Os Homens do Sol e da Lua
2 Jornada
Notas iniciais
A agora morena de cabelos curtos passava grande parte de seu dia dentro da biblioteca. Sim, ela havia realizado seu sonho. Tinha encontrado as luzes brilhantes, casado com José Bezerra — antes conhecido por Flynn Rider —, mas ainda lhe faltava algo.
A jovem ultimamente tem estado com uma curiosidade insaciável sobre seu antigo dom. Queria saber como tudo foi criado, um motivo, como a Gothel havia descoberto a flor. Ela precisava de informação. Precisava saber quem, talvez até mesmo o que era.
Como antes já lhe dizia seu marido, a graça de realizar um sonho é encontrar outro e aquele era o novo sonho de Rapunzel. Saber mais sobre a flor que a permitiu que vivesse. Ela pediu para todos os mestres do reino ajuda, passava horas procurando por alguma informação, mas sempre que encontrava algo, era a mesma história: A flor havia vindo de um raio que caiu do Sol, Gothel a encontrou e passou a utilizá-la. Nada mais que isso.
Muitos pediam para que ela se conformasse, afirmando ser um acaso do passado. Mas ainda havia algo estranho. Como a bruxa descobriu a música? Como ela sabia dos poderes da flor?
José também a ajudava, mas a princesa desconfiava de que ele começava a achar o mesmo que os outros: que não tinha mais nada na história, mas o mais estranho foi que de fato havia algo.
Em um dia, ao entrar em sua biblioteca após o desjejum, possuía um livro em cima da escrivaninha central. O homem que sempre a acompanhava foi direto para onde haviam parado a leitura enquanto ela franzia a testa e caminhava até o estranho objeto.
— Rapunzel, você não vem? — a jovem balançou a cabeça negativamente quando chegou até o livro e ele suspirou aliviado. — Já estava cansado de ler tantos livros. Seu antigo cabelo não me deu nem a super-inteligência nem a super-força.
Ela riu e tirou os olhos do livro por um momento para se virar para o marido.
— José! Vai lendo que eu daqui a pouco vou até aí.
Resmungando, o ex-ladrão se virou para os livros e voltou a ler de onde parou no dia anterior enquanto a princesa, ansiosa, passou as pontas dos dedos pela capa do livro e se sentou na cadeira para começar a ler.
Possuía uma aparência de velho, com as páginas amareladas e a capa feita de couro, portanto ela tomou cuidado ao começar a lê-lo. Pareciam falar de Guardiões. Histórias como o Papai Noel, o Coelhinho da Páscoa e a Fada do dente.
Não era como se quando pequena, a mulher que ela chamasse de mãe lesse para Rapunzel, mas gostava de ler para si mesma essas histórias infantis quando pequena. Eram apenas histórias, mas aquele não lhe parecia um livro de contos. Já acreditando que seria inútil para o que procurava, enquanto apenas pulava as páginas rapidamente encontrou um quadro interessante.
Era... ela! Em forma de pintura e com os seus antigos e longos cabelos loiros, mas era. Acima estava escrito: Afetada por Guardião.
— José! — trôpega pela rapidez com que tentava se mover, levantou-se e foi correndo até o futuro rei, sorrindo por finalmente ter encontrado algo. — Eu achei, eu achei, eu achei!
Com uma expressão de confusão ele se levantou e segurou-a antes que realmente caísse.
— Calma aí, moreninha. Mostra o que você achou.
— Aqui! — ela colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha e abriu a página da imagem, estendendo-a para o homem, que passava os olhos repetidamente de um para o outro.
— É, é você. Mas o que você está fazendo nesse livro?
— Eu não sei, só diz o título: Afetada por Guardião e meu nome embaixo. Talvez tenha outra pista. — a futura rainha voltou a passar as páginas rapidamente, até encontrar o mesmo título novamente. Na pintura se encontrava uma moça de provavelmente a mesma idade que a sua, cabelos loiros quase brancos e olhos azuis.
Rapunzel recuou por um momento, as duas não eram nada parecidas. Embaixo havia o nome da outra senhorita que provavelmente também teria os mesmos poderes: Princesa herdeira Elsa, de Arendelle.
Arendelle. Já ouviu esse nome em algum lugar. Talvez em uma das reuniões com o pai e a mãe. Provavelmente, era algum reino com quem tinha relações econômicas.
A princesa se virou para o ex-Flynn Rider e quando ia começar a perguntar o que ele achava de irem para Arendelle, foi interrompida.
— Ah, não. Não, não, não. Já arrisquei minha vida demais para toda uma eternidade.
— Ah, vamos! Onde está seu espírito de Flynn Rider? — o homem virou o rosto e Rapunzel se inclinou para ele, cantarolando: — E também seria muito importante para mim...
José Bezerra deu uma careta e voltou a olhar a esposa.
— Ok, nós vamos para Arendelle.
— Isso! — Rapunzel pulou três vezes sem sair de onde estava e depois se jogou em cima dele para um abraço, depois o beijou, José apenas se limitou a sorrir e retribuir.
***
Aquela porta branca com pinturas de fractais azuis sempre deixou Anna nervosa. Era simplesmente uma lembrança de que não bastava uma barreira invisível entre as duas para Elsa, também precisava de algo real e que impedisse a mais nova de entrar naquele quarto.
Ultimamente já não era mais todo dia que batia na porta da irmã procurando ver se ela saía daquele local por um momento e ao menos olhava para o rosto da princesa, vendo o quanto ela cresceu. Mas aquele era um dia especial, no outro seria a coroação da princesa herdeira e finalmente os portões do castelo seriam abertos e ela teria a liberdade que tanto almejava.
Hesitou pouco antes de bater na porta, mas logo tomou coragem e o fez, inconscientemente no mesmo ritmo que fazia quando era pequena e cantava na frente desta mesma parede.
Naquele momento, a futura rainha estava fazendo sua última prova de roupa sozinha em seu quarto. Vestia as mesmas luvas, capa e vestido que usaria no próximo dia. Também tinha os cabelos soltos, algo incomum para ela. Ao ouvir as batidas deu um passo para trás perguntando-se quem poderia ser.
— Elsa? — Anna engoliu em seco uma vez antes de começar o que provavelmente seria um monólogo. Ao ouvir sua voz após tanto tempo, a mais velha cobriu a boca com as mãos, surpresa. — Eu... Eu pensei que já que amanhã é a coroação você poderia sair... Só... Só para me dizer o que vai acontecer. Ou não! Pode ser outra coisa também.
Elsie sorriu de leve, balançando a cabeça negativamente. Queria muito rever a irmã, mas estava com medo. Hesitantemente, se aproximou da porta em passos lentos pensando que apenas vê-la não faria mal, mas ao tocar na maçaneta, mesmo com a luva, o objeto congelou e a futura rainha se recordou porque se escondia naquele quarto.
As mãos da ruiva apertavam o vestido em sinal de nervosismo e ela esperou por um breve momento a resposta, sendo esta a mesma de sempre: nenhuma. A princesa suspirou e encostou a testa na porta, balançando a cabeça de leve com os olhos fechados. Nunca entendeu o que fez para receber tanta indiferença.
— Tudo bem, eu entendi. Até amanhã.
Logo Anna retirou-se do local praticamente se arrastando. Já sabia que seria assim, então por que continuava tentando? Ainda com as mãos na maçaneta congelada, a loira encostou a testa na porta em um gesto igual ao da irmã momentos antes. Sua mão se apertou no local e o gelo foi se espalhando pela porta no formato de pequenos fractais como se sentisse a pressão exercida na maçaneta. Elsa só queria ser normal, queria que Anna tivesse a irmã que realmente merecia.
— Dont. Feel. — sussurrou momentos antes de se afastar do que a separava do mundo lá fora.
***
O bater dos cascos na terra fazia com que a princesa sorrisse. Cavalgar sempre fora algo que lhe dava sensação de liberdade e ela sempre almejou ser livre, correr pela floresta, atirar flechas, desvendar lugares... Tudo isso sempre lhe atraiu. Infelizmente só conseguira tal independência três anos antes quando sua mãe, a rainha Elinor, finalmente passou a entendê-la, assim como ao contrário. Agora Merida podia viver suas aventuras, mesmo que continuasse aprendendo como uma princesa deve agir.
Ela atiçava o cavalo a correr, deixando sua companhia para trás. Seus pais e irmãos pestinhas decidiram acompanhá-la daquela vez. Sua mãe pedira que tomasse cuidado, mas simplesmente não conseguia. Gostava de correr e se aventurar por entre a floresta, mas parou bruscamente ao ver um brilho estranho vindo de uma parte mais escura. Cerrou os olhos procurando ver melhor o que era e quando descobriu, recuou um pouco, arregalando os olhos. Não era possível, já tinha cumprido seu destino.
Novamente as luzes mágicas a chamavam para se aproximar e a ruiva se sentia tentada a fazê-lo. Ultimamente isso vinha acontecendo, mas Merida não conseguia descobrir o que era porque sempre algo ou alguém a atrapalhava. Deveria ser algo importante para tanta insistência. Logo desceu de Angus, seu cavalo, e passou a segui-las. Talvez desta vez pudesse entender o que elas queriam.
Ao se aproximar de uma, ela desapareceu, mas as outras ainda estavam lá para lhe indicar o caminho. O animal estava atrás dela, sendo sua única companhia.
— Merida!
Como se conseguissem ouvir a voz da rainha, as luzes sumiram. Perplexa, ela ainda continuou lá, encarando o local onde estiveram as luzes que supostamente deveriam levá-la ao seu destino. Logo seus familiares chegaram e sua mãe foi logo descendo do cavalo para repreender a jovem moça.
— Merida, o que eu lhe falei sobre ir devagar? Estamos dando um passeio em família, não uma corrida! — enquanto a mulher se aproximava da filha já lhe dava a bronca que provavelmente duraria bastante.
— As luzes... — a jovem continuava observando o caminho com curiosidade, mas levantou o braço e apontou para repetir: — Mãe, as luzes mágicas! Elas estavam aqui, eu tenho que segui-las.
— Calma, minha filha. Merida, você não pode seguir luzes só porque elas apareceram para você. Da última vez que isso aconteceu, sua mãe virou um urso. — foi a vez do rei de se pronunciar.
Os garotos ainda estavam em cima de seus respectivos cavalos, fazendo brincadeiras entre si. A jovem princesa dividia a atenção entre os pais e os outros três.
— Minha filha, eu sinto em lhe dizer que desta vez seu pai tem razão. Não pode segui-las sem mais nem menos agora, mesmo que nós acreditemos que elas de fato mostram seu destino.
Não houve jeito, teve continuar o passeio e não seguir as luzes intrigantes. E pior: não pôde mais correr com Angus. Mas uma coisa era certa: ela não conseguia retirar da cabeça a ideia de uma nova aventura e de uma mudança em seu destino.
Naquela mesma noite, uma mulher encapuzada pegou todos os itens necessários para uma viagem, arrumando tudo e montando em seu inseparável cavalo, também junto com seu arco e algumas de suas flechas. Logo ela atravessava os portões e ia em direção à floresta. A parte da capa que cobria seu rosto caiu com a fria brisa causada pela velocidade do cavalo, mostrando certos olhos azuis e um rosto envolto de cacheados cabelos ruivos.
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