Os Marotos e a Pedra De Kernefhere
2 Capítulo 1
Notas iniciais
O dia amanhecera fresco. Uma leve brisa gélida arrepiava ate o pelo mais fino que existia em um corpo. Não fora necessário se sufocar com tantos casacos como era necessário na Rússia. E, embora o céu daquela região fosse menos limpo, era possível admirar a beleza épica que pudera apenas apreciar pelos livros que lera.
Os vidros do grande carro preto cheio de malas, se embaçavam devido ao fato de que haviam cinco pessoas respirando e liberando seu calor no mesmo espaço pequeno. Com a ponta de seus dedos, a garota que se perdia em pensamentos , escrevia seu sobrenome. O sobrenome que aquela família havia lhe dado, sendo seguido de outro sobrenome que pertencia ao seu pai, seu verdadeiro pai.
–...a casa é extremamente espaçosa e...- tagarelava a mulher , que se sentava ao lado do banco do motorista, com muito entusiasmo. -...consegui com que pintassem os quartos da cor que cada um de vocês gosta.
Cortando sua linha de pensamento e se forçando a prestar atenção no diálogo que ocorria entre sua mãe adotiva e sua irmã, a garota apenas traçou um risco, ainda com a ponta de seu dedo, sobre o seu verdadeiro sobrenome.
– Eu queria aquela casa que tinha um quarto com banheiro para cada um. — resmungou sua irmã, enrolando entre os dedos uma mecha das madeixas loiras claríssimas. — Não quero ter que dividir banheiros.
– Roxanne, Dumbledore recomendou que procurássemos bairros que tivessem a presença de gente como nós. — explicou-se novamente o patriarca, olhando pelo retrovisor com uma careta.
Com um torcer de lábios, totalmente contrariada, Roxanne apenas recostou sua cabeça do estofado do banco e fechou os olhos.
– Mas se eles nos mandam para um bairro trouxa, por que temos que ficar perto de gente como nós? Não faz sentido. — resmungou ela.
A garota olhou de esguelha para a irmã e franziu o cenho, como se pedisse para ela ficar quieta.
– Não me olhe assim Constance.
– Assim como?
– Assim. — Roxanne apontou para seu rosto, quase acertando seu olho — Como se tivesse comido algo azedo.
– Ora, Roxanne, não insulte sua irmã! — Astarte protestou no banco da frente, fuzilando a filha com os olhos.
– Ela que está me insultando me olhando desse jeito.
Constance deu de ombros. Na verdade ela odiava discutir com Roxanne, quase sempre o motivo era banal e leviano. Então, como seus pais recomendavam, preferira virar o rosto para o lado contrario, novamente para a janela, a fim de ignorar os ataques de humor de Roxy.
Seu outro irmão estava do outro lado, atrás do banco em que sua mãe ia. Ele , ao contrário do resto que estava ali, dormira durante toda a viagem de carro. Em seu colo estavam quatros livros extremamente grossos, cada um sobre um tema especifico. Randall havia sido convidado a lecionar naquele ano em Hogwarts, e este já se preparava com muito afinco.
– Já estamos chegando? — questionou Roxy, erguendo os pés para o vão que existia entre os dois bancos da frente. A loira choramingou quando uma palma de mão feminina estapeou a perna mais próxima. Astarte virou-se para trás, os orbes azuis brilhavam. Mas não era um brilho bom.
– Não faça mais essa pergunta.- ela disse, arqueando a sobrancelha clara. Seu tom de voz era um claro aviso de que , caso, aquela pergunta viesse de novo a tona, algo de terrível aconteceria.
– O recomendado para essas viagens é preparar uma poção do sono para a nossa comunicativa Roxanne. — Constance olhou de canto para o retrovisor e viu que seu pai, Amun, ria do que dissera.
Ele parecia um pouco empolgado. Mais empolgado do que todos naquele carro, talvez menos do que Astarte.
A experiencia que tiveram no bairro bruxo que se situava na Rússia não fora agradável. Em uma noite, logo após um jantar calmo, seu quarto fora invadido por uma apavorada Roxanne gritando que a casa estava pegando fogo e que todos deveriam sair dali. Mas não haviam se prevenido do que se tratava o ataque, e logo, ao chegar na calçada, foram abordados por quatro sombras que vieram em suas direções numa velocidade assustadora.
Em um minuto estava dormindo, noutro sua família estava sendo atacada brutalmente.
E agora eles estavam , novamente, se mudando.
Escutou Astarte soltar um gritinho entusiasmado e apontar para uma construção bonita, e não muito grande. Tendo um portão com grades retorcidas na cor preto ônix e um jardim pequeno na frente. Parecia ser o adequado para eles, depois de terem sido tão brutalmente expulsos de casa.
Percebeu que Amun diminuía a velocidade do carro, ate que ele parava em frente ao portão que dava acesso a uma garagem de pedra.
Nenhum pouco preocupado, Amun apenas observou com atenção a tranca do portão, e não foi surpresa nenhuma quando o portão se abriu sozinho. Constance olhou para o lado, e percebeu que na casa da frente uma senhorinha continuava a varrer o gramado, como se nada tivesse acontecido.
– Nosso pai usou uma espécie hipnose...- escutou-se, pela primeira vez em duas horas, a voz de Randall. -...para aquela senhora, um de nós teria descido do carro e aberto o portão.
Roxanne bateu palmas , observando, com admiração , seu pai.
– Você pode fazer isso também...- Conny sorriu, pensativa. -...eu gostaria de poder fazer isso.
Assim que o carro ultrapassou o portão, ele se fechou. Astarte foi a primeira a sair, ansiosa.
– Venham crianças...- ela parecia uma criança naquele momento, pensou Conny rindo internamente.
– Mãe. — resmungou Roxanne, assim que começaram a caminhar em direção as escadas de pedra que levavam ate uma porta de madeira maciça toda ornamentada.
Astarte então pediu para que Amun fosse o que abrisse a porta e entrasse primeiro. E assim ele o fez, prontamente disposto a satisfazer o desejo de sua esposa.
Embora a casa não fosse tão bonita quanto a que moravam anteriormente, Constance podia perceber a sua beleza em cada detalhe.
– Que legal! Que legal!- empolgou-se Roxy, andando ao redor do sofá coberto por lençóis brancos. Ela então observou as escadas que se localizavam na lateral e então voltou-se para a sua família.
Astarte retirou da mala, uma espécie de jarro de vidro muito bonita. Em seu interior podia ser visto uma espécie de areia vermelha.
– Para que possamos nos sentir, verdadeiramente, em casa. — e então o jarro foi colocado em cima da lareira.
E então, agarrando duas malas, Roxanne correu com muita disposição para o andar de cima.
– É...espero mesmo que me sinta bem aqui logo.- Resmungou Constance, pegando suas coisas para poder conhecer seu quarto novo.
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Durante toda a viagem, Roxanne manteve-se a espera de algo que ela tinha esperança que surgisse quando chegasse em Londres. Amigos.
Embora não parecesse, Roxanne gostava de fazer amigos e se aproximar de outras pessoas que não estivessem envolvidas com a sua grande "família".
Seu novo quarto era simples demais e ela se comprometera a reorganiza-lo naquela mesma tarde.
E , embora não fosse a "Sra. Organização" igual Constance, atribuiria a si mesma a função de arrumar o quarto. Sabia que assim que possível, o tal famoso Dumbledore mandaria um elfo para poder ajudar sua mãe nos afazeres domésticos.
Mas era algo bem pessoal.
Largando as malas no chão, alisou a parede pintada na cor violeta com as unhas e sorriu animada. Embora as circunstancias fossem tristes, ela ate que estava feliz por ter saído da Rússia. Alem do fato do lugar ser muitíssimo mais frio, os garotos não pareciam ser o suficientemente divertidos para ela.
Não estranhou quando uma gata adentrou seu quarto. Viu-a, toda desinibida, pular sobre a cama e aninhar-se sobre um lençol branco velho. Era a gata da família Miara, da famosa raça "mau egípcio".
– Oi Mia...- buscou traze-la, rapidamente, para o seu colo, e começou a andar pelo quarto.-...gostou da casa?
O ronronar da gata trouxe uma afirmativa.
Estava claro que Miara não poderia ser levada para Hogwarts. Sua mãe sentiria muita falta dela.
Então soltou-a e andou, ainda com animação , na direção da janela. Queria poder ver o lado de fora, e também a casa vizinha.
Afastando a cortina velha, que em breve seria trocada, pode vislumbrar a lateral de uma casa grande. Tendo três janelas nas laterais, era possível ver que haviam muitos cômodos ali.
Nenhuma das cortinas estavam abertas, então ela desistiu de bisbilhotar.
– Gostou do quarto? — e em seguida passos sob o assoalho denunciaram que seu irmão entrara no quarto. Virou-se pra ele, afirmando com um aceno. — Também gostei do meu quarto... Mamãe soube qual ambiente escolher para cada um.
Roxanne não compreendeu de primeira, mas assim que visitou o resto da casa, pode perceber que, enquanto seu quarto era enorme e tinha uma janela gigante onde, acoplada a ela, vinha a ter um banco almofadado fixo e o seu guarda roupa era mais um cômodo, separado por duas portinholas, na de Randall haviam duas janelas e uma mesa feita de pedra, muitíssimo bonita. E no quarto de Constance, havia uma estante gigante e uma janela parecida com á do quarto de Roxy.
Conny estava sentada na cama, organizando algumas coisas. Ela fingia que não ligava para os irmãos analisando seu quarto, mas sempre dava algumas olhadelas para ver o que estavam fazendo. Seus cabelos ruivos ondulados e cheios, contrastavam com a parede verde água em tom claro.
Roxanne, apoiada na bancada abaixo da janela para espiar a vista da irmã, deu uma risadinha e correu para se jogar na cama da irmã.
– Roxanne! — exclamou Conny — Minhas coisas! Estou organizando, sai de cima!
– Parece que tem alguém nos espiando.
Randall franziu o cenho.
– Espiando? — caminhou até a janela, procurando a pessoa da qual Roxy falara. Não viu nada. — Não há nada.
– Na casa dos vizinhos, Randy. Eu vi.
Randall continuou observando, a expressão se fechara. Estava mais do que óbvio que ele odiava bisbilhoteiros.
– Não ligue para isso, Randy. — Conny parou com a sua arrumação, apenas para tentar tranquilizar seu irmão.
Enquanto isso Roxanne parecia se empolgar com a possibilidade de vizinhos jovens.
– Espero que não sejam muito velhos, se não papai vai azedar sobre podermos conhecê-los.
Com uma revirada de olhos, Constance voltou a se dedicar a arrumação.
Miara pulara sobre o banco junto a janela e vistoriou todo o jardim, miando.
– Até você percebeu, né Mia?! — Roxy voltou a se aproximar, apenas para empurrar Randall da janela. — Sai daí , seu trasgo... vai assustar nossos vizinhos.
Randall fuzilou-a pelo insulto, e quando se aproximou, um grito feminino veio do andar de baixo, os colocando rapidamente em alerta.
– Hora da faxina. — Murmurou Constance, colocando-se de pé e observando que seus irmãos ainda se estranhavam. Aproximou-se a ponto de tocar no ombro de cada um, a ponto de os acalmar e então, levá-los até Astarte.
– Não é melhor usarmos as varinhas? — resmungou Roxy, preguiçosamente. Seus orbes haviam se acalmado a ponto de piscarem demoradamente.
– Mamãe diz que o trabalho dignifica o homem. — Randall explicou, enquanto passavam pelo corredor.
– Mas não sou homem, então isso não me dignifica.- a loira sorriu , esperançosa de poder voltar a bisbilhotar os vizinhos.
– Não seja idiota Roxanne. — Constance não conseguiu segurar o insulto.
– Vocês não aguentam nem uma brincadeirinha, credo. — a loira bufou, andando mais rápido que os irmãos.
Ao chegarem no andar de baixo encontraram seus pais, com produtos e acessórios de limpeza trouxas a mão. Os jovens fizeram cara de poucos amigos.
– Vamos faxinar?
– Ah, pelo amor de Merlin, mãe. — reclamou Roxy — Vocês têm varinhas para que?
– Você e Constance não podem usar magia fora da escola. — explicou-se Astarte — Nós estamos nos juntando a vocês.
No final, foi-se feita uma divisão de serviços. Sendo que Roxanne e Constance ficariam com todo o primeiro andar, Astarte e Amun no térreo e Randall limparia o quintal.
– Isso é injusto.- resmungou Roxy, prendendo os longos cabelos num rabo de cavalo muito mal feito. Iriam começar pelo quarto de seus pais. Ao entrarem, ambas suspiraram num antecipado cansaço.
Haviam jornais jogados por todo o lado, culpa dos pintores que não limparam a bagunça logo após terem completado o serviço.
– Isso vai ser bem chato.- Roxy disse, agaichando-se para pegar e jogar no saco preto todo o jornal.
– Eu acho que mesmo que pudêssemos usar as varinhas fora da escola, eles nos fariam limpar como os trouxas fazem.- Constance respondeu, alheia à raiva de Roxy. Aprendera a absorver os sentimentos da irmã, a ponto de ignora-lo. Obviamente que era apenas com Roxanne que conseguia fazer isso ainda.
Durante o resto da tarde as irmãs apenas recolheram jornais, misturaram os mais diversos produtos de limpeza destinados a assoalhos de madeira, espanaram e limparam os moveis, arrumaram as camas e lavaram o banheiro. E , embora não estivessem terminando ainda, às 17h, pode-se ouvir pela casa o choramingo alto de Roxanne e as gargalhadas de Constance.
– Para de rir.- Gritou Roxanne enfurecida, revezando-se entre sentir a dor do tombo que levara no meio corredor e de tentar agarrar a vassourar, para espancar sua irmã.
– Você é muito idiota. — Ria Conny, os orbes verdes marejados. — Eu avisei duas vezes da poça de água com sabão...
– Chega...- A loira cruzou os braços, e deitou-se no chão, irritada e dolorida.
Escutaram passos apressados e então Astarte, usando um lenço colorido no cabelo para protegê-lo de todo o pó, avistou Roxanne deitada e assustou-se.
– Oh Merlin!- Gritou afobada, soltando o rodo e correndo pelo corredor.
A expressão de Constance mudou no segundo seguinte de risonha para preocupada. Abriu a boca, prestes a avisar sobre a poça, mas viu, com alivio, Astarte desviar-se dela e se aproximar de Roxy.
– Ela caiu.- comentou Conny, sentindo-se culpada, embora também soubesse que avisara à Roxanne o perigo da poça todas as vezes que passaram pelo corredor, para limpar os quatro cômodos ali existentes.
– Oh, coitadinha.- Astarte afagou a cabeça de Roxanne, penalizada.
– Você só é legal comigo quando eu me machuco, né mãe? — Roxy fez um beicinho, enquanto Astarte a ajudou a levantar.
– Não faça drama, querida. — a mulher disse, enquanto analisava a filha dos pés a cabeça — Está tudo bem?
– Está, mãe. Não se preocupe.
Conny mordeu os lábios, observando aquela cena. Estava desconfortável. Encostou-se na parede, cruzando os braços. Lembrou de sua mãe, a verdadeira. Quando era pequena, Constance era desastrada e vivia caindo, e sua mãe sempre estava por perto para ajudar-lhe. Suspirou e deu um sorriso para Astarte, quando a mesma olhou para si.
– Acho que chega por hoje, não? Estão todos estressados e cansados. – a mulher acenou sua varinha, fazendo a poça e os produtos de limpeza desaparecerem.
– Vamos jantar? — perguntou Roxanne, assim que sua barriga roncou. Sua mãe riu.
– Farei rapidinho.
A loira sorriu empolgada e voltou-se para Conny, ao perceber que ela buscava sua empolgação, sorriu e balançou os ombros.
– O que posso dizer? Uma bela janta sempre é bem vinda, ainda mais quando estou com toda essa fome..- as três sorriram entre si.
Antes de descer, Astarte abraçou as duas com muito carinho e segurou a mão de cada uma.
– Estou muito feliz que estejam bem.- a loira mais velha suspirou, e as irmãs souberam que Astarte se lembrava do ataque na Rússia. Então os orbes azuis, parecidos com os de Roxy, brilharam especialmente para elas. — Amo vocês duas...- soltou as mãos e piscou.-...vão tomar um banho.
Roxanne concordou, e quando Astarte desceu as escadas, a loira franziu a testa e enrugou o nariz. Olhou para Conny, que parecia estar distraída, observando o término da limpeza que se seguia somente com o uso da magia, e então ergueu um dos braços e aspirou, fazendo uma careta. Escutou o riso de Constance, que vira a ação da loira, e corou de leve.
– Preciso mesmo de um banho.- Roxy apressou-se para chegar no banheiro, ainda escutando Constance rir..
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Os amigos liam os novos livros que James havia ganho de sua madrinha. Sirius parecia bem entendiado, ao contrário do outro garoto, que estava bem interessado.
– Ah, James! — o Black exclamou, jogando o livro longe. O amigo lhe fuzilou com o olhar — Pelo amor de Merlin, vamos fazer alguma coisa.
– E o que o senhor está pensando em fazer, hm? — o Potter questionou, juntando o livro que fora jogado.
– Quem sabe visitar algumas garotas? — Sirius ergueu as sobrancelhas, indicando a janela com a cabeça.
James bagunçou os cabelos, parecendo ponderar a ideia.
– Não sei, Padfoot...
– Qual é? São garotas. Garotas, Prongs!
– Tudo bem, mas primeiro vou falar com a minha mãe! — disse James, fazendo o Black comemorar com uivos. Ambos riram. — Ela quer dar as boas-vindas aos vizinhos desde que eles chegaram.
– E isso quer dizer...
– Isso mesmo. Torta de abóbora.
Não precisaram nem ir atrás da matriarca Potter, porque segundos depois ela surgira com um sorriso terno no rosto. Os cabelos castanhos misturavam-se aos muitos grisalhos, e os orbes castanhos-esverdeados brilhavam.
– Percebi que estavam falando dos nossos vizinhos.- a voz soou empolgada.
James arqueou a sobrancelha.
– Andou escutando atrás da porta, eim mãe?
Euphemia, corando de leve, negou rapidamente.
Sirius levantou-se rapidamente e correu ate ela, abraçando-a pelos ombros.
– Essa nossa mãe não tem jeito, ein, Prongs?! — balançou a cabeça, fingindo indignação.- Será que teremos que contar ao nosso pai essas travessuras?
James também se levantou, e juntando-se aos dois, abraçou Euphemia e escutou-a rir de leve, aconchegada entre os dois rapazes,seus filhos.
– Acho que podemos negociar... certo sra. Euphemia Potter? — James retrucou.
A matriarca empurrou os dois e se afastou, suas mãos procuravam, afoitos, o tecido de seu vestido florido.
– Seus bobos.- resmungou divertida. — Eu só queria dizer que o bolo esta quase pronto, e se vocês quiserem se juntar a mim, poderíamos fazer uma visita!
Sirius e James se entreolharam, ambos sorrindo. Logo em seguida concordaram, porem a troca de olhares não passou despercebido por Euphemia.
– Não quero travessuras, estamos entendidos mocinhos? — ela apontou para os dois, e então colocou as mãos na cintura. — Vou terminar e assim que estiver tudo pronto, virei chama-los.
E ela saiu do quarto, rapidamente.
Não demorou até que a torta ficasse pronta. James desarrumou mais os cabelos e Sirius ajeitou as roupas. Satisfeitos, encontraram a mulher na sala. Euphemia havia trocado de vestido e seus cabelos estavam soltos, em suas mãos a torta soltava vapor e cheirava muito bem.
Os três saíram da moradia dos Potter, atravessaram o jardim e foram até a casa vizinha. Os portões estavam fechados, então tiveram que bater palmas até alguém botar a cabeça para fora da janela.
– Olá?
– Olá! Somos seus vizinhos, queremos dar as boas vindas! — gritou Euphemia, sorrindo gentilmente.
A menina ruiva voltou para dentro da casa. Algum tempo passou, mas os portões foram abertos e a porta também.
A garota que os recebeu era diferente da que falou com eles do portão. Era loira e risonha, e os tratou muito bem.
– Olá, querida! — Euphemia cumprimentou-a, enquanto terminava de subir as escadas.
– Olá! — a loira saiu da casa, a fim de recebe-los melhor.
Os orbes azuis voaram de Euphemia para os dois rapazes, e por segundos o brilho neles não era nada inocente.
Euphemia tossiu discretamente, percebendo os olhares. E ao ver que a loira voltara-se para si, sorriu mais largamente e estendeu a mão.
– Sou Euphemia Potter, a vizinha do lado. — apontou para a casa grande.E então apontou para os rapazes. — E esses são os meus garotos, James Potter e Sirius.
A garota, concordando a cada nome falado, apressou-se em descartar o aperto de mão e abraçou Euphemia de maneira afetuosa.
– Sou Roxanne. — apresentou-se. E olhando para dentro de casa. — Oh! Que indelicadeza...entrem.
Os Potter e Sirius adentraram na casa, pedindo licença. Roxy fechou a porta atrás deles e correu para lhes indicar a sala.
Sentaram-se nos sofás, enquanto Roxanne colocava a torta na cozinha. Voltando de lá, trouxe um conjunto de xícaras e bule, além de seu sorriso radiante.
– Oh, não precisava, querida. — murmurou Euphemia — Não viemos incomodar.
– Imagina, não estão incomodando.
– Roxanne? — uma outra loira, porém mais velha, descia as escadas. Ela parecia surpresa. — Temos visitas?
Roxanne levantou-se rapidamente e apressou-se a andar até a outra mulher, pegou-a pela mão e a puxou, empolgada.
– Mãe, são os nossos vizinhos, os Potter. — Comunicou.
Assim como manda a etiqueta, Euphemia levantou-se e ,com apenas um olhar, mandou os garotos também se levantarem.
A loira mais velha sorriu para eles e, limpando as mãos na saia , esticou-a para cumprimenta-los decentemente.
– Sou Astarte.- E apertou a mão de cada um.
– E eu sou Euphemia, esses são meus meninos Sirius e James Potter. — Apontou para cada um.
Astarte, meio que pega desprevenida, apontou para o sofá para que eles pudessem voltar a se sentar. E assim o fizeram. Percebendo que Roxanne trouxera o chá que ela preparara para o lanche da tarde, sorriu para a filha.
– Me desculpem pela bagunça...- o comentário soara desnecessário, pensou James ao observar toda a sala, extremamente organizada e limpa.- Estivemos correndo contra o tempo para que a casa ficasse apresentável.
– Entendo querida. — Euphemia concordou, observando a sala com admiração. — E esta decoração é muito bonita, meus parabéns.
– Devo tudo aos meus filhos. — Apontou para Roxy, que agora parecia ter ficado tímida, sentada ao seu lado.
A conversa continuou de modo muito superficial, e então, querendo ter com quem conversar, Roxanne se levantou e sentou-se de frente para James e Sirius.
– Vocês moram nesse bairro a muito tempo? — Questionou,assim que se sentou, fingindo não notar os olhares furtivos dos garotos fixos em suas pernas nuas.
Sirius segurou um sorriso maroto e apenas cutucou James.
– Moramos aqui desde que me entendo por gente. — James respondeu, passando uma das mãos por entre seus cabelos e sorrindo para a loira.
– Já eu moro aqui desde o ano passado. — Esclareceu Sirius, observando com atenção cada movimento que Roxanne fazia, a fim de tentar ver se ela estava "afim" de algum deles. Não seria tão ruim, ainda mais com uma coisinha tão linda como ela...
Mas a loira sorria para os dois da mesma forma. O olhar confuso dela divertiu ambos.
– Como assim?
– Eu sou um Potter adotado. — Sirius respondeu rapidamente, arqueando a sobrancelha.
– Ah... — a loira concordou, fingindo que entendera.
– Roxy, porque não chama seus irmãos aqui?! — Astarte virou-se para a filha, pousando a mão em seus ombros. — Quero que conheçam os nossos vizinhos.
Concordando, Roxanne sorriu para os garotos, numa promessa muda de que voltaria, e correu escada acima.
– Você tem uma filha linda. — Euphemia comentou, analisando Sirius e James com severidade.
Ambos deram de ombros e riram baixinho, nem um pouco constrangidos com a situação. Astarte sorriu com aquilo e apenas balançou a cabeça.
– Sim, todos os meus filhos são muito bonitos. — E ela sorriu timidamente.- Embora a opinião de mãe não conta,né?!
– Sim.- Euphemia riu, voltando-se novamente para Astarte.
Segundos depois, Roxanne voltou apressada. Logo atrás dela vinha um rapaz,acompanhado da mesma ruiva que os vira pela janela.
Astarte se levantou e apressou-se a puxá-los, como Roxanne fizera antes.
– Esses são meus outros filhos, Randall e Constance. — Apontou para o rapaz e para a ruiva. — Randy e Conny, esses são os nossos vizinhos, os Potters, Euphemia e os filhos dela, James e Sirius. — E novamente se levantaram, um a um,apertando as mãos educadamente.
A ruiva não parecia estar muito a vontade, já que apenas tocara de relance na mão dos rapazes, como se não quisesse tê-los ali. Era quase rude. Mas seu semblante era calmo, tranquilo até.
E era muito bonita, pensou Sirius, revezando-se em analisar Roxanne e Constance.
Mas os cabelos vermelhos da moça lhe chamavam muito mais atenção. Sentiu James trombando seus ombros e piscou, curioso.
– Para de encarar ela, cara!
O Black disfarçou, olhando para o relógio na parede atrás da ruiva.
– Do que você está falando? Eu só estava vendo as horas.
James rolou os olhos.
Porém, logo Sirius, continuou a analisá-la. Das pernas, cobertas até o joelho pela saia, aos seios, cobertos demais pela blusa, até o rosto, duro, contudo angelical. E sexy.
– Você está fazendo de novo... — sussurrou o amigo — Sirius, ela vai perceber.
Mas já era tarde demais. Constance olhava para o Black com o cenho muito franzido. A expressão era de raiva e surpresa unidos. Sirius havia exagerado.
– C-com licença! — a ruiva se levantou, repentinamente, assustando Astarte e Euphemia — Eu não estou me sentindo bem. Posso ir para meu quarto?!
– Claro, querida... — a mãe autorizou, observando a filha correr para as escadas.
Roxanne arqueou a sobrancelha, e voltou-se para Sirius, como se pudesse ler cada pensamento que estivera se passando por sua mente.
Randall apenas respirou fundo, e sentou-se ao lado da mãe, polido como sempre.
– Gostou da minha irmã? — A pergunta saíra sem Roxy perceber, em um tom baixo.
Sirius franziu a testa, um tanto desconfortável por ver que Constance correra por te-lo visto analisando-a tanto.
– Bem...- desconversou coçando a nuca.
A loira apenas cruzou as pernas e sorriu divertida com o embaraço. Aquele rapaz parecia ser o tipo de pessoa que não se constrangia tanto, e estava sendo ótimo deixa-lo daquela forma.
Mas ao contrário do que ela pensou, Sirius apenas acompanhou o movimento das suas pernas. Como um bom cachorrinho atrás de um osso , pensou a loira segurando o riso.
– Então...- James ficara constrangido pelas ações de Sirius, e então tentou chamar a atenção de Roxanne. -...vocês vieram de onde?
Roxy desviou os olhos de Sirius e sorriu para James.
– Da Rússia.
– Ah, então temos uma família Russa aqui. — Sirius voltou a se sentir confortável, porque já voltava a flertar com a garota na frente do irmão e da mãe dela.
– Na verdade, viemos do Egito. — Especulou Roxy, como se não ligasse para as suas origens.
Ambos observaram Randall voltar-se para Roxanne e então aproximar-se para sussurrar-lhe algo. Ela apenas concordou e sorriu despreocupada.
– Já volto. — ela se levantou novamente.
Minutos depois Roxy voltava trazendo um bolo já cortado em diversos pedaços e vários pratinhos. Ela os colocou na mesinha e sorriu para Euphemia.
– Espero que gostem, é bolo de laranja. — Astarte comentou. — Todos aqui adoram...
– Ora, não era necessário Astarte.- Constrangeu-se Euphemia, vendo que Roxy servia os pratinhos e perguntava aos garotos se eles gostavam.
Depois disso,passados mais alguns minutos, Euphemia olhou para o relógio e assustou-se com o horário.
– Oh! Minha boa Morgana, meu velho esposo já deve estar chegando e nem comecei os preparativos do jantar... — suspirou e então sorriu para Astarte e seus filhos.
Todos se levantaram e se despediram. E assim que se aproximaram da porta, Roxanne abraçou novamente Euphemia e então voltou-se para os garotos, sorrindo.
– Foi maravilhoso conhecer vocês.
– É, foi sim... — Sirius comentou meio avoado, então piscou rapidamente.-... digo, conhecer você.
Ela concordou e abraçou os dois de maneira demorada.
E quando se soltou, sorriu para Sirius, deixando bem claro quem chamara a sua atenção.
– Espero vê-lo em breve. — piscou um dos olhos, passando a mão por sobre seu ombro.
Ele sorriu , demonstrando que também esperava vê-la em breve. E seria muito em breve...
Não se passara nem três dias e em um "passeio" noturno pela redondeza do bairro trouxa, os dois se encontraram. E estavam naquele momento, se conhecendo melhor.
O lugar mais discreto que haviam encontrado era nos fundos da casa dos Potters, próxima a casinha/depósito de material de jardinagem que pertenciam a Euphemia. As mãos de Roxanne estavam bagunçando os cabelos de Sirius, enquanto se beijavam de maneira alucinante.
James havia feito o "favor" de manter seus pais dentro de casa e bem distraídos, como um bom amigo faria. Então Sirius não estava preocupado com isso...e Roxanne também não parecia estar preocupado com o fato de seus pais estarem na casa ao lado...
– Ai... espere... — resmungou Roxy, ao sentir as farpas da parede do depósito prenderem em sua blusa.
– Podemos dar um jeito nesse detalhe. — Ele levou as mãos para os quadris da loira e as insinuou para dentro da blusa que ela usava, apertando a cintura nua.
– Acho que não temos capacidade para mantermos isso muito secreto se formos tão longe. — Roxy murmurou, voltando a beijá-lo.
– Ah... — ele resmungou, claramente decepcionado.
Roxanne revirou os olhos e os escutou rindo. Logo suas bocas se grudavam novamente, as mãos movendo-se de um lado para o outro, corpos se pressionando.
Ficaram durante mais alguns minutos se beijando, até que Roxanne, afastando-o um pouco, e virando o rosto quando viu que ele viria trás de sua boca novamente, para recuperar o fôlego.
– Meus pais já devem estar preocupados. — ela murmurou, andando até um ponto ali que dava para observar a sua casa. Não conseguiu ir muito longe, pois logo era novamente puxada e pressionada contra a madeira cheia de farpas do casebre.
– Você está preocupada com isso a essas horas?- ele perguntou contra seus lábios, enquanto ela negava.
Roxanne não soube dizer quando, mas logo sua blusa estava no chão e ela sendo erguida por ele. A loira não pretendia ir tão longe, e também achava que ele não teria tanta coragem de transar no jardim da família que o acolhera.
– Você é um cachorro. — Ela resmungou, sentindo-o acariciar seus seios de maneira ousada. Afastou-se e estapeou as mãos dele. — Eu tenho que ir...
– Ah Roxy, vai embora mais tarde. — Ele começara a beijar seu pescoço e mordiscar sua orelha. — Ainda está cedo.
– Não... — sentiu-o pressionar os lábios nos seus novamente, e logo afastá-los. Ele estava tentando convencê-la. Que ridículo, ela pensou rindo internamente.
– Vai Roxy. — ele pediu , observando-a em meio a penumbra do lugar que haviam escolhido.
Roxanne suspirou pesadamente, o corpo masculino pressionando o dela a deixava num estado de espirito desequilibrado. Se ele voltasse a fazer o pedido e pressioná-la daquela forma, ela não conseguiria dizer não...
E o pior era que ela não havia pretendido aquilo para aquela noite. Era para ser apenas uma pegação, como havia sido em sua visão.
– E então? — ele grudou novamente os lábios, pressionando-a no ponto certo. — Vai ficar aqui comigo?
– Ah Six...- resmungou.
Um grito alto vinha da rua, alguém lhe chamava. E parecia ser Constance. Roxanne recobrou a pouca sanidade que tinha e afastou-o bruscamente.
– Desculpa baby, talvez outro dia. — Sorriu para ele, afobada.
Sirius apenas a observava vestir a blusa, em total silêncio. Se a irmã dela não tivesse chamado... provavelmente ela teria cedido. Respirou fundo e passou as mãos por sobre o rosto, mas logo se sentia sendo beijado, como numa despedida.
– Até a próxima, querido. — E ela deu-lhe as costas, correndo pelo corredor até uma portinhola que havia descoberto que ligava as duas casas.
E essa fora a primeira vez que Roxanne o deixara na mão.
Constance não esperara a irmã. A porta dos fundos estava aberta, quase que escancarada. Roxy entrou e em seguida a fechou, subindo para seu quarto rapidamente. Com um sorriso no rosto, correu para o quarto da irmã, batendo ansiosamente.
– Conny! — murmurou, batendo na porta novamente — Conny!
Ela se abriu. Constance tinha um olhar furioso.
– O que você quer?
– Ah... — Roxanne hesitou — Eu queria te contar como foram as coisas.
– Não perca tempo. — a ruiva cuspiu as palavras, ferozmente — Eu não quero saber!
E Conny bateu a porta na cara da irmã.
Risadas abafadas foram ouvidas. A loira virou-se na direção delas, encontrando Randall, encostado no batente da porta de seu quarto. Ele parecia se divertir com a raiva da mais nova e a atonicidade de Roxanne.
– O que você está rindo, idiota?!
– Da sua burrice.
– O que?
Do quarto dos pais, no começo do corredor, Astarte saiu. Sua expressão era descontente e sonolenta.
– Vão dormir!
E os jovens nem pensaram em discordar. Sem soltar um pio, cada um foi para seu quarto, deixando o corredor vazio e silencioso.
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