Os Mistérios Do Amor
5 Admirador Secreto
Notas iniciais
Cuidado!
Você está sendo observada,
portanto, fique longe
do Afrodite!
Ass.: Sombra
Alex mirava aquele pequeno bilhete que surgira naquela manhã por de baixo de sua porta. Ela riu ironicamente daquilo. Era feito em estilo que se vê nos filmes, recortes de letra de revistas ou jornais, colados em um papel sulfite. Já fazia três semanas desde que Afrodite chegara à Nova York, e para Alex, só faltava aquela agora...
– Que brincadeira mais idiota é essa? — Perguntou ela que descera de seu quarto, vendo que Afrodite e Rosembell conversavam no café do hotel.
– Bom dia pra você também, Alê! Como dormiu?
– Sem gracinhas, Daley... Alguém deixou essa merda por baixo da minha porta! — Ela jogara o bilhete em cima da mesa. Rosembell apanhara o papel lendo-o, Afrodite mirava por cima de seu ombro.
– Não está achando que fui eu, está? — Perguntou Afrodite após ter lido. — Até porque eu não quero que você se afaste de mim... — Disse ele.
– Isso é sério. — Falou Rosembell.
– Eu sei. — Respondeu Alex. — Eu me pergunto, esta pessoa tem acesso a esse hotel, e pode estar hospedado aqui também...
– Pode ser... Ou não exatamente. Pode ter mandado alguém fazer isso... — Disse Rosembell mirando-a. Alex ponderou, ele tinha razão.
– Ah gente, não deve ser nada demais.. Eu não tenho fãs tão doidos ao ponto de quererem matar minha guarda-costas!
– Será, Afrodite? Você conhece todos os seus fãs por um acaso? — Lhe perguntou Rosembell, ele estava sério e fez Afrodite notar a gravidade da situação.
– Não pode ser... Pode?– Perguntou o loiro se sentindo confuso e infantil por estar levando na esportiva, algo que aparentemente poderia representar um perigo a Alex. Ele gelou ao concluir isso, e se algo acontecesse a ela? – ... Eu não vou deixar.. — Respondera em voz aos seus próprios pensamentos.
– O que você "não vai deixar", Afrodite? — Perguntara Alex. Ele corou ao perceber que pensara alto demais.
– Nada... Deixe-me ver isso. — Ele pegara o bilhete, seu semblante havia perdido o tom de brincadeira. Ele mirou o pedaço de papel, era algo bem mal feito. Concluiu levantando a cabeça repentinamente, olhando a toda volta. Teve a leve sensação de estarem sendo observados.
Aquele dia fora agitado, tiveram de ir a mais um ensaio e mais duas entrevistas. Afrodite teria um desfile na próxima semana. Estava ansioso por desfilar em Nova York, até agora não havia participado de um desfile na sua tão desejada cidade. Alex por outro lado, não havia tirado aquela "história do bilhete" de sua mente. Já havia ouvido falar de fanáticos, e até imaginava que Afrodite pudesse ter os seus também, porque... Ela o mirou por um segundo, estava dando a tal entrevista em um programa de tv. Ele era realmente bonito, não podia negar isso. Nesse instante seus olhares se cruzaram, e ela pode vê-lo sorrir para si enquanto falava. Alex virara o rosto rapidamente. Idiota.. Pensou já irritada.
– Então.. Vamos sair hoje a noite? – Afrodite já havia terminado por aquele dia, estavam no carro de volta ao hotel, eram sete da noite.
– Sair? Do que está falando? Já não saímos o suficiente?
– Ah Alex... Isso não é se divertir... Fui convidado hoje a ir a um sarau na praia, quer ir?
– E eu tenho escolha? Se você decidir eu terei que ir também... Afinal eu sou...
– ...minha guarda costas.. Tá, tá eu já sei! Que tal deixar isso um pouco de lado e nos divertirmos hoje, hem? – Alex o mirou por um tempo, estava bem próximo de si. Era impressão sua ou ele estava mais “masculino” naquele dia?
– Está sem maquiagem... – Comentou ela.
– Ora! Finalmente você notou isso! Vai chover Rosembell, acelera aí que estou sem guarda-chuvas! Meu cabelo vai virar um fuá se pegar água!
– Acelerar? – Rosembell comentara do volante.
– Não é nada! Esse louco faz comentários idiotas o tempo todo! – Gritara Alex. Afrodite como sempre ria dela. Mas era verdade, estava menos maquiado e escandaloso. Sim, havia feito isso porque não aguentava ver a garota olhar torto para ele toda vez que se vestia para ir a algum lugar e... porque ultimamente andava se preocupando tanto com a opinião de Alex? Se perguntava ele. De alguma forma, queria que ela visse seu outro lado também, e tentaria mostrar a ela que não era tão idiota como ela estava pensando...
***
Sarau... na praia... ao ar livre... Alex olhava aquela turma de gente, provavelmente conhecidos de Afrodite, pois a maioria o cumprimentava. Alguns tocavam violão, outros tomavam água de coco... Algo bem estilo "havaiano". Era verão... norte americanos costumavam fazer isso o tempo todo, mas daí ela ter que ir a um lugar como esse, jamais havia imaginado.
– Quem é esse garoto bonito, Afrodite? – Uma menina morena viera ao encontro deles. Segurava uma bebida colorida com um guarda-chuvinha na beira do copo.
– Bem, Deus me foi generoso em me mandar a Alex na versão feminina, se fosse masculina eu já teria morrido! – Comentou ele.
– O quê? Você é uma garota? – Disse a menina se aproximando para vê-la melhor. Alex nada dissera, queria mesmo era sair dali.
– Sim, ela é, Olive... É um prazer reencontrar você também! — Disse ele.
– Desculpe! Como você está, meu lindo?! — Ela o cumprimentara decentemente. Alex não estava em paz. Aquele lugar tinha muita gente, e de noite a coisa só piorava. Ela se afastara um pouco, precisava de espaço para enxergar em meio aqueles adolescentes... Aparentemente não havia nada de errado. Um dos garotos que tocava, chamou Afrodite no meio da roda, ele fora, claro. Estava com roupas leves, uma calça de tecido bege, camisa regata branca. Estava pouca coisa mais "encorpado", suas aulas de defesa pessoal, somada a sua reeducação alimentar, estava dando resultados... Conclui ela ao mirá-lo.
– Então, você vai tocar pra gente! — Pediu o rapaz. Afrodite sorriu sem jeito.
– Só uma música...
– Ah! Que isso, Afrodite! Hoje vamos tocar a noite... — Ele apenas riu, mas seus olhinhos azuis procuravam algo em meio as pessoas, ou melhor, alguém. Ele avistara Alex, que desviara o olhar rapidamente. Então começara a tocar. Era uma bela música, o outro garoto cantava, e tinha uma bela voz, mas Alex não sabia que Afrodite dominava tão bem um violão... Na verdade, não sabia nada dele. Tocaram umas duas, ou três músicas, então Afrodite disse que queria parar e tomar uma água de coco, e foi o que ele fez. Se afastara da turma e apanhara dois cocos com canudinhos, se sentando ao lado de Alex em um murinho perto da areia.
– Pra você... — Disse ele entregando-a o coco.
– Obrigada.. — Respondeu pegando a fruta.
– A noite está muito bonita hoje... — Comentara Afrodite olhando o céu. — ... Bem estrelada... O mar está calmo...
– Sem assuntos clichês, Afrodite... — Pediu Alex, já esperando uma indireta dele.
– Alê.. Você é mal humorada... — Ela não o olhou e bebera a água em seguida.
– Não sabia que tocava violão... — Disse ela por alto.
– Você não sabe muitas coisas ao meu respeito... — Falou ele.
– Tem toda a razão... — Disse ela, fora exatamente isso que pensara mais cedo. Olive estava passando por eles com um outro violão entre os braços, o que fez Afrodite ter uma ideia.
– Olive! Me empresta seu violão por um segundo? — Ela parou o mirando.
– Um segundo já foi, bonitinho... — Respondeu ela entregando o instrumento a Afrodite.
– Obrigado! Já te devolvo... — Falou sorrindo. Ela porém entregou com um sorriso bem "provocador", ele não notara isso. Olive se afastara. — Vou tocar uma pra você... — Disse voltando-se para Alex. — ...e eu é que vou cantar desta vez! — Disse ele sorrindo de ponta a ponta. Alex teve que rir daquela cena, Afrodite cantando? Essa ela queria ver...
– Então vamos lá, "bonitinho"... Mostre-me seu talento...! — Brincou ela.
– Muito bem... Como disse, essa é pra você...– Ele começara com os primeiros acordes, aparentemente era uma música suave.. Foi então que começou a cantar...
"When I look into your eyes...
It's like watching the night sky...
Or a beautiful sunrise...
Theres so much they hold..."
Quando olho em seus olhos...
É como assistir o céu noturno...
Ou um belo amanhecer...
Eles carregam tanta coisa...
Alex o mirava abismada.. Aquela era mesmo a voz daquele loiro metido e irritante? Estava surpresa, sua voz era tão suave quanto os acordes, e pela primeira vez ao lado dele, pode se sentir... em paz.
And just like them old stars
I see that you've come so far...
To be right where you are..
How old is your soul?
E como as estrelas antigas
Vejo que você veio longe...
Para chegar aonde está..
Qual a idade da sua alma?
Ele a mirava dentro dos olhos enquanto cantava... O que a deixou um pouco desconsertada.. Mas queria continuar escutando-o tocar e cantar.. Era realmente acalentador... A voz macia de Afrodite parecia soar como uma leve brisa, quando lhe toca o rosto suavemente...
I won't give up on us
Even if the skies get rough
I'm giving you all my love
I'm still looking up...
Eu não vou desistir de nós
Mesmo se os céus ficarem difíceis
Estou te dando todo meu amor
Ainda olho para cima...
And when you're needing your space,
To do some navigating,
I'll be here patiently waiting;
To see what you find...
E quando precisar de seu espaço
Para navegar um pouco
Eu estarei aqui pacientemente esperando
Para ver o que vai encontrar...
Foi então que ele fez uma pequena pausa, e daí ela pode ver o quanto sua voz era ainda mais bela, ao cantar o refrão...
Cause even the stars they burn
Some even fall to the earth
We've got a lot to learn
God knows we're worth it
No, I won't give up...
Porque até as estrelas queimam
Algumas até mesmo caem sobre a Terra
Temos muito a aprender
Deus sabe que somos dignos
Não, eu não desistirei...
– Nossa eu pude sentir o clima entre vocês... — Olive que acompanhava tudo de longe, resolvera se aproximar... Afrodite sorriu para Alex, e então cessou a canção.
– Você é realmente muito discreta.. não é, Olive? — Comentara o loiro. A garota sorriu e se afastara novamente. Afrodite respirou fundo... Certo, não havia mais clima, se é que ele realmente existiu.. Pensou ele. Porém seus pensamentos negativos foram varridos quando mirou um sorriso bobo, e raríssimo no rosto de Alex. Ele desejou ver mais vezes aquele semblante na face daquela garota por mais vezes... Quando imaginaria que ela fazia esse tipo de expressão? Talvez ela não fosse tão durona quanto ele pensava... Afinal, ela também era humana...
– Obrigada... — Disse ela sorrindo. Ficara pensativa, não podia negar que a letra daquela música, mexera um pouco com ela...
– Estou sonhando? Me belisca, Alê!
– Porquê? — Ele se aproximara e tocara-lhe a fronte.
– Você não está com febre...
– Do que está falando, Afrodite? — Ele sorriu.
– Estou brincando... Nunca imaginei que pudesse te agradar com uma música.. Sabe, tenho que te confessar uma coisa: pra mim você é como aquele tipo de pessoa inalcançável... Entende? — Ela o mirava confusa.
– Não...
– Ah... É como se... É como se você fosse alguém tão forte, que não sabe o que é chorar, ou sentir alegria...
– Pensa isso de mim? — Ela arregalara os olhos, não imaginava isso...
– Penso, oras! Você que me fez pensar assim... — Ela sorriu, achava que só ela o via de maneira estranha... Pelo visto havia se enganado.
– Acho que nós dois temos uma visão um pouco turva um do outro... — Falou ela.
– Certo então... — Ele colocara o violão de lado. — Meu nome é Daley, Daley Jossey. Mas todos me chamam de Afrodite. Sou modelo, nascido na Suécia. Gosto do estilo feminino de roupas, adoro me maquiar, e sempre estar bem arrumado. Ligo muito para aparência exterior, mas juro que estou tentando ser menos doentio quanto a isso... Adoro chocolate, mas os lights, porque os outros engordam muito! — Falou sorrindo. — ... Amo a família que tenho, e pretendo visitá-los em breve... Prazer em conhecê-la... — Ele estendeu a mão em cumprimento. Alex riu gostosamente daquilo. — Vamos.. É sua vez! — Falou ele encorajando-a e sorrindo com ela.
– Ok... Meu nome é Alex Sunders, sou guarda-costas e professora de artes marciais. Nasci em Nova York, gosto de basquete, adoro frutas, e... — Ela parou, seu sorriso desapareceu, e Afrodite notara seu olhar perder o brilho de repente. Então ela ergueu os olhos para ele, o cumprimentando também. — ... É um prazer conhecer você, Daley Jossey, ou melhor, Afrodite. Ele sorriu e apertara a mão de Alex. Ela pode sentir o quanto as mãos dele eram quentes e macias, diferentes das suas, que sempre eram frias e calejadas. Talvez começar do zero, não fosse má ideia...
Chegaram ao hotel quase meia noite, Afrodite entrara com Alex ao seu lado, mas se separam ao chegar na frente do quarto de cada um, que era ao lado um do outro. Ele estava abrindo sua porta quando notou Alex mirando o chão.
– O que foi? – Perguntou ele. Ela se abaixara pegando algo. Afrodite foi ao seu encontro. Era outro bilhete.
"Estou avisando...
Não me subestimem..."
Ass.: Sombra.
Fale com o autor