Notas iniciais
Peço desculpas pela demora para postar esse capitulo, mas espero que gostem (Joh o/)

Acordei assustado, soando frio, com a cabeça latejando e senti meu estômago revirar dentro de mim. Olhei para os lados e observei, ainda meio grogue, Elijah chorar enquanto abraçava os joelhos com seus bracinhos miúdos.

Aquela cena me fez lembra, imediatamente, das vezes em que Hope tinha algum pesadelo e ficava tão assustada que se encolhia como uma bolinha laranja em meio a todo aquele cabelo e ficava cantando a musica que mamãe havia a ensinado.

A lembrança foi interrompida pelo choro estridente de Elijah, me fazendo sentir ânsias, obriguei minhas pernas a se mexerem e ir até a imagem que oscilava entre minha irmã e Elijah.

Sentei ao seu lado e tentei envolve-lo com meus braços para acalma-lo, como costumava fazer com Hope, mas ele, ao contrário dela, se afastou e se encolheu e começou a berrar ainda mais alto. Seu ato provavelmente seria interpretado como rebeldia pelo coordenador, o que resultaria em castigos para o pobre Elijah e eu não podia ficar aqui, de braços cruzados apenas observando.

Tentei conversar com ele o mais calmamente que pude, mas ele apenas chamava por sua mãe, o que forçava a pensar em algo, mas o que eu poderia fazer? Não consigo me aproximar ou sequer falar com ele. Foi então que resolvi cantar a música de Hope, mas falhei miseravelmente, fazendo o pequeno Elijah gargalhar da minha voz hora aguda, hora grave e ás vezes nem saindo.

Peguei um ursinho que estava abandonado no chão e o embalei nos braços de Elijah, fazendo sinal de silêncio com o dedo, ele sorriu e concordou com a cabeça, fechando os olhos.

A dor de cabeça e o mal estar ainda estavam ali, a voz de Hope estava em todos os cantos e eu podia a ouvir gritando por mim, fazendo o sentimento de culpa pesar ainda mais sobre mim, abafei meu choro com o travesseiro, até começar a sonhar.

Nos sonhos, lembro de ter sonhado com Hope. Estávamos em casa, os corpos de meus pais frios no chão. Hope tinha horror estampado em seu rosto e não parava de gritar e chorar, ela chacoalhava o corpo sem vida de mamãe, peguei ela no colo não me importando com seus protestos e a levei para fora, pedi que esperasse ali e não a dei chance de contestar, voltei e me sentei ao lado de meus pais, pedi perdão pelas vezes que não fui um bom garoto e segurei suas mãos geladas.

Após enrolar os corpos em tapetes, arrastei ambos até o quintal com muito esforço e comecei a cavar buracos no chão com a pá de papai, enquanto cavava, senti lágrimas escorrerem pelo meu rosto rumo á cova. Quando terminei, meu olhos estavam secos e o sol já estava se pondo. Empurrei primeiro minha mãe e depois meu pai, um junto ao outro, como sempre foi. Chamei Hope, que assistiu a tudo em silêncio, e pedi que se despedisse. Ela se ajoelhou e colocou uma flor de nosso quintal em cima do corpo de cada um e sussurrou um "eu te amo" sem força entre as lagrimas que insistiam em cair.

Quando ela se levantou, comecei a jogar a terra em cima dos corpos. Terminei ao anoitecer, Hope havia pego no sono, no quintal mesmo, e eu a levei pra cama, prometendo nunca deixa-la só ou com medo.

Acordei determinado a conversar com Lotte sobre minha irmã e pedir sua ajuda para encontra-la, então, fui me encontrar com ela durante o café da manhã. Ela estava sentada em uma mesa lotada com outras garotas, mas elas não conversavam. Me aproximei dela e perguntei:

"Está muito ocupada agora?", senti os olhares em mim, e então, os cochichos.
Charlotte corou e ignorou as garotas.

"Não"

"Lotte, nós íamos para a bib-" começou a outra garota, mas Charlotte cutucou a garota e fez que não com a cabeça.

"O que foi?", perguntou a menina sem entender.

"Olha, se estiver muito ocupada, eu entendo", anunciei, passando a mão na nunca.

"Nope. Não tenho nada agora, vamos." Ela se levantou e me arrastou para longe dos cochichos.

"Ham... Tá legal", tentei dizer.

Quando chegamos ao esconderijo, me sentei no sofá e senti o ar sumir, era difícil admitir que precisava de ajuda, e mais difícil ainda era falar sobre Hope, senti minha garganta queimar e me obriguei a continuar firme, mesmo sendo difícil.

"Lotte... Eu...", suspirei, "eu preciso da sua ajuda pra uma coisa", desviei o olhar na tentativa de esconder minha angustia.

"Que coisa?" Ela perguntou levantando sua sobrancelha e se abraçando. Ela não parecia estar muito concentrada no que eu dizia, o que era bom.

"Bem, eu sei que você tem acesso á algumas salas da diretoria", suspirei, "gostaria que me colocasse dentro de uma delas", evitei ao máximo os detalhes.

"Nosso querido herói tentando salvar todos novamente?" Ela revirou os olhos. "Não. Não vou te deixar entrar ao menos que você me fale o motivo."

"Você é meio insistente, não é mesmo?" comentei rindo de nervosismo, "Acontece que... Eu...Bem, eu não sei se posso", meu corpo ficou tenso e senti gotas de suor se formarem nas palmas de minha mão e minha testa. Eu não queria esconder meu passado de Charlotte, mas também não queria inclui-la demais em meus problemas, ela já estava se arriscando de mais.

"Bom, é só você me contar..." Ela chutou o tapete embaixo de seus pés. "Eu não vou contar para mais ninguém. Confie em mim."

"Tá legal, eu quero encontrar a ficha do Matthew, entendeu?"

Eu mal tive tempo de pensar antes que as palavras saíssem de minha boca, "Ora, ora, que grande mentiroso", dizia a voz em minha cabeça, pensei em manda-la ficar em silêncio, mas eu pareceria um louco.

"O que?! Sério?! Por que?!" As perguntas saíram antes que ela tivesse tempo de pensar no que disse.

"Eu acho que ele possa estar escondendo algo", anunciei sem pensar.

"Ah, parabéns seu grande bastardo, cada vez se embolando mais em suas mentiras e trapaças... Se Hope soubesse...", ecoou a voz em minha cabeça, levei a mão até a têmpora e me controlei para não parecer um louco na frente de Charlotte, mas era difícil quando falavam de Hope.

Ela semicerrou os olhos e após alguns segundos encarando meu rosto culpado, sorriu. "Ok. Ok. Eu te ajudo. Mas isso é porque eu quero muito saber sobre o gêniozinho também. Ele está aqui há uns 6 anos e por enquanto só falou com você."

"Ótimo", tentei não parecer tenso.

"Se quiser entrar me encontre no corredor as 6 horas em ponto.", disse ela, indo direto ao ponto, enquanto eu apenas acenei com a cabeça e começava a me levantar. "Hum, Luke?"

"Sim?", me voltei para ela.

"Bom... nada..." Ela olhou para o chão e mordeu o lábio, mas pareceu mudar de ideia e me encarou, "Luke a festa de Outono já foi anunciada. Se eu te deixar entrar na secretaria você poderia... ir comigo?"

As palavras de Charlotte não faziam sentido, ela estava mesmo me chamando para a festa de Outono? Quer dizer, o que é uma festa de Outono? Bom, acho que não há mal algum, e afinal, eu preciso da ficha de Hope.

"Claro Lotte, sem problemas", sorri de lado.

Ela sorriu e olhou para o chão tentando esconder o tom de vermelho que suas bochechas se tornaram. "Ok. Tenha um bom dia..." Ela se virou para sair, mas parou e me encarou de lado. "Obrigada."

"Eu quem agradeço", dei uma piscadela.