Os Marotos: O Lobo e a Águia
4 Capitulo 4
Notas iniciais
Minha primeira impressão de Rúbeo Hagrid é que ele era um cara imenso! De uma maneira geral, acho que nunca vi um bruxo ou trouxa que possuísse tamanha altura. Mas ao mesmo tempo sua receptividade calorosa fez que todos nós, alunos novos, nos sentíssemos confortáveis enquanto ele nos guiava para dentro de barcos que nos levariam até a porta do castelo.
Enquanto atravessávamos o lago, que o Hagrid explicou que se chamava ''Lago Negro'', ele nos contou uma breve história nos maravilhando com seu conhecimento. Mas foi só quando passamos por uma cortina de hera que conseguimos ver o castelo em toda sua imensidão, e eu estava maravilhada. O castelo estava todo iluminado e havia muitas torres, parecia ter saído de um dos livros que meu pai tinha.
Quando chegamos na entrada fomos recepcionados pela professora McGonagall. Que nos aguardava pacientemente enquanto todos se aprontavam. Ela agradeceu ao Hagrid, e este se despediu e nos desejou boa sorte, e nos conduziu para dentro do castelo. Seguimos a professora pelo piso de lajotas e pedras, que ornamentavam com as paredes sendo iluminados com archotes. O teto era alto, mais alto até que o Hagrid, e o corredor era largo, tanto que nosso aglomerado de alunos não se sentia apertados ao andarmos juntos por ele.
Paramos em frente a uma entrada e pude ouvir burburinhos dos alunos. Aurora me cutucou inquieta.
"Agora vamos para o chapéu seletor" disse ela animada.
Meu pai já havia me dito algo relacionado a isso, eu estava contente. Ele me contou que na sua vez ele estava tão nervoso e esperançoso, que toda a cerimônia seria incrível, eu deveria aproveitar cada momento, e estava focada em fazer isso.
A professora começou seu discurso de boas vindas e eu tentei absorver ao máximo suas palavras, principalmente sobre as casas de Hogwarts, do qual tanto ouvi. A Grifinória o lar dos bravos e cavalheiros, a Lufa Lufa como lar dos dedicados, pacientes e honestos, a Sonserina com seus alunos ambiciosos buscando pela grandeza, e por último a Corvinal com os sábios, criativos e de personalidade única.
Quando as palavras da professora se encerraram, ela entrou no salão principal e começou a serem chamados os nomes dos alunos do primeiro ano. Olhei ao meu redor e pude sentir o entusiasmo de todos, muitos dos alunos estavam com os olhos brilhando, e até aqueles que tentavam parecer tediosos e com o nariz em pé estavam sorrindo de canto.
Aurora parecia ter um comentário novo a cada aluno que se sentava. Sempre reforçando o quanto a Sonserina tinha a fama da mais odiada.
"Isso porque sua família não passa de uma traidora de sangue!" ouvimos alguém dizer.
Eu e Aurora nos viramos para uma garota que estava perto da gente. Ela possuía cabelos loiros enrolados e olhos azuis, tinha o nariz levemente arrebitado que lhe dava um ar de superior, suas vestes pareciam ser extremamente caras e seu olhar transmitia deboche.
"Bem que minha mãe me disse que encontraria gente da sua laia em Hogwarts. Essa escola está baixando seu nível..." falou a garota
Aurora ficou com as bochechas rosas, e os alunos ao nosso redor começaram a cochichar. Eu franzi o cenho, perturbada e tentei manter a calma.
"Ao menos minha família não passa de um bando de criminosos!" respondeu Aurora.
Vi o semblante da garota mudar para indignada.
"Ora Weasley, acho bom tomar cuidado com suas palavras, não se esqueça quem eu sou!" ameçou.
"E quem é você?" perguntei a encarando.
Ela se virou em minha direção e me olhou de cima a baixo, analisando até o último fio do meu cabelo, e vi seu olhar vacilar um pouco em mim, essa era um dos efeito do meu poder Veela, encantar a qualquer um, e quando o outro é visto como ameaça, esse encantamento se transforma em intimidação.
"Se você não me conhece suponho que não seja uma puro sangue..."
"Não sei, e isso importa?" respondi revirando os olhos.
A garota ficou com o cenho franzido e bufou insatisfeita por eu ter a respondido. Não parecia estar acostumada com isso, mas pouco me importei.
"A minha família está na Sagrada Vinte Oito! A maior classe de puro sangue da Grã Bretanha! É melhor tomar cuidado com suas palavras garota!"
"Ou o que?" disse e dei um passo em sua direção.
Ela parecia um dos animais traiçoeiros de casa, dos quais que você tem que espantar ameaçadoramente, daqueles desagradáveis . Ela recuou um pouco a medida que eu avancei, mas em seguida manteve a pose novamente.
Senti Aurora segurar meu braço.
"Deixa quieto Anelia" disse ela "Não vale a pena brigar com essa aí"
"É melhor escutar a traidora" falou a outra.
Assim que ia responder ouvimos mais um nome ser chamado pela Minerva.
"Cornélia Rosier!"
A garota sorriu triunfante e passou por nós, e os burburinhos das pessoas mais próximas a nós continuaram.
"Está é minha vez..." disse ao passar e seguiu se sentando na cadeira do chapéu seletor.
A professora mal encostou o chapéu em sua cabeça e a Sonserina foi anunciada por ele.
"Não me surpreende" falou Aurora "Minha mãe me falou sobre a família dela, eles mexem com artes das trevas e coisas do tipo, são pessoas más..."
"Afinal o que é um traidor de sangue?" perguntei.
"É que meu pai não acredita que os bruxos são superiores aos outras ou a qualquer criatura mágica, acha que todos tem sua função... Nisso a minha família foi considerada traidora da ideia dos puro sangue." respondeu ela.
Mais alguns nomes foram chamados e eu fui perguntando pra Aurora se elas os conhecia, para ela se distrair um pouco. O incidente com a Rosier a fez se sentir um pouco mal e quieta.
Quando chegou na vez de um garoto chamado Sirius Black, a ruiva ficou surpresa quando o chapéu o colocou na Grifinória. Ela disse que era a primeira vez que soube que um Black puro sangue foi pra outra casa que não fosse a Sonserina. Comentou também que eles eram parentes distantes, algo da sua mãe ser neta do bisavô dele (mas que nunca os encontraram pois sua mãe foi expulsa da família Black quando casou com seu pai), e que provavelmente a mãe do rapaz não ficaria satisfeita com a escolha do chapéu.
A vez de Aurora finalmente chegou, e eu fiquei torcendo por ela. E quando o chapéu a colocou na Grifinória eu vi seu rosto indignado por ser mais uma Weasley na casa. Porém sua mesa ficou alegre com mais uma aluna e bateram palmas para ela.
Havia poucos alunos agora que não tinham sido chamados. Muitos entraram na Grifinória e na Lufa Lufa, os que pareciam mais entediados acabaram entrando (em sua maioria) na Sonserina, e alguns dos que mais ficaram quietos durante a cerimônia entraram na Corvinal.
Eu estava com uma expectativa boa, e então ouvi meu nome ser chamado.
Eu andei até a cadeira e escutei burburinhos admirados pelo salão.
"Ora, ora" ouvi o chapéu dizer quando foi colocado em minha cabeça "O que temos aqui... Que mente incrível e diferente. Uma mestiça, que situação inusitada... Mas devo lhe dizer criança que é a primeira de sua espécie que encontro, que fascinante!" falou baixo, e só eu o ouvia.
Me mexi inquieta no banquinho.
"Uma mente voraz e curiosa sim... Onde eu deveria colocar você criança? A Grifinória talvez?"
Olhei para a mesa e vi a Aurora acenar.
"Não... Grifinória não seria o ideal" disse o chapéu "Mas a Lufa Lufa também não seria a melhor casa para seu crescimento..."
"Uma mente que preza por conhecimento, perfeita para a Sonserina ou a Corvinal... Mas sua sede não é tanto por grandeza e sim por descobrir quem você pode se tornar... Sim, isso faz mais sentido...'' cochichou.
"CORVINAL!!" Gritou o chapéu, com sua voz soando por todo o salão.
A mesa da Corvinal bateu palmas alegres, mas não foi uma comemoração alta quanto os grifinórios, foi algo mais tranquilo. Desci do banco e vi a professora Minerva me lançar um sorriso e segui em direção a mesa. Fui recebida com alguns apertos de mão e me sentei no lugar que deixaram vago para mim.
O restante da cerimonia transcorreu tranquilamente, o professor Dumbledore disse algumas palavras, e até o chapéu cantou. Também descobri que o lema da escola era ''Draco Dormiens Nunquam Titilandus", que um dos alunos perto de mim traduziu como "Nunca cutuque um dragão adormecido", o que parecia lógico mas engraçado para um lema... Eu com certeza não imaginária que era isso.
Logo fomos liberados para jantar, a comida era extremamente gostosa, e estava feliz que poderia desfrutar todos os dias, pelo o que os alunos mais velhos disseram, todos os dias as refeição eram com muita fartura, e se eu quisesse beber algo apenas tinha que imaginar. Achei super divertido, me lembrou de quando eu transfigurava as bebidas em casa para aprimorar minha magia.
Por um momento, eu senti falta de casa. Tudo era tão novo que parecia irreal, mais tarde iria escrever uma carta para meus pais e mandaria quando tivesse a oportunidade.
Fiquei em silêncio quase toda a refeição, todos estavam agitados como uma pequena colmeia num dia de afazeres. Até que um aluno mais velho, que aparentemente seria nosso monitor, chamou a todos os primeiristas para que o seguissem.
Fomos guiados pelo castelo até uma escadaria alta em espiral, e paramos de frente a uma aldrava. Fiquei surpresa quando nos deparamos com uma aldrava em forma de uma águia falou. Ela citou um enigma que foi prontamente respondido pelo monitor, e logo em seguida abriu a porta que dava acesso a um enorme salão.
O cômodo tinha graciosas janelas em formato de arco e suas paredes são decoradas com sedas azuis e bronze, as que harmonizavam perfeitamente com o teto pintado para se parecer com o céu noturno, o que combinava com o tapete azulado meia-noite. Também haviam mesas de estudos e poltronas posicionadas perto de uma sala conjunta que fora transformada em estante, com livros do chão ao teto. E havia uma imponente estátua branca de uma mulher, na qual eu acreditava ser a fundadora da casa, Rowena Ravenclaw.
"Este é o nosso salão comunal. A senha para entrar sempre serão enigmas, mas eles podem se repetir as vezes. É de extrema importância que nunca falem sobre isso com membros de outras casas" nos alertou o monitor " Eu me chamo Teodoro, e assim como qualquer um dos alunos mais velhos teremos o prazer em auxilia-los com quaisquer duvidas referente as matérias, e estaremos contando com vocês para manter o alto padrão de notas..." ele sorriu.
Ele nos indicou nossos aposentos, o feminino seria lado esquerdo subindo uma escada com o numero ''1'' (indicando o ano do aluno) na porta, e o masculino subindo uma escada ao direito. E nos garantiu que nossas coisas já estavam devidamente posicionadas. Se despediu de nós e disse que já poderíamos ir para o dormitório. Afinal amanhã teríamos a primeira aula do semestre, nos alertando que nossos horários estariam demarcados em um quadro no salão comunal e que deveríamos anotar em algum lugar para não esquecermos.
Haviam mais duas garotas com quem dividiria o dormitório. Uma garota chama Heloísa Paige e outra chamada Eleanor Mount, elas pareceram se dar bem de imediato e tagarelavam sobre suas vidas enquanto eu escutava quieta, não estava com animo para interagir, já havia tido interação o suficiente pelo dia, mas tentei responder de maneira curta tudo o que me perguntavam, para não prolongar a conversa. E em algum momento uma delas cochichou para me deixar quieta que eu não era muito ''legal'', então se concentraram em conversa entre si.
Minhas coisas foram deixadas em uma ama ao lado de uma grande janela e Marquesa estava devidamente acomodada em uma almofada ao lado, em cima do que parecia ser uma escrivaninha. Meu baú com minhas roupas foram posicionadas á frente da cama com com um dossel azul. Me troquei por um pijama confortável que minha mãe insistiu que eu trouxesse.
Sentei na minha cama e decidi escrever uma carta relatando os acontecimentos do meu dia. De maneira detalhada, que eu tinha certeza que minha mãe apreciaria mais que uma carta rápida. Sabia que se não enviasse o quanto antes ela provavelmente iria ficar irritada, mesmo sabendo onde eu estava.
Quando acabei me deitei e olhei para o teto. Feliz e cansada, e imaginei como seria minha vida de agora em diante.
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