Notas iniciais
Capítulo pronto! Enjoy :)

– O que?- perguntei a minha mãe incrédulo.

– Isso mesmo Mason, um homem veio aqui e disse que tem uma casa dos Knight, a família do seu seu pai- seu rosto brevemente ficou triste, mas suavizou novamente-, deixada como herança para você. Segundo o homem, o senhor Black, um antigo morador da casa morreu e não acharam nenhum parente mais próximo que você para herdar, já que ele não tinha feito testamento.

– E... nós vamos ir para lá?- perguntei cauteloso, aquela ideia era absurda.

Ela hesitou por um momento, por fim disse:

– Por que não? Aliás, vamos ter uma casa só nossa, sem aluguel e...- mais uma vez seu rosto mostrou aquela expressão triste e vazia-, esse lugar está cheio de lembranças de seu pai, essa cidade, quero dizer, seu pai era legal eu o amava do fundo do meu coração, mas tudo o que eu olho me lembra ele e sinto um aperto no coração.

Não sabia o que dizer. Meu pai morrera quando eu ainda era um feto na barriga da minha mãe, eu nunca o conheci e nunca senti algo tão forte por ele, egoísmo? Talvez. Mas de qualquer forma, eu sinto uma parte dele em mim, eu sinto que tenho uma ligação com ele- mesmo não o conhecendo. Por fim abracei minha mãe.

– Está certo, mãe. Podemos ir para lá. Mas tente me compreender. Um cara estranho aparece do nada falando que temos uma casa em outra cidade, que aliás nunca ouvi falar, isso não soa bom demais? Perigoso demais?

– Eu sei, meu filho. Te compreendo. Mas eu posso falar com a dona da casa, para ela deixar reservado essa casa para nós, no caso lá seja enganação.

Não queria contestar mas era preciso. Mas quando olhei para minha mãe, vendo seus olhos castanhos e seus cabelos pretos, desisti. Ela estava realmente querendo escapar dessa casa, escapar das lembranças dolorosas de meu pai. Minha mãe tentava parecer forte, mas eu sei que ela estava quase completamente quebrada por dentro, a dor a consumia aos poucos.

– Tudo bem mãe, podemos ir. Mas e as nossas coisas, os móveis e tudo o mais?

– O senhor Black disse que a casa já é mobiliada.

Olhei para ela como diz: e você ainda acha que não é enganação?

– Relaxe, Mason!- ela sorriu, seu sorriso era mágico. Me perguntava várias vezes se esse não era o motivo de meu pai tê- la amado, provavelmente era.

– Vou tentar. Mas e as nossas coisas?

A questão pairou no ar por um tempo, então ela disse:

– Se a casa for realmente verdadeira, podemos vender nossas coisas aqui e pegar o dinheiro para poder nos estabilizar por um tempo, até eu conseguir um emprego. Agora vamos arrumar nossas coisas.

Assenti. Nossa casa não era grande coisa, mas era agradável. Fui para o meu quarto e arrumei minhas coisas de qualquer jeito e saí. Minha mãe já estava na porta com sua mala. Não tínhamos muitas coisas para levar, então foi bem simples o lance com as malas.

Já no nosso carro, um Studebaker Champion 1949- um antigo carro do meu pai, parecia que essa era a única coisa do meu pai que não deixava minha mãe triste-, entramos na estrada. Não sabia exatamente onde era a cidade, mas minha mãe parecia saber até bem demais, como se já estivesse acostumada a ir lá.

Uma leve chuva estava caindo e me lembrei de um momento na minha infância.

Eu tinha onze anos e estava na escola conversando com uns amigos. Daí um daqueles valentões típicos de escolas, se aproximaram e fizeram brincadeiras no mesmo horário de sempre. Os meus amigos não faziam nada, mas eu já estava com a cabeça cheia daquilo. Eu me levantei de supetão em modo desafiador...- o meu erro. Um dos valentões me empurrou e cai no chão com um som silencioso. No mesmo instante todos as sirenes da escola começaram a piscar e fazer barulho, não no modo normal, elas faziam tudo muito rápido, alguns alunos chegaram a desmaiar por conta das luzes. Água começara a cair do teto, dos extintores de incêndio, e inundar a escola e leves ondas, mais ou menos de cinquenta centímetros, ondulavam na água, mas uma onda derrubou o valentão que mexia comigo e o derrubou, ele ia se afogar se um de seus companheiros não o tivesse acudido. Logo que consegui sair da confusão, fui para casa e conversei com minha mãe, ela sempre dizia a mesma coisa:

– Não foi culpa sua.- mas eu sabia que tinha sido.

Em quase todas as escolas que entro coisas estranhas acontecem, janelas quebram, tetos caem, água de bebedouros explodem... enfim, tudo acontece por um motivo que se chama Mason Knight.

Saí de minhas memórias quando um trovão ribombou no céu.

– Estamos quase em Maville.- disse minha mãe.

Maville, essa era o nome do fim do mundo para onde eu estava indo. Olhei para meu reflexo na janela do carro. Tinha cabelos pretos iguais o da minha mãe, mas meus olhos... meus olhos eram, digamos, peculiar. Eles eram âmbar, quase amarelos e em volta de de sua íris uma camada grossa de preto circundava ela toda, e uma camada fina preta em volta da pupila. Esses eram os olhos do meu pai. Minha mãe não me dava muitos detalhes a respeito de meu pai, de sua morte ou da família Knight, tudo o que ela me dizia a respeito da morte dele, era que foi completamente injusto.

– Chegamos, meu filho.- abaixei a janela para ver melhor a cidade.

A cidade tinha muitas árvores e vegetação. Tinha prédios, restaurantes e casas, parecia uma mini Nova York com muita vegetação. De um lado eu podia ver um bosque, era lindo. Havia pinheiros altos e árvores com frutas que pareciam deliciosas. Tudo na cidade parecia ser feliz e bom, com frutas reluzentes, animais lindos e pessoas com sorrisos nos rostos. Aquilo era... estranho.

Passamos no meio da cidade, onde vimos alguns bares e lanchonetes, vimos lojas de roupas e cinemas também. A cidade não era tão grande, mas também, não era nada pequena. Chegamos no portão de uma casa onde um homem atarracado e calvo esperava ao lado de um caminhão.

– Senhor Black.- disse minha mãe.

Eu não conseguia imaginar o por que do Senhor Black estar ali e como ele sabia que eu e minha mãe também estávamos indo naquele dia. Olhei para minha mãe, mas ela não parecia surpresa.

Descemos do carro e fomos em direção a ele.

– Ah! Ai está o meus Knight preferidos!- disse ele abrindo um sorriso.

– Sem bajulação por favor, Black.- disse minha mãe.

– Um sorriso não cairia mal nesse lindo rostinho, Mandy.

– Amanda, para você.- disse minha mãe.

O Senhor Black revirou os olhos e voltou- se para mim

– E esse adorável jovem?

– Mason Knight.- soei no mesmo tom que minha mãe, se ela não gostava do cara eu também não iria gostar.

Black torceu o nariz.

– Bem! Tomei a liberdade de trazer a sua mobília e eletrodomésticos!- ele apontou para o caminhão.

– Liberdade, é?- começou minha mãe- Você já se acostumou a ela?- dava para ver que tinha um duplo sentido nessa pergunta.

Black pigarreou, desconfortável.

– Bem, vamos aos negócios. Irei fazer um tour com vocês pela casa. E a respeito de suas coisas da outra casa, o que pretendem fazer?

– Venderemos.- disse minha mãe.

– Ah sim! Aposto que os alquimistas pagarão...

– Sim Black!- minha mãe cortou ele.

– Alquimistas?- eu sabia o que significava, mas isso não estava certo.

– Nada meu filho, é só...

– Bem!- interrompeu o Black.- Explicações depois! Vamos ao tour!

Minha mãe passou um olhar para o Black, como se estivesse agradecendo. Confuso? Claro.

Passamos pelos portões de grade de ferro na frente, cujo no meio tinha uma grande letra K. Tinha uma pequena estradinha de pedra e um jardim grande dos lados, até chegar na casa. A casa era branca com três andares, acho. Resumindo, a casa era enorme. Tinha uma pequena escadaria, de quatro degraus, para chegar a porta que era de madeira mas com ouro em torno e mais uma vez com um grande K no centro.

Minha expressão deve ter ficado um horror quando entrei na casa. A sala principal, era grande o bastante para ser uma sala de cinema, com uma grande televisão fixada na parede, que quase ia do teto ao chão. Sofás de veludo preto estavam em torno da televisão com um tapete macio- dava para sentir a maciez dele só de olhar-, e flores por toda a casa, algumas era conhecidas como margaridas ou rosas, mas outras tinham um tom estranho de prateado, outras um amarelo ouro, mas parecia ouro mesmo. Tinha uma cozinha logo depois da sala que seria a cozinha dos sonhos de toda dona de casa. Geladeiras enormes, louças de porcelana e outros materiais que não conhecia- aliás eu não sou um especialista em louças-, uma mesa grande de doze cadeiras estava no centro e um lustre de prata pendia do teto. Voltamos a sala e subimos a escada e chegamos ao segundo andar. O segundo andar era os quartos e o banheiros, e no terceiro era uma área de lazer, com vídeo- games, estantes de livros entre outras coisas e se alguém quisesse ficar sozinho, com privacidade, poderia entrar em um dos cômodos. Tinha uma sacada que ocupava todo o terceiro andar, de todos os lados e dava a vista para a cidade e para os jardins do fundo onde tinha uma piscina.

Okay, essa casa era demais! A casa dos sonhos de qualquer um! Tudo era demais! Mas algo me chamou a atenção, um buraco tampado no teto.

– O que é aquilo?- minha mãe e o Black olharam para onde eu estava apontando.

– O que?- perguntou o Black.

– Ali! Não estão vendo?

Eles me olharam como se eu estivesse maluco.

– Não há nada ali.- disse minha mãe.

– Certo.- ignorei o buraco, mas eu sabia que tinha um ali, mas deixei de lado.

Depois do senhor Black se despedir e ir embora, eu e minha mãe andamos pela casa, tentando nos habituar. Eu sentia algo forte ali, algo poderoso. Andei pela casa, mas minha cabeça estava ainda no tal buraco. Eu tinha que entrar lá. Eu precisava. Era como se a minha vida dependesse daquilo, como se eu nunca mais fosse ser feliz se eu não entrasse lá.

Voltei ao terceiro andar. Olhei para o buraco, mas não tinha nada para fazê- lo abrir. Não tinha nada para puxar ou apertar. Enquanto eu olhava aquele buraco eu desejava tanto que ele se abrisse, eu queria tanto! Então algo estranho aconteceu. A tampa que tampava o buraco se moveu e se abriu, deixando uma escada cair. Sem hesitar subi a escada e fui parar em um... sótão. Estava escuro, mas quando entrei ele ficou iluminado instantaneamente. Mas não havia nada lá, nada... espere! Tinha uma caixa no meio do sótão, uma caixa de madeira com uma letra K bem no meio dela. Cheguei perto dela e havia um bilhete pregado junto ao K, escrito com uma caligrafia borrada e antiga, como se quem o escreveu estivesse com pressa. Estava escrito "Não abra". Isso não ajudou em nada a acabar com minha curiosidade, então eu abri. E dentro dela estava um bracelete. Um bracelete de prata com pequenas pedras preciosas em volta, rubi, safira, esmeralda, ouro, bronze. Tudo moldado em pequenas bolinhas e encaixadas em pequenos buraquinhos. Havia um bilhete enrolado a ela também e estava escrito: Não use. Arranquei o bilhete, e quando toquei o bracelete senti uma sensação boa e sem demorar o coloquei no braço.

Notas finais
Obrigado por ler até o fim! Deixe sua review!