Os Jogos Greco-romanos
4 Capítulo IV - Love is in the air
Percy – 14h.
A aula passou normalmente. Tivemos um intervalo de 30 minutos, dois períodos de Inglês com o professor Poseidon, um de artes com o professor Apollo e um de química com o professor Hades. Eram 14h quando o sinal finalmente bateu anunciando o fim da aula.
– O professor Hades não para de falar, cara. – Grover disse suspirando enquanto todos nos dirigíamos à saída.
– E o pior é que eu não entendo nada do que ele fala – Leo disse enquanto colocava um daqueles brinquedos de dar choque na mão dos outros.
Nico se aproximou silenciosamente de mim.
– Ei cara – ele disse baixinho e eu dei um pulo.
– Caramba Nico, ta a fim de me causar um infarto? – eu disse dramaticamente
– Foi mal – ele riu. – é que eu queria saber, você acha que eu devo ligar para a Rachel quando chegar em casa ou vou parecer muito desesperado? – ele disse um tanto preocupado.
– Olha, cara, eu acho que ela te deu uma boa oportunidade e você deve aproveitar antes que seja tarde. Ou você acha que é o único cara interessado pela Rachel na escola inteira? – eu perguntei levantando uma sobrancelha.
Nico olhou para frente onde estava Rachel rindo junto das outras garotas, depois olhou em volta certificando-se de que mais nenhum garoto a estava olhando.
– Não, você tem razão. – ele disse apreensivo.
Luke se colocou entre nós e jogou os braços por cima de nossos ombros.
– O que vocês tão cochichando ai hein? – ele disse com um sorriso Colgate nos lábios.
– Nada, só estava falando para Nico que ele deve aproveitar as oportunidades que a vida nos da – eu disse bagunçando os cabelos de Nico. Ele odiava quando fazíamos isso.
– E falando em oportunidades – eu falei olhando pra frente – ai tá uma. Vou nessa galera, a gente se fala depois. – eu disse empolgado e corri em direção a Annabeth que tinha tomado um rumo diferente das outras garotas.
– Vai lá tigrão – gritou Luke.
Annabeth – 14h10min
Eu me despedi das garotas e segui em direção a minha casa. As ruas de Manhattan estavam movimentadas como sempre. Muitas coisas passavam pela minha cabeça enquanto eu caminhava: Os jogos olímpicos, que tipo de competição seria? E a outra escola, eu sabia que as duas melhores escolas, para crianças "especiais", do ano eram selecionadas pelo governo para participar dessa competição e com certeza não seria fácil. Tinha a festa do pijama na casa de Thalia. Eu tinha certeza que ela tinha algo em mente e tinha medo do que quer que pudesse ser. E também tinha Percy. Eu tinha me arrumado para parecer ótima depois de semanas usando apenas casacos grossos, e luvas, e ele sequer tinha reparado. Ao menos não tinha transparecido. Maldito cabeça de vento...
Fui surpreendida com a chegada repentina de alguém do meu lado.
– É melhor tomar cuidado ou vai começar a sair fumaça da sua cabeça. – A voz de Percy me fez virar e fazer uma expressão que eu não deve ter sido legal de ver. Percy apenas pareceu se divertir com a minha surpresa.
– Anda perseguindo garotas depois da escola, cabeça de vento? – eu disse sorrindo e retomando a compostura.
– Só no meu tempo livre – ele disse retribuindo o sorriso e seguindo ao meu lado.
– Ah é? E o que você quis dizer com “sair fumaça da minha cabeça”? – eu perguntei erguendo uma sobrancelha.
– Ora, você anda olhando pro chão sempre que está com a cabeça muito cheia ou preocupada com algo. Talvez você devesse relaxar um pouco não acha? – ele falou deixando o tom de brincadeira de lado.
– É. Talvez você tenha razão, por incrível que pareça. – eu disse sorrindo.
Ele apenas revirou os olhos.
– Então – eu comecei – Rachel e Nico, hein? – eu disse contente com a ideia.
– É – ele confirmou. – Rachel e Nico. Esses jogos olímpicos vieram a calhar mesmo.
– Pois é, talvez ajude a tirar você, Leo e Grover do fundo do poço também, afinal vão ter muitas garotas novas lá. – eu disse só para ver a reação dele.
– Que foi? Ta preocupada que eu chame a atenção quando entrar em traje de banho para competir? – ele perguntou sorrindo sarcasticamente e jogando o cabelo um pouco para lado, o que fez meu coração acelerar um pouco.
– Cala a boca. – eu disse rindo.
Seguimos atravessando o Central Park. Uma brisa fresca batia entre as árvores fazendo algumas pétalas de flores colorirem o chão.
– Mas, sabe, eu sempre pensei que a sua casa ficasse ao sul de Manhattan – eu disse ironicamente e pela primeira vez ele pareceu ficar sem saber o que dizer.
– Bem... Eu... Vim comprar uma coisa por aqui. – ele disse nervoso. – É claro que te encontrei por acidente e cá estamos!
Eu não pude conter o riso.
– Ai, você não tem jeito mesmo cabeça de vento – eu disse me divertindo com o desconforto dele e sentei em um banco próximo.
Ele se aproximou e sentou ao meu lado.
Nós ficamos alguns minutos em silencio só olhando algumas pessoas passeando com os cães, jogando frisbee e outras apenas curtindo a brisa deitados sobre uma toalha na grama.
Percy suspirou e cruzou os braços. Ele sempre fazia aquilo quando estava nervoso.
– Faz algum tempo já, né? – ele disse – eu e você...
– Hum? – eu olhei para ele intrigada. – Nos vemos o tempo todo na escola Percy.
– Não é isso. Quero dizer, só eu e você – ele se corrigiu cravando aqueles olhos verde-claro em mim.
Meu coração foi acelerando aos poucos. Eu coloquei o cabelo sobre a orelha tentando disfarçar o nervosismo.
– É...Você tem razão...- eu disse sem jeito.
– Acho que é meio complicado de conversar na escola, sabe? Com todo mundo em volta, é difícil dizer tudo que a gente quer. – ele disse encarando o chão por alguns instantes.
– Hmm – eu consegui pronunciar. Nunca pensei que em uma situação dessas eu estaria nervosa. – Mas, você queria me dizer alguma coisa? – eu consegui perguntar.
– Bem, você sabe que eu não sou bom com palavras... – ele olhou pra mim sorrindo e eu não pude deixar de perceber o quanto gostava dele. O fato de ele não notar que eu tentava chamar atenção dele ou sua maneira desligada de tudo fazia com eu gostasse mais ainda dele.
– É, eu sei cabeça de vento. – eu disse com um sorriso bobo nos lábios. – Mas acho que é isso que eu mais gosto em você...
Eu quase perdi a noção do tempo quando ele se aproximou e levemente encostou os lábios dele sobre os meus, a boca dele tinha hálito de canela. O mundo pareceu girar a minha volta, nada nem ninguém podia interromper aquele momento.
Exceto o meu telefone tocando.
Interrompemos nosso beijo e nos encaramos por alguns segundos, mas o telefone insistia em nos interromper.
Eu me virei e comecei a revirar a minha mochila tentando esconder o desaponto momentâneo. Quem poderia ser logo agora? Para minha decepção era meu pai.
– Só um segundo – eu falei para Percy e atendi o telefone. – Alô pai?
– Annabeth, cadê você filha? Já são duas e meia! – ele disse preocupado.
– Eu só parei para dar uma volta com as garotas pai, logo, logo eu to chegando – eu falei irritada.
– Certo. Mas não demore. Sua avó está para chegar e precisamos ajuda-la a desfazer as malas. – ele disse encerrando o assunto.
– Ok pai . – eu disse desapontada e desliguei.
Por que tinha de ser logo agora?
– Eu tenho que ir Percy...- eu falei sem ânimo.
–Tudo bem, quer que eu te acompanhe até em casa? – ele perguntou.
– É melhor não, afinal, se o meu pai te ver vai saber que eu menti – eu disse dando o melhor sorriso que podia.
– Tudo bem então – ele deu de ombros – eu te ligo mais tarde ok?
– Tudo bem, só me ligue antes das oito, por favor. – eu falei lembrando do plano de Thalia. Não queria que elas ouvissem nossa primeira conversa intima por telefone.
– Antes das oito? Por que? – ele me olhou intrigado.
– Nada não! – eu me levantei depressa. – Bem, até mais cabeça de vento. – eu disse apreciando os últimos segundos com ele.
Ele se levantou, se aproximou rapidamente de mim e me beijou mais uma vez. Depois que ele parou de me beijar (o que me chateou um pouco) ele sussurrou baixinho no meu ouvido.
–Até mais. Tô feliz de ter te seguido hoje mais cedo. – E ele se virou e seguiu correndo sem olhar pra trás.
Eu levei alguns segundos até lembrar como me mover.
Nico 16h55min
Desde que tinha chego da escola eu tinha ficado deitado em minha cama olhando o pedaço de papel que Rachel tinha me dado com o número dela. A letra dela era linda. Já tinha tentado umas 15 vezes ligar, mas sempre desistia na última hora. Caramba, é tão difícil assim discar um número e ligar? Sim. É muito difícil.
Eu tentei assistir televisão mas não estava com ânimo para Bob Esponja naquele momento. Troquei de canal e parei ao ver jovens curtindo em um festa. Skins. Eu olhei o episódio e percebi o quanto era patético. Quem dera tudo fosse fácil como nesse seriado. Se eu tivesse metade da coragem deles, se eu fosse o Tony, tudo seria diferente. Mas eu não era o Tony. Eu era o Sid.
Após refletir por alguns minutos sobre esse fato vergonhoso eu corri até o banheiro, me olhei no espelho e lembrei das palavras de Percy. Eu tinha que aproveitar a chance antes que fosse tarde demais. Eu peguei meu celular e disquei o número.
Rachel 17h15min
Eu tinha ficado a tarde toda a espera de um telefonema. Achei que viria mais cedo. Recebi uma mensagem e corri para ver, mas era apenas um sms da minha operadora mandando informações sobre o meu horóscopo. “Quem espera sempre alcança”. Atirei o celular na escrivaninha e deitei minha cara no travesseiro.
"Talvez ele ligue amanhã" pensei mas meu ânimo diminuía a cada segundo que passava.
Até que eu ouvi o toque do meu celular: “Today I don’t feel like doing....”
Eu corri até ele e atendi antes que Bruno Mars pudesse terminar a estrofe.
– Alô – eu atendi mais empolgada do queria.
– Ah... Rachel? – era a voz de Nico.
– Oi Nico! Que bom que você ligou! Q-quero dizer, tudo bom? – eu tentei me corrigir rapidamente.
– T-tudo, e com você – ele perguntou, sua voz falhando um pouco. Ele é tão fofo.
– Sim, sim. – eu respondi.
– B-bem, eu estava pensando sobre aquilo que você me disse, sobre os uniformes e eu acho que vou participar do time. – ele disse um pouco engasgado.
– Nossa, que legal! Eu posso falar com meu pai quando vocês decidirem tudo – eu disse com entusiasmo.
– Bem, era sobre isso mesmo que eu queria falar. Tava pensando que a gente podia ir tomar um Milk shake no Shake da Hora sábado e conversar sobre isso. – ele falou direto e rápido como se tivesse ensaiado algumas vezes.
– Quer dizer, tipo um encontro? – eu perguntei surpresa.
– B-bom... Acho que sim...- ele completou.
– É claro! Sábado no Shake da Hora às três da tarde, pode ser? – eu falei empolgada.
– Por mim tudo bem. – ele disse parecendo mais aliviado.
– Ta bom, então! Nós vemos na escola amanhã? – eu perguntei com um sorriso bobo no rosto.
– Sim. A gente se fala amanhã – ele disse.
– Ta bom, tchau. – eu completei.
– Tchau – ele disse e desligou.
Eu me deitei na cama com meu celular sobre meu peito. Tinha acontecido mesmo afinal. Não pude deixar de sorrir pelo resto da tarde;
Luke 18h30min
Eu e Thalia vimos um filme de romance e andamos pelo shopping o dia todo.
Agora sentados em um banco em frente ao Mc Donnalds eu não pude deixar de rir enquanto terminava de ouvir o plano dela.
– Você entendeu tudo? – ela me perguntou como um capitão dando ordens a um soldado.
– Sim, senhora! – eu respondi.
– Vai estar lá na hora com B1 e B2? – ela perguntou.
– Quer que eu os vista como bananas de pijama também? – eu perguntei rindo da referência que ela fez.
– Deixe de ser bobo – ela riu e mordeu minha bochecha de leve.
– Ta bom. Vão estar lá na hora capitã. – eu disse solenemente.
– Ótimo – ela disse com um sorriso malicioso nos lábios. – Vamos por o plano “desencalhamento instantâneo” em ação!
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