então porque cargas d’água ela o deixava daquele jeito? E o pior que ele próprio muitas vezes não se entendia, pois sempre se pegava encurralando sua guarda-costas, colocando-a contra a parede em todas as oportunidades que tinha... Já havia então notado que se quisesse que algo acontecesse, teria que ir a luta, pois em breve partiria, e não era homem de deixar coisas mal resolvidas...

“Alex...” Pensara ele logo pela manhã, após finalmente poder levantar daquela cama que rolara a noite inteira. Tinha que falar com ela, e faria isso naquele momento.

Alguém batera em sua porta. Alex nem bem havia terminado de dar o primeiro gole de seu café quando abrira a porta. Sorte que já estava devidamente vestida.

– Afrodite? – Perguntara confusa pelo horário que ele aparecera. Porém antes de obter uma resposta, ele adentrara o recinto.

– Você é minha guarda-costas, não é? – Perguntara ele. Alex não entendera. Sabia que o loiro tinha seus momentos "frufrus" de ataques histéricos por conta de uma unha quebrada ou algo do tipo, mas ela ser vítimas de seus pits era demais!

– Do que está falando, garoto? – Perguntara séria, pousando calmamente sua xícara de café sobre o aparador.

– Não me chame de “garoto” porque você nem é assim tão mais velha do que eu!

– Ei, ei! Abaixe seu tom de voz! São seis horas da manhã! O que você veio fazer aqui, Afrodite?

– Vim te fazer essa pergunta! Você é ou não é minha guarda-costas? – Ele se aproximara dela segurando seus pulsos.

– Sim, Daley... Eu sou sua guarda-costas... – Disse enfezada, não gostara nada da maneira que ele a tocava.

– Então porque você teve que defender aquele cara? Hã? – Ele fora empurrando-a em direção à parede. – Se é minha segurança devia ter deixado aquilo com a segurança da boate, não tinha nada que tê-lo defendido. – Ela não acreditava no que estava ouvindo. Era mesmo um moleque fresco.

– Escuta aqui, Daley! – Ela tentou se soltar, mas ele a segurou mais forte, o que a impressionou, não esperava que ele tivesse tanta força em seus braços, sim pois não notara isso nos treinos que realizaram. – Eu me meti porque aquilo viraria merda! Eu não sou do tipo de pessoa que vira as costas para um problema, muito pelo contrário! E mais! Sei que sou sua segurança, mas isso não quer dizer que você é meu dono e que devo obedecer somente a você! Está me entendendo? – Ele apertara os olhos mirando-a fixamente.

– Não. Eu não entendo e nem quero entender. – Sem que ela esperasse ele a forçou para baixo, fazendo os dois caírem no chão. Afrodite a prendeu entre suas pernas forçando suas costas contra o chão de tapete e seu corpo. Segurando as mãos dela no alto de sua cabeça.

– Acha que pode me prender aqui, ga-ro-to? – Falara ela, seu coração estava em disparada, tamanha era a sua raiva, mas não podia negar, não sabia o que ele pretendia.

– Então tente sair. – Dissera ele. Ela poderia sair, se chutasse o meio de suas pernas, mas ele era modelo, não queria feri-lo, a menos que ele...

– Pare com isso, Afrodite! Eu não quero machucar você! Essa brincadeira não tem graça! Me solt... – Antes que ela terminasse, ele se aproximara prensando seus lábios contra os dela. – Mas o q...? – Tentara dizer, mas o som de sua voz fora abafado. Ele forçara um beijo para que ela cedesse, mas Alex não o fizera, como ele previra. A ânsia de entender seus próprios sentimentos o levara a não pensar no que estava fazendo. Então ele a segurou com mais força, mas aquilo causara agonia em Alex, não poder se mexer estando presa daquela maneira a fez voltar no tempo, e um flash de uma memória antiga, dolorosa e desesperadora cruzara sua mente e seu coração.

– ME SOLTA! – Ela dera um chute nele, revertendo as posições ela se levantara rapidamente, segurando-o, e com a outra mão puxara a adaga que costumava carregar em sua meia. – Não brinque comigo, seu moleque! – Dissera ela que encostara a ponta da arma no pescoço de Afrodite, que arregalara os olhos. Ela fora tão rápida que ele nem se quer previra seus movimentos. O que havia feito? Foi o que ele pensou ao notar o tamanho da raiva e do desespero que mesclara o olhar de Alex naquele instante.

– Me... Me desculpe. – Balbuciara ele. Estava de joelhos ao chão.

– Saia daqui! — Ordenou ela o soltando.

– Alex...

– SAIA! – Ele se levantou, com um pouco de dificuldade, caminhara até a porta.

– Alex, eu...

– Não volte aqui, Afrodite! Vá embora! – Falou. Ele sentia dor pelo chute, mas mais dolorido era a maneira como Alex o encarava.

– Desculpe... – Ele se virou e se foi. Alex batera a porta de tudo e sentara ao chão. Lágrimas incessantes começaram a rolar. Ela se deixou chorar pelos quinze minutos a diante.

Notas finais
É, Afrodite aprontou feio desta vez... u.u Próximo capítulo saberemos um pouco mais da nossa Alê!!! *o* Até lá, minna!!! o/