Os Homens Merecem Morrer
21 Babados, bafões e o cafajeste ordinário
Notas iniciais
CAPÍTULO VINTE
Babados, bafões e o cafajeste ordinário
♠ ♠ ♠
Uma vez Rose leu em um livro qualquer a desvantagem de não poder se vangloriar de seus feitos malignos.
Claro que ela era não era exatamente má (ela era justa!), mas não pode evitar que a fúria preenchesse o seu íntimo ao ver Alice e Alvo naquela situação.
— Rosinha, amore! Di-vo-sa! — Alice conseguiu se cobrir com as roupas no chão, ocultando-se atrás de um Alvo mais vermelho que um pimentão estragado. — Querida! Adoro você!
— CALA A PORRA DA BOCA, ALICE!
— AHHHHHHH! ALVO! ELA VAI ME MATAR!
Rose começou a correr atrás de Alice, que se encolheu, correndo ao redor de Alvo.
— A CULPA NÃO FOI MINHA!
— FOI CULPA DE QUEM ENTÃO? DA SUA VAGINA?
— EU NÃO TIVE CULPA!
— VOCÊ QUEBROU O VOTO DE CASTIDADE, ALICE LONGBOTTOM! E NO NOSSO ESTOQUE!
— AHHHHH! NÃO ME MATA! — A morena choramingava e gritava ao mesmo tempo, usando Alvo como escudo.
Rose já tirara o sapato de salto como se fosse matar uma barata.
— EU VOU TE MATAR!
Alice voltou a gritar, correndo para outro canto do estoque, mas Rose lançou seu sapato e atingiu em cheio a cabeça da morena, que caiu no chão desacordada.
Alvo finalmente pareceu ter acordado de um transe, e correu até Alice.
— Ah meu Deus! AH MEU DEUS! ALICE!
Ele começou a sacudir ela, no entanto a morena estava desacordada como uma verdadeira Bela Adormecida.
— AGORA EU MATO VOCÊ!
Alvo arregalou os olhos quando viu uma Rose assassina segurando o outro par do sapato de salto (malditos saltos!), e quase mijou nas calças antes que Scorpius tomasse uma atitude valente e jogasse a ruiva por cima do ombro.
— ME SOLTA SEU TROGLODITA BURRO!
— Vambora. Deixa eles se pegarem.
— NÃO! Você não entende...
Eles já saiam da loja, e alguns observaram Rose espernear no ombro do loiro.
— Seu idiota! Alice quebrou o voto de castidade com Alvo!
— E daí? Os dois parecem se gostar. Deixa eles.
— Alvo é um idiota! Ele dava o fora em garotas por ser um babaca. Eu avisei a Alice.
— Calma vai. Você anda muito estressada. Quer um suquinho de maracujá? Uma massagem?
— EU NÃO QUERO NADA VINDO DE VOCÊ, MALFOY!
— Nem chocolate?
Rose abriu a boca para falar, porém a fechou novamente. Chocolate não seria uma má ideia.
(...)
Dominique ainda se sentia presa mesmo estando em liberdade. Os bilhetes anônimos agressivos não paravam de chegar ao seu quarto de hotel, e ela não acreditava que algum dia pudesse desejar ser desconhecida ao mundo.
Ela não era RW. Não havia feito nada. Mas todos agora acreditavam que Dominique Weasley tinha algo a ver com tudo.
E aquilo estava irritando-a profundamente.
Conseguiu ligar para uma amiga em Paris naquela manhã, e dali uma semana estaria retornando definitivamente para a França. Desejava mais do que tudo se livrar daquela atenção desnecessária e dos problemas sem sentido algum.
— Senhorita Dominique, tem uma carta para você que chegou há algumas hora — o porteiro a barrou logo que ela alcançava o elevador após o almoço em um restaurante próximo.
Dominique o fitou com o cenho franzido, puxando a carta de sua mão e adentrando o elevador sem agradecer.
Abriu o envelope. Seus olhos passearam pela frase, e a perplexidade a golpeou:
JUNTE DOIS MAIS DOIS.
ROSE WEASLEY É A RW.
VENHA ATÉ O CENTRO ANTES QUE SEJA TARDE.
O endereço se encontrava anexado à parte de trás da carta. Não havia assinatura ou qualquer letra que indicasse a figura que mandara aquilo.
Mas a curiosidade e a sede por vingança fizeram Dominique correr para seu apartamento e ligar para sua amiga em Paris, desmarcando a viagem.
(...)
— O que você pretende fazer? — Scorpius questionou gentilmente, enquanto dirigia a picape de Rose por diversas ruas sem um destino definido.
Aquela pergunta talvez não se aplicasse ao exato momento, mas a ruiva só conseguia pensar no fato da amiga estar tão envolvida com alguém como Alvo, pertencendo a um emprego que não aceitava tais relações.
— Primeiro vou cortar a garganta da Alice. Depois vou conversar com o cadáver dela. E depois vou decapitar o Alvo. E aí vou conversar com o cadáver dele...
Scorpius fez uma careta.
— Não era disso que eu estava falando, mas tudo bem!
— Do que estava falando então?
— Você pretende ficar trabalhando para sempre em uma loja de lingeries de uma franquia francesa?
Rose suspirou, encostando a cabeça no vidro.
— Por que não?
— Sei lá.
Eles ficaram em silêncio.
— E você pretende ficar em um Departamento de Polícia tendo um chefe ranzinza?
— Gosto do que faço.
— Também gosto do que faço — disse Rose, com sinceridade. — Talvez eu não tenha o melhor salário do mundo, mas é o que eu tenho.
Scorpius deu de ombros.
— Apenas perguntei.
Mais alguns segundos de silêncio. A ruiva batucou os dedos na perna, antes de acrescentar:
— Eu queria ter feito Jornalismo — Scorpius a encarou de soslaio com curiosidade. — Mas desisti.
— Por quê?
— Eu não me sairia bem no Enem. Aliás, não é minha praia correr mortalmente por isso — Ela debochou, no entanto o loiro percebeu que aquela não era a verdadeira resposta. Resolveu não insistir. — Onde estamos indo?
— Vou te levar no Habib’s! — Scorpius anunciou animadamente. Rose franziu a testa. — É uma despedida calorosa! Você vai ficar na casa da Alice indefinidamente. Não posso deixar de comemorar isso.
— Seu idiota — Rose mal conteve o riso, e o loiro deu de ombros.
— Eu tento. — Ele estacionou a picape em uma vaga qualquer.
Já escurecera, e se passavam das oito da noite. Rose saiu da sua picape com Scorpius, e ele se sentiu até contente por ter dirigido sem que ela lhe desse algum sermão. De alguma forma, se sentia próximo dela. Talvez saber sobre suas decepções do passado resultasse nisso.
Eles entraram e escolheram uma mesa. Rose começou a analisar o cardápio com os olhos, e Scorpius fez o pedido.
— Você nunca mais se interessou por nenhum cara desde o que aconteceu com o tal Mason no passado? — ele questionou a ruiva, que desviou os olhos do nada para encará-lo.
— Não. Homens são horríveis.
— Valeu.
Ela deu um sorrisinho cínico, sem contradizer o que falara. O lanche chegara servido pelo garçom, e ambos desfrutaram das esfihas e do lanche, sem falar da Pepsi.
— Não entendo porque o Habib’s não tem Coca. — Scorpius comentou, avaliando sua latinha de Pepsi. — Aquilo é viciante.
— Talvez porque há muito tempo a Coca tenha sido definida como uma bebida infernal — Rose respondeu, mordendo sua esfiha de carne e dando de ombros em seguida. — Quem bebesse iria para o inferno. Então grande parte dos estabelecimentos que serviam Coca deixaram de servir, e passaram a servir Pepsi, que foi considerada uma bebida divina. Quem bebesse iria para o céu.
— Porra! Vou estocar isso em casa.
— Vou estocar caminhões de Pepsi talvez. Tomar no café, almoço, jantar, café da tarde e da noite. Vou misturar com água se possível. — brincou Rose, e ambos riram.
— Você está sendo legal agora. Mais legal do que quando bateu uma frigideira na minha cabeça...
— Você estava pelado — murmurou Rose, revirando os olhos. — Sou uma dama! O que queria que eu fizesse?
— Nem te conto!
A ruiva arqueou as sobrancelhas em descrença, e Scorpius ergueu as mãos em sinal de rendição.
— Estou brincando! Deveria levar mais para o lado do bem as coisas, sabe...
— Homens tem um humor tão divino e inocente...
— E vocês mulheres tem um humor tão divino e inocente?
Rose lançou o guardanapo em um dos pratos, fitando Scorpius com seriedade.
— As mulheres tem um humor refinado e distinto. Somos sutis, indiretas, e testamos a sabedoria e inteligência masculina antes de tudo. É assim que somos.
— E nós homens fazemos o quê?
Rose suspirou pesarosamente, como se respondesse a uma insistente criança de dois anos porque o céu é azul.
— Vocês são rudes. E usufruem de um humor carregado de malícias e sadomasoquismo...
— Sadomasoquismo?
— É. Homens têm desejos ridículos que envolvem uma mulher amarrada na cama, ou em posições terríveis. Sinceramente não culpo as mulheres que fingem um orgasmo para se livrarem de seus parceiros rapidamente...
Scorpius meneou a cabeça negativamente, rindo.
— Ah Rose. Você é muito radical.
A ruiva revirou os olhos pela enésima vez, e permaneceu calada.
— Vou no banheiro — Ela falou, levantando-se rapidamente.
— Okay. Se for gentil deixo você pagar a conta.
Rose se conteve para não mostrar o dedo do meio para Scorpius, que ria sentado à mesa.
Ela entrou no banheiro, que estava completamente vazio. Fitou-se em um dos espelhos, ajeitando os cabelos ruivos e se apoiando na pia por um segundo.
Seu celular vibrou dentro da bolsa, e ela o apanhou. Era Alice. Rose ignorou a ligação e tornou a guardá-lo.
— Sua amiga te magoou?
A ruiva estremeceu, antes de assimilar a quem aquela voz pertencia. Sentiu o coração bater de uma maneira mais forte, o pânico repentinamente atingindo cada poro em seu corpo.
Ela se virou bruscamente.
Mason estava parado diante de uma das cabines do banheiro, com os braços cruzados e um sorrisinho de canto no rosto. Rose permaneceu estarrecida e boquiaberta.
— Saudades, querida?
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