Os Impactos do Amor
1 Os impactos do amor
Notas iniciais
Sem sombra de duvida, este é o dia mais feliz, mais feliz mesmo de toda a minha vida. Em pensar que tudo isso se deve a uma catástrofe veicular causada pela porcaria de um semáforo quebrado que me colocou no caminho do homem que vai fazer de mim a mulher mais feliz de toda a humanidade.
Era um domingo a noite, por volta das duas da madrugada provavelmente, eu estava voltando de uma festa, na qual devido a minha TPM excessiva, não me diverti nem um pouco, muito pelo contrario, fiquei bem mais estressada do que de costume. Graças ao Santo Senhor Jesus as ruas estavam completamente desertas, pois se houvesse um único carro que fosse num raio de dez metros eu seria capaz de avançar sobre ele, apenas para aliviar a minha raiva, pisei fundo no acelerador, jogando toda a minha fúria nele, com o carro a cem por hora, quando alguns cruzamentos antes do condomínio onde morava, freei bruscamente, porque a droga do semáforo foi de verde a vermelho sem nem sequer passar pelo amarelo. Foi quando um barbeiro idiota saído do nada bateu na traseira do meu carro.
Fui arrancada repentinamente de meu devaneio quando pisei de mau jeito com o salto no tapete vermelho da igreja, caindo de cara no chão. Levantei-me com elegância, arrumando o vestido e o buque e sorrindo de forma extremamente simpática, tudo isso apenas ara disfarçar a queda. Fingindo que nada havia acontecido, continuei caminhando em direção ao meu destino.
Retornando ao meu devaneio, lembrei-me das palavras ásperas que atirei janela afora naquela noite.
− QUE DESGRAÇA FOI ESSA SATANAS DO INFERNO!
Recebi de volta palavras tão acidas quanto as que atirei antes.
− Eu não sou o único idiota por aqui maluca.
Destravei a porta e chutei-a com tanta força que quase a arranquei. Sai do carro embebida em um frenesi tão grande que meus passos pareciam pisadas de elefante enquanto caminhava em direção ao outro veiculo, tentando acalmar minha fúria par não acabar matando quem quer que fosse seu ocupante.
Percebi que apesar da raiva o outro motorista não estava tão estressado, parecendo ate mesmo mais sereno do que eu em toda a minha vida, isso me deixou apenas mais estressada, tanto que gritei palavras tão grosseiras que não tenho sequer a coragem de repetir.
Percebendo que havia chegado ao altar, tratei logo de voltar a realidade.
− Senhoras e senhores, estamos aqui reunidos...
Ouvindo aquelas palavras e lembrando que os padres passam “horas” recitando coisas “inúteis”, senti-me tentada a voltar as minhas lembranças. Foi quando me veio a memória a imagem: três passos furiosos, quatro palavras grotescas e talvez como prova de coragem nossos olhares se encontraram. Por um segundo fui levada do inferno ao paraíso. Aqueles olhos cor de mel, aqueles cabelos ruivos decaídos sobre a face timidamente morena de feições fortes, porem sutis fizeram meu coração disparar, meu corpo fraquejou e minhas pernas ficaram bambas, comecei a tremer e sentir como se milhões de borboletas estivessem revoando em meu estomago. Um calor começou a tomar conta do meu rosto, ruborizando-me. Naquele momento eu percebi, seria impossível fugir dele. Foi quando, novamente fui arrancada de minhas lembranças.
− Ate que a morte os separe?
− Aceito! – disse meu noivo com convicção, e então eu percebi que inconscientemente também havia dito aceito quando questionada.
− Pode beijar a noiva.
Quando me virei para beijá-lo, perdi o equilíbrio porque minha dama de honra estava pisando na cauda do meu vestido. Cai por cima do meu noivo, mas não perdi a oportunidade de beijá-lo ternamente, selando nosso amor eterno.
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