Os Melhores de Nós
3 Gratidão
Notas iniciais
Não tinha demorado muito a dormir na noite anterior...
Foi a primeira noite tranquila que tive em meses, mas cara... como eu queria dizer que a manhã que seguiu foi tranquila também
Fui acordado com disparos, pela intensidade do som, provavelmente revolveres.
Levantei a cabeça devagar e vi um grupo de mais ou menos vinte runners caído no chão, e tinha um morto grudado em mim... não sei como não acordei antes, com toda essa bagunça
Quando eu finalmente dei partida em meu cérebro, percebi que dois homens, um carregando um fuzil e outro um revolver, estavam rendendo Ellen e Elizabeth.
–Eles devem achar que estou morto... -falei para mim mesmo — droga, não sei como ajuda-las
Continuei sem fazer barulho. Liz olhou surpresa para mim ao perceber que estava acordado, mas tentou esconder o espanto.
A essa altura, eu já estava com uma faca de peixe na mão, completamente furtivo, pronto para acertar no pescoço de um dos homens.
Foi quando uma flecha perfurou o cara do rifle diretamente na garganta, e eu aproveitei a situação para apunhalar o do revolver pelas costas.
Apontei a faca para a direção de onde veio a flecha.
–Quem está ai?! -Gritei
–Abaixa isso, moleque. -um homem de cabelos e barba grisalha saiu do arbusto mais proximo e fez uma arminha de dedo para Liz
–hey, baixinha. Parece que cheguei na hora certa -disse o barburo
O homem prendeu a besta que estava segurando em suas costas e colocou um charuto na boca, depois o acendeu, desperdiçando uns 4 fósforos
–Ei Gro, bom te ver — Disse Ellen, depois de ter se levantado vagarosamente
Eu estava muito confuso com aquilo tudo. Tudo que eu consegui entender foi que enquanto eu estava dormindo, mataram uma onda de runners, um deles estava dormindo comigo, depois um bando de idiotas armados chegaram.
E um velho barbudo matou um deles. Claro... faz sentido
–Vocês se conhecem? -perguntei, realmente curioso
–Gro faz parte de nosso bando... ele tinha saido ontem para procurar comida e não voltou mais — respondeu Ellen — Espero que ele esteja arrependido por ter demorado tanto.
–Ei... não tenho culpa se naquele deposito tinha algumas garrafas de birita... — disse o velho bebado
Não conseguia acreditar que tudo isso aconteceu em minutos. Estava tudo mais rápido que o normal.
–Esse bando de vocês tem mais pessoas?
–Mais uma duzia de pessoas mais ou menos... estamos sobrevivendo em uma fazenda de bovinos na saída sul de Washington — disse Gro — Eu, Ellen e a pequenina somos um grupo de batedores que mandaram para explorar essa área. Você teve sorte de ter sido encontrado, moleque.
–Sim... sorte. — não pude deixar de olhar para Liz enquanto dizia
Gro deu mais uma tragada em seu charuto
–Nós devíamos ter voltado para a fazenda ontem de noite, mas você apareceu... — Disse Liz, com um olhar perdido ( o qual devo acrescentar, que me encantou mais um pouco )
O grupo não parecia nem um pouco surpreso com os inúmeros cadáveres jogados no chão, contando com os dois fazedores-de-refém. Até eu ficara com pena dos dois homens
–bela estocada que deu no grandalhão ali, guri — Disse Gro agarrando o charuto entre os dedos sujos de sangue
–Estou acostumado a lutar com armas pequenas... — respondi — não foi difícil fazer com que não me percebessem
–O outro provavelmente teria disparado contra Gro se não tivesse o matado...
– Disse Liz com as bochechas coradas, contrastando com sua pele morena — Obrigada
Elizabeth me agradecera por algo que fiz. Acho que tudo isso valeu os oito meses que passei sem contato com viventes.
–Bem crianças, o papo está bom... mas tempos que partir — Exclamou Gro, expelindo a fumaça de seu passa-tempo — Ellen, tá tudo pronto?
–Sim, velhote. conseguiu arrumar a caminhonete? — perguntou ela
–Tudo pronto para irmos, gurizada! — gritou o velho
Ainda me esforço para entender, como minha vida passou de um nomadismo sem sentido para aquilo, em poucas horas. Como um velho apareceu do nada e colocou um clima humorado em tudo. E como uma garota apareceu para me tirar tantos sorrisos.
Eu estava sentado na parte de trás da caminhonete, lado-a-lado com Elizabeth. Contávamos histórias loucas de sobrevivência e sobre a vida antes do fim do mundo, e riamos juntos.
Tudo aquilo era muito divertido.
Mas tudo tinha um clima meio melancólico, pois não parava de pensar em meus pais, nos meus amigos e em tudo que perdi em todo esse tempo
Mas eu tinha novos amigos. E tinha Liz do meu lado... eu não precisava de mais nada
Depois de uma meia hora de viagem, Liz acabou dormindo em meu ombro, coberta por um trapo de linho que Ellen se esforçou para transformar em uma coberta. Tirei proveito da situação e acariciei seus cabelos negros, enquanto ela sorria durante o sono.
Acabei apagando junto com a garota, ainda segurando o revolver que pegara de um dos saqueadores.
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