Os Homens Merecem Morrer

1 Sorriso Colgate, óleo quente e a doce ingratidão


Notas iniciais
Olá! Tudo bem? Bom, como estou prestes a concluir uma das minhas fics, decidi postar esse projeto maluco, mas que foi de incrível importância para o retorno da minha inspiração nesse ano. Foi uma ideia muito repentina por sinal, e eu não poderia deixar de postá-la o mais depressa possível com vocês.Espero sinceramente que gostem de mais essa trama minha, cheia de maluquices ;)Boa Leitura!

CAPÍTULO UM

Sorriso Colgate, óleo quente e a doce ingratidão

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Bom dia, querida amiga cheia de luz. Hoje no nosso “OS HOMENS MERECEM MORRER”, vou abrir seus olhos novamente e te relembrar do que o sexo masculino atual representa para nós.

Algumas ouvintes do programa mandaram emails para mim. Emails... Ridículos! Nojentos! Asquerosos!

O primeiro é de uma ouvinte que prefere não se identificar. Sábia escolha querida, porque o que você mandou é deprimente.

“Ah, os belos olhos, o sorriso Colgate, o cabelo irresistível. Eu estou apaixonada por um lindo que conheci no cinema, em um passeio com as amigas. Nós trocamos algumas mensagens, e acho que pode dar certo. O que acha, R.W?”

Acorda amiga! Acende a luz e sai do inferno! Homem não presta! E quer saber por quê?

Primeiro que os “belos olhos” não vão estar em contato com os seus, e sim esquadrinhando cuidadosamente seus peitos e sua bunda assim que você virar. Segundo, que aquele “sorriso Colgate” é apenas um método de te fazer ficar caidinha por ele. E o cabelo? Ah, muitas mulheres já devem ter mexido naqueles cabelos cheios de Garnier Nutrisse antes de você, amore (e aposto que não foi num passeio inocente pelo cinema).

Mas não se preocupe. Eu estou aqui para te trazer de volta à luz. Seja iluminada, querida. Não caia nas tentações do mundo.

Vamos evitar o (quase) inevitável: o bofe só quer te levar pra cama, passar o rodo, fazer você de corrimão, maçaneta, ser a chave que entra na sua preciosa fechadura.

Portanto, fecha essas pernas! Cruze esses braços e faz o sinal da cruz que ele é coisa do capeta!

Ele não quer unir as escovas de dente com você, nem ser o príncipe que te acorda. Hellooo!

Cinema? PelamordeDeus! Não seja tão clichê. Vão se conhecer num motel logo! Esse cara quer te estuprar, minha filha! Acorda! Ele deve estar na seca, pior que o Cantareira e te escolheu pra ser a vítima.

Agora cabe a você se livrar do perigo. E se você já deu a ele e descobriu que o príncipe na verdade é um sapo gordo e feio... Se mata! Ou mata ele. Porque depois de provar o seu doce minha filha, o bofe vai querer espalhar aos quatro ventos a fonte do mel.

Homens conseguem ser mais fofoqueiros que tiazinhas de cidade deserta.

Fica a dica.

E nossa segunda ouvinte, também anônima, se mostra ainda mais trágica que a primeira.

“Eu estava casada há quase três anos, quando encontrei meu marido com outra na minha cama. Ainda não consegui superar. Já faz alguns meses. O que eu faço?”.

Primeiro, PARA TUDO BRASIL! Minha filha, joga água benta nessa cama. Você já deve estar contaminada depois de tanto tempo! Nem quero pensar!

Segundo, você tem óleo em casa? Querida, amore, luz do meu dia... MATA ELE! Enrolou demais já! Como você deixa passar tanto tempo da traição? Seu chifre já deve estar alcançando a outra galáxia, querida! Hellooo! Chama ele pra um jantarzinho romântico. Joga xixi de rato no lugar de azeite na salada, Coloca laxante no bolo de chocolate. Depois leva ele pro quarto, finge que vai transar, amarra o maldito na cama, ferve o óleo e jogue na arma do crime dele! E caso ele ainda sobreviva para contar história, faça o serviço completo e jogue água quente no ouvido dele. Minha filha, nenhum homem sobrevive com um amigo carbonizado e os tímpanos fritos. E se você for esperta, ainda consegue pensão do maridinho morto.

Agora, vamos para os comerciais e voltamos em poucos minutos com mais um bloco de “OS HOMENS MERECEM MORRER”.

— E Rose Weasley faz mais um show com seu programa de rádio — Alice Longbottom faz uma pausa dramática, gesticulando com as mãos no ar como se formasse um letreiro imaginário.

A ruiva sentada em frente à mesa de som com um notebook aberto sorriu cinicamente, retirando os fones de ouvido.

— Ganhando dinheiro em cima da desgraça masculina. O que mais eu poderia querer? — Levantou-se, deixando a sala com vidros fumê e seguindo para o corredor claro, onde diversas mulheres caminhavam agilmente, falando ao telefone ou segurando planilhas.

— Talvez uma lei que nos permitisse trabalhar livremente. Ainda não entendo qual o problema do nosso programa. Nós simplesmente protegemos o sexo feminino. Sabe... — Alice pensou por um instante, fazendo certo esforço para tal. — Somos inocentes aqui!

— Vá dizer isso aos policiais machistas — Rose parou em frente à máquina de café, enchendo o copo. Fez um som de muxoxo com a boca, revirando os olhos. — A justiça desse país está perdida.

— É! — Alice concordou vigorosamente. Pareceu se lembrar de algo. — Ah, houve um homicídio ontem à noite. Uma mulher matou o ex-marido quando descobriu que ele tinha hipotecado a casa para dar dinheiro à amante. Ele morreu eletrocutado na banheira.

Rose parou de tomar seu café.

— Ela foi presa?

Alice meneou a cabeça negativamente.

— Ohhh — Rose fingiu surpresa, começando a retornar pelo corredor. — Essa é uma das minhas. Minha assinatura está embaixo disso?

— Ela tentou mandar uma carta de agradecimento para você... É — Alice concordou freneticamente, franzindo o cenho em seguida. — Mas não deu muito certo. Interceptaram antes que você recebesse.

— Burra — xingou Rose, revirando os olhos.

— Eu achei gentil da parte dela tentar te agradecer. Sabe... Uhu! Matei meu marido na banheira! Me vinguei daquele filho da puta. Vou agradecer a diva da rádio feminista... — Diante do olhar severo de Rose, Alice hesitou. — Não? Okay.

Rose suspirou como uma velha de sessenta anos prestes a ensinar ao neto que no céu não tem pão.

— Aprenda Alice. No nosso trabalho, não existe gratidão. A nossa recompensa está em ver vários cafajestes sendo mortos. Um dia você vai aprender. — E meneou a cabeça negativamente, como se Alice ainda fosse jovem demais para entender, e se afastou para dentro de sua sala novamente.

Alice continuou pensando, até franzir o cenho para Rose.

— Não podemos ganhar nem chocolate por Sedex? Nadinha?

Mas a ruiva estava entretida demais colocando os fones e apertando uma série de botões na mesa de som, que não lhe deu ouvidos.

E voltamos com mais um bloco de “OS HOMENS MERECEM MORRER”. Agora, tenho um comunicado importante a fazer.

Você ai, mulher de garra que deseja vingança! Você ai, que matou seu marido eletrocutado na banheira e tentou me agradecer... SUA BURRA! ANTA! INÚTIL!

A partir do momento que você matou alguém, VOCÊ passa a ser uma fugitiva da polícia. Uma fora da lei. Uma BANG-BANG da vida! NÃO me agradeça! NÃO me mande chocolates, colar de pérolas, notas de 100, pão de mel, pão abençoado! NÃO! Querida, acorda! Nesse país, mesmo você tendo motivos excelentes para matar, você ainda é uma louca, que matou o marido, e que vai passar uns aninhos presa em uma penitenciária cheia de mulheres que não são muito gentis. Okay? Entendeu? Não quer que eu desenhe né?

E por hoje é só. Achou curto o programa? Necessita de mais? Oh querida, coloque em prática minhas dicas de hoje! No momento estou vencendo uma batalha contra a polícia da cidade, por isso, o prazo do programa está mais curto. Maas, amanhã estarei de volta com mais uma série de dicas deliciosas para você se livrar do encosto da sua vida e do sexo oposto que nada lhe agrada. Lembre-se sempre: OS HOMENS MERECEM MORRER. Até a próxima!

Rose tirou os fones, desligando a mesa de som agilmente. A equipe de mulheres em uma sala a parte prosseguia com a programação, dando continuidade a rádio Marine.

— Vamos — falou para Alice, entregando-lhe os óculos de sol. — Temos um dia cheio pela frente.

— Nem me fale — A morena suspirou dramaticamente, saindo da sala, enquanto Rose passava a chave na tranca. — Quero dizer... Trabalhar no que trabalhamos não é bom quando o emprego disfarce é ruim. — E notando quão confusa sua frase pareceu, Alice franziu o cenho de modo a pensar.

Sua amiga suspirou.

— Em que ganhamos uma merreca por sinal — Rose mexeu no seu cabelo, cumprimentando algumas colegas de trabalho vagamente, antes de virar um corredor que tinha uma porta de emergência trancada. Ela passou o crachá na tranca eletrônica, e uma escadaria que levava ao alto se estendeu a ambas.

Alice bateu a porta de emergência e seguiu Rose na subida.

Alcançaram a portinhola que ficava acima de suas cabeças, e a ruiva desprendeu o cadeado com a chave que possuía. Empurrou a portinhola do alçapão, e seus sapatos colidiram com o piso de madeira dos fundos da loja.

— Ah, como eu amo isso — Alice sorria empolgada. — Me sinto como uma das 3 Espiãs Demais. Eu assistia aquele desenho...

— Feche o alçapão e vamos. — Rose estava atenta ao mínimo ruído, e olhou em seu relógio. — São nove e meia da manhã. Três horas aqui para não levantarmos suspeitas, com a loja aberta. Depois trocamos de turno e fazemos mais um bloco do programa. — Ela repetiu para si mesma, e Alice a fitou como se ela fosse louca.

— Não fale sozinha. Você parece uma entidade que vende lingeries francesas nas horas vagas.

Deixaram o estoque cheio de caixas de papelão lacradas, e Rose virou a plaquetinha de “Fechado” para “Aberto” na porta de vidro da “Lingeries Francesas — peças para todos os gostos e tamanhos femininos”.

Embora aquele trabalho de fachada fosse de certa maneira exaustivo — Rose detestava suportar os homens tarados que adentravam aquela loja —, sentia-se renovada a cada manhã depois de exalar toda sua repulsa no programa de rádio.

Era um trabalho complicado e perigoso, pois com os homicídios e ataques frequentes de mulheres aos maridos traidores (malditos!), o Departamento de Polícia da cidade caçava a feminista rádio Marine, e especialmente a misteriosa RW.

Tão patéticos como eram, nenhum daqueles investigadores baratos desconfiaria que RW, na verdade, pertencia a Rose Weasley — até porque, em seus documentos ela possuía o Granger como seu segundo nome. Afinal, quem desconfiaria de uma inocente ruiva que vendia lingeries para conseguir pagar a faculdade de jornalismo (falsa por sinal)?

E além disso, quem consultaria a conta “laranja” dela para descobrir uma pequena fortuna?

Rose acreditava estar no emprego perfeito, que cumpria perfeitamente todas as suas ambições de vida descritas em seu planejamento de vida. Enquanto Alice acreditava nos seus devaneios de ser uma espiã que aniquilava homens infiéis impiedosamente.

Notas finais
Ficarei feliz a quem aparecer aqui para comentar, dizer oi, distribuir flores, chocolate, ou simplesmente aprovar a ideia. É difícil iniciar um projeto assim do nada, mas por incrível que pareça já tenho 12 capítulos prontos nessa história, em apenas 3 semanas escrevendo em alguns momentos do dia. É uma fic que provavelmente, mesmo que não haja um retorno esperado, vou continuar postando (porque afinal, tantos caps. não podem simplesmente serem jogados no lixo). Mas gostaria de saber as opiniões de vocês! O que acharam desse início, hum? Querem mais um cap. semana que vem?Até a próxima, pessoal. Obrigada desde já! Beijokas ;)