Notas iniciais
Então,

Neste e no próximo capitulo começo a explorar o interesse dos meninos pelos clubes esportivos e tambem o relacionamento entre os personagens principais e secundários, como Heather e Hank.

Boa leitura!

–Quantos livros você já leu nessas férias, Heather? A garota tirou os olhos do livro e o pousou sobre a mesa, dando sua total atenção para Gil.

Se perguntados, a maioria dos garotos diria que ser encarado daquela forma por Heather Kessler era desconcertante. A morena era dona dos pares de olhos verde-água mais intensos que aquela escola já vira. Como se já não bastasse, os olhos não eram o único ponto forte daquela garota. Tudo nela era perfeito, desde a raiz de seus cabelos ondulados e bem cuidados, dos macios lábios volumosos, do corpo curvilíneo até as pontas dos pés perfeitamente manicurados. Heather era um estouro, e até as meninas ficavam enervadas ao se pegar sendo encaradas por ela.

–Você me conhece, Gil. Meu ponto fraco são os romances...

–A literatura nunca deveria ser considerada como ponto fraco... pois que ela só nos enobrece.

–Ah, senti falta dessa sua eloquência a essa hora da manhã.

Gil riu e se sentou em sua cadeira. Uma breve olhada ao redor da sala confirmou o que já sabia. Pegou várias caras curiosas desviando o olhar deles. Gil já devia estar acostumado com isso, posto que recebia os mesmos olhares quando andava com Catherine. Os alunos não podiam acreditar como um garoto tão antissocial como ele poderia prender a atenção de beldades como as senhoritas Flyin e Kessler. Alguém que ouvisse o que alguns rumores diziam sobre Grissom poderia acha-lo ser do tipo popular. Ora, o menino era conhecido e elogiado por todo o corpo docente do colégio por sua inteligência e educação. Era monitor e um dos melhores jogadores de baseball.

A verdade era que o menino tinha tudo para ser popular, menos a vocação. No primeiro ano dele no Instituto Batista Gil conquistou poucos amigos. Jim, Catherine, Albert e Heather. O resto eram somente colegas. Era tímido e só se sobressaia entre os seus companheiros quando explicava as matérias. E apesar disso, ainda tinha atenção de duas das garotas mais populares do colégio. E várias outras querendo lhe chamar a atenção, coisa não muito fácil de fazer.

Gil sentou-se na cadeira e começou a discutir com Heather os pontos altos do romance que a garota tinha em mãos. Gil ,como ávido devorador de livros, conhecia muitos títulos que eram guardados na biblioteca de sua casa. O livro em questão fora recomendado pelo garoto.

Quando a aula começou Heather voltou sua atenção para o professor enquanto Gil se deixou devanear. Os primeiros dias de aula eram sempre assim, informações e detalhamento sobre o curso. Nada que fosse fazer falta para o menino.

Seus pensamentos voaram para Heather e o relacionamento deles. Assim como Catherine, a jovem era linda, sociável e incrivelmente cobiçada por todo o corpo de alunos, e com certeza, alguns professores. Gil ficou surpreso quando se pegou considerando Heather uma amiga, assim como a maioria dos garotos do colégio.

Tudo começou na aula de química, quando ele foi sorteado para fazer dupla com a garota. Ele tentou conter seu desagrado com a escolha da dupla. Em sua experiência acadêmica fazer dupla com alguém do tipo de Heather era fazer o trabalho de duas pessoas sozinho. E Gil já estava farto com isso. A jovem, porém, além de bela parecia ter o poder de ler seus pensamentos. Mal acabara de amaldiçoar a divisão e Heather falou pela primeira vez com ele.

–Não se preocupe, eu não vou deixar você fazer todo o trabalho todo sozinho.

–Eu não falei nada disso.

–Nem precisava seu olhar já disse tudo.

Gil olhou para frente, emburrado. Detestava quando as pessoas conseguiam sentir o que passava pela sua cabeça. Não tinha vontade nenhuma em ser conhecido. Heather também olhou para frente, tendo sentido que o menino a seu lado não estava muito feliz com a conversa.

Foi somente quando as aulas realmente começaram que Gil pode desfazer as primeiras impressões que tivera dela. Conforme as atividades eram passadas, Heather mostrava uma inteligência espetacular. Parecia ter o mesmo nível inteligência que Gil, e isso para ele era extremamente atraente.

Heather também se mostrou muito apta a ler as pessoas, o que também impressionava aquele garoto que tinha tantos problemas com suas próprias emoções. O jeito de ela lidar com os outros o hipnotizava. Descobriu que isso se devia ao fato de seus pais serem antropologistas, o que culminou em muito tempo de conversas profundas entre eles.

Como era de se esperar toda a atração no nível intelectual levou os dois a uma grande atração física. Gil estava muito relutante de início, já que quando entrou no colégio sua intenção era somente estudar. Heather, porém, era uma jovem muito atraente. E Gil, somente um menino caindo nos charmes do sexo oposto. Os dois eram muito discretos e nunca anunciaram seu relacionamento. Heather não via problema em contar, mas sabia que Gil gostava muito de sua privacidade. O que veio a calhar, já que o relacionamento deles não durou mais que uns dois meses. Heather estava disposta a manter segredo do relacionamento, se sentisse que estar com ela era realmente o que Gil queria. Mas o garoto dava mais atenção para seus estudos do que para ela. Um dia ela se virou para Gil e falou:

–Olha, eu gosto muito de você, e sei como isso aqui- ela apontou o colégio – é importante para você. E é por isso mesmo que vamos parar por aqui. Quero continuar sendo sua amiga, Gil, e continuar como estamos só vai nos machucar daqui para frente- “Provavelmente eu”

Gil ficou chateado, é claro, mas logo entendeu aonde a menina queria chegar. Ele sabia que não dava a atenção que devia a Heather, mas não podia evitar. Estava no colégio para aprender, e o que queria mais nesse mundo era ter um histórico escolar excelente para poder entrar em uma das mais prestigiadas faculdades. Deixando de lado os aspectos da vida social. O máximo que fazia nesse quesito era o time de baseball. Tentar conciliar o esporte, o colégio e a namorada era impossível, e não queria machucar Heather. Foi o melhor que eles poderiam fazer.

O fim do namoro não acabou com a amizade. Nenhum dos dois saiu extremamente magoado, e ainda se davam muito bem. Isso só fez enternecer mais Heather aos olhos de Grissom. O garoto agora a considerava como uma grande amiga e era extremamente protetor dela, assim como para Catherine. Tal fato incentivou os rumores de que Gil mantinha um relacionamento com Heather, motivo pelo qual agora ele era o centro das atenções da aula.

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As aulas transcorreram muito devagar naquele dia para Warrick Brown. Ele, assim como muito de seus amigos do primeiro ano, esperava ansiosamente a última aula do dia, Educação Física. Pois era nela que ele teria a chance de se juntar a um dos prestigiados clubes da escola.

Por ter uma ótima estrutura física, O Instituto Batista era conhecido por mandar ao menos um de seus times para os campeonatos estaduais. As salas de treinamento dos atletas eram bem equipadas para atender as demandas dos treinadores. Existiam três piscinas abertas e uma coberta, para os atletas da natação treinar em dias de chuva. Os atletas eram incentivados com bolsas na mensalidade e existia uma regra de um desempenho acima da média para que os meninos continuassem a defender o clube.

Quando ingressou no colégio Warrick já tinha um caminho traçado. Ele almejava alcançar uma bolsa de estudos por meio do basquete para ingressar na faculdade. O garoto era um excelente jogador e tinha boas notas. E quem sabe dali sair para jogar com seus astros na MBA? Era um sonho alto, mas Warrick acreditava em seu potencial. E mais do que realizar esse sonho, o que o movia era imaginar o orgulho no rosto de sua avó ao ver que ele conseguiu chegar tão longe? Esse pensamento era seu maior incentivo em sua luta para realizar seu sonho.

Foi com confiança que Warrick se dirigiu para o ginásio com seus amigos. Ele sabia que Nick tentaria uma vaga no time de Futebol americano, mas que não era nada que ele realmente queria. Sabia também que Sara e Wendy pretendiam passar longe desses clubes. Quanto aos outros não via ninguém comentando sobre o assunto. O garoto riu para dentro, pensando que estaria fácil para ele ganhar uma vaga por entre os meninos de sua turma. Greg, Archie e Henry eram franzinos demais, provavelmente interessados no clube de Química.

Nick, Warrick,Greg, Sara e Wendy estavam sentados juntos esperando o professor Patrick Hayes terminar a chamada. Rick notou que seu amigo de cabelos espetados parecia nervoso.

–Que foi cara? Parece que nunca fez aula de E.F na vida! Não vamos te machucar não.

–É isso o que os valentões falam...mas depois, geralmente sou o último a ser escolhido e no fim das contas o primeiro a sair por uma bolada no nariz!Sou frágil e inteligente demais pra ficar correndo atrás de uma bola!

–Bom, se voce saísse de frente da bola ajudaria né...- comenta Nick, seu tom caçoeiro.

–Há,há... tá vendo... já começou!

Greg estava divertindo a todos contando suas aventuras passadas em sua outra escola, aumentando suas reações de forma hilária. Era verdade que ele não era muito bom em esportes, tendo seus pais desde cedo o proibido de fazer qualquer coisa que pudesse machucar seu único filho.

Enquanto Greg falava, a atenção de Wendy foi tomada por barulhos e risadas vindas de outra quadra, a qual era ocupada pelos estudantes do 2 ano. Nela os alunos faziam aquecimento antes de começar suas atividades.Os meninos estavam divididos em 2 grupos, um time de camisa e outro sem. Wendy percorreu os olhos pelo campo, apreciando a vista. Era uma partida de futebol. Quando seus olhos bateram em alguém especial não se conteve e chamou a atenção de Sara.

–Olha ali o teu amiguinho- ela disse apontando para um Gil sem camisa, que agora conduzia a bola.

Sara olhou e ficou maravilhada com a visão. Sabia,por intermédio de Catherine, que Gil era um atleta. Logo era de se esperar que seu corpo fosse saudável. Mas ver aquele corpo era uma realidade totalmente diferente de imaginar. Gil não tinha um corpo bombado de academia. Seus músculos eram definidos de uma forma natural. Sara teve vontade de percorrer suas mãos por ele, a fim de ver se era tão bom quanto parecia.


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Do outro lado da quadra corria uma partida de futebol disputada. As meninas esperavam sua vez e torciam para seus amigos.


O jogo estava empatado em 3x3. O time de Gil tinha a posse da bola há uns 2 minutos, trocando passes e tentando colocar a bola na meta. Foi quando Albert arrancou com a bola nos pés e chegou bem perto da área que viu Gil livre. Passou para o amigo, que driblou o menino a sua frente e ficou de cara para o gol. Quando pensou em finalizar foi pego de surpresa por uma jogada desleal. Um carrinho por trás. Gil gritou de dor e caiu. A confusão se generalizou e o professor/técnico Edward foi ver o que acontecia.

Albert correu para o amigo e perguntou:

–Cara, você tá bem?

–Estou...- Gil disse enquanto se sentava e mexia com a perna, fazendo uma cara de dor

Hank, quem tinha feito a falta chegou perto dos jogadores a pedido do professor e já levava uma bronca.

–Expulso?! Qual é, ele tá encenando- Hank reclamava e gesticulava para Gil.

–Qual o teu problema, cara? Era só um jogo treino e você veio na maldade!- Gil reclamou.

Na verdade, Gil já estava meio irritado com Hank. Os dois vinham se estranhando desde o inicio do ano. O que era muito estranho pois, até aquele momento Gil e Hank eram totalmete cordiais um com o outro.

O professor logo separou os dois e mandou o jovem infrator para o vestiário. Como a falta tinha sido na pequena área Gil cobrou um pênalti e marcou para seu time, antes de terminar o jogo.

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Ao final das aulas os professores instruíram os alunos que quisessem ingressar no time para que ficassem para trás, para que resolvessem as coisas. Ficaram no grupo Warrick e Nick, que foram se reunir a Jim, que terminava um treino agora.