Notas iniciais
Escrita por mim, Beatriz Azevedo ^^

O garoto não podia ter mais de 6 anos, ele manteve seus olhos curiosos na construção de pedra pela janela da charrete e suspirou. Parecia um castelo, as trepadeiras verde musgo subindo nas paredes, vários andares, torres, janelas grandes com ninguém olhando através delas, a escadaria depois do jardim imenso e vázio e nenhum barulho. Nenhum rúido. O menino fehcou os olhos, metade pela dor que sentia no peito, metade pela melancólia do lugar. O barulho de seu relógio de bolso, sua última relíquia era o único som a atingir seus ouvidos. Ele abriu os olhos novamente ao sentir os cavalos relincharem e a charrete parar. Como podia ser? Como um lugar cheio de crianças poderia parecer tão vazio e silencioso?

O homem que estava do seu lado desde que o menino abriu os olhos no hospital colocou uma leve mão em seu ombro e saiu da charrete o ajudando a sair também. Eles pararam no portão onde alguns guardas olharam para o menino e depois para o moço que o acompanhava. Os portões se abriram com um barulho horrível e o moço o guiou até as escádarias ascenando para o homem que conduzia a charrete que já havia tirado a única mala que o menino trouxe da bagagem.

"Você vai gostar daqui e quem sabe você não nem tenha que se acostumar." O senhor falou depois de alguns passos para dentro do jardim. O menino olhou para o portão que se fechou no momento que eles passaram. "Eu sei que é difícil e foi tudo muito rápido, mas entenda que isso é o melhor." Ele afastou a franja de cabelo preto do rosto do garoto e sorriu. O garoto de olhos verdes só tossiu e olhou para frente. Eles pararam nas escadas e um outro senhor saiu de dentro da consturução, apertou a mão de ambos do lado de fora e pegou a mala do menino.

"Bem vindo Mat. Seu quarto já está pronto e já vamos subir sua mala." Mathew no instante deduziu que o homem mais forte e mais velho era o diretor e concordou com a cabeça.

"Mat, esse é o coordenador do o orfanato." O moço mais jovem falou e o menino levantou os olhos para ter certeza. O senhor era imponente e Mat podia ter jurado que ele mesmo era o diretor. O moço que havia acabado de falar cutucou o menino e ele tentou sorrir.

"Prazer." O menino de olhos verdes falou levemente. O coordenador ascenou com a cabeça e falou algo que os ouvidos do pequeno não ouviram até um segundo cutucão "Você vai subir para o seu quarto?" O coordenador repetiu e Mathew notou que ainda estava viajando. Ele concordou de leve, mas se manteve no lugar segurando a mão do moço ao seu lado. Finalmente o moço se agachou na neve para que os dois se encarassem. De sua boca saia fumaça e Mat se perguntou se acontecia o mesmo com ele, mesmo que a sua boca fosse a fechada. Devagarmente o moço soltou sua mão e Mat sentiu sua própria tremer de leve mesmo debaixo da luva azul escuro que ele usava. Ele reconhecia o sentimento e não era frio, um pouco de medo talvez, mas a maior parte era o medo de estar sozinho novamente. Quando suas mãos se soltaram, ele se sentiu exatamente como há três semanas atrás. Como na noite que ele não podia se mexer embaixo do corpo sem vida de sua mãe ou abrir os olhos para que o homem de preto não voltasse. O moço notou a frustração de Mat, tirou sua cartola e colocou na cabeça do menino.

"Vá logo, Mat, não queremos deixar o coordenador esperando." Ele piscou de leve para o menino e deixou uma frase de despedida sair de seus lábios antes que ele se virasse para o portão novamente e fosse embora. Os olhos azuis acinzentados do coordenador observaram o homem agora sem cartola ir embora e depois tentaram parecer acolhedores para Mat.

Notas finais
Próximo capítulo escrito pela diva da Joh :D